ITU na Pediatria: Cistite e Pielonefrite
Estudo sobre cistite e pielonefrite em pediatria, cobrindo diagnóstico, critérios clínicos e tratamento. Destinado a estudantes de medicina e residentes.
Cartões · 35
- Principal agente etiológico bacteriano da ITU na pediatria
- Escherichia coli, responsável por 80 a 90% dos casos de infecção do trato urinário.
- Definição anatômica de cistite
- Infecção restrita ao trato urinário inferior (bexiga e uretra), sem acometimento renal sistêmico.
- Definição anatômica de pielonefrite aguda (PNA)
- Infecção do trato urinário superior, envolvendo o parênquima renal e a pelve renal.
- Quadro clínico típico de cistite em crianças maiores
- Disúria, polaciúria, urgência miccional, dor suprapúbica e enurese secundária, habitualmente sem febre.
- Sinais clínicos sugestivos de pielonefrite em lactentes
- Febre alta sem foco aparente, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e ganho ponderal inadequado.
- Sinal semiológico característico de pielonefrite em escolares
- Sinal de Giordano positivo (dor à punho-percussão na região lombar) associado à febre alta e calafrios.
- Método padrão-ouro para coleta de urina em não treinados no toalete
- Cateterismo vesical alívio ou punção suprapúbica, devido ao menor risco de contaminação.
- Ponto de corte de urocultura para cateterismo vesical
- Crescimento bacteriano igual ou superior a 50.000 UFC/mL de um único patógeno.
- Ponto de corte de urocultura para punção suprapúbica
- Qualquer contagem de colônias de bactérias gram-negativas (ou mais de 1.000 UFC/mL de gram-positivos).
- Ponto de corte de urocultura para jato médio em treinados
- Crescimento bacteriano igual ou superior a 100.000 UFC/mL de um único patógeno.
- Limitação do saco coletor de urina na avaliação diagnóstica
- Alto índice de falso-positivos por contaminação; útil apenas se o resultado do EAS e cultura vierem negativos.
- Significado da presença de nitrito positivo na fita reagente
- Alta especificidade para bactérias gram-negativas entéricas redutoras de nitrato, como E. coli.
- Significado da esterase leucocitária positiva no EAS
- Sugere a presença de piúria e resposta inflamatória no trato urinário, embora pouco específica isoladamente.
- Diagnóstico definitivo de ITU na pediatria
- Associação de exame de urina sugestivo de inflamação/piúria com urocultura quantitativa positiva.
- Primeira escolha de antibiótico oral para cistite pediátrica
- Amoxicilina com clavulanato, cefalosporinas de 2ª geração (cefuroxima) ou sulfametoxazol-trimetoprima (se sensível).
- Duração padrão do tratamento antibiótico para cistite
- Geralmente recomendada entre 3 a 5 dias para infecções do trato inferior não complicadas.
- Tratamento empírico oral de escolha para pielonefrite leve
- Amoxicilina com clavulanato ou cefalosporina de 3ª geração oral (como cefixima) por 7 a 14 dias.
- Critérios para internação hospitalar e antibioticoterapia venosa
- Idade menor que 3 meses, sepse, desidratação, intolerância oral, toxemia ou má adesão ao tratamento.
- Antibiótico intravenoso empírico de 1ª linha na PNA hospitalar
- Ceftriaxona intravenosa ou ampicilina combinada com gentamicina (especialmente em neonatos).
- Duração habitual do tratamento da pielonefrite aguda
- Tempo total de tratamento de 7 a 14 dias, podendo ser completado por via oral após melhora clínica.
- Primeiro exame de imagem indicado após o primeiro episódio de ITU febril
- Ultrassonografia das vias urinárias e rins (USG renal), indicada para todos os lactentes.
- Objetivo da ultrassonografia renal após ITU febril
- Detectar dilatações, hidronefrose, malformações anatômicas ou sinais de complicações agudas como abscessos.
- Indicação de uretrocistografia miccional (UCRM)
- USG renal com dilatação ou hidronefrose, infecção por germe não E. coli, ou ITU febril recorrente.
- Principal patologia diagnosticada pela UCRM
- Refluxo vesicoureteral (RVU), graduado de I a V conforme o grau de refluxo e dilatação ureteral.
- Exame padrão-ouro para pesquisa de cicatrizes renais tardias
- Cintilografia renal estática com ácido dimercaptosuccínico marcado com tecnécio (DMSA).
- Momento ideal para realizar a cintilografia com DMSA para avaliar dano renal
- Aproximadamente 4 a 6 meses após o episódio agudo de pielonefrite, para afastar defeitos temporários.
- Fatores de risco urológicos para recorrência de ITU na infância
- Refluxo vesicoureteral de alto grau, constipação intestinal crônica e disfunções miccionais.
- Relação entre constipação intestinal e ITU pediátrica
- O reto distendido comprime a bexiga, causando resíduo pós-miccional e facilitando a ascensão bacteriana.
- Papel da fimose fisiológica ou patológica na ITU em meninos
- O prepúcio colonizado por bactérias uropatogênicas é o maior fator de risco para ITU no primeiro ano de vida.
- Indicações atuais para profilaxia antimicrobiana contínua
- Refluxo vesicoureteral graus IV ou V, dilatações importantes do trato urinário ou ITU febril de repetição.
- Antibiótico comumente usado na quimioprofilaxia de ITU em maiores de 2 meses
- Nitrofurantoína ou sulfametoxazol-trimetoprima, administrados em dose única diária à noite.
- Por que a nitrofurantoína é contraindicada na pielonefrite?
- Possui baixa penetração tecidual no parênquima renal e baixos níveis séricos, atuando apenas na bexiga.
- Definição de ITU recorrente na infância
- 2 ou mais episódios de pielonefrite, ou 1 pielonefrite mais 1 cistite, ou 3 episódios de cistite no ano.
- Marcadores inflamatórios séricos úteis para diferenciar cistite de PNA
- Proteína C Reativa (PCR) elevada, leucocitose com desvio e VHS elevado sustentam o diagnóstico de PNA.
- Fatores protetores primários contra ITU no primeiro ano de vida
- Aleitamento materno exclusivo, higiene perineal correta (frente para trás) e circuncisão quando indicada.