Língua Portuguesa: Interpretação e Quinhentismo
Este conjunto aborda o Quinhentismo, a literatura colonial e técnicas de interpretação de texto, charges e tirinhas para estudantes.
Cartões · 52
- Quinhentismo: definição temporal e contexto
- Conjunto de manifestações literárias produzidas no Brasil no século XVI (início em 1500), durante as Grandes Navegações e a colonização portuguesa.
- Literatura de Informação (ou dos Viajantes)
- Textos descritivos e informativos sobre a terra, a fauna, a flora e os povos indígenas, destinados à Coroa portuguesa e a investidores europeus.
- Carta de Pero Vaz de Caminha
- Considerada a 'certidão de nascimento' do Brasil, relata o primeiro contato com os indígenas e descreve a terra com deslumbramento e foco mercantil/religioso.
- Literatura de Catequese (ou Jesuítica)
- Textos religiosos (poesias, autos e sermões) produzidos pela Companhia de Jesus para catequizar e aculturar os indígenas no contexto da Contrarreforma.
- Padre José de Anchieta
- Principal nome da literatura catequética no Brasil colonial; autor de autos, poesias líricas e da primeira gramática da língua tupi.
- Auto de São Lourenço
- Peça teatral escrita por José de Anchieta em tupi, português e espanhol para ensinar a moral cristã contra os costumes pagãos indígenas.
- Visão paradisíaca no Quinhentismo
- Representação ufanista da terra recém-descoberta como um Éden terrenal, fértil e abundante em recursos naturais.
- Paganismo vs. Pureza do indígena nos relatos quinhentistas
- O nativo era visto ora como 'alma limpa' pronta para a fé cristã, ora como 'bárbaro' sem fé, lei ou rei que precisava ser civilizado.
- Compreensão de texto vs. Interpretação de texto
- A compreensão decodifica informações explícitas no texto; a interpretação analisa inferências, pressupostos e o que está implícito nas entrelinhas.
- Linguagem verbal
- Comunicação realizada por meio de palavras escritas ou faladas.
- Linguagem não verbal
- Comunicação feita através de imagens, cores, gestos, expressões faciais, símbolos e recursos visuais sem palavras.
- Linguagem mista (ou sincrética)
- Integração simultânea de elementos verbais e visuais para a construção conjunta do sentido do texto.
- Gênero textual: Charge
- Texto de humor gráfico de um único quadro que critica um fato político ou social recente, exigindo conhecimento da atualidade.
- Gênero textual: Tirinha
- Narrativa gráfica curta em sequência de quadros que apresenta personagens fixos ou cotidianos, com desfecho cômico ou reflexivo.
- Gênero textual: Cartum
- Ilustração cômica de um único quadro que aborda comportamentos humanos universais e atemporais, sem foco em eventos factuais imediatos.
- Ironia em textos e tirinhas
- Figura de linguagem em que se afirma o oposto do que realmente se quer dizer, identificável pelo contexto, tom ou desenho.
- Sarcasmo
- Forma corrosiva e mordaz de ironia usada para zombar, desqualificar ou ferir determinado alvo.
- Polifonia textual
- Presença de múltiplas vozes, perspectivas ou discursos articulados dentro de um mesmo enunciado textual.
- Intertextualidade
- Diálogo, citação ou referência explícita ou implícita entre dois ou mais textos.
- Paródia
- Releitura intertextual de uma obra original que altera seu sentido por meio de subversão crítica, cômica ou irônica.
- Paráfrase
- Reescrita de um texto original com novas palavras, mantendo fielmente o sentido e a intenção da mensagem inicial.
- Ambiguidade (ou Duplo Sentido)
- Recurso em que uma palavra ou frase permite mais de uma interpretação, comumente usado em piadas e tirinhas.
- Polissemia
- Capacidade de uma mesma palavra assumir significados diferentes a depender do contexto em que é empregada.
- Quebra de expectativa (Humor)
- Estratégia narrativa frequente no último quadro de tirinhas que subverte a linha lógica construída, gerando comicidade.
- Expressões faciais e corporais em tirinhas
- Recurso não verbal indispensável que revela emoções, intenções, desdém, pânico ou cumplicidade dos personagens.
- Balões de fala e seus formatos
- Elementos gráficos cujos contornos indicam fala normal, sussurro (tracejado), grito (espinhoso) ou pensamento (em nuvem).
- Onomatopeia
- Representação escrita de sons e ruídos (como 'bum', 'snif', 'toc-toc'), muito comum nas histórias em quadrinhos.
- Conhecimento prévio (ou Enciclopédico)
- Bagagem cultural, histórica e política do leitor, fundamental para captar a mensagem crítica de charges.
- Temporalidade e efemeridade da Charge
- Por focar em notícias conjunturais, a charge corre o risco de perder seu sentido original com o passar do tempo sem notas de contexto.
- Metáfora visual
- Uso de elementos visuais figurados no desenho (como uma lâmpada acesa para ideia) para transmitir conceitos abstratos.
- Hiperonímia e Hiponímia
- Relação semântica entre termo de sentido genérico (hiperônimo: animal) e termo de sentido específico (hipônimo: cachorro).
- Sinonímia e Coesão lexical
- Uso de termos com sentidos semelhantes para retomar ideias sem gerar repetição desnecessária no texto.
- Coesão referencial por anáfora
- Retomada de um termo ou ideia já mencionada anteriormente no texto por meio de pronomes ou substantivos.
- Coesão referencial por catáfora
- Antecipação de uma informação que só será explicitada e apresentada mais adiante no texto.
- Pressuposto textual
- Ideia implícita que decorre indiscutivelmente de pistas gramaticais ou lexicais presentes no enunciado (ex.: verbos de mudança de estado).
- Subentendido textual
- Sugestão implícita insinuada pelo emissor que depende estritamente do contexto e que pode ser negada pelo autor.
- Crítica social nas tirinhas
- Exposição cômica ou reflexiva de problemas humanos, preconceitos, burocracia, consumismo e política por meio do cotidiano.
- Mafalda (Quino): perfil interpretativo
- Tirinha clássica marcada por questionamentos filosóficos e políticos agudos sobre a humanidade, a paz mundial e o capitalismo.
- Calvin e Haroldo (Bill Watterson): perfil interpretativo
- Tirinha que reflete sobre imaginação, moral, educação e filosofia de vida através de um garoto de seis anos e seu tigre de pelúcia.
- Metalinguagem em tirinhas
- Ocorrência em que a história em quadrinhos discute seus próprios recursos, o papel do desenhista ou a limitação dos quadros.
- Diferença entre Denotação e Conotação
- Denotação é o uso da palavra em sentido literal e dicionarizado; conotação é o uso em sentido figurado e subjetivo.
- A 'terra sem males' e o Quinhentismo
- Mito tupi-guarani de salvação que colidiu com a imposição escatológica e moral da catequese cristã pelos jesuítas.
- O Tratado da Terra do Brasil (Pero de Magalhães Gândavo)
- Obra quinhentista com o propósito explícito de incentivar a migração portuguesa para povoar o território brasileiro.
- Diálogos sobre a Conversão do Gentio
- Texto do Padre Manuel da Nóbrega que debate métodos e dificuldades teológicas para converter os indígenas brasileiros.
- Antropofagia nos relatos quinhentistas
- Prática ritualística dos povos indígenas descrita com horror pelos europeus como prova de selvageria e canibalismo sem moral.
- Coesão sequencial
- Articulação lógica temporal e argumentativa do texto promovida pelo uso adequado de conjunções e conectivos.
- Conjunção adversativa em interpretação
- Conectivos como 'mas' e 'porém' que sinalizam quebra de raciocínio anterior e introduzem o argumento mais forte do autor.
- Conjunção concessiva em interpretação
- Conectivos como 'embora' e 'ainda que' que introduzem uma objeção sem anular a tese principal defendida.
- Função referencial (ou informativa) da linguagem
- Foco na informação objetiva sobre o referente e o contexto real, predominante na Literatura de Informação.
- Função conativa (ou apelativa) da linguagem
- Foco em convencer ou influenciar o comportamento do interlocutor, predominante na Literatura Catequética e em propagandas.
- Plano de fundo (background) na charge
- Detalhes visuais secundários de um desenho que frequentemente contêm as pistas decisivas para captar a sátira.
- Caricatura em charges
- Exagero visual de traços físicos ou trejeitos de personalidades públicas para identificação imediata e ridicularização crítica.