Meningite na Pediatria
Estudo sobre meningite na pediatria, cobrindo clínica, diagnóstico, investigação e tratamento. Indicado para estudantes de medicina e médicos residentes.
Cartões · 50
- O que é meningite?
- Processo inflamatório das membranas meníngeas e do espaço subaracnóideo que envolve o encéfalo e a medula espinhal.
- Principais agentes bacterianos no período neonatal (0 a 28 dias)
- Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli (e outros Gram-negativos entéricos) e Listeria monocytogenes.
- Principais agentes bacterianos entre 1 e 3 meses de idade
- Patógenos neonatais associados a Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b.
- Principais agentes bacterianos em crianças maiores de 3 meses
- Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Neisseria meningitidis (meningococo).
- Principal etiologia viral de meningite asséptica na infância
- Enterovírus (coxsackievírus e ecovírus), responsáveis por mais de 80% dos casos virais.
- Tríade clássica da meningite bacteriana em crianças maiores
- Febre, cefaleia e rigidez de nuca.
- Apresentação clínica típica de meningite em lactentes e recém-nascidos
- Sinais inespecíficos: febre ou hipotermia, irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos e fontanela abaulada.
- Como pesquisar o sinal de rigidez de nuca?
- Tentar fletir passivamente o pescoço em direção ao tórax; há resistência marcante e dor.
- Definição do sinal de Kernig
- Flexão da coxa em 90 graus seguida de extensão da perna; a resposta é dor e resistência no joelho.
- Definição do sinal de Brudzinski
- A flexão passiva do pescoço desencadeia flexão involuntária dos quadris e joelhos.
- O que é o sinal do tripé em meningite?
- A criança senta-se na cama apoiando as mãos para trás para aliviar a tensão meníngea.
- Lesões cutâneas purpúricas ou petequiais sugerem qual agente?
- Neisseria meningitidis (meningococo), indicando risco elevado de meningococcemia fulminante.
- O que é a Síndrome de Waterhouse-Friderichsen?
- Insuficiência adrenal aguda causada por necrose e hemorragia das adrenais decorrente de meningococcemia grave.
- Exame confirmatório essencial para diagnóstico de meningite
- Punção lombar (PL) com análise citológica, bioquímica, bacterioscópica e microbiológica do líquor (LCR).
- Contraindicações clínicas imediatas à punção lombar
- Instabilidade hemodinâmica grave, insuficiência respiratória iminente, infecção no sítio da punção e coagulopatia grave.
- Indicações de tomografia de crânio antes da punção lombar
- Coma, sinais focais neurológicos, papiledema, imunodepressão grave ou história de lesão prévia do SNC.
- Aspecto típico do LCR na meningite bacteriana aguda
- Turvo ou purulento, com pressão de abertura aumentada.
- Celularidade do LCR na meningite bacteriana
- Pleocitose acentuada (frequentemente superior a 1000 leucócitos/mm3) com predomínio de neutrófilos (>80%).
- Glicose e proteínas do LCR na meningite bacteriana
- Hipoglicorraquia (relação LCR/glicemia < 0,4) e hiperproteinorraquia acentuada (> 100-500 mg/dL).
- Aspecto e celularidade do LCR na meningite viral
- Límpido ou claro, pleocitose moderada (geralmente < 500 células/mm3) com predomínio linfomonocitário.
- Glicose e proteínas no LCR da meningite viral
- Glicose normal (relação > 0,6) e proteínas normais ou levemente elevadas.
- Papel da coloração de Gram no sedimento do LCR
- Identificação rápida do padrão bacteriano: diplococos Gram-positivos (pneumococo) ou Gram-negativos (meningococo).
- Exames complementares laboratoriais obrigatórios na suspeita
- Hemoculturas (ao menos 2 pares), hemograma completo, PCR, eletrólitos, glicemia sérica e coagulograma.
- Diagnósticos diferenciais infecciosos da meningite
- Encefalite viral, abscesso cerebral, sepse sistêmica, pneumonia grave e infecção do trato urinário febril.
- Diagnósticos diferenciais não infecciosos da meningite
- Meningismo associado a febre alta, hemorragia subaracnóidea, leucemia com invasão meníngea e intoxicações exógenas.
- Prioridade de conduta na suspeita de meningite com atraso na PL
- Iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente após a coleta de hemoculturas, sem esperar a punção ou tomografia.
- Esquema empírico de antibióticos para neonatos (< 28 dias)
- Ampicilina associada a Cefotaxima ou a um aminoglicosídeo (como Gentamicina).
- Por que evitar Ceftriaxona em recém-nascidos?
- Risco de precipitação com cálcio em soluções venosas e deslocamento da bilirrubina da albumina (kernicterus).
- Esquema empírico para lactentes de 1 a 3 meses
- Ampicilina (cobre Listeria) associada a Cefotaxima ou Ceftriaxona com ou sem Vancomicina.
- Esquema empírico para crianças acima de 3 meses
- Ceftriaxona ou Cefotaxima, associada à Vancomicina em locais com alta taxa de pneumococo resistente.
- Posologia da Ceftriaxona na meningite bacteriana pediátrica
- 100 mg/kg/dia IV dividida em 1 ou 2 doses (dose máxima: 4 g/dia).
- Indicação do uso de Dexametasona na meningite bacteriana
- Indicada em suspeita de H. influenzae b ou S. pneumoniae para reduzir perda auditiva neurossensorial e sequelas.
- Momento ideal da administração da Dexametasona
- Antes ou concomitantemente com a primeira dose de antibiótico; não tem benefício comprovado se iniciada após.
- Dose pediátrica recomendada de Dexametasona
- 0,15 mg/kg/dose a cada 6 horas por 2 a 4 dias.
- Tratamento direcionado se confirmado Neisseria meningitidis
- Ceftriaxona ou Penicilina Cristalina (conforme sensibilidade) por 5 a 7 dias.
- Tratamento direcionado se confirmado Streptococcus pneumoniae
- Ceftriaxona por 10 a 14 dias; adicionar Vancomicina se houver resistência a cefalosporinas.
- Tratamento direcionado se confirmado Listeria monocytogenes
- Ampicilina em altas doses associada a Gentamicina por 14 a 21 dias.
- Tempo total de antibioticoterapia para H. influenzae b
- 7 a 10 dias de terapia com cefalosporina de 3ª geração.
- Tratamento antiviral empírico para suspeita de encefalite herpética
- Aciclovir intravenoso na dose de 60 mg/kg/dia dividida a cada 8 horas (neonatos) ou 500 mg/m2/dose.
- Manejo da hipertensão intracraniana (HIC) na emergência
- Elevação da cabeceira a 30 graus, alinhamento cervical, sedação leve, manitol ou salina hipertônica a 3%.
- Manejo de crise convulsiva na vigência de meningite
- Benzodiazepínico IV (Diazepam 0,2-0,3 mg/kg ou Midazolam 0,1-0,2 mg/kg); se refratário, Fenitoína ou Levetiracetam.
- Suporte hemodinâmico inicial no choque séptico associado
- Ressuscitação volêmica guiada com cristaloides isotônicos (10-20 mL/kg) e suporte precoce com drogas vasoativas.
- Indicação de isolamento respiratório em meningite
- Isolamento por gotículas nas primeiras 24 horas de antibioticoterapia adequada para N. meningitidis e H. influenzae.
- Quem deve receber quimioprofilaxia para doença meningocócica?
- Contatos domiciliares próximos, pessoas em creches/escolas com contato íntimo e profissionais expostos a secreções sem EPI.
- Drogas de escolha para quimioprofilaxia de meningococo
- Rifampicina oral (2 dias), Ceftriaxona IM (dose única) ou Ciprofloxacino oral (dose única, adultos).
- Dose de Rifampicina para quimioprofilaxia em crianças
- 10 mg/kg/dose (máximo 600 mg) a cada 12 horas por 2 dias; em < 1 mês: 5 mg/kg a cada 12 horas.
- Complicações neurológicas agudas da meningite
- Edema cerebral, ventriculite, trombose venosa cerebral, infarto arterial, higroma subdural e empiema.
- Principal complicação a longo prazo da meningite bacteriana
- Perda auditiva neurossensorial; avaliação audiológica antes da alta hospitalar é mandatória.
- Outras sequelas a longo prazo da meningite pediátrica
- Déficits cognitivos, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, hidrocefalia, epilepsia e paralisias focais.
- Prevenção primária mais eficaz contra as meningites bacterianas
- Vacinação sistemática contra Pneumococo, Meningococo (sorogrupos C e ACWY/B) e Haemophilus influenzae b.