Métodos Coproparasitológicos
Estudo dos principais métodos coproparasitológicos e seus agentes alvo, destinado a estudantes de medicina e biomedicina.
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- Exame Direto a Fresco
- Observação direta de fezes com salina ou lugol; busca trofozoítos móveis de protozoários em fezes diarreicas recentes.
- Método de Hoffman, Pons e Janer (Lutz)
- Sedimentação espontânea por gravidade em água; detecta ovos pesados de helmintos (ex: Schistosoma mansoni e Ascaris lumbricoides) e cistos.
- Método de Faust (Centrifugo-flutuação)
- Flutuação em sulfato de zinco (d=1,180 g/mL); ideal para cistos de protozoários (Giardia, Entamoeba) e ovos leves de helmintos.
- Método de Willis (Flutuação simples)
- Flutuação em solução saturada de cloreto de sódio (d=1,200 g/mL); indicado para ovos leves, especialmente ancilostomídeos.
- Método de Rugai, Mattos e Brizola
- Hidro-termotropismo positivo em água morna; pesquisa larvas vivas de Strongyloides stercoralis em fezes frescas.
- Método de Baermann-Moraes
- Termo-hidrotropismo com funil e tela metálica; isolamento de larvas de Strongyloides stercoralis do solo ou fezes.
- Método de Kato-Katz
- Clarificação com verde malaquiela e glicerina; técnica quantitativa (ovos por grama) para Schistosoma mansoni e geo-helmintos.
- Método da Fita Adesiva (Graham)
- Aplicação de fita gomada perianal; diagnóstico de escolha para ovos de Enterobius vermicularis e proglotes de Taenia.
- Coloração de Ziehl-Neelsen Modificada
- Coloração álcool-ácido resistente em esfregaço fecal; pesquisa oocistos de Cryptosporidium, Cystoisospora e Cyclospora.
- Método de Ritchie (Formol-Éter)
- Centrifugo-sedimentação bifásica com éter e formol; concentra cistos de protozoários e ovos de helmintos eliminando gordura.
- Coprocultura de Harada-Mori
- Incubação em papel de filtro e tubo com água; diferenciação de larvas filarioides de ancilostomídeos e Strongyloides.
- Coprocultura em Placa de Ágar
- Semeadura em ágar para rastreio do rastro de bactérias deixado por larvas em movimento de Strongyloides stercoralis.
- Coloração Tricrômica de Wheatley
- Coloração permanente de esfregaço fecal; padrão-ouro para identificação morfológica detalhada de trofozoítos e cistos de amebas.
- Hematoxilina Férrica
- Coloração permanente clássica para esfregaço fecal; evidencia estruturas nucleares e corpúsculos cromatoides de protozoários.
- Método de Sheather
- Centrifugo-flutuação em solução saturada de sacarose; técnica muito usada para recuperação de oocistos de Cryptosporidium.
- Método de MIFC (Mertiolato-Iodo-Formol-Concentração)
- Centrifugo-sedimentação que preserva e cora simultaneamente; indicado para cistos de protozoários e ovos de helmintos.
- Tamisação fecal
- Passagem de fezes lavadas por tamises de malha fina; recuperação e identificação de vermes adultos e proglotes de Taenia.
- Lactofenol de Amann
- Solução clarificadora rápida de ovos e larvas em lâmina; não é um método de enriquecimento, mas sim de montagem diagnóstica.
- Centrifugação simples de fezes
- Lavagem e centrifugação direta em água; rápida concentração de ovos pesados de helmintos e cistos.
- Método de Stoll-Hausheer
- Contagem direta de ovos diluídos em hidróxido de sódio decinormal; técnica quantitativa de intensidade parasitária de helmintos.
- Método de Faust: principal limitação
- Pode deformar temporariamente trofozoítos e não é eficiente para ovos muito pesados como os de Schistosoma e Taenia.
- Método de Hoffman: principal vantagem
- Baixo custo, fácil execução e excelente sensibilidade para ovos pesados e operculados de helmintos.
- Método de Graham: por que não usar fezes?
- Enterobius vermicularis deposita ovos na pele perianal à noite, raramente misturando-os ao bolo fecal interior.
- Método de Rugai: amostra ideal
- Fezes frescas emitidas sem conservantes, para garantir que as larvas estejam vivas e com motilidade ativa.
- Método de Kato-Katz: limitação temporal
- A leitura deve ser feita entre 30 e 60 minutos para evitar o clareamento excessivo e lise de ovos de ancilostomídeos.
- Lugol parasitológico no exame a fresco
- Cora o glicogênio e núcleos de cistos de amebas e flagelados, auxiliando na identificação taxonômica.
- Solução salina 0,85% no exame a fresco
- Mantém o equilíbrio osmótico permitindo observar a motilidade original e pseudópodes de trofozoítos vivos.
- Detecção de Cryptosporidium parvum
- Oocistos álcool-ácido resistentes detectados por Ziehl-Neelsen modificado, Kinyoun ou imunofluorescência direta.
- Detecção de Giardia duodenalis
- Cistos encontrados por centrifugo-flutuação (Faust) ou MIFC; trofozoítos móveis no exame direto a fresco diarreico.
- Detecção de Strongyloides stercoralis
- Pesquisa de larvas rabditoides por Rugai, Baermann-Moraes ou coprocultura em placa de ágar.
- Detecção de Ascaris lumbricoides
- Ovos férteis e inférteis facilmente detectados por sedimentação espontânea (Hoffman) ou Kato-Katz.
- Detecção de Schistosoma mansoni
- Ovos volumosos com espículo lateral visíveis por Hoffman-Pons-Janer e quantificados pelo método de Kato-Katz.
- Detecção de Taenia saginata e Taenia solium
- Ovos esféricos com casca radiada por sedimentação/Graham; identificação de espécie exige tamisação e proglotes.
- Detecção de Ancilostomídeos
- Ovos com blastômeros detectados por flutuação (Willis ou Faust); Kato-Katz requer leitura rápida.
- Detecção de Trichuris trichiura
- Ovos com formato de barril e tampões polares mucosos identificados por Hoffman, Willis ou Kato-Katz.
- Detecção de Fasciola hepatica
- Ovos operculados pesados e grandes encontrados principalmente por técnicas de sedimentação espontânea.
- Detecção de Entamoeba histolytica
- Cistos tetranucleados por Faust ou hematoxilina; trofozoítos com hemácias fagocitadas no exame direto diarreico.
- Detecção de Cystoisospora belli
- Oocistos elípticos visualizados a fresco ou corados por técnicas de Ziehl-Neelsen modificado e autofluorescência.
- Detecção de Hymenolepis nana
- Ovos com filamentos polares entre o embrióforo e a casca, visualizados por sedimentação ou flutuação.
- Detecção de Diphyllobothrium latum
- Ovos operculados visualizados por sedimentação espontânea; eliminação frequente de proglotes longos.
- Coprocultura de carvão vegetal
- Incubação de fezes misturadas com pó de carvão úmido para eclosão e diferenciação de larvas de nematoides.
- Princípio da centrifugo-flutuação
- Diferença de densidade entre parasitos e o reagente denso acelerada pela centrifugação, fazendo-os flutuar à tona.
- Princípio da sedimentação espontânea
- Diferença de densidade onde partículas parasitárias mais densas que o meio aquoso decantam pela força da gravidade.
- Diferença de Faust para Willis
- Faust usa sulfato de zinco e centrifugação; Willis usa NaCl saturado por flutuação simples sem centrifugar.
- Termotropismo parasitário
- Atração biológica de certas formas larvares (como Strongyloides) pelo calor, usada para concentrá-las no fundo do tubo.
- Hidrotropismo parasitário
- Atração em direção à umidade e meio líquido que estimula o deslocamento ativo de larvas de fezes sólidas para água.
- Fixador SAF (Sódio-Acetato-Formol)
- Preservante fecal livre de mercúrio; compatível com esfregaços corados e técnicas de concentração de protozoários.
- Fixador MIF (Mertiolato-Iodo-Formol)
- Fixador e corante temporário que preserva cistos, oocistos, ovos e larvas para exames microscópicos posteriores.
- Método de Blagg (MIFC)
- Nome clássico do método de centrifugo-sedimentação com mertiolato-iodo-formol e éter etílico.
- Coloração de Safrina-Azul de Metileno
- Técnica alternativa a quente para identificação diferencial de oocistos de Cyclospora cayetanensis.
- Exame macroscópico fecal
- Avaliação de consistência, cor, muco, sangue e presença de parasitos visíveis a olho nu como vermes adultos e proglotes.
- Pesquisa de trofozoítos: restrição crítica
- Fezes não podem ser refrigeradas nem conservadas por longo tempo; o exame deve ocorrer até 30-40 minutos da coleta.