Obras Literárias UEL 2027
Resumos e análises das obras literárias exigidas no vestibular da UEL 2027, destinados a estudantes que se preparam para o exame.
Cartões · 50
- Torto Arado (Itamar Vieira Junior)
- Narra a trajetória das irmãs Bibiana e Belonísia no sertão baiano; aborda herança colonial, servidão agrária, racismo e resistência comunitária quilombola.
- O Filho de Mil Homens (Valter Hugo Mãe)
- Acompanha Crisóstomo, um pescador solitário que constrói uma família por laços de afeto mútuo; tematiza a solidão, alteridade e novas configurações familiares.
- Niketche: Uma História de Poligamia (Paulina Chiziane)
- Rami descobre as amantes e outras famílias do marido e constrói laços de união entre elas; discute opressão patriarcal, poligamia e sororidade em Moçambique.
- Chove sobre Minha Infância (Miguel Sanches Neto)
- Romance de formação autobiográfico no interior do Paraná; explora memória familiar, carência material, luto e a descoberta da literatura.
- Melhores Poemas (Bernardo Guimarães)
- Coletânea poética do Romantismo que transita entre idealismo amoroso e regionalismo; enfatiza natureza exótica, sentimentalismo lírico e cultura popular.
- O Rei da Vela (Oswald de Andrade)
- Peça modernista satírica que expõe o agiota Abelardo I e a decadência aristocrática; denuncia a subserviência burguesa e o imperialismo financeiro.
- Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)
- Diário verídico do cotidiano na favela do Canindé; denuncia as dores da fome, miséria estrutural e a marginalização social de mulheres e catadores.
- O Pagador de Promessas (Dias Gomes)
- Zé do Burro tenta cumprir promessa religiosa em igreja católica e sofre rejeição institucional; reflete intolerância religiosa, sincretismo e alienação social.
- Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco)
- Paixão trágica entre Simão e Teresa impedida pela inimizade de suas famílias; expressa o ultrarromantismo, conflitos sociais e a fatalidade amorosa.
- A Falência (Júlia Lopes de Almeida)
- Narra a ascensão e ruína financeira da família do cafeicultor Francisco Teodoro; retrata o papel feminino, hipocrisia burguesa e o Naturalismo no Brasil.
- Contos Novos (Mário de Andrade)
- Nove narrativas que exploram a psicologia e o cotidiano popular e burguês; destaca a transição da infância à maturidade e a sensibilidade moderna.
- Angústia (Graciliano Ramos)
- Monólogo interior de Luís da Silva tomado pelo ciúme e decadência social; aborda frustração existencial, opressão de classe e desintegração mental.
- Bagagem (Adélia Prado)
- Poemas que unem o sagrado, a espiritualidade e as rotinas domésticas femininas; celebra a fé, o corpo da mulher e o lirismo da vida cotidiana.
- Canudos: Cartas Militares (Euclides da Cunha)
- Correspondências jornalísticas e militares sobre a Guerra de Canudos; reflete o conflito sertanejo, fanatismo, violência do Estado e messianismo.
- Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto)
- Auto de Natal sobre a fuga de Severino da seca rumo ao litoral; aborda a miséria sertaneja, desumanização e a renovação trazida pela esperança.
- A Metamorfose (Franz Kafka)
- Gregor Samsa acorda transformado em inseto monstruoso e é isolado pela família; explora alienação do trabalho, desumanização moderna e rejeição social.
- Vidas Secas (Graciliano Ramos)
- Jornada migratória de Fabiano e sua família fugindo da estiagem nordestina; examina brutalização humana, desigualdade social e mudez imposta pela fome.
- Clara dos Anjos (Lima Barreto)
- Mulher suburbana e negra sofre sedução e abandono pelo malandro Cassi Jones; critica preconceito racial de classe e a vulnerabilidade dos excluídos.
- Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
- Defunto autor rememora sua vida fútil com cinismo e ironia; inaugura o Realismo brasileiro criticando a hipocrisia e os privilégios da elite colonial.
- Casa de Pensão (Aluísio Azevedo)
- Amâncio muda-se para pensão no Rio e sucumbe aos vícios e interesses da dona; exemplifica determinismo biológico e degradação moral do Naturalismo.
- Poema Sujo (Ferreira Gullar)
- Longo poema escrito no exílio que resgata memórias de infância em São Luís; evoca denúncia política à ditadura, corporalidade e lirismo social.
- Dois Irmãos (Milton Hatoum)
- Conflito destrutivo entre os gêmeos Yaqub e Omar numa família de imigrantes libaneses em Manaus; tematiza desagregação familiar, memória e decadência urbana.
- Terra Sonâmbula (Mia Couto)
- Menino e velho abrigam-se em ônibus incendiado e leem diários durante guerra civil; une realismo mágico, oralidade e feridas da violência em Moçambique.
- Quincas Borba (Machado de Assis)
- Rubião herda fortuna do filósofo Quincas Borba e enlouquece ao ser explorado na corte; ironiza o Humanitismo, a bajulação e a loucura humana.
- Sagarana (João Guimarães Rosa)
- Coletânea de contos ambientada no sertão mineiro com rica reinvenção da linguagem; discute dilemas morais, conflitos humanos e destino trágico.
- Tarde (Olavo Bilac)
- Obra poética parnasiana póstuma que reflete sobre envelhecimento e morte; valoriza rigor métrico formal, resignação lírica e efemeridade do tempo.
- Auto da Compadecida (Ariano Suassuna)
- João Grilo e Chicó enfrentam adversidades no sertão e passam pelo julgamento celeste; mistura tradição oral, religiosidade popular e esperteza sertaneja.
- O Bem-Amado (Dias Gomes)
- Prefeito Odorico Paraguaçu quer inaugurar cemitério e tenta obter um cadáver a qualquer custo; satiriza a corrupção e a demagogia política brasileira.
- O Ateneu (Raul Pompeia)
- Sérgio relata suas experiências e desilusões em rigoroso internato para rapazes; investiga corrupção moral infantil, falsas aparências e opressão escolar.
- Laços de Família (Clarice Lispector)
- Contos sobre epifanias silenciosas no cotidiano de personagens comuns; aprofunda dramas existenciais íntimos, relações familiares e alienação feminina.
- Úrsula (Maria Firmina dos Reis)
- Romance romântico que narra amores trágicos enquanto denuncia horrores do cativeiro; primeiro romance abolicionista brasileiro escrito por mulher negra.
- Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)
- Nacionalista ingênuo propõe reformas radicais e apoia Floriano Peixoto até ser executado; critica o patriotismo cego e a tirania republicana autoritária.
- Alguma Poesia (Carlos Drummond de Andrade)
- Primeiro livro poético do autor, marcado pelo poema da pedra e humor reflexivo; inaugura modernismo intimista, pessimismo cômico e crítica à modernidade.
- A Hora da Estrela (Clarice Lispector)
- Narra a vida miserável e invisível da retirante alagoana Macabéa no Rio; expõe indigência existencial, abismo social e reflexões sobre a própria escrita.
- Mayombe (Pepetela)
- Guerrilheiros lutam pela independência de Angola enquanto enfrentam divergências internas; analisa tribalismo, idealismo político e contradições bélicas.
- Iracema (José de Alencar)
- Romance indianista que narra amor sacrificial entre guerreiro branco e virgem dos lábios de mel; simboliza mito de fundação e mestiçagem da nação brasileira.
- Dom Casmurro (Machado de Assis)
- Bentinho narra sua desconfiança obsessiva sobre traição de Capitu com Escobar; analisa ciúme doentio, ambiguidade narrativa e dissimulação social.
- O Cortiço (Aluísio Azevedo)
- Habitação coletiva carioca abriga dezenas de operários sob ambição do senhorio João Romão; reflete determinismo do meio, animalização e conflito de raça.
- Fogo Morto (José Lins do Rego)
- Mostra o declínio do engenho Santa Fé a partir de três personagens decadentes; retrata o fim do patriarcado canavieiro e a ruína social no Nordeste.
- O Seminarista (Bernardo Guimarães)
- Jovem é obrigado pelo pai a seguir vida eclesiástica e renuncia ao seu grande amor; critica imposição patriarcal e celibato forçado na Igreja Católica.
- Poemas Selecionados (Gregório de Matos)
- Lírica barroca dividida entre sátiras ferinas à sociedade baiana, reflexões sacras e erotismo; retrata conflito de culpas espirituais e tensões coloniais.
- Navio Negreiro (Castro Alves)
- Poema condoreiro grandioso que retrata a travessia atlântica desumana de africanos escravizados; clama por justiça divina, abolição e dignidade humana.
- O Triste Fim de Policarpo Quaresma: Nacionalismo
- Tema do nacionalismo exacerbado que culmina no choque entre o ideal ingênuo de Policarpo e a realidade brutal e autoritária da nascente República.
- Torto Arado: Ancestralidade e Terra
- A luta física e mística pela posse da terra ligada ao Jarê e à memória dos ancestrais escravizados, expondo a permanência do trabalho servil contemporâneo.
- Quarto de Despejo: Fome como Agente Social
- A fome retratada não como carência passageira, mas como tortura cotidiana estrutural que anula a dignidade do indivíduo excluído nas periferias urbanas.
- O Pagador de Promessas: Intolerância e Sincretismo
- O choque insuperável entre o dogmatismo eclesiástico católico intolerante e a religiosidade sincrética e espontânea do povo brasileiro.
- O Rei da Vela: Crítica à Burguesia Parasitária
- A sátira mordaz contra as alianças espúrias entre o capital financeiro agiota, a aristocracia decadente falida e as empresas multinacionais exploradoras.
- Niketche: Sororidade contra o Machismo
- A transformação da rivalidade feminina tradicional em aliança e cooperação solidária entre mulheres frente às violências e regras do patriarcado.
- A Falência: Papel da Mulher no Século XIX
- A denúncia dos limites sufocantes da condição feminina no casamento e a necessidade de emancipação diante do colapso econômico familiar.
- Contos Novos: Passagem da Infância à Vida Adulta
- O rito de amadurecimento doloroso, a perda da inocência e a descoberta das contradições éticas e sexuais do mundo adulto moderno.