Políticas Públicas: Custo-Benefício (CGU/Cebraspe)
Estudo de políticas públicas com foco em análise custo-benefício para concursos públicos e bancas como o Cebraspe.
Cartões · 50
- A ACB expressa custos e benefícios estritamente em unidades monetárias para fins de comparação.
- Certo. Na análise custo-benefício (ACB), todos os custos e impactos positivos devem ser convertidos em valores monetários para viabilizar a comparação e o cálculo do benefício líquido.
- A análise custo-efetividade (ACE) monetiza tanto os custos quanto os resultados da política pública.
- Errado. A ACE mensura os custos em unidades monetárias, mas afere os resultados em unidades físicas ou de impacto substantivo (ex.: vidas salvas, alunos formados).
- A análise custo-utilidade expressa seus benefícios comumente em métricas como QALYs e DALYs.
- Certo. A análise custo-utilidade (ACU) mede os resultados em unidades de utilidade subjetiva ponderada, como anos de vida ajustados por qualidade (QALY) ou incapacidade (DALY).
- O Valor Presente Líquido (VPL) maior que zero indica que os benefícios superam os custos atualizados.
- Certo. Um VPL positivo evidencia que a soma dos benefícios descontados pela taxa social é superior à soma dos custos descontados, indicando viabilidade econômica.
- A Taxa Interna de Retorno (TIR) de um projeto viável deve ser inferior à taxa social de desconto.
- Errado. Para o projeto ser considerado economicamente viável na ACB, a TIR deve ser superior ou igual à taxa social de desconto (custo de oportunidade do capital).
- A razão benefício-custo (B/C) superior a 1 indica que a intervenção pública gera ganho líquido.
- Certo. Se a razão entre o valor presente dos benefícios e o valor presente dos custos for maior que 1, a política gera mais ganhos do que custos à sociedade.
- Custos afundados (sunk costs) devem ser incluídos na decisão ex ante de continuidade de uma política.
- Errado. Custos afundados são despesas pretéritas irrecuperáveis e irrelevantes para decisões futuras, devendo ser ignorados na avaliação ex ante e marginal.
- O custo de oportunidade reflete o valor do melhor uso alternativo que é sacrificado em uma decisão.
- Certo. Na ótica econômica de políticas públicas, o custo real de mobilizar recursos públicos é medido pelo benefício gerado pela melhor alternativa preterida.
- Externalidades negativas geradas por projetos públicos devem ser contabilizadas como custos na ACB.
- Certo. A ACB adota a perspectiva do bem-estar social total, logo externalidades (danos ambientais, ruído, etc.) devem ser precificadas e somadas aos custos sociais.
- O critério de Kaldor-Hicks exige que os vencedores compensem de fato os perdedores para haver ganho.
- Errado. O critério de compensação potencial de Kaldor-Hicks exige apenas que os ganhos superem as perdas em potencial, sem necessidade de compensação financeira real.
- O critério de eficiência de Pareto exige que ninguém seja prejudicado pela política pública.
- Certo. Uma mudança é Pareto-ótima se melhora a situação de ao menos um indivíduo sem piorar a de nenhum outro, sendo mais restritivo que Kaldor-Hicks.
- Preços-sombra são utilizados para precificar bens que não possuem mercados explícitos ou competitivos.
- Certo. Quando ocorrem falhas de mercado ou ausência de preços reais (ex.: ar puro, tempo de tráfego), a ACB recorre a preços-sombra para estimar o valor social.
- O método de valoração contingente calcula custos indiretos com base em despesas reais de viagem.
- Errado. O método do custo de viagem usa gastos reais de deslocamento; a valoração contingente baseia-se em preferências declaradas via pesquisas de disposição a pagar.
- A técnica de preços hedônicos infere o valor de atributos não mercantis a partir de preços de mercado.
- Certo. Preços hedônicos analisam transações reais (ex.: mercado imobiliário) para isolar e estimar o valor implícito de atributos como poluição ou segurança.
- A taxa social de desconto mais alta favorece projetos governamentais com benefícios de longo prazo.
- Errado. Uma taxa de desconto elevada reduz drasticamente o valor presente de fluxos futuros distantes, prejudicando projetos com benefícios intergeracionais.
- A avaliação ex ante de políticas públicas tem como objetivo principal mensurar o impacto já ocorrido.
- Errado. A avaliação ex ante ocorre antes da implementação e visa estimar a viabilidade, custos projetados e potenciais impactos; medir impacto real é papel da ex post.
- A análise de sensibilidade testa a robustez do VPL perante variações em premissas e parâmetros críticos.
- Certo. A análise de sensibilidade altera variáveis-chave (taxa de desconto, custos, adesão) para verificar a estabilidade do resultado da política sob incerteza.
- Efeitos distributivos são automaticamente ajustados e neutralizados no cálculo clássico do VPL.
- Errado. A ACB tradicional foca na eficiência agregada e não pondera desigualdades distributivas, a menos que pesos de bem-estar específicos sejam aplicados.
- Custos intangíveis, como perda de patrimônio histórico, devem ser desprezados sumariamente na ACB.
- Errado. Bens e custos intangíveis devem ser valorados por técnicas diretas ou indiretas; se impossível precificá-los, devem compor a análise qualitativa.
- A Disposição a Pagar (DAP) quantifica o valor monetário que os beneficiários atribuem a uma melhoria.
- Certo. A DAP (Willingness to Pay) expressa a quantia máxima de renda que o cidadão aceitaria abrir mão para usufruir de um bem ou política pública ofertada.
- A Disposição a Aceitar (DAA) mede a compensação mínima exigida para tolerar uma perda de bem-estar.
- Certo. A DAA (Willingness to Accept) reflete o valor monetário mínimo aceitável para tolerar a degradação de uma utilidade ou perda de um direito público.
- Em políticas com benefícios de difícil mensuração em moeda, a ACE é mais apropriada do que a ACB.
- Certo. Quando não é viável ou ético atribuir preço aos resultados (ex.: vacinação, redução da criminalidade), a análise custo-efetividade é a técnica recomendada.
- Transferências puras de renda (como aposentadorias) geram benefícios econômicos diretos líquidos na ACB.
- Errado. Transferências fiscais puras representam transferências de renda entre grupos sem consumo real de recursos, devendo ser expurgadas da ACB econômica líquida.
- Impostos diretos devem ser deduzidos como custos de insumos na perspectiva estritamente social.
- Errado. Do ponto de vista econômico social, tributos são meras transferências financeiras, não custos de recursos reais; consideram-se custos econômicos antes de impostos.
- A auditoria de conformidade substitui a análise custo-benefício em programas federais de grande porte.
- Errado. A conformidade afere a legalidade e regularidade dos atos; a ACB afere economicidade e viabilidade substantiva, atuando de maneira complementar.
- O Valor Estatístico da Vida (VEV) mensura a valoração da redução agregada de riscos de mortalidade.
- Certo. O VEV reflete a disposição social marginal de pagar por diminutas reduções nas probabilidades de morte em dada população, e não o valor de uma vida específica.
- Se o orçamento público for limitado, deve-se selecionar projetos ordenando-os exclusivamente pelo VPL.
- Errado. Sob restrição de capital (orçamento limitado), projetos devem ser priorizados pelo Índice de Lucratividade (VPL por real investido) para maximizar o ganho total.
- Custos indiretos ou secundários abrangem impactos de transbordamento gerados em outros mercados.
- Certo. Custos e benefícios indiretos medem os efeitos sistêmicos (spillover effects) propagados em mercados correlatos em decorrência da política.
- A avaliação in itinere foca exclusivamente na projeção orçamentária para exercícios futuros.
- Errado. A avaliação in itinere (de processo/acompanhamento) analisa a execução operacional e o cumprimento de metas durante o desenvolvimento da intervenção.
- A técnica Delphi é um método empírico baseado em preços observados no mercado consumidor.
- Errado. A técnica Delphi é um método estruturado de consulta a especialistas para convergir opiniões sobre estimativas e incertezas, não preços mercantis diretos.
- Projetos mutuamente excludentes são aqueles em que a adoção de um inviabiliza a execução de outro.
- Certo. Projetos mutuamente excludentes competem pelo mesmo fim ou recurso, exigindo que a decisão selecione a alternativa que apresente o maior VPL social.
- O período de retorno simples (payback) é técnica prioritária na ACB por considerar o valor no tempo.
- Errado. O payback simples ignora o valor do dinheiro no tempo e desconsidera os fluxos de caixa ocorridos após o corte, sendo falho para a avaliação econômica integral.
- O payback descontado sana a falha da desconsideração temporal, mas ainda ignora fluxos posteriores.
- Certo. O payback descontado aplica a taxa de desconto aos fluxos, corrigindo o valor no tempo, mas continua desprezando os benefícios gerados após o equilíbrio do investimento.
- A taxa social de desconto no Brasil é uniformemente padronizada por lei para todas as políticas.
- Errado. Não há taxa social de desconto universal fixada por lei; guias do IPEA e CGU sugerem parâmetros referenciais (ex.: 6% a 10%), adaptáveis ao setor.
- Custos ambientais mitigados não podem ser tratados como benefícios monetizáveis em projetos de transporte.
- Errado. Reduções de emissões de poluentes e acidentes viários são benefícios econômicos legítimos e valoráveis monetariamente na ACB de infraestrutura.
- A dupla contagem (double counting) de benefícios ocorre quando se somam impactos diretos e capitalizados.
- Certo. Somar o ganho de tempo de tráfego e a consequente valorização imobiliária do mesmo trajeto configura dupla contagem indevida do mesmo benefício primário.
- A avaliação ex post é dispensável quando a avaliação ex ante demonstrar VPL amplamente positivo.
- Errado. A avaliação ex post é crucial para aferir se os resultados e impactos previstos no modelo teórico foram de fato alcançados na realidade.
- O custo de conformidade regulatória (compliance) engloba despesas do setor privado para cumprir normas.
- Certo. As Análises de Impacto Regulatório (AIR) e ACBs correlatas devem computar os encargos administrativos e financeiros suportados pelos agentes regulados.
- A eficiência alocativa é garantida unicamente pela maximização da produção física ao menor custo.
- Errado. A produção física ao menor custo retrata eficiência técnica ou produtiva; a eficiência alocativa exige que os bens gerados correspondam às preferências da sociedade.
- A taxa de preferência temporal pura reflete a tendência dos indivíduos de valorizar mais o presente.
- Certo. A preferência temporal social (STPR) estabelece a taxa pela qual a sociedade valoriza o consumo presente em detrimento do consumo das futuras gerações.
- O contrafactual visa representar o que teria ocorrido com o público-alvo na ausência da política pública.
- Certo. A construção do contrafactual é central para isolar a relação de causalidade da intervenção governamental frente a dinâmicas exógenas.
- Na análise custo-efetividade, a Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI) compara alternativas.
- Certo. A RCEI mede o custo adicional por unidade adicional de benefício físico obtido ao se migrar de uma tecnologia ou política para outra alternativa.
- A inflação deve ser neutralizada na ACB por meio do uso consistente de preços correntes ou nominais.
- Errado. A neutralização da inflação exige a utilização de preços constantes (reais) em conjunto com uma taxa social de desconto real.
- Projetos públicos com VPL idêntico devem receber a mesma prioridade, independentemente do risco.
- Errado. Diante de VPLs iguais, deve-se considerar o perfil de risco, variabilidade de cenários, robustez da política e flexibilidade de reversão.
- O peso distributivo atribui maior valor monetário ao real ganho por indivíduos de menor renda.
- Certo. Utilizar pesos distributivos ajusta o critério utilitarista tradicional, compensando a utilidade marginal decrescente da renda em prol da equidade social.
- O viés do respondedor na valoração contingente pode decorrer da estratégia de distorcer sua DAP.
- Certo. O comportamento estratégico ocorre quando o respondente subestima ou inflaciona sua DAP acreditando que a resposta influenciará tarifas ou aprovações reais.
- A Análise de Impacto Regulatório (AIR) no Brasil veda o emprego de análise custo-benefício.
- Errado. A Lei das Agências Reguladoras e o Decreto nº 10.411/2020 determinam que a ACB e a ACE são métodos preferenciais na elaboração de AIR.
- Custos de transação correspondem a custos de formulação, monitoramento e fiscalização contratual.
- Certo. Na formulação e governança de políticas públicas, custos de transação abarcam despesas com desenho institucional, negociação e controle contra oportunismo.
- A TIR pode apresentar múltiplos resultados em projetos que alternam saldos de fluxo de caixa líquidos.
- Certo. Fluxos de caixa não convencionais (onde há mais de uma mudança de sinal ao longo do horizonte temporal) podem originar taxas internas de retorno múltiplas.
- O papel do controle externo e da CGU limita-se a conferir recibos contábeis, excluindo a ACB.
- Errado. Órgãos de controle contemporâneos como CGU e TCU avaliam a economicidade, a eficiência e a robustez metodológica das decisões baseadas em ACB e ACE.