Processos Proliferativos Não Neoplásicos
Este conjunto cobre processos proliferativos não neoplásicos, como hiperplasia e metaplasia, detalhando definições, mecanismos e reversibilidade para estudantes de medicina.
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- Hiperplasia
- Aumento no número de células em um órgão ou tecido em resposta a estímulos. Mecanismo: proliferação celular mediada por fatores de crescimento. É um processo reversível se o estímulo for retirado.
- Hiperplasia fisiológica hormonal
- Proliferação do epitélio glandular mamário na puberdade e gestação. Mecanismo: estimulação por estrogênios e progesterona via receptores nucleares. É totalmente reversível após a cessação do estímulo hormonal.
- Hiperplasia fisiológica compensatória
- Regeneração do parênquima hepático pós-hepatectomia parcial. Mecanismo: citocinas como IL-6 e fatores de crescimento HGF/EGF ativam ciclo celular. É reversível ao restaurar a massa tecidual original.
- Hiperplasia endometrial patológica
- Proliferação excessiva de glândulas endometriais por desbalanço hormonal. Mecanismo: estímulo estrogênico despolarizado por falta de progesterona. É reversível com terapia progestágena ou cirurgia.
- Hiperplasia prostática benigna (HPB)
- Aumento nodular do estroma e glândulas na zona de transição prostática. Mecanismo: ação da di-hidrotestosterona (DHT) sobre receptores androgênicos locais. É parcialmente reversível com bloqueio farmacológico.
- Hiperplasia tireoidiana (Bócio difuso)
- Aumento difuso de folículos tireoidianos por deficiência de iodo. Mecanismo: elevação de TSH induz proliferação celular e acúmulo de colóide. É reversível com a reposição adequada de iodo.
- Hiperplasia por papilomavírus (Verruga vulgar)
- Proliferação epitelial cutânea decorrente de infecção por HPV. Mecanismo: proteínas virais desregulam proteínas de controle do ciclo celular (ex: p53 e pRb). É reversível mediante regressão imune ou ablação.
- Hiperplasia linfoide reativa
- Aumento nodular linfonodal por antígenos estranhos. Mecanismo: expansão clonal de linfócitos B e T nos folículos e paracórtex em resposta a citocinas. É reversível após eliminação do estímulo antigênico.
- Hiperplasia gengival medicamentosa
- Crescimento excessivo gengival induzido por fármacos como fenitoína ou ciclosporina. Mecanismo: estimulação anormal de fibroblastos e secreção de matriz extracelular. É reversível com a troca ou suspensão do fármaco.
- Hipertrofia
- Aumento do volume celular que resulta em aumento do órgão sem novas células. Mecanismo: síntese aumentada de proteínas e organelas estruturais via vias de sinalização celular. É reversível com alívio da sobrecarga.
- Hipertrofia miocárdica fisiológica
- Aumento dos miócitos em resposta ao exercício físico extenuante contínuo. Mecanismo: via PI3K/Akt ativada por estímulos hemodinâmicos normais. É reversível após interrupção duradoura do esforço atlético.
- Hipertrofia miocárdica patológica
- Aumento do tamanho dos cardiomiócitos por hipertensão arterial ou estenose aórtica. Mecanismo: ativação de genes fetais e via da calcineurina/NFAT por sobrecarga crônica. É potencialmente reversível em estágios iniciais.
- Hipertrofia muscular esquelética
- Aumento do diâmetro das fibras musculares por musculação. Mecanismo: ativação da via mTOR impulsionada por tensão mecânica e aminoácidos. É reversível com a redução permanente da atividade contrátil.
- Hipertrofia da musculatura lisa uterina
- Aumento massivo do volume das fibras musculares uterinas na gestação. Mecanismo: hipertrofia associada à hiperplasia induzida por estrogênios. É reversível através da involução puerperal completa.
- Metaplasia
- Substituição reversível de um tipo celular adulto diferenciado por outro de mesma linhagem. Mecanismo: reprogramação de células-tronco teciduais por fatores de transcrição alterados. É totalmente reversível se o estresse cessar.
- Metaplasia escamosa no trato respiratório
- Troca de epitélio pseudoestratificado ciliado por escamoso estratificado em fumantes. Mecanismo: resposta protetora à agressão contínua da fumaça. É reversível com a cessação definitiva do tabagismo.
- Metaplasia intestinal no estômago
- Substituição da mucosa gástrica por epitélio colunar com células caliciformes. Mecanismo: adaptação à agressão crônica induzida por Helicobacter pylori. É reversível se a bactéria for erradicada precocemente.
- Metaplasia escamosa do colo uterino
- Substituição do epitélio colunar eversor da ectocérvice por escamoso estratificado. Mecanismo: adaptação do epitélio ao pH ácido vaginal fisiológico. É um processo fisiológico adaptativo definitivo e estável.
- Esôfago de Barrett (Metaplasia colunar intestinal)
- Epitélio escamoso esofágico substituído por colunar com células caliciformes. Mecanismo: resposta adaptativa crônica ao refluxo gastroesofágico ácido/biliar. É reversível com controle estrito do refluxo ou ablação.
- Metaplasia óssea (Miosite ossificante)
- Formação de tecido ósseo lamelar maduro no interior de músculo estriado após trauma. Mecanismo: diferenciação osteogênica imprópria de células-tronco mesenquimais. É irreversível espontaneamente (requer ressecção).
- Metaplasia apócrina da mama
- Transformação do epitélio acinar mamário em células semelhantes às glândulas sudoríparas apócrinas. Mecanismo: alteração hormonal local dentro de alterações fibrocísticas. É tipicamente benigna e irreversível.
- Granuloma piogênico
- Lesão reativa vascular na pele ou mucosa bucal. Mecanismo: proliferação endotelial e tecido de granulação exuberante desencadeados por microtrauma ou hormônios. É reversível mediante remoção de irritantes ou excisão.
- Pólipo inflamatório colônico
- Projeção mucosa composta por tecido de granulação e epitélio reativo. Mecanismo: cicatrização excessiva e regeneração mucosa crônica em colite ulcerativa. É reversível quando o processo inflamatório intestinal remite.
- Tecido de granulação exuberante
- Hiperproliferação de miofibroblastos e capilares em feridas dérmicas abertas. Mecanismo: sinalização prolongada de TGF-beta e VEGF sem reepitelização adequada. É reversível com cauterização ou debridamento.
- Fasciíte nodular
- Proliferação pseudossarcomatosa benigna de fibroblastos e miofibroblastos na fáscia. Mecanismo: fusão clonal de genes (MYH9-USP6) associada a microtrauma. É frequentemente autolimitada e sofre involução espontânea.
- Miosite proliferativa
- Crescimento reativo pseudomaligno intra-muscular com células ganglionares atípicas. Mecanismo: reação reparadora fibroblástica após injúria tecidual sutil. É uma lesão benigna autolimitada e que regride espontaneamente.
- Cicatriz hipertrófica
- Acúmulo excessivo de colágeno dentro das bordas de uma incisão prévia. Mecanismo: desequilíbrio entre síntese de colágeno tipo III e colagenólise mediado por TGF-beta. É parcialmente reversível com o tempo ou corticóides.
- Queloide
- Depósito maciço e desorganizado de colágeno tipo I espesso além das bordas originais da ferida. Mecanismo: hiperativação sustentada de fibroblastos e TGF-beta. É irreversível espontaneamente e tem alta recidiva.
- Histiocitoma fibroso cutâneo (Dermatofibroma)
- Nódulo dérmico benigno composto por fibroblastos e histiócitos. Mecanismo: hiperplasia tecidual reativa desencadeada por picadas de inseto ou microtraumas. Geralmente persiste indefinidamente de forma estável.
- Fibromatose gengival hereditária
- Supercrescimento fibroso difuso da gengiva. Mecanismo: mutações genéticas provocando síntese descontrolada de matriz celular por fibroblastos. Não sofre regressão espontânea, exigindo gengivectomia.
- Neuroma traumático (Neuroma de amputação)
- Massa nodular de axônios emaranhados, células de Schwann e colágeno. Mecanismo: tentativa desorganizada de regeneração axonal após transecção do nervo. É irreversível sem intervenção cirúrgica corretiva.
- Hiperplasia pseudoepiteliomatosa
- Proliferação benigna da epiderme imitando carcinoma epidermoide. Mecanismo: hiperplasia induzida por inflamação crônica subjacente (ex: úlceras ou micoses). É reversível assim que o foco inflamatório é tratado.
- Pólipo fibroepitelial (Acrocórdon)
- Projeção cutânea pediculada recoberta por epiderme com eixo fibrovascular. Mecanismo: hiperplasia dérmica associada ao atrito contínuo e resistência insulínica. Lesão persistente, mas facilmente removível por excisão.
- Acantose
- Aumento da espessura do estrato espinhoso da epiderme. Mecanismo: hiperproliferação de queratinócitos basais estimulados por fatores epidérmicos ou fricção. É reversível após eliminação da irritação mecânica crônica.
- Hiperqueratose
- Espessamento acentuado da camada córnea da pele. Mecanismo: retenção de queratinócitos ou produção acelerada de queratina sob atrito constante. É totalmente reversível com o fim da agressão tópica ou queratolíticos.
- Papilomatose dérmica
- Ondulação e projeção irregular das papilas dérmicas para o interior da epiderme. Mecanismo: estímulo hiperplásico crônico por inflamação ou fatores de crescimento. É reversível conforme o estímulo primário é contido.
- Hiperplasia de células neuroendócrinas gástricas
- Proliferação linear ou nodular de células enterocromafins na mucosa oxíntica. Mecanismo: hipergastrinemia crônica compensatória à acloridria da gastrite atrófica. É reversível se os níveis normais de gastrina forem restaurados.
- Sinovite vilonodular pigmentada (Forma reativa localizada)
- Proliferação exuberante de células sinoviais com deposição acentuada de hemossiderina. Mecanismo: resposta proliferativa e fagocítica a hemartroses repetidas. Parcialmente reversível com controle dos episódios de sangramento.
- Pólipo endometrial funcional
- Projeção séssil ou pediculada da mucosa endometrial contendo estroma e glândulas. Mecanismo: hiper-responsividade focal aos estrogênios sem ação de progesterona. Geralmente não involui espontaneamente, requer curetagem.
- Hiperplasia linfoide folicular benigna amigdaliana
- Aumento bilateral das tonsilas palatinas com centros germinativos proeminentes. Mecanismo: hiper-reatividade de linfócitos B diante de infecções orofaríngeas recorrentes. É reversível após resolução do quadro infeccioso.
- Metaplasia cartilaginosa
- Formação de cartilagem hialina em tecidos moles inflamados cronicamente ou cápsulas articulares. Mecanismo: diferenciação condrogênica de células mesenquimais por estresse mecânico. É irreversível de forma espontânea.
- Epúlide fissurada
- Dobras hiperplásicas de mucosa fibrosa no sulco vestibular bucal. Mecanismo: hiperplasia conjuntiva e epitelial crônica decorrente de prótese dentária mal adaptada. É reversível após ajuste protético e excisão cirúrgica.
- Hiperplasia adrenal secundária (ACTH-dependente)
- Aumento bilateral das zonas fasciculada e reticular do córtex adrenal. Mecanismo: superprodução de ACTH por adenoma hipofisário ou fonte ectópica. É reversível caso a fonte de hiperestimulação por ACTH seja erradicada.
- Hiperplasia de ilhotas pancreáticas (Nesidioblastose)
- Aumento no número e volume das células beta produtoras de insulina. Mecanismo: resposta proliferativa endócrina à hiperglicemia materna fetal crônica. É reversível em recém-nascidos após estabilização metabólica.
- Pólipo hiperplásico gástrico
- Proliferação benigna das fovéolas gástricas com lâmina própria edematosa. Mecanismo: reparação exagerada de erosões crônicas da mucosa na gastrite. É reversível caso a causa inflamatória de base seja controlada.
- Pólipo hiperplásico colorretal
- Pequena projeção mucosa de aspecto denteado sem displasia nuclear. Mecanismo: redução na taxa de descamação e apoptose com acúmulo celular apical. Lesão estável de baixo risco, removida com polipectomia.
- Hiperplasia nodular focal (HNF) hepática
- Nódulo hepático benigno composto por hepatócitos normais com cicatriz estrelada central. Mecanismo: resposta hiperplásica localizada a uma anomalia vascular congênita prévia. É lesão estável e não tende à regressão espontânea.
- Hiperplasia mesangial glomerular
- Aumento do número de células mesangiais dentro dos tufos glomerulares renais. Mecanismo: aprisionamento de imunocomplexos ativando fatores mitogênicos mesangiais. É reversível com imunossupressão ou eliminação de antígenos.
- Metaplasia de células colunares da bexiga (Cistite glandular)
- Substituição do urotélio superficial por epitélio colunar com mucina. Mecanismo: irritação crônica do trato urinário por cálculos ou infecções de repetição. É reversível se a fonte de cistite crônica for tratada.
- Hiperplasia endotelial papilar intravascular (Tumor de Masson)
- Proliferação papilífera exuberante de endotélio dentro da luz de veias trombosadas. Mecanismo: organização e recanalização excessiva de um trombo pré-existente. É um processo benigno curado definitivamente por excisão.