Radiobiologia
Este conjunto aborda conceitos fundamentais de radiobiologia, como radiação ionizante e efeitos no DNA. É ideal para estudantes de medicina e física médica.
Cartões · 54
- Radiobiologia
- Ramo da ciência que estuda os efeitos biológicos provocados pela radiação ionizante nos tecidos vivos.
- Radiação ionizante
- Forma de energia com capacidade de remover elétrons dos átomos, gerando íons e radicais livres.
- Ação direta da radiação
- Dano biológico causado quando o fóton ou partícula interage e ioniza diretamente a molécula-alvo, como o DNA.
- Ação indireta da radiação
- Dano mediado pela radiólise da água celular, gerando espécies reativas de oxigênio que atacam o DNA.
- Radiólise da água
- Quebra de moléculas de água pela radiação ionizante, formando radicais livres altamente reativos como hidroxila (OH).
- Radical livre
- Espécie química instável com elétron desemparelhado que reage quimicamente com macromoléculas celulares.
- Quebra de fita simples (SSB)
- Ruptura em apenas uma das hélices do DNA, geralmente reparada com alta fidelidade pela célula.
- Quebra de fita dupla (DSB)
- Ruptura simultânea em ambas as fitas de DNA, sendo a principal lesão causadora de morte celular e mutação.
- Transferência Linear de Energia (LET)
- Média de energia transferida pela partícula de radiação por unidade de comprimento percorrida no meio biológico.
- Radiação de baixo LET
- Radiação que deposita energia de forma esparsa ao longo do percurso, como raios X e raios gama.
- Radiação de alto LET
- Radiação de densa ionização, como nêutrons e partículas alfa, que causa danos complexos e agrupados no DNA.
- Eficácia Biológica Relativa (RBE)
- Razão entre a dose de radiação de referência e a dose de uma radiação teste para gerar o mesmo efeito biológico.
- Os 5 Rs da Radioterapia
- Princípios biológicos do fracionamento: Reparo, Repopulação, Redistribuição, Reoxigenação e Radiossensibilidade.
- Reparo celular (5 Rs)
- Capacidade de tecidos normais e tumorais corrigirem danos subletais entre as frações de dose aplicadas.
- Repopulação tumoral (5 Rs)
- Proliferação de células tumorais sobreviventes durante o intervalo entre as frações do tratamento.
- Redistribuição no ciclo celular (5 Rs)
- Transição de células sobreviventes para fases do ciclo celular com maior sensibilidade à radiação.
- Reoxigenação (5 Rs)
- Aumento da oxigenação de células tumorais hipóxicas à medida que as camadas externas do tumor morrem.
- Radiossensibilidade intrínseca (5 Rs)
- Sensibilidade genética e molecular inata de um determinado tipo celular à morte induzida por radiação.
- Efeito oxigênio (OER)
- Razão entre doses necessárias para mesmo efeito em anóxia versus presença de oxigênio; tecidos oxigenados são mais sensíveis.
- Hipóxia tumoral
- Baixo teor de oxigênio no tumor que confere resistência radiobiológica ao fixar menos danos por radicais livres.
- Lei de Bergonié e Tribondeau
- Células são mais radiossensíveis quanto maior sua taxa proliferativa, maior o futuro mitótico e menor a diferenciação.
- Fase M do ciclo celular
- Fase da mitose em que as células apresentam o mais alto grau de radiossensibilidade devido à condensação do DNA.
- Fase S do ciclo celular
- Fase de síntese de DNA em que as células são mais radiorresistentes, especialmente na fase S tardia.
- Modelo Linear-Quadrático (LQ)
- Modelo matemático que descreve a sobrevivência celular relacionando lesões de impacto único (alfa) e duplo (beta).
- Razão Alfa/Beta
- Dose na qual a componente linear de morte celular é igual à componente quadrática, expressa em Gray (Gy).
- Tecidos de resposta aguda (alto alfa/beta)
- Tecidos com renovação rápida (alfa/beta cerca de 10 Gy), como mucosas e tumores, que manifestam toxicidade precoce.
- Tecidos de resposta tardia (baixo alfa/beta)
- Tecidos de proliferação lenta (alfa/beta cerca de 2 a 3 Gy), como medula e pulmão, mais sensíveis ao tamanho da fração.
- Dano Subletal (SLD)
- Dano celular celular que pode ser completamente reparado se houver tempo e condições adequadas antes de nova dose.
- Dano Potencialmente Letal (PLD)
- Dano que pode levar à morte celular, mas cujo desfecho depende do ambiente pós-irradiação.
- Morte mitótica
- Mecanismo principal de morte celular por radiação, ocorrendo quando a célula tenta se dividir com cromossomos danificados.
- Apoptose induzida por radiação
- Morte celular programada ativada por cascatas de sinalização molecular após identificação de danos irreparáveis ao DNA.
- Senescência replicativa
- Parada celular permanente e irreversível no ciclo de divisão após sofrer danos radiobiológicos no genoma.
- Efeito espectador (Bystander effect)
- Danos biológicos ou alterações observados em células vizinhas não diretamente atingidas pela radiação ionizante.
- Instabilidade genômica induzida
- Aumento persistente de mutações e aberrações cromossômicas em descendentes de células que foram irradiadas.
- Resposta adaptativa
- Fenômeno em que uma dose pequena prévia de radiação induz resistência celular temporária a uma dose maior subsequente.
- Efeitos determinísticos (teciduais)
- Efeitos que possuem limiar de dose, cuja gravidade aumenta proporcionalmente com a dose absorvida recebida.
- Efeitos estocásticos
- Efeitos probabilísticos sem limiar conhecido, como câncer e mutações genéticas hereditárias.
- Dose Absorvida
- Energia depositada pela radiação ionizante por unidade de massa de matéria irradiada, medida em Gray (J/kg).
- Dose Equivalente
- Produto da dose absorvida pelo fator de ponderação do tipo de radiação, medida em Sievert (Sv).
- Dose Efetiva
- Soma ponderada das doses equivalentes considerando a sensibilidade individual dos diferentes órgãos humanos.
- Radiossensibilizador
- Composto químico administrado para aumentar a susceptibilidade de células tumorais aos danos da radiação.
- Radioprotetor
- Agente farmacológico administrado antes da irradiação para proteger tecidos saudáveis contra danos radioativos.
- Proteína p53
- Supressor tumoral central que detecta danos ao DNA e comanda a parada do ciclo celular ou o disparo de apoptose.
- Homologous Recombination (HR)
- Via de reparo de quebra de fita dupla de alta fidelidade que utiliza a cromátide irmã durante as fases S e G2.
- Non-Homologous End Joining (NHEJ)
- Via direta e propensa a erros de reparo de quebra dupla de DNA, ativa em todas as fases do ciclo celular.
- Aberrações cromossômicas dicêntricas
- Anomalias com dois centrômeros causadas por troca assimétrica entre cromossomos, usadas como dosimetria biológica.
- Síndrome Aguda da Radiação (SAR)
- Conjunto de manifestações clínicas sistêmicas após exposição de corpo inteiro a altas doses em curto período.
- Fase hematopoética da SAR
- Depleção de precursores na medula óssea levando a pancitopenia, infecções e hemorragias após doses moderadas.
- Fase gastrintestinal da SAR
- Destruição do epitélio e vilosidades intestinais por doses elevadas, causando diarreia desidratante e sepse.
- Fase neurovascular da SAR
- Colapso cardiovascular e neurológico letal que ocorre rapidamente após irradiação em doses extremamente altas.
- Fracionamento convencional
- Esquema radioterápico com frações diárias padrão de 1,8 a 2,0 Gy aplicadas cinco vezes por semana.
- Hipofracionamento
- Uso de doses por fração superiores a 2 Gy em um menor número total de sessões terapêuticas.
- Hiperfracionamento
- Aplicação de doses menores que 1,8 Gy por fração aplicadas mais de uma vez ao dia com dose total aumentada.
- Equivalente em Dose de 2 Gy (EQD2)
- Dose total corrigida biologicamente que produziria o mesmo efeito clínico se fracionada a 2 Gy por sessão.