RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar)
Este conjunto aborda os conceitos e procedimentos da Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), sendo ideal para estudantes e profissionais da saúde.
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- O que significa RCP?
- Ressuscitação Cardiopulmonar, conjunto de manobras para manter a oxigenação e a circulação sanguínea durante uma parada cardiorrespiratória.
- O que é Parada Cardiorrespiratória (PCR)?
- Cessação súbita da atividade mecânica ventricular útil e da respiração espontânea eficaz.
- Primeira atitude antes de iniciar a RCP
- Garantir a segurança do local para o socorrista e a vítima antes de qualquer aproximação.
- Como checar a responsividade de um adulto?
- Chamar a vítima em voz alta tocando firmemente em seus ombros.
- Conduta imediata se a vítima não responde
- Chamar ajuda de imediato, acionar o serviço de emergência (192) e solicitar um DEA.
- Como avaliar a respiração na PCR?
- Observar os movimentos torácicos por no máximo 10 segundos buscando ausência de respiração ou gasping.
- O que é respiração em gasping?
- Respiração agônica, ruidosa e ineficaz, considerada sinal de parada cardiorrespiratória.
- Checagem de pulso por leigos
- Leigos não devem perder tempo checando pulso; basta ausência de resposta e respiração anormal para iniciar a RCP.
- Checagem de pulso por profissionais de saúde
- Palpar o pulso carotídeo em adultos por no mínimo 5 e no máximo 10 segundos.
- Sequência mnemônica primária do BLS
- C-A-B: Compressões torácicas, Abertura das vias aéreas e Boa ventilação.
- Posição correta da vítima para compressões
- Decúbito dorsal sobre uma superfície plana, rígida e firme.
- Posicionamento das mãos nas compressões em adultos
- Região hipotenar de uma mão sobre o centro do tórax (metade inferior do esterno) com a outra entrelaçada por cima.
- Posição dos braços do socorrista
- Braços retos, cotovelos estendidos e ombros alinhados verticalmente sobre o esterno da vítima.
- Profundidade recomendada das compressões em adultos
- Pelo menos 5 cm e não mais de 6 cm de profundidade.
- Frequência recomendada das compressões torácicas
- Entre 100 e 120 compressões por minuto.
- Importância do retorno completo do tórax
- Permite o enchimento ventricular e maximiza o fluxo coronariano e sistêmico entre as compressões.
- Relação compressão-ventilação sem via aérea avançada (adulto)
- 30 compressões torácicas para 2 ventilações de resgate (30:2).
- Tempo máximo de interrupção das compressões
- Interrupções devem ser minimizadas ao máximo, durando menos de 10 segundos.
- Fração de compressão torácica (FCT) recomendada
- Idealmente superior a 80%, com meta mínima de pelo menos 60% do tempo de atendimento.
- Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo
- Técnica padrão para abrir vias aéreas em vítimas sem suspeita de trauma cervical.
- Manobra de tração da mandíbula (Jaw-thrust)
- Técnica preferencial de abertura de via aérea em vítimas com suspeita de lesão da coluna cervical.
- Volume corrente de cada ventilação de resgate
- Aproximadamente 500 a 600 mL, suficiente apenas para promover a elevação visível do tórax.
- Duração de cada ventilação de resgate
- Aproximadamente 1 segundo por ventilação.
- Risco de hiperventilação na RCP
- Aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso e reduz a perfusão cerebral e coronariana.
- RCP somente com as mãos (Hands-only CPR)
- Indicada para socorristas leigos sem treinamento ou relutantes em realizar ventilações boca a boca.
- O que é DEA?
- Desfibrilador Externo Automático, dispositivo que analisa o ritmo cardíaco e aplica choques quando indicado.
- Primeiro passo ao dispor de um DEA
- Ligar o aparelho imediatamente e seguir as instruções verbais ou visuais emitidas.
- Posição padrão das pás do DEA em adultos
- Ântero-lateral: uma abaixo da clavícula direita e a outra no lado esquerdo do tórax, abaixo do mamilo.
- Conduta do socorrista durante a análise de ritmo do DEA
- Afastar todos da vítima e garantir que ninguém toque no paciente durante a análise.
- Ação imediata após a aplicação do choque do DEA
- Reiniciar imediatamente as compressões torácicas sem checar pulso ou ritmo antes de 2 minutos.
- Ritmos chocáveis na PCR
- Fibrilação Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular sem pulso (TVsp).
- Ritmos não chocáveis na PCR
- Assistolia e Atividade Elétrica sem Pulso (AESP).
- Fibrilação Ventricular (FV)
- Atividade elétrica ventricular caótica e desorganizada, incapaz de gerar débito cardíaco mecânico.
- Taquicardia Ventricular sem pulso (TVsp)
- Ritmo ventricular rápido e regular com QRS largo, sem pulso periférico detectável.
- Assistolia
- Ausência completa de atividade elétrica e mecânica miocárdica no traçado do monitor.
- Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP)
- Presença de atividade elétrica organizada no eletrocardiograma sem pulso arterial palpável.
- Protocolo da linha reta na assistolia
- Checar cabos, conexões, ganho do aparelho e mudar derivação para descartar falsa assistolia.
- Energia inicial recomendada em desfibrilador bifásico
- 120 a 200 Joules, ou a carga máxima recomendada pelo fabricante.
- Energia recomendada em desfibrilador monofásico
- Carga fixa de 360 Joules para todos os choques indicados.
- Frequência de troca de funções entre compressores
- A cada 2 minutos ou a cada 5 ciclos de 30:2 para evitar a fadiga do socorrista.
- Dose de adrenalina no ACLS adulto
- 1 mg por via intravenosa ou intraóssea a cada 3 a 5 minutos.
- Momento da primeira dose de adrenalina em FV/TVsp
- Após o segundo choque desfibrilatório não sucedido, durante as compressões.
- Momento da primeira dose de adrenalina em ritmos não chocáveis
- O mais precocemente possível após a constatação de assistolia ou AESP.
- Primeira dose de amiodarona na PCR refratária
- Bolus intravenoso ou intraósseo de 300 mg após o terceiro choque em FV/TVsp.
- Segunda dose de amiodarona na PCR refratária
- Bolus adicional de 150 mg se a FV/TVsp persistir.
- Alternativa farmacológica à amiodarona em FV/TVsp
- Lidocaína: 1 a 1,5 mg/kg na primeira dose e 0,5 a 0,75 mg/kg na segunda dose.
- Indicação de sulfato de magnésio na PCR
- Tratamento de Torsades de Pointes associado a intervalo QT prolongado (1 a 2 g diluídos em bolus).
- Mnemônico dos 5 Hs das causas reversíveis de PCR
- Hipovolemia, Hipóxia, Hidrogênio (acidose), Hipo/Hipercalemia e Hipotermia.
- Mnemônico dos 5 Ts das causas reversíveis de PCR
- Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo), Tamponamento cardíaco, Toxinas, Trombose pulmonar (TEP) e Trombose coronariana (IAM).
- Tratamento imediato de pneumotórax hipertensivo na PCR
- Descompressão torácica imediata por toracocentese por agulha ou toracostomia digital.
- Tratamento presuntivo de hipovolemia na PCR
- Infusão rápida de volume por soluções cristaloides aquecidas ou hemoderivados.
- Tratamento de hipercalemia grave na PCR
- Gluconato ou cloreto de cálcio IV para estabilização de membrana miocárdica, associado a medidas de desvio celular.
- Via de administração preferencial de fármacos no ACLS
- Via intravenosa periférica; na falha de acesso rápido, estabelece-se via intraóssea.
- Conduta após injeção de droga por acesso venoso periférico
- Flush imediato de 20 mL de solução fisiológica e elevação transitória do membro por 10 a 20 segundos.
- Ventilação com bolsa-válvula-máscara (BVM)
- Uso da técnica da letra C-E para selar a máscara na face enquanto a outra mão comprime a bolsa.
- Frequência ventilatória após intubação orotraqueal no adulto
- 1 ventilação a cada 6 segundos (10 ventilações por minuto) contínua, sem pausar compressões.
- Compressões torácicas com via aérea avançada instalada
- Compressões contínuas na taxa de 100 a 120/min sem interrupção para as ventilações.
- Método padrão-ouro de confirmação de intubação traqueal
- Capnografia quantitativa com onda contínua (detecção de dióxido de carbono exalado).
- Valor de EtCO2 indicativo de RCP de alta qualidade
- Valores de capnografia sustentados entre 10 e 20 mmHg ou superiores.
- Significado de aumento súbito e sustentado do EtCO2 (> 35-40 mmHg)
- Indicador fidedigno de Retorno da Circulação Espontânea (RCE).
- Uso de pás adesivas vs. pás manuais do desfibrilador
- Pás adesivas são preferíveis por permitirem monitorização contínua e aplicação segura e rápida do choque.
- Conduta com marcapasso implantado ao colar pás do DEA
- Posicionar a pá a pelo menos 2 a 3 cm de distância da saliência do gerador do marcapasso.
- Conduta com tórax molhado antes da aplicação do DEA
- Secar rapidamente o tórax da vítima antes de colar as pás condutoras.
- Conduta com adesivos transdérmicos de medicação
- Remover o adesivo e limpar a área antes de posicionar as pás de desfibrilação.
- Papel do líder da equipe de reanimação
- Coordenar ações, garantir a qualidade das manobras, atribuir papéis claros e manter a comunicação em alça fechada.
- O que é comunicação em alça fechada?
- Confirmação verbal explícita do recebimento, compreensão e execução de uma ordem emitida.
- Checagem de pulso no lactente (menor de 1 ano)
- Palpação da artéria braquial na face interna do braço por até 10 segundos.
- Checagem de pulso na criança (1 ano até puberdade)
- Palpação da artéria carotídea ou artéria femoral por até 10 segundos.
- Técnica de compressão em lactentes por 1 socorrista
- Dois dedos posicionados sobre o esterno, logo abaixo da linha intermamilar.
- Técnica de compressão em lactentes por 2 socorristas
- Técnica dos dois polegares com mãos envolvendo o tórax do lactente.
- Profundidade de compressão em lactentes
- Cerca de 4 cm ou pelo menos um terço do diâmetro anteroposterior do tórax.
- Profundidade de compressão em crianças
- Cerca de 5 cm ou pelo menos um terço do diâmetro anteroposterior do tórax.
- Relação compressão-ventilação pediátrica com 1 socorrista
- 30 compressões para 2 ventilações (30:2).
- Relação compressão-ventilação pediátrica com 2 socorristas
- 15 compressões para 2 ventilações (15:2).
- Causa mais comum de PCR em pediatria
- Insuficiência respiratória e choque progressivo (hipóxia), e não eventos cardíacos primários.
- Indicação de RCP em recém-nascidos na sala de parto
- Frequência cardíaca inferior a 60 bpm após 30 segundos de ventilação com pressão positiva eficaz.
- Relação compressão-ventilação neonatal
- 3 compressões para 1 ventilação (relação 3:1), totalizando 120 eventos por minuto.
- Desfibrilação pediátrica: primeira dose de carga
- 2 Joules por quilograma de peso corporal.
- Desfibrilação pediátrica: segunda dose e doses subsequentes
- 4 Joules por quilograma, podendo progredir até 10 J/kg ou carga máxima de adulto.
- Dose de adrenalina no PALS
- 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução a 1:10.000) por via IV ou IO a cada 3-5 minutos.
- Particularidade da RCP na gestante a partir de 20 semanas
- Desvio manual contínuo do útero gravídico para o lado esquerdo a fim de descomprimir a veia cava inferior.
- Cesariana perimortem (histerotomia de emergência)
- Procedimento indicado aos 4 minutos de PCR materna sem RCE, visando o parto até os 5 minutos.
- RCP na PCR por afogamento
- Iniciar com 2 a 5 ventilações de resgate antes das compressões torácicas devido à etiologia hipóxica primária.
- Manejo da hipotermia acidental grave na PCR
- RCP contínua acompanhada de medidas ativas de reaquecimento interno e externo; aquecer até declarar óbito.
- Manejo da PCR por suspeita de overdose de opioides
- Administrar naloxona intranasal ou intramuscular concomitante ao suporte básico de vida.
- RCP em pronação (paciente em posição prona)
- Comprimir a coluna torácica posterior entre as escápulas se a reversão para decúbito dorsal não for viável imediatamente.
- O que define o Retorno da Circulação Espontânea (RCE)?
- Presença de pulso arterial palpável, elevação abrupta do EtCO2 e retorno de pressão arterial mensurável.
- Meta de pressão arterial média (PAM) pós-RCE
- Manter PAM maior ou igual a 65 mmHg com infusão de fluidos ou vasopressores.
- Meta de saturação de oxigênio (SpO2) pós-RCE
- Manter entre 92% e 98% para evitar tanto a hipoxemia quanto as lesões por hiperóxia tecidual.
- Meta de PaCO2 nos cuidados pós-PCR
- Normocapnia, mantendo a PaCO2 entre 35 e 45 mmHg.
- Indicação de coronariografia de emergência pós-RCE
- Todos os pacientes com supra de ST no eletrocardiograma pós-PCR ou com forte suspeita clínica de IAM.
- Controle Direcionado de Temperatura (CDT) pós-RCE
- Manutenção ativa da temperatura central entre 32°C e 36°C por pelo menos 24 horas em pacientes comatosos.
- Evitar hipertermia pós-parada cardiorrespiratória
- Prevenir e tratar ativamente qualquer elevação de temperatura central acima de 37,7°C.
- Critério de tempo para prognóstico neurológico pós-PCR
- Avaliação formal apenas após pelo menos 72 horas do RCE e retorno à normotermia.
- Contraindicação para uso de dispositivos mecânicos de compressão
- Não são recomendados rotineiramente em substituição a compressões manuais, exceto em transporte ou cenários específicos.
- O que é fração de fluxo coronariano na RCP?
- Pressão de perfusão coronária gerada durante o relaxamento da compressão torácica, preditora de sucesso no choque.
- Critérios para cessação dos esforços de RCP em ambiente intra-hospitalar
- Falta de RCE sustentado, etiologia irreversível, ausência de ritmo chocável e decisão clínica multidisciplinar.
- Quando NÃO iniciar manobras de RCP
- Sinais óbvios de morte biológica (rigidez cadavérica, livores declives, decapitação) ou diretiva antecipada formal de não reanimar.
- Posição de recuperação
- Decúbito lateral estável para vítimas que voltaram a respirar espontaneamente com pulso, sem suspeita de trauma.