SAF: Conceito e Diagnóstico
Estudo sobre a Síndrome Antifosfolípide (SAF), abordando conceitos e critérios diagnósticos para estudantes de medicina.
Cartões · 50
- O que é a Síndrome Antifosfolípide (SAF)?
- Doença autoimune sistêmica caracterizada por tromboses recorrentes e/ou morbidade gestacional associadas a anticorpos antifosfolípides persistentes.
- Quais são as duas principais manifestações clínicas da SAF?
- Fenômenos tromboembólicos (arteriais, venosos ou de pequenos vasos) e complicações obstétricas.
- Diferença entre SAF primária e secundária
- Primária ocorre isolada; secundária está associada a outra doença autoimune, mais comumente o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES).
- Qual é a base dos Critérios de Sapporo/Sydney para SAF?
- Presença obrigatória de pelo menos um critério clínico e pelo menos um critério laboratorial positivo confirmado.
- Critério laboratorial: intervalo de confirmação
- Os anticorpos devem ser detectados em duas ou mais ocasiões, com um intervalo mínimo de 12 semanas entre as coletas.
- Quais são os 3 anticorpos pesquisados nos critérios de Sydney?
- Anticoagulante lúpico (AL), anticorpo anticardiolipina (aCL) e anticorpo anti-beta-2-glicoproteína I (anti-β2GPI).
- Critério clínico: Trombose vascular
- Pelo menos um episódio comprovado de trombose arterial, venosa ou de microcirculação em qualquer tecido ou órgão.
- Critério obstétrico: perda fetal tardia
- Uma ou mais mortes inexplicadas de feto morfologicamente normal com 10 ou mais semanas de gestação.
- Critério obstétrico: prematuridade
- Um ou mais nascimentos prematuros antes da 34ª semana devido a pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia ou insuficiência placentária grave.
- Critério obstétrico: perdas embrionárias precoces
- Três ou mais abortos espontâneos consecutivos e inexplicados antes da 10ª semana de gestação.
- Critério laboratorial: Anticoagulante Lúpico (AL)
- Presente no plasma em duas ou mais ocasiões com intervalo mínimo de 12 semanas, detectado segundo as diretrizes da ISTH.
- Critério laboratorial: Anticorpo Anticardiolipina (aCL)
- Títulos médios ou altos (>40 GPL ou MPL, ou > percentil 99) de IgG ou IgM, confirmados após 12 semanas.
- Critério laboratorial: Anti-β2-Glicoproteína I
- Títulos de IgG ou IgM elevados (> percentil 99) em duas ou mais dosagens com intervalo mínimo de 12 semanas.
- Qual anticorpo antifosfolípide tem maior risco de trombose?
- O anticoagulante lúpico (AL) apresenta a correlação mais forte com eventos trombóticos.
- O que define o perfil de 'tripla positividade' na SAF?
- Positividade simultânea para AL, anticardiolipina e anti-β2GPI, conferindo altíssimo risco trombótico e obstétrico.
- Sítio venoso mais comum de trombose na SAF
- Trombose Venosa Profunda (TVP) dos membros inferiores, frequentemente associada a tromboembolismo pulmonar (TEP).
- Sítio arterial mais comum de trombose na SAF
- Circulação cerebral, manifestando-se frequentemente como Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou AIT.
- O que é livedo reticular na SAF?
- Padrão rendilhado eritematoso-cianótico na pele, sinal cutâneo frequente decorrente da microtrombose venosa local.
- Manifestação hematológica comum não inclusa nos critérios clássicos
- Plaquetopenia (trombocitopenia leve a moderada), mediada por consumo ou destruição imune das plaquetas.
- O que é a Síndrome Antifosfolípide Catastrófica (Síndrome de Asherson)?
- Forma rara e fatal caracterizada por microtrombose multiorgânica rápida (três ou mais órgãos) em menos de uma semana.
- Fator desencadeante comum da SAF Catastrófica
- Infecções, suspensão de anticoagulantes, procedimentos cirúrgicos ou biópsias.
- Tratamento de primeira linha da trombose venosa na SAF
- Heparina inicial seguida por anticoagulação oral de longo prazo com Varfarina (alvo de INR entre 2,0 e 3,0).
- Uso de DOACs (anticoagulantes orais diretos) na SAF
- Não são recomendados, especialmente na tripla positividade, devido à maior taxa de recorrência trombótica arterial.
- Conduta obstétrica em gestante com SAF e histórico obstétrico prévio
- Associação de Ácido Acetilsalicílico (AAS) em dose baixa com Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) profilática.
- AAS pode ser mantido durante a gestação na SAF?
- Sim, em baixas doses (81-100 mg/dia), iniciado preferencialmente no primeiro trimestre para melhorar a perfusão placentária.
- Por que a Varfarina é contraindicada na gestação?
- Por ser teratogênica, provocando anomalias ósseas e de SNC, principalmente no primeiro trimestre.
- O que significa o paradoxo do Anticoagulante Lúpico in vitro vs. in vivo?
- In vitro prolonga testes de coagulação dependentes de fosfolípides (como o TTPA), mas in vivo causa pró-trombose.
- Passos laboratoriais para detecção do anticoagulante lúpico
- Triagem (prolongamento do teste), teste de mistura (falha na correção com plasma normal) e confirmação (correção com fosfolípides).
- Papel da biópsia tecidual no diagnóstico de trombose na SAF
- Confirma oclusão trombótica sem evidência significativa de inflamação na parede vascular (ausência de vasculite).
- Validade dos anticorpos da classe IgA na SAF
- Não fazem parte dos critérios formais de classificação de Sydney, embora possam ser considerados em casos atípicos.
- O que são critérios de ACR/EULAR 2023 para SAF?
- Novo sistema de classificação baseado em pontuação ponderada para critérios clínicos e laboratoriais específicos.
- Manifestação cardíaca valvar típica da SAF
- Endocardite de Libman-Sacks (vegetações não bacterianas, espessamento e disfunção valvar, mais comum na mitral e aórtica).
- Nefropatia associada à SAF
- Microangiopatia trombótica renal, que leva à hipertensão arterial sistêmica, proteinúria e insuficiência renal progressiva.
- Achado comum no líquor ou neuroimagem na SAF
- Infartos corticais/subcorticais múltiplos ou lesões isquêmicas de substância branca à ressonância magnética.
- Morbidade gestacional precoce isolada é suficiente para fechar SAF?
- Sim, desde que sejam três ou mais abortos inexplicados <10 semanas e com critérios laboratoriais positivos confirmados.
- Apresentação hematológica que pode mimetizar PTI na SAF
- Plaquetopenia imune isolada; todo paciente com suspeita de PTI crônica deve ser triado para anticorpos antifosfolípides.
- Alvo terapêutico de INR em pacientes com SAF e trombose arterial
- INR 2,0-3,0 associado ou não ao AAS, ou alvo mais elevado (INR 3,0-4,0) em casos selecionados de alto risco/recorrência.
- Manejo da SAF Catastrófica (CAPS)
- Terapia tríplice agressiva: Anticoagulação plena + Corticosteroide em altas doses + Plasmaférese e/ou Imunoglobulina Humana IV.
- Quando investigar SAF em pacientes jovens?
- Tromboses venosas não provocadas, tromboses em sítios atípicos, AVC em <50 anos ou perdas fetais recorrentes.
- Falso-positivo clássico no VDRL na SAF
- A cardiolipina usada no antígeno do teste VDRL (sífilis) reage com os anticorpos anticardiolipina do paciente com SAF.
- Qual o risco de suspensão da anticoagulação após primeiro evento na SAF?
- Altíssima taxa de recorrência trombótica; na SAF definitiva, a anticoagulação oral geralmente é por tempo indeterminado.
- Diagnóstico diferencial comum da SAF gestacional
- Trombofilias hereditárias (Fator V de Leiden, Mutação da Protrombina, deficiência de Proteína C/S/Antitrombina).
- Impacto de fatores de risco cardiovasculares concomitantes na SAF
- Tabagismo, hipertensão e dislipidemia funcionam como 'segundo golpe' ('second-hit'), deflagrando tromboses ativas.
- Importância da hidroxicloroquina na SAF secundária ao LES
- Reduz significativamente a ativação endotelial, o risco de trombose e a formação de complexos antifosfolípides.
- Profilaxia primária em portador assintomático de anticorpos antifosfolípides
- Controle rígido de comorbidades; uso de AAS em baixa dose pode ser considerado em perfis de alto risco (tripla positividade).
- SAF pode causar trombose da veia porta ou das veias hepáticas?
- Sim, tromboses em locais atípicos abdominais, como a Síndrome de Budd-Chiari, são manifestações documentadas de SAF.
- Por que a dosagem de aCL e anti-β2GPI deve ser feita por ELISA?
- É o método padronizado para quantificar as subclasses de imunoglobulinas (IgG e IgM) e fornecer títulos reprodutíveis.
- Manifestação neurológica não focal associada à SAF
- Coreia, mielite transversa e declínio cognitivo vascular progressivo por microtromboses cerebrais.
- Critérios de exclusão comuns ao avaliar SAF obstétrica
- Anormalidades anatômicas uterinas maternas, causas hormonais ou alterações cromossômicas parentais demonstráveis.
- Tempo de pós-parto recomendado para manter anticoagulação na SAF
- Profilaxia com HBPM mantida por pelo menos 6 semanas no puerpério devido ao elevado risco trombótico desse período.