Síndrome Nefrótica e Nefrítica em Pediatria
Estudo sobre a síndrome nefrótica e nefrítica em pediatria, abordando definições clínicas, critérios laboratoriais e complicações. Destinado a estudantes e profissionais de medicina.
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- Definição clássica da Síndrome Nefrótica
- Proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e frequentemente dislipidemia.
- Definição laboratorial de proteinúria nefrótica na infância
- Proteinúria de 24 horas acima de 50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária maior que 2 mg/mg.
- Ponto de corte da albumina sérica na Síndrome Nefrótica
- Albumina sérica menor que 2,5 g/dL (ou menor que 3,0 g/dL em algumas diretrizes pediátricas).
- Etiologia mais comum de Síndrome Nefrótica primária em crianças
- Doença por Lesões Mínimas (DLM), responsável por cerca de 80 a 85% dos casos pediátricos.
- Faixa etária típica da Doença por Lesões Mínimas
- Pico de incidência entre 2 e 6 anos de idade, com predomínio no sexo masculino.
- Achado característico na microscopia eletrônica da DLM
- Fusão e apagamento difuso dos processos podocitários (pedicelos).
- Características do edema na Síndrome Nefrótica
- Edema periorbitário matutino, mole, com cacifo positivo (fóvea), que pode evoluir para anasarca e ascite.
- Principal complicação infecciosa bacteriana na Síndrome Nefrótica
- Peritonite bacteriana espontânea (PBE), frequentemente causada por Streptococcus pneumoniae.
- Causa da suscetibilidade a infecções por encapsulados na Síndrome Nefrótica
- Perda urinária de imunoglobulinas (principalmente IgG) e de fatores do sistema complemento (fator B).
- Mecanismo do estado de hipercoagulabilidade na Síndrome Nefrótica
- Perda urinária de antitrombina III aliada ao aumento hepático de fatores pró-coagulantes e fibrinogênio.
- Tratamento de primeira linha da Síndrome Nefrótica idiopática pediátrica
- Corticoterapia sistêmica oral (Prednisona ou Prednisolona na dose de 60 mg/m²/dia ou 2 mg/kg/dia).
- Definição de Síndrome Nefrótica Córtico-Sensível (SNCS)
- Remissão completa da proteinúria alcançada dentro de 4 a 6 semanas de corticoterapia em dose plena.
- Definição de Síndrome Nefrótica Córtico-Resistente (SNCR)
- Ausência de remissão completa após 4 a 8 semanas de corticoterapia oral em dose máxima recomendada.
- Indicações de biópsia renal inicial na Síndrome Nefrótica pediátrica
- Idade menor que 1 ano ou maior que 10-12 anos, hematúria macroscópica persistente, hipertensão grave ou hipocomplementemia.
- Segunda causa mais frequente de Síndrome Nefrótica idiopática em crianças
- Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF), com menor taxa de resposta aos corticosteroides.
- Tríade clássica da Síndrome Nefrítica
- Hematúria (geralmente com dismorfismo eritrocitário), edema e hipertensão arterial sistêmica.
- Apresentação clínica completa da Síndrome Nefrítica aguda
- Hematúria, edema, hipertensão, oligúria e graus variáveis de perda de função renal (azotemia).
- Causa mais comum de Síndrome Nefrítica aguda na infância
- Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNPE ou GNAPE).
- Agente etiológico da GNAPE
- Streptococcus pyogenes (Streptococcus beta-hemolítico do grupo A de Lancefield), cepas nefritogênicas.
- Período de latência na GNAPE após faringoamigdalite
- Aproximadamente 1 a 3 semanas (média de 7 a 21 dias).
- Período de latência na GNAPE após piodermite/impetigo
- Aproximadamente 2 a 6 semanas (média de 14 a 28 dias).
- Aspecto característico da urina na Síndrome Nefrítica
- Urina escura, cor de coca-cola, chá forte ou ferrugem, decorrente de oxidação da hemoglobina glomerular.
- Achado no sedimento urinário patognomônico de sangramento glomerular
- Cilindros hemáticos e eritrócitos dismórficos (> 80% de dismorfismo eritrocitário).
- Comportamento do complemento sérico (C3 e CH50) na GNAPE
- Queda transitória acentuada de C3 e CH50, com retorno aos níveis normais em até 6 a 8 semanas.
- Exames sorológicos para comprovação de infecção estreptocócica recente
- ASLO (faringite) e Anti-DNAse B (especialmente útil em piodermites cutâneas prévias).
- Fisiopatologia do edema na Síndrome Nefrítica
- Queda abrupta da taxa de filtração glomerular levando à retenção primária de sódio e água (hipervolemia).
- Fisiopatologia do edema na Síndrome Nefrótica
- Diminuição da pressão oncótica plasmática pela hipoalbuminemia grave (mecanismo clássico de 'underfill').
- Principais complicações agudas ameaçadoras à vida na Síndrome Nefrítica
- Encefalopatia hipertensiva, edema agudo de pulmão e insuficiência renal aguda com hipercalemia.
- Pilares do manejo terapêutico da GNAPE não complicada
- Restrição hidrossalina e uso de diuréticos de alça (Furosemida); antibiótico para erradicar o carreador.
- Critérios de alarme para indicação de biópsia renal na suspeita de GNAPE
- Complemento C3 baixo por mais de 8 semanas, anúria prolongada ou rápida piora progressiva da função renal.
- Diferença principal entre Nefropatia por IgA e GNAPE quanto à latência
- Na Nefropatia por IgA, a hematúria é sincrônica com a infecção respiratória (1-2 dias); na GNAPE há latência.
- Nível de complemento sérico na Nefropatia por IgA (Doença de Berger)
- Normal (não consome complemento sérico).
- Achado típico da GNAPE na microscopia eletrônica
- Depósitos densos subepiteliais em formato de corcova ('humps').
- Quadro clínico típico da Púrpura de Henoch-Schönlein (Vasculite por IgA)
- Púrpura palpável não trombocitopênica em membros inferiores, artralgia/artrite, dor abdominal e nefrite.
- Definição de Síndrome Nefrótica Congênita
- Início do quadro nefrótico nos primeiros 3 meses de vida, frequentemente ligado a mutações genéticas (ex: NPHS1).