Toxicologia Farmacêutica Básica

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Conceitos básicos de toxicologia aplicados à farmácia, cobrindo definições essenciais, parâmetros de toxicidade e antídotos para iniciantes.

52 cartões Português Nível: Iniciante Farmacologia Publicado
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Toxicologia
Ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes da interação de substâncias químicas com os organismos vivos.
Xenobiótico
Qualquer substância química estranha ao organismo biológico, como fármacos, pesticidas ou poluentes ambientais.
Toxicidade
Capacidade intrínseca de uma substância química em causar danos ou alterações deletérias a um sistema biológico.
Princípio de Paracelso
Postulado central que afirma que todas as substâncias são venenos, e apenas a dose correta diferencia o veneno do remédio.
Dose
Quantidade total de uma substância administrada ou absorvida por um organismo em determinado período.
Dose Letal 50 (DL50)
Dose única necessária para matar 50% de uma população teste de animais sob condições experimentais padronizadas.
Dose Efetiva 50 (DE50)
Dose de uma substância que produz o efeito terapêutico ou farmacológico desejado em 50% dos indivíduos testados.
Índice Terapêutico (IT)
Razão entre a dose tóxica e a dose terapêutica (ex: DL50/DE50), indicando a margem de segurança de um fármaco.
Janela Terapêutica
Faixa de concentrações plasmáticas de um fármaco na qual se obtém eficácia clínica com risco mínimo de toxicidade.
Intoxicação aguda
Efeito adverso que surge rapidamente após uma exposição única ou de curta duração (menos de 24 horas) a uma substância.
Intoxicação subcrônica
Efeito resultante de exposições repetidas durante semanas ou alguns meses (geralmente até 90 dias em animais).
Intoxicação crônica
Quadro tóxico que se desenvolve após exposições repetidas ou contínuas por períodos prolongados, frequentemente anos.
Efeito adverso
Qualquer resposta nociva e indesejada provocada por um fármaco em doses comumente utilizadas na terapêutica.
Efeito colateral
Efeito não pretendido que decorre do próprio mecanismo farmacológico primário de um medicamento.
Reação idiossincrática
Reação tóxica anormal e imprevisível a um fármaco, determinada primariamente por predisposições genéticas do indivíduo.
Toxicocinética
Estudo do curso temporal de absorção, distribuição, biotransformação e excreção de xenobióticos em doses tóxicas.
Toxicodinâmica
Estudo dos mecanismos moleculares e celulares pelos quais as substâncias tóxicas causam lesões no organismo.
Biodisponibilidade
Fração da dose administrada que atinge a circulação sistêmica de forma intacta e a taxa em que isso ocorre.
Volume de Distribuição (Vd)
Volume teórico de fluido necessário para conter toda a quantidade de substância na mesma concentração do plasma.
Biotransformação
Conversão enzimática de substâncias lipofílicas em metabólitos mais hidrofílicos para facilitar sua eliminação.
Reações de Fase I
Etapa do metabolismo que introduz ou expõe grupos funcionais polares por oxidação, redução ou hidrólise.
Citocromo P450 (CYP450)
Superfamília de enzimas hepáticas e extra-hepáticas responsável pela oxidação da maioria dos xenobióticos e fármacos.
Reações de Fase II
Etapa de conjugação de metabólitos com substâncias endógenas polares (como ácido glicurônico ou glutationa).
Bioativação
Processo metabólico no qual uma substância relativamente inerte é convertida em um metabólito reativo altamente tóxico.
Estresse oxidativo
Desequilíbrio biológico entre a produção de espécies reativas de oxigênio e a capacidade antioxidante do organismo.
Glutationa (GSH)
Tripeptídeo endógeno antioxidante crucial para neutralizar metabólitos eletrofílicos e proteger hepatócitos de danos.
Toxicidade por paracetamol
Lesão hepática causada pelo esgotamento de glutationa e acúmulo do metabólito tóxico e reativo NAPQI.
N-acetilcisteína (NAC)
Antídoto de escolha para intoxicação por paracetamol; atua repondo os estoques intracelulares de glutationa.
Antídoto
Substância terapêutica capaz de neutralizar, inativar ou antagonizar especificamente os efeitos de um agente tóxico.
Naloxona
Antagonista competitivo puro dos receptores opioides utilizado no tratamento imediato de overdose por opioides.
Flumazenil
Antagonista competitivo específico do sítio de ligação dos benzodiazepínicos no complexo receptor GABA-A.
Atropina
Antagonista muscarínico usado como antídoto para intoxicações por organofosforados e carbamatos.
Pralidoxima (2-PAM)
Reativador da enzima acetilcolinesterase inibida por inseticidas organofosforados, administrado junto à atropina.
Azul de metileno
Agente redutor utilizado como antídoto específico no tratamento de metemoglobinemia induzida por fármacos ou toxinas.
Vitamina K1 (Fitomenadiona)
Antídoto indicado para reverter hemorragias causadas por superdosagem de anticoagulantes cumarínicos ou raticidas.
Descontaminação gastrointestinal
Conjunto de intervenções clínicas destinadas a reduzir a absorção sistêmica de um tóxico ingerido recentemente.
Carvão ativado
Pó poroso com grande área de superfície usado para adsorver substâncias químicas no trato gastrointestinal.
Lavagem gástrica
Procedimento mecânico de aspiração e irrigação do estômago, indicado apenas pouco tempo após a ingestão de toxinas fatais.
Síndrome anticolinérgica
Toxidrome com midríase, pele seca e quente, taquicardia, retenção urinária e delírio, comum com anti-histamínicos.
Síndrome colinérgica
Quadro caracterizado por salivação excessiva, lacrimejamento, micção involuntária, diarreia, miose e broncorreia.
Síndrome opioide
Tríade clássica composta por depressão do sistema nervoso central, miose pontiforme e depressão respiratória.
Síndrome simpaticomimética
Estado hiperadrenérgico com taquicardia, hipertensão arterial, sudorese intensa, agitação psicomotora e midríase.
Nefrotoxicidade
Dano renal tóxico frequente com uso de aminoglicosídeos, anti-inflamatórios não esteroides e anfotericina B.
Cardiotoxicidade
Lesão no músculo cardíaco ou no sistema de condução elétrico, como prolongamento de intervalo QT por certos fármacos.
Teratogênese
Indução de anomalias estruturais ou funcionais no feto durante o desenvolvimento intrauterino por exposição a xenobióticos.
Mutagênese
Capacidade de um agente químico de induzir alterações irreversíveis na sequência de nucleotídeos do DNA.
Carcinogênese
Processo multifásico pelo qual agentes tóxicos transformam células normais em células tumorais malignas.
Toxicovigilância
Monitoramento e análise contínua de casos de exposição e intoxicação em populações para orientar medidas preventivas.
Monitorização terapêutica de fármacos
Medição de concentrações séricas de medicamentos de janela terapêutica estreita para otimizar dose e evitar toxicidade.
Antagonismo competitivo
Interação onde o antídoto compete reversivelmente pelo mesmo sítio do receptor celular bloqueando a ação da toxina.
Quelação
Mecanismo pelo qual agentes químicos (como EDTA e dimercaprol) formam complexos estáveis com metais pesados para excreção.
Acidose metabólica com ânion gap elevado
Alteração laboratorial marcante em intoxicações por metanol, etilenoglicol, salicilatos e cetoacidose alcoólica.

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