UFRGS Leituras Obrigatórias: Questões de Prova

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Questões comentadas sobre as obras literárias exigidas no vestibular da UFRGS, cobrindo contexto histórico, estilo e análise dos autores.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Literatura brasileira Publicado
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Cartões · 50

A Falência (Júlia Lopes de Almeida): Foco narrativo e perspectiva
Narrador em terceira pessoa onisciente que expõe o declínio moral e financeiro da elite carioca do café, com sutil ironia crítica ao patriarcado.
A Falência: Contexto histórico do Encilhamento
Retrata o Rio de Janeiro na transição republicana, marcado pela especulação financeira desenfreada, modernização urbana e ascensão burguesa.
A Falência: Camilla e o adultério feminino
Ao contrário do determinismo naturalista punitivo, Camilla sobrevive à ruína e ao adultério pelo trabalho digno, humanizando a figura feminina.
A Falência: Conflito Naturalismo vs. Realismo
Combina a observação social e biológica do Naturalismo com a análise psicológica refinada e a crítica moral típica do Realismo.
Niketche (Paulina Chiziane): Voz narrativa
Narrado em primeira pessoa por Rami, mulher que descobre as amantes do marido Tony e reflete criticamente sobre o patriarcado e a poligamia.
Niketche: Contexto cultural e geográfico de Moçambique
Confronta as tradições do sul patrilinear com o norte matrilinear moçambicano, evidenciando tensões pós-coloniais e identitárias.
Niketche: Estilo e tradição oral
Mistura a prosa contemporânea com cantos tradicionais, provérbios orais e a dança de iniciação sexual feminina do norte (o niketche).
Niketche: A sororidade como estratégia
Rami une as esposas e amantes rivais em uma cooperativa comercial autônoma, subvertendo a lógica da rivalidade feminina tradicional.
Úrsula (Maria Firmina dos Reis): Importância histórica
Considerado o primeiro romance abolicionista brasileiro (1859), escrito por uma mulher negra pioneira na literatura nacional.
Úrsula: Humanização e voz dos escravizados
Personagens como Preta Susana e Túlio possuem memórias da África, sentimentos nobres e voz própria, rompendo a objetificação da época.
Úrsula: Enquadramento estético e estilo
Romance ultrarromântico com trama trágica de folhetim, idealização amorosa e forte sentimentalismo a serviço da denúncia antiescravista.
Úrsula: Figura do vilão Fernando P.
Personificação do proprietário tirânico, que usa o poder patriarcal e a impunidade escravocrata para destruir os protagonistas.
Noite na Taverna (Álvares de Azevedo): Estrutura narrativa
Narrativa em moldura: um grupo de boêmios devassos bebe em uma taverna e narra contos mórbidos individuais de paixão, morte e pecado.
Noite na Taverna: Estilo ultrarromântico (Byronismo)
Marcado pelo tédio existencial, necrofilia, incesto, canibalismo e exaltação do grotesco, representando a 2ª Geração Romântica.
Noite na Taverna: Ambiguidade entre fato e delírio
O excesso de vinho, fumaça e atmosfera decadentista deixa incerto se as histórias macabras foram reais ou meras bravatas literárias.
Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo): Escrevivência
Conceito que entrelaça a experiência de vida da autora com a ficção, dando voz à vivência e à memória coletiva da mulher negra brasileira.
Ponciá Vicêncio: Foco narrativo e tempo
Narrador em terceira pessoa de grande intimidade psicológica, com fluxo temporal não-linear que vai do passado rural ao presente urbano.
Ponciá Vicêncio: Tema da perda de identidade
A protagonista sofre o desenraizamento ao migrar para a favela urbana, caindo em um estado de catatonia e esquecimento existencial.
Ponciá Vicêncio: A herança do barro
A modelagem do barro conecta Ponciá à arte ancestral familiar e expressa o sofrimento silencioso herdado da escravidão.
O Tronco do Ipê (José de Alencar): Romantismo regionalista
Retrata o interior fluminense do século XIX com idealização cavalheiresca, heroísmo moral e descrição patriarcal da vida na fazenda.
O Tronco do Ipê: Simbolismo do ipê
A árvore oca serve de esconderijo e metáfora para os segredos do passado, a decadência e a redenção moral das famílias rivais.
O Tronco do Ipê: Foco narrativo e técnica
Narrador em terceira pessoa onisciente e folhetinesco, com reviravoltas dramáticas, vingança familiar e sacrifício romântico.
Caminho de Pedras (Rachel de Queiroz): Contexto histórico
Passa-se no Ceará durante a Era Vargas (década de 1930), abordando a perseguição política aos movimentos operários e esquerdistas.
Caminho de Pedras: Construção de Noemi
Protagonista feminina complexa que rompe com o casamento burguês e luta pela militância política, sofrendo perda e isolamento.
Caminho de Pedras: Estilo da Geração de 30
Prosa realista, concisa e direta, voltada à crueza social e ao conflito de classes, sem a exaltação ufanista dos românticos.
Bagagem (Adélia Prado): Linguagem poética
Funde o coloquial cotidiano mineiro com o lirismo metafísico e místico católico, dessacralizando temas religiosos com naturalidade.
Bagagem: Intertextualidade com Drummond
No poema Com Licença Poética, subverte o Poema de Sete Faces drummondiano: nasce mulher para desdobrar a dor com graça e coragem.
Bagagem: O erotismo e o sagrado
Une corpo, sensualidade doméstica e fé religiosa, celebrando a epifania nos detalhes prosaicos da cozinha e da rotina familiar.
Coral e Outros Poemas (Sophia de Mello Breyner): Estilo
Poesia límpida, de rigor formal clássico, marcada pela luminosidade mediterrânea, pelo mar e pela busca do elemento primordial.
Coral e Outros Poemas: Dimensão política
Equilibra a pureza estética órfica com a resistência cívica contra o salazarismo e a opressão da ditadura em Portugal.
De Amor e Amizade (Clarice Lispector): Estilo das crônicas
Textos confessionais e reflexivos publicados em jornais, marcados pelo fluxo de consciência, epifanias e desnudamento da intimidade.
De Amor e Amizade: Relação com o leitor
Estabelece um diálogo cúmplice e fragmentado, questionando os limites das palavras e da aproximação afetiva humana.
Terra Sonâmbula (Mia Couto): Dupla estrutura narrativa
Alterna a jornada de Tuahir e Muidinga no machimbombo queimado com os cadernos autobiográficos deixados pelo jovem Kindzu.
Terra Sonâmbula: Contexto histórico moçambicano
Ambientado durante a sangrenta guerra civil pós-independência (FRELIMO vs. RENAMO), retratando um país em ruínas físicas e espirituais.
Terra Sonâmbula: Neologismos e prosa poética
Mia Couto recria o português com raízes bantu, usando metáforas mágicas e inventividade lexical para expressar o trauma nacional.
As Meninas (Lygia Fagundes Telles): Polifonia narrativa
Três vozes femininas (Lorena, Lia e Lia/Solange) com fluxos de consciência entrelaçados, sem marcações rígidas de fala de diálogo.
As Meninas: Contexto da Ditadura Militar (1973)
Aborda diretamente a censura, a tortura de presos políticos e o contraste entre alienação burguesa, ativismo e dependência química.
As Meninas: Simbolismo das três personagens
Lorena encarna a alienação intelectual burguesa; Lia, o engajamento revolucionário de esquerda; Ana Clara, a autodestruição pelas drogas.
O Continente (Érico Veríssimo): Foco narrativo em Ana Terra
Narrador em terceira pessoa de tom épico e lírico que valoriza a resiliência feminina diante da violência bruta das guerras de fronteira.
O Continente: Estrutura temporal
Alterna capítulos do cerco ao Sobrado em 1895 com episódios cronológicos que contam a formação histórica e guerreira do Rio Grande do Sul.
O Continente: Mito do gaúcho heróico
Questiona a bravura vazia dos homens ao contrastá-la com o sofrimento silencioso e o trabalho contínuo de sustentação das mulheres.
Gota d'Água (Chico Buarque e Paulo Pontes): Tragédia carioca
Adaptação da Medeia de Eurípides para o contexto do conjunto habitacional Vila Kennedy no Rio de Janeiro sob a Ditadura Militar.
Gota d'Água: Joana e a luta de classes
Joana encarna o proletariado oprimido e abandonado; Jasão representa a cooptação do artista popular pelo poder econômico burguês de Creonte.
Gota d'Água: Linguagem e métrica
Texto integralmente escrito em versos decassílabos com rimas, unindo tradição trágica clássica à malandragem e gíria popular do samba.
Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus): Gênero e voz
Diário autobiográfico escrito em primeira pessoa da favela do Canindé, rompendo o distanciamento tradicional da literatura sobre a pobreza.
Quarto de Despejo: Metáfora do quarto de despejo
A cidade rica é a sala de visitas, enquanto a favela marginalizada e escondida é o quarto onde a sociedade joga aquilo que despreza.
Quarto de Despejo: Estilo linguístico
Mescla vocabulário culto buscado em leituras com oralidade popular, produzindo uma linguagem poética, visceral e acusatória contra o Estado.
Mayombe (Pepetela): Foco narrativo polifônico
Alterna narrador em terceira pessoa com depoimentos íntimos em primeira pessoa dos guerrilheiros do MPLA na selva de Cabinda.
Mayombe: Conflito interno da guerrilha
Desmistifica a revolução ao expor divisões tribalistas, rivalidades pessoais e impasses ideológicos na luta pela libertação angolana.
Mayombe: O simbolismo da floresta
O Mayombe é simultaneamente abrigo acolhedor e entidade sufocante que testa os limites físicos e éticos dos combatentes.

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