Vaginose Bacteriana
Estudo sobre o diagnóstico, critérios clínicos e tratamento da vaginose bacteriana, voltado para estudantes e profissionais da saúde.
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- O que é vaginose bacteriana (VB)?
- Disbiose caracterizada pela redução de Lactobacillus spp. e proliferação de bactérias anaeróbias estritas e facultativas.
- Principal bactéria anaeróbia associada à VB
- Gardnerella vaginalis, associada a outras como Atopobium vaginae, Prevotella spp. e Mobiluncus spp.
- Critérios clínicos clássicos para diagnóstico de VB
- Critérios de Amsel: presença de pelo menos 3 dos 4 parâmetros clínicos e laboratoriais.
- Critérios de Amsel (4 componentes)
- Corrimento homogêneo acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste das aminas (Whiff test) positivo e presença de 'clue cells'.
- O que são 'clue cells' (células-guia)?
- Células epiteliais vaginais com bordas obscurecidas pela adesão massiva de bactérias na microscopia a fresco.
- Padrão-ouro laboratorial para diagnóstico de VB
- Escore de Nugent, baseado na bacterioscopia corada por Gram da secreção vaginal (escore de 7 a 10 confirma VB).
- Indicação padrão de tratamento para VB
- Tratar todas as mulheres sintomáticas, gestantes sintomáticas ou antes de procedimentos ginecológicos invasivos.
- Primeira linha oral recomendada (CDC/MS)
- Metronidazol 500 mg por via oral, a cada 12 horas, durante 7 dias.
- Primeira linha vaginal: gel de metronidazol
- Metronidazol gel 0,75%, um aplicador cheio (5 g) intravaginal à noite, durante 5 dias.
- Primeira linha vaginal: creme de clindamicina
- Clindamicina creme 2%, um aplicador cheio (5 g) intravaginal à noite, durante 7 dias.
- Opção alternativa oral: Tinidazol (esquema longo)
- Tinidazol 1 g por via oral, uma vez ao dia, durante 5 dias.
- Opção alternativa oral: Tinidazol (esquema curto)
- Tinidazol 2 g por via oral, uma vez ao dia, durante 2 dias.
- Opção alternativa oral: Clindamicina cápsulas
- Clindamicina 300 mg por via oral, a cada 12 horas, durante 7 dias.
- Opção alternativa oral: dose única de secnidazol
- Secnidazol 2 g por via oral em dose única.
- Vantagem do metronidazol vaginal sobre o oral
- Menor incidência de efeitos adversos gastrointestinais sistêmicos, como náuseas e gosto metálico.
- Interação importante com álcool e metronidazol/tinidazol
- Efeito dissulfiram (rubor, vômitos, taquicardia); evitar álcool durante e até 24-72h após o término.
- Efeito adverso comum da clindamicina em creme
- Pode enfraquecer preservativos de látex e diafragmas até 72 horas após o uso do creme à base de óleo.
- Conduta para parceiros sexuais masculinos
- O tratamento de rotina de parceiros sexuais masculinos não é recomendado pelas diretrizes.
- Conduta para parceiras sexuais femininas
- Avaliar e tratar a parceira se ela apresentar sintomas de vaginose bacteriana.
- Tratamento de VB em gestantes sintomáticas
- Metronidazol 500 mg via oral a cada 12h por 7 dias, ou Metronidazol 250 mg via oral a cada 8h por 7 dias.
- Segurança do metronidazol na gestação
- Considerado seguro em qualquer trimestre segundo consensos modernos (CDC e Ministério da Saúde do Brasil).
- Tratamento de VB na amamentação
- Metronidazol oral pode ser usado; se em dose alta única, recomenda-se suspender amamentação por 12 a 24 horas.
- Definição de vaginose bacteriana recorrente (VBR)
- Ocorrência de 3 ou mais episódios confirmados no período de 12 meses.
- Manejo da fase aguda na VB recorrente
- Repetir ciclo estendido de Metronidazol oral ou vaginal por 7 a 14 dias para controle dos sintomas.
- Terapia de manutenção para VB recorrente
- Metronidazol gel vaginal 0,75% duas vezes por semana durante 4 a 6 meses após resolução aguda.
- Esquema alternativo de supressão com ácido bórico
- Ácido bórico 600 mg intravaginal diário por 21 dias associado a antibiótico, seguido de metronidazol gel semanal.
- Papel do biofilme polimicrobiano na recidiva de VB
- G. vaginalis forma um biofilme espesso que protege bactérias contra resposta imune e antimicrobianos.
- Uso de probióticos orais ou vaginais na VB
- Podem ser coadjuvantes na restauração da flora, mas não substituem os esquemas antimicrobianos recomendados.
- Conduta em pacientes assintomáticas de rotina
- Não se recomenda rastreamento nem tratamento de rotina em mulheres assintomáticas sem gestação ou cirurgia.
- Rastreio e tratamento antes de inserção de DIU ou aborto
- Recomendado diagnosticar e tratar para reduzir risco de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) pós-procedimento.
- Complicações obstétricas associadas à VB não tratada
- Aumento do risco de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ovulares e endometrite puerperal.
- Complicações ginecológicas associadas à VB
- Maior susceptibilidade à infecção por HIV, HSV-2, gonococo, clamídia e desenvolvimento de DIP.
- pH vaginal característico na VB
- pH alcalinizado, geralmente superior a 4,5, decorrente da perda da produção de ácido lático pelos lactobacilos.
- Mecanismo do 'Whiff test' (teste das aminas)
- Liberação de odor fétido semelhante a peixe podre após adição de hidróxido de potássio (KOH) a 10% à secreção.
- Aspecto típico do corrimento na VB ao exame especular
- Corrimento fino, fluido, homogêneo, acinzentado ou branco-amarelado que recobre difusamente as paredes vaginais.
- Diferencial de VB: sinais flogísticos vulvovaginais
- VB tipicamente não causa eritema, edema vulvar ou prurido intenso, diferenciando-se da candidíase e tricomoníase.
- Diferença entre bacterioscopia de VB e flora normal
- VB exibe escassos bacilos gram-positivos longos (Lactobacillus) e abundantes cocobacilos gram-variáveis/gram-negativos.
- Necessidade de cultura bacteriana para diagnóstico
- Não recomendada; Gardnerella vaginalis faz parte da microbiota normal de muitas mulheres saudáveis assintomáticas.
- Teste rápido de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT)
- Testes moleculares aprovados possuem alta sensibilidade e especificidade, sendo opções diagnósticas válidas.
- Conduta no seguimento pós-tratamento da VB
- Consultas de acompanhamento não são necessárias caso haja resolução completa dos sintomas.
- Orientação comportamental: duchas vaginais
- Desencorajar duchas vaginais, pois alteram a microbiota normal e facilitam a proliferação bacteriana.
- Orientação comportamental: hábitos de higiene íntima
- Lavar apenas a genitália externa com água ou sabonete neutro hipoalergênico, evitando fricção excessiva.
- Uso de preservativos na prevenção de recidivas de VB
- O uso consistente de preservativos tem efeito protetor contra a recorrência de episódios de VB.
- Alergia ou intolerância grave ao Metronidazol: conduta
- Prescrever Clindamicina por via oral (300 mg 12/12h por 7 dias) ou creme vaginal 2% por 7 dias.
- Risco de colite pseudomembranosa com Clindamicina
- Raro no uso tópico vaginal, mas potencial efeito adverso sistêmico por Clostridioides difficile.
- Relação entre tabagismo e VB
- Fumo é fator de risco independente; cessação tabágica deve ser orientada para diminuir recidivas.
- Impacto do estrogênio na microbiota vaginal
- Estrogênio estimula glicogênio epitelial, essencial para proliferação e acidificação por Lactobacillus.
- Diagnóstico diferencial: Tricomoníase vs VB
- Tricomoníase causa vaginite franca, colo em morango, protozoários móveis a fresco e corrimento bolhoso.
- Diagnóstico diferencial: Candidíase vs VB
- Candidíase tem pH < 4,5, prurido intenso, hifas/esporos à microscopia e teste das aminas negativo.
- Objetivo terapêutico primário na VB
- Aliviar os sintomas genitais e reduzir o risco de complicações infecciosas secundárias associadas à disbiose.