Alexia (Neuropsicologia)

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Estudo clínico sobre a alexia, abordando suas definições, tipos, causas neurológicas e impactos funcionais. Destinado a estudantes e profissionais da saúde.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Psiquiatria e saúde mental Publicado
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Alexia (definição clínica)
Perda ou comprometimento adquirido da capacidade de ler textos escritos, decorrente de lesão cerebral em indivíduos previamente alfabetizados.
Diferença entre alexia e dislexia
A alexia é adquirida após trauma ou lesão neurológica em indivíduo já letrado, enquanto a dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento.
Causa neurológica mais comum da alexia
Acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, frequentemente na área irrigada pela artéria cerebral posterior esquerda.
Alexia pura (alexia sem agrafia)
Síndrome em que o paciente perde a capacidade de ler, mas mantém a habilidade intacta de escrever espontaneamente e sob ditado.
Lesão típica na alexia pura
Infarto no córtex occipital esquerdo associado à lesão no esplênio do corpo caloso, desconectando o córtex visual direito da linguagem.
Mecanismo de desconexão na alexia pura
Informações visuais do hemisfério direito não conseguem cruzar para a área da forma visual das palavras no hemisfério esquerdo.
Leitura letra por letra (leitura espeltrada)
Estratégia compensatória comum na alexia pura, na qual o paciente decodifica e soletra cada letra individual antes de reconhecer a palavra.
Alexia com agrafia
Perda combinada e simultânea da capacidade de leitura e de escrita decorrente de lesão focal no hemisfério dominante.
Localização da lesão na alexia com agrafia
Giro angular esquerdo (área 39 de Brodmann) no lobo parietal inferior do hemisfério dominante.
Síndrome de Gerstmann e alexia
Pode associar-se à alexia com agrafia, acalculia, agnosia digital e desorientação direita-esquerda por dano no giro angular.
Alexia afásica
Déficit de leitura associado e proporcional a distúrbios globais de linguagem falada em quadros de afasias corticais.
Alexia na afasia de Broca
Dificuldade seletiva na leitura de palavras gramaticais e estruturas sintáticas complexas, mantendo melhor acesso a substantivos.
Alexia na afasia de Wernicke
Compreensão de leitura gravemente alterada, com parafasias literais e verbais durante a leitura em voz alta.
Alexia de condução
Marcada por erros parafrásicos fonêmicos na leitura em voz alta, com compreensão textual relativamente mais preservada.
Alexia fonológica
Incapacidade de ler pseudopalavras e termos desconhecidos pela rota fonológica, com preservação da leitura de palavras familiares.
Mecanismo da alexia fonológica
Comprometimento na conversão grafema-fonema, obrigando o leitor a depender exclusivamente da rota lexical visual direta.
Alexia de superfície
Prejuízo no reconhecimento visual global das palavras irregulares, lendo-as mediante regras estritas de conversão fonética.
Erros de regularização na alexia de superfície
Pronúncia incorreta de palavras irregulares ao aplicar regras fonéticas regulares (ex.: ler palavras com pronúncias atípicas ao pé da letra).
Localização associada à alexia de superfície
Danos no lobo temporal lateral anterior esquerdo, frequentemente observada na demência semântica.
Alexia profunda
Forma grave caracterizada por erros semânticos na leitura em voz alta e incapacidade total de ler pseudopalavras.
Parafasia semântica na alexia profunda
Troca de uma palavra por outra de significado próximo durante a leitura (ex.: ler 'barco' ao ver a palavra 'navio').
Efeito de concretude na alexia profunda
Maior facilidade para ler palavras concretas e imagináveis (ex.: 'mesa') em comparação com termos abstratos (ex.: 'justiça').
Alexia atencional
Dificuldade na identificação de letras individuais quando inseridas em palavras ou cercadas por outros caracteres.
Alexia por negligência (heminegligência)
Omissão ou substituição sistemática da porção inicial (esquerda) de palavras ou frases devido a lesão parietal direita.
Área da Forma Visual das Palavras (VWFA)
Região no giro fusiforme esquerdo especializada no reconhecimento rápido e ortográfico de palavras escritas.
Efeito do comprimento da palavra na alexia pura
O tempo de leitura aumenta de maneira quase linear à medida que o número de letras da palavra aumenta.
Hemianopsia homônima direita na alexia pura
Defeito no campo visual frequentemente associado devido ao dano no córtex visual estriado do hemisfério esquerdo.
Leitura tátil ou cinestésica na alexia
Capacidade de reconhecer letras ou palavras traçadas na pele ou movimentando passivamente os dedos, poupando a via somatossensorial.
Reconhecimento de letras soletradas oralmente na alexia pura
O paciente identifica a palavra sem dificuldade se o examinador soletrar as letras em voz alta (sistema auditivo intacto).
Classificação de Déjerine (1892)
Primeira descrição clínica e anatômica clássica distinguindo alexia pura da alexia acompanhada de agrafia.
Etiologias não vasculares da alexia
Tumores cerebrais infiltrativos occipito-temporais, traumatismo cranioencefálico, infecções e encefalites herpéticas.
Alexia na Doença de Alzheimer
Pode manifestar-se precocemente como alexia central ou atrofia cortical posterior com desorganização visuoespacial de leitura.
Modelo de dupla rota da leitura
Postula duas vias cognitivas: a rota sublexical (fonológica/grafema-fonema) e a rota lexical direta (semântica e ortográfica).
Pseudopalavras na avaliação da alexia
Sequências de letras sem significado usadas para testar isoladamente a integridade da conversão grafema-fonema.
Avaliação de compreensão silenciosa vs. leitura em voz alta
Diferencia falhas de produção motora/fonológica de déficits no acesso ao sistema de significado semântico.
Papel do corpo caloso na leitura
O esplênio transfere as representações visuais captadas pelo córtex occipital direito para a rede de linguagem esquerda.
Acalculia associada à alexia
Dificuldade na leitura de numerais e execução de cálculos, típica de lesões parietais que afetam a alexia com agrafia.
Reabilitação fonoaudiológica na alexia pura
Foca em treinamento de leitura táctil-cinestésica e aceleração da velocidade na leitura letra a letra por pistas fonêmicas.
Técnica de leitura de texto múltiplo (Multiple Oral Rereading)
Releitura repetida de textos guiada para melhorar o acesso lexical direto e aumentar a fluência leitora.
Diferença entre agnosia visual para objetos e alexia
Na alexia pura, o reconhecimento de objetos tridimensionais costuma estar intacto, havendo déficit isolado para ortografia.
Alexia literal
Incapacidade específica de reconhecer e nomear letras isoladas, embora o paciente possa às vezes ler palavras inteiras.
Alexia verbal
Incapacidade de ler palavras completas, enquanto a capacidade de identificar letras isoladas permanece relativamente preservada.
Alexia de frases
Dificuldade na integração sintática de elementos textuais completos, com leitura razoável de palavras isoladas.
Impacto funcional da alexia
Perda grave de autonomia diária, incapacidade de ler placas, mensagens, prescrições médicas e materiais de trabalho.
Diagnóstico diferencial com perda visual primária
A alexia persiste mesmo com acuidade visual corrigida e campos visuais suficientes para varredura do texto.
Afasia óptica vs. Alexia
Na afasia óptica há dificuldade em nomear objetos vistos, mas a leitura de palavras escritas pode estar totalmente preservada.
Erros visuais na alexia periférica
Troca de palavras de forma gráfica semelhante (ex.: ler 'pato' ao invés de 'prato') por falha de análise visual prévia.
Prognóstico de recuperação da alexia
Variável; depende da extensão da lesão, neuroplasticidade, causa subjacente e intensidade da reabilitação fonoaudiológica.
Importância da neuroimagem na alexia
A ressonância magnética confirma a topografia exata da lesão (occipital, esplenial ou parietal) e afasta lesões expansivas.
Alexia periférica vs. Alexia central
As periféricas afetam a análise sensorial/visuoespacial; as centrais afetam as etapas linguísticas, léxicas e semânticas.