Avaliação Primária no Trauma
Estudo sobre o protocolo de avaliação primária no trauma (XABCDE) para estudantes e profissionais da saúde.
Cartões · 50
- Objetivo geral da avaliação primária
- Identificar e tratar imediatamente as lesões que oferecem risco iminente de morte.
- Significado do X no protocolo XABCDE
- Controle de hemorragia externa exanguinante antes do manejo da via aérea.
- Conduta imediata na etapa X
- Aplicação de torniquete em extremidades ou compressão direta com curativo hemostático.
- Significado da letra A no ABCDE
- Via aérea com controle da coluna cervical.
- Prioridade inicial na etapa A
- Garantir a perviedade das vias aéreas e manter a estabilização manual da coluna cervical em posição neutra.
- Sinais clínicos de obstrução de via aérea
- Estridor, rouquidão, disfonia, uso de musculatura acessória, retrações e respiração ruidosa.
- Manobra manual recomendada na suspeita de lesão cervical
- Jaw-thrust (tração da mandíbula) sem extensão do pescoço.
- Indicação da cânula orofaríngea (Guedel)
- Manter a via aérea aberta em pacientes inconscientes sem reflexo de vômito.
- Indicação da cânula nasofaríngea
- Paciente consciente ou semiconsciente com obstrução por queda de língua, contraindicada em fratura de base de crânio.
- Critérios para via aérea definitiva
- Tubo traqueal balonado na traqueia: apneia, Glasgow ≤ 8, hipoxemia refratária ou risco iminente de aspiração.
- Conduta imediata na impossibilidade de intubação orotraqueal
- Cricotireoidostomia cirúrgica imediata.
- Cuidados cervicais obrigatórios na etapa A
- Alinhamento neutro, colocação de colar cervical rígido e fixadores laterais em prancha rígida.
- Significado da letra B no ABCDE
- Respiração e ventilação (Breathing).
- Avaliação clínica essencial na etapa B
- Inspeção torácica, frequência respiratória, oximetria de pulso, palpação, percussão e ausculta pulmonar.
- Alvo de oxigenoterapia inicial no trauma
- Administrar oxigênio suplementar de alto fluxo por máscara com reservatório (SatO2 ≥ 94%).
- Sinais de pneumotórax hipertensivo
- Hipotensão, desvio de traqueia, turgência jugular, murmúrio vesicular abolido e timpanismo unilateral.
- Conduta imediata no pneumotórax hipertensivo
- Descompressão torácica imediata com agulha (toracocentese), seguida de drenagem em selo d'água.
- Local de punção no pneumotórax hipertensivo (ATLS 10ª ed.)
- 5º espaço intercostal, entre a linha axilar média e a linha axilar anterior no adulto.
- Sinais de pneumotórax aberto
- Ferida torácica aspirativa com diâmetro maior que dois terços do calibre da traqueia.
- Conduta imediata no pneumotórax aberto
- Curativo de três pontas valvulado para permitir a saída de ar e impedir nova entrada.
- Definição de tórax instável
- Fratura de dois ou mais arcos costais consecutivos em pelo menos dois pontos distintos de cada arco.
- Achado clínico característico do tórax instável
- Respiração paradoxal e dor intensa à palpação ou movimentação torácica.
- Manejo imediato da contusão pulmonar e tórax instável
- Oxigenoterapia, analgesia potente, fisioterapia respiratória e ventilação mecânica se houver falência.
- Sinais de hemotórax maciço
- Hipotensão/choque, murmúrio abolido e macicez à percussão unilateral com drenagem > 1500 mL imediata.
- Conduta imediata no hemotórax
- Drenagem torácica tubular fechada em selo d'água no 5º espaço intercostal e reposição volêmica.
- Significado da letra C no ABCDE
- Circulação com controle da hemorragia.
- Parâmetros clínicos para avaliar perfusão na etapa C
- Nível de consciência, cor e temperatura da pele, tempo de enchimento capilar, pulso e pressão arterial.
- Causa mais comum de choque no politraumatizado
- Choque hemorrágico hipovolêmico até prova em contrário.
- Locais clássicos de sangramento oculto grave
- Tórax, abdome, pelve, ossos longos e retroperitônio.
- Conduta para acesso vascular na etapa C
- Obter dois acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G) ou acesso intraósseo.
- Ressuscitação volêmica inicial no choque hemorrágico
- Infusão aquecida de 1000 mL de solução cristaloide isotônica balanceada sob hipotensão permissiva.
- Indicação de protocolo de transfusão maciça
- Perda aguda de grande volume com instabilidade persistente; transfusão 1:1:1 (hemácias, plasma, plaquetas).
- Uso precoce do ácido tranexâmico no trauma
- Administrar 1 g IV nas primeiras 3 horas do trauma com risco de choque hemorrágico, seguido de 1 g em 8 horas.
- Conduta imediata na fratura instável de pelve com choque
- Estabilização com cinta pélvica ou lençol na altura dos trocanteres maiores para conter o sangramento.
- Tríade de Beck (Tamponamento cardíaco)
- Hipotensão arterial, abafamento de bulhas cardíacas e turgência jugular patológica.
- Conduta de emergência no tamponamento cardíaco com PCR iminente
- Pericardiocentese de alívio orientada por ultrassom ou toracotomia de emergência.
- Papel do e-FAST na etapa C
- Ultrassom focado à beira-leito para detectar líquido livre peritoneal, pericárdico ou pleural.
- Significado da letra D no ABCDE
- Incapacidade e estado neurológico (Disability).
- Componentes principais da avaliação na etapa D
- Escala de Coma de Glasgow, reatividade e tamanho pupilar e sinais de lateralização motora.
- Intervenção obrigatória antes de concluir deficit neurológico
- Aferição de glicemia capilar para excluir ou corrigir hipoglicemia imediatamente.
- Importância da avaliação pupilar na etapa D
- Anisocoria com midríase unilateral fixa sugere herniação uncal por hipertensão intracraniana ipsilateral.
- Significado de pupilas mióticas puntiformes no trauma
- Sugere lesão de ponte ou intoxicação por opioides.
- Prevenção de lesão cerebral secundária na etapa D
- Evitar rigorosamente hipóxia (SatO2 < 90%) e hipotensão (PAS < 100-110 mmHg no TCE).
- Significado da letra E no ABCDE
- Exposição com controle ambiental e prevenção da hipotermia.
- Ação primária na etapa E
- Despir completamente o paciente com corte de roupas para inspecionar todas as superfícies corpóreas.
- Como inspecionar o dorso do paciente no trauma
- Rolamento em bloco mantendo alinhamento neutro de toda a coluna com comando do examinador na cabeça.
- Risco da hipotermia no politraumatizado
- Agrava acidose e coagulopatia, compondo a tríade letal do trauma.
- Medidas imediatas para controle térmico na etapa E
- Cobrir com cobertores térmicos, aquecer fluidos intravenosos e manter a sala de emergência aquecida.
- Princípio da reavaliação contínua no ABCDE
- Repetir o ciclo ABCDE do início sempre que houver piora clínica ou após cada intervenção executada.
- Momento de transição da avaliação primária para a secundária
- Somente após concluir o ABCDE, tratar ameaças vitais e atingir a estabilização hemodinâmica.