Choque Circulatório na Emergência
Estudo sobre choque circulatório na emergência, detalhando condutas, fluidoterapia e drogas vasoativas para estudantes e profissionais de medicina.
Cartões · 50
- Definição fisiopatológica de choque circulatório
- Desequilíbrio crítico entre a oferta sistêmica de oxigênio (DO2) e a demanda metabólica celular (VO2), gerando hipóxia tecidual.
- Primeira conduta imediata na abordagem do paciente em choque
- Aplicação sistemática do ABCDE da emergência com garantia de via aérea pérvia e oxigenação adequada.
- Meta inicial de Pressão Arterial Média (PAM) na maioria dos choques
- PAM mínima de 65 mmHg para assegurar perfusão dos órgãos vitais.
- Parâmetro clínico clássico de má perfusão periférica
- Tempo de enchimento capilar (TEC) prolongado, superior a 3 segundos.
- Marcador bioquímico fundamental de hipoperfusão e metabolismo anaeróbio
- Lactato sérico elevado (> 2 mmol/L), devendo ser dosado seriadamente.
- Meta de débito urinário na ressuscitação do choque
- Manutenção de diurese maior ou igual a 0,5 mL/kg/hora.
- Os quatro tipos clássicos de choque circulatório
- Distributivo, hipovolêmico, cardiogênico e obstrutivo.
- Solução de escolha para ressuscitação volêmica inicial
- Cristaloides balanceados (ex.: Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) ou solução fisiológica a 0,9%.
- Volume inicial recomendado de cristaloide no choque séptico
- Bolus de 30 mL/kg de solução cristaloide nas primeiras 3 horas de atendimento.
- Risco da sobrecarga hídrica inadvertida
- Edema pulmonar, síndrome compartimental abdominal e aumento da mortalidade.
- Teste de elevação passiva das pernas (PLR)
- Manobra dinâmica para predizer fluidorresponsividade simulando um bolus de cerca de 300 mL de sangue.
- Definição de fluidorresponsividade
- Aumento do débito cardíaco em 10% a 15% após prova volêmica ou manobra equivalente.
- Indicação precoce de vasopressor
- Hipotensão profunda com risco de parada cardíaca ou ausência de resposta à expansão volêmica inicial.
- Vasopressor de primeira linha no choque séptico
- Noradrenalina, com dose inicial de 0,05 a 0,1 mcg/kg/minuto titulada por meta de PAM.
- Mecanismo de ação da noradrenalina
- Potente agonista alfa-1 adrenérgico (vasoconstrição) com modesto efeito beta-1 (inotropismo).
- Segundo vasopressor adicionado à noradrenalina no choque séptico refratário
- Vasopressina na dose fixa de 0,03 unidades/minuto para restaurar tônus vascular.
- Indicação de hidrocortisona no choque séptico
- Choque refratário com necessidade de doses crescentes de vasopressores (200 mg/dia em infusão contínua ou fracionada).
- Manejo imediato no choque anafilático
- Adrenalina intramuscular (1:1.000) na dose de 0,3 a 0,5 mg no vasto lateral da coxa imediatamente.
- Conduta se o choque anafilático for refratário à adrenalina IM
- Iniciar adrenalina em infusão intravenosa contínua e expansão volêmica agressiva.
- Primeira linha inotrópica no choque cardiogênico com débito reduzido
- Dobutamina, iniciada na faixa de 2,5 a 5 mcg/kg/minuto e titulada conforme resposta hemodinâmica.
- Mecanismo de ação da dobutamina
- Agonista predominantemente beta-1 adrenérgico, elevando contratilidade miocárdica e frequência cardíaca.
- Efeito adverso vascular comum da dobutamina
- Vasodilatação periférica reflexa (beta-2), podendo agravar a hipotensão se usada sem vasopressor.
- Conduta volêmica no choque cardiogênico com congestão pulmonar
- Restrição hídrica estrita e priorização de suporte inotrópico e vasopressor.
- Manejo imediato do pneumotórax hipertensivo (choque obstrutivo)
- Toracocentese descompressiva imediata no 2º espaço intercostal anterior ou 5º espaço axilar lateral.
- Manejo imediato do tamponamento cardíaco (choque obstrutivo)
- Pericardiocentese de alívio orientada por ultrassom ou cirúrgica de urgência.
- Tratamento de reperfusão de emergência no tromboembolismo pulmonar maciço com choque
- Trombolítico sistêmico (ex.: alteplase 100 mg IV em 2 horas) se ausência de contraindicações absolutas.
- Estratégia transfusional no choque hemorrágico grave
- Ativação do protocolo de transfusão maciça com hemácias, plasma e plaquetas na proporção 1:1:1.
- Conceito de ressuscitação hemostática no choque hemorrágico
- Restringir infusão excessiva de cristaloides para evitar hemodiluição, acidose e hipotermia.
- Indicação do ácido tranexâmico no trauma com choque hemorrágico
- Administrar 1 g IV em 10 minutos nas primeiras 3 horas do trauma, seguido de 1 g em 8 horas.
- Alvo de pressão arterial na hipotensão permissiva no trauma
- PAM entre 50 e 60 mmHg (PAS 80-90 mmHg) até que o sangramento cirúrgico seja controlado.
- Contraindicação da hipotensão permissiva
- Traumatismo cranioencefálico grave (requer PAM ≥ 80 mmHg para pressão de perfusão cerebral).
- Tríade letal no choque hemorrágico do trauma
- Hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia.
- Acesso vascular inicial preferencial na emergência para infusão rápida de volume
- Dois cateteres venosos periféricos de grosso calibre e curto comprimento (14G ou 16G).
- Via de exceção imediata caso acesso venoso periférico falhe no paciente em choque
- Acesso intraósseo (IO), garantindo rápida administração de fluidos e medicações.
- Pode-se infundir noradrenalina em acesso venoso periférico?
- Sim, temporariamente em veia calibrosa proximal enquanto se obtém acesso venoso central seguro.
- Antídoto/medida para extravasamento periférico de noradrenalina
- Infiltração local imediata com fentolamina ou pomada de nitroglicerina tópica.
- Meta da Saturação Venosa Central de Oxigênio (SvcO2) na ressuscitação
- Valores maiores ou iguais a 70% obtidos em cateter central na veia cava superior.
- Significado de SvcO2 persistentemente baixa apesar de PAM corrigida
- Baixo débito cardíaco ou anemia importante exigindo inotrópico ou transfusão.
- Manejo imediato do choque neurogênico
- Ressuscitação volêmica judiciosa combinada precocemente com noradrenalina para recuperar tônus vasomotor.
- Característica hemodinâmica única do choque neurogênico
- Hipotensão arterial acompanhada de bradicardia decorrente da perda do tônus simpático.
- Papel do ultrassom point-of-care (POCUS/protocolo RUSH) no choque indiferenciado
- Avaliar função cardíaca, diâmetro/colabamento da veia cava inferior e pesquisar líquido livre ou pneumotórax.
- Comportamento da veia cava inferior no choque hipovolêmico ao ultrassom
- Veia cava de pequeno diâmetro com colabamento inspiratório superior a 50%.
- Comportamento da veia cava inferior no choque cardiogênico ao ultrassom
- Veia cava pletórica, distendida e sem variação respiratória significativa.
- Dose e indicação de adrenalina em infusão contínua no choque
- 0,05 a 0,5 mcg/kg/minuto como segunda ou terceira linha no choque séptico ou choque cardiogênico refratário.
- Impacto metabólico clássico da infusão contínua de adrenalina
- Hiperlactatemia secundária a estímulo beta-2 hepático e muscular, mesmo sem hipóxia tecidual.
- Indicação de milrinona no choque circulatório
- Inotrópico inibidor da PDE-3 para choque cardiogênico com resistência vascular pulmonar ou sistêmica elevada sem hipotensão grave.
- Efeito adverso limitante da milrinona na fase aguda de choque
- Vasodilatação pronunciada com indução ou piora de hipotensão arterial sistêmica.
- Janela de tempo para administração do antibiótico no choque séptico
- Imediatamente, idealmente na primeira hora após o reconhecimento do choque, após coleta de culturas.
- Conduta quanto ao controle do foco infeccioso no choque séptico
- Identificação e intervenção emergencial imediata (drenagem de abcesso, desbridamento ou laparotomia em ≤ 6 a 12h).
- Estratégia de ventilação mecânica no paciente em choque grave
- Ventilação protetora com volume corrente baixo (6 mL/kg de peso predito) para diminuir compressão intratorácica do retorno venoso.