Endodontia: Teoria e Prática Clínica

Compartilhado por um usuário do Flashcards.gg · gerado com IA · Denunciar este conjunto

Conceitos fundamentais, etapas clínicas e instrumentais do tratamento endodôntico, destinado a estudantes e profissionais de odontologia.

52 cartões Português Nível: Ensino superior Odontologia Publicado
Toque no cartão para virar

Cartões · 52

Abertura coronária
Etapa inicial que visa remover o teto da câmara pulpar e obter acesso direto e desimpedido aos canais radiculares.
Forma de contorno
Desenho geométrico do desgaste coronário determinado pela anatomia interna da câmara pulpar de cada dente.
Forma de conveniência
Desgaste adicional para permitir a entrada reta e livre dos instrumentos até o terço apical sem interferências.
Isolamento absoluto
Uso de dique de borracha e grampo para garantir assepsia estrita, proteger as vias aéreas e afastar tecidos moles.
Broca Endo-Z
Broca cônica de ponta inativa usada para acabamento e alisamento das paredes da câmara pulpar sem perfurar o assoalho.
Sonda exploradora reta (ex: DG16)
Instrumento pontiagudo rígido utilizado para localizar e explorar a entrada dos canais radiculares no assoalho pulpar.
Esvaziamento pulpar
Remoção do tecido pulpar vivo (biopulpectomia) ou restos necróticos e debris (necropulpectomia) do canal.
Cateterismo (glide path manual)
Exploração inicial passiva do canal com limas de fino calibre (tipo K 08 ou 10) para verificar sua permeabilidade total.
Comprimento Real do Dente (CRD)
Distância medida entre a borda incisal ou cúspide de referência e o ápice radiográfico da raiz.
Comprimento de Trabalho (CT)
Distância entre a referência coronária e o limite apical de instrumentação, geralmente 1 mm aquém do ápice radiográfico.
Localizador apical eletrônico
Dispositivo eletrônico que determina a posição da constrição apical por meio da medição de resistência elétrica e impedância.
Constrição apical (CDC)
Zona de transição entre o canal dentinário e o canal cementário, considerada o limite biológico ideal para o término do canal.
Forame apical
Abertura principal da raiz para o ligamento periodontal por onde passam os vasos sanguíneos e nervos pulpares.
Preparo químico-mecânico
Conjunto de ações mecânicas com limas e químicas com irrigantes para modelar, limpar e desinfetar o sistema de canais.
Limas tipo K (K-Files)
Instrumentos manuais de aço inoxidável ou NiTi torcidos, indicados para exploração, cateterismo e alargamento cinemático.
Limas Hedstroem
Instrumentos manuais usinados com arestas de corte em forma de cone, com ação exclusiva de tração para corte rápido de dentina.
Brocas Gates-Glidden
Brocas de corpo elíptico e haste fina montadas em baixa rotação, usadas para desobstrução e alargamento dos terços cervical e médio.
Hipoclorito de sódio (NaOCl)
Solução irrigadora padrão ouro com potente ação antimicrobiana e capacidade única de dissolver matéria orgânica tecidual.
Clorexidina a 2%
Alternativa antisséptica com substantividade e baixa citotoxicidade, incapaz de dissolver tecido orgânico pulpar.
EDTA a 17%
Agente quelante que atua sobre a porção inorgânica da smear layer, desmineralizando a dentina e abrindo túbulos dentinários.
Smear layer (lama dentinária)
Camada de resíduos orgânicos, raspas de dentina e bactérias formada nas paredes do canal durante a instrumentação mecânica.
Irrigação Ultrassônica Passiva (PUI)
Ativação do irrigante por pontas ultrassônicas sem cortar dentina, gerando cavitação e microfluxo acústico para limpeza avançada.
Permeabilidade foraminal (patency)
Passagem sutil de uma lima fina (geralmente #10) além do CT para evitar o acúmulo de raspas de dentina no forame apical.
Técnica Crown-Down (coroa-ápice)
Preparo que alarga primeiramente os terços cervical e médio antes de avançar progressivamente até o terço apical.
Instrumentos de NiTi (Níquel-Titânio)
Limas dotadas de superelasticidade e memória de forma, que reduzem significativamente desvios de canais curvos.
Cinemática rotatória contínua
Movimento de rotação 360 graus contínuo acionado por motor elétrico para preparo progressivo e corte de dentina.
Cinemática reciprocante
Movimento oscilatório alternado assimétrico que reduz a fadiga cíclica e o estresse torsional da lima dentro do canal.
Fadiga cíclica
Fratura do instrumento causada por ciclos repetidos de tração e compressão ao girar no interior de canais curvados.
Fadiga torsional
Ruptura da lima quando sua ponta fica travada nas paredes dentinárias enquanto o motor continua girando o restante da haste.
Medicação intracanal
Substância colocada no interior do canal entre sessões para eliminar bactérias remanescentes e inibir a exsudação.
Hidróxido de cálcio [Ca(OH)2]
Medicação alcalina com pH em torno de 12,5 que neutraliza ácidos bacterianos, inativa lipopolissacarídeos e induz mineralização.
Paramonoclorofenol canforado (PMCC)
Agente antibacteriano volátil historicamente associado ao hidróxido de cálcio para ampliar o espectro antimicrobiano.
Obturação endodôntica
Preenchimento tridimensional hermético de todo o espaço modelado do canal com materiais biocompatíveis e impermeáveis.
Cones de guta-percha
Material obturador principal termoplástico composto por óxido de zinco, guta-percha pura, radiopacificadores e plastificantes.
Cimento endodôntico à base de resina epóxi
Cimento obturador (ex: AH Plus) conhecido por sua baixa solubilidade, excelente escoamento e estabilidade dimensional.
Cimento biocerâmico
Cimento à base de silicato de cálcio que apresenta bioatividade, promove precipitação de hidroxiapatita e excelente selamento.
Condensação lateral a frio
Técnica clássica com cone principal e cones acessórios compactados lateralmente por um espaçador digital.
Onda contínua de condensação (técnica de Schilder adaptada)
Termoplastificação da guta-percha com corte a quente no terço apical seguido de injeção termoplástica de preenchimento.
Teste do cone (conometria)
Verificação clínica e radiográfica do ajuste do cone principal de guta-percha no comprimento de trabalho com efeito 'tug-back'.
Efeito de travamento (tug-back)
Resistência friccional sentida ao puxar o cone de guta-percha testado no comprimento de trabalho, indicando justa adaptação apical.
Toalete final do canal
Sequência final de irrigação (geralmente EDTA a 17% seguido de NaOCl ou soro fisiológico) para remoção total da smear layer.
Secagem do canal
Remoção de toda umidade remanescente utilizando pontas de papel absorvente estéreis calibradas no comprimento de trabalho.
Degrau dentinário (ledge)
Acidente endodôntico caracterizado por um desvio artificial na parede do canal que impede o acesso do instrumento ao ápice.
Perfuração radicular
Comunicação iatrogênica entre a cavidade endodôntica e os tecidos periodontais causada por brocas ou limas inadequadas.
MTA (Agregado de Trióxido Mineral)
Material biocerâmico hidrofílico altamente biocompatível usado no selamento de perfurações, apicogênese e retro-obturação.
Extravasamento apical de hipoclorito
Acidente químico grave que gera dor súbita severa, edema imediato e necrose tecidual ao atingir a região periapical.
Ruptura de instrumento
Fratura de uma lima dentro do canal decorrente de sobrecarga torsional ou estresse por fadiga cíclica acumulada.
Cavit
Cimento provisório hidrofílico autopolimerizável que sela temporariamente a abertura coronária expandindo-se em contato com a saliva.
Restauração definitiva pós-endodôntica
Reconstrução imediata da coroa para proteger o dente de infiltração marginal e fraturas mecânicas sob carga mastigatória.
Selamento coronário provisório
Camada de material restaurador provisório com espessura mínima de 3 a 4 mm para prevenir contaminação salivar entre sessões.
Retratamento endodôntico
Remoção da obturação antiga para nova desinfecção e preparo quando há persistência ou ressurgimento da infecção periapical.
Flare-up endodôntico
Episódio agudo de dor intensa e/ou edema que surge horas ou dias após intervenção endodôntica em dentes previamente assintomáticos.

Conjuntos relacionados

Mais em Odontologia →