Entrevista Clínica: Situações Especiais
Estudo sobre anamnese e entrevista clínica em populações e situações especiais, como crianças, idosos e conflitos familiares. Desenvolvido para estudantes de medicina e profissionais de saúde.
Cartões · 50
- Por que existem situações especiais na entrevista clínica?
- Porque a entrevista é a base da relação médico-pessoa, cada pessoa é única com contexto próprio e a comunicação deve se adaptar ao paciente.
- Qual o papel da criança na consulta médica?
- Ela é o sujeito da consulta; deve-se falar diretamente com ela e não apenas sobre ela com os responsáveis.
- Qual é a linguagem natural da criança utilizada na entrevista?
- O brincar. O uso de atividades lúdicas facilita a comunicação e a expressão de sintomas.
- Como os pais devem ser integrados na consulta da criança?
- São fontes essenciais de apoio e informação, mas nunca devem anular ou excluir a voz da própria criança.
- O que observar na relação entre criança e cuidadores durante o atendimento?
- A dinâmica de interação, apego, limites, escuta e comportamentos de proteção ou conflito.
- Qual postura física favorece a entrevista com a criança?
- Agachar-se ou sentar-se na mesma altura dos olhos da criança para reduzir a assimetria de poder.
- Como utilizar brinquedos e bonecos no exame clínico pediátrico?
- Pedir que a criança aponte no boneco onde dói ou demonstrar primeiro o exame no brinquedo para diminuir o medo.
- Qual é a regra geral de confidencialidade com o adolescente?
- Privacidade e sigilo são direitos do adolescente, garantidos pela ética e legislação médica.
- Como organizar o tempo de consulta do adolescente com os responsáveis?
- Garantir um momento a sós com o jovem, combinado previamente com a família de forma transparente.
- Qual deve ser a postura do médico diante de condutas do adolescente?
- Postura empática, de escuta ativa e sem julgamentos morais ou imposições autoritárias.
- Quais temas sensíveis devem ser ativamente abordados com adolescentes?
- Sexualidade, uso de substâncias, humor, ideação suicida, identidade de gênero e relações interpessoais.
- O que significa respeitar a autonomia progressiva do adolescente?
- Envolvê-lo progressivamente nas tomadas de decisão sobre sua própria saúde conforme sua maturidade.
- Qual é a frase-chave de sigilo dita ao adolescente?
- O que conversarmos fica entre nós, exceto se houver risco sério à sua vida ou à integridade de terceiros.
- Quando o sigilo médico pode ser quebrado no atendimento ao adolescente?
- Em casos de risco iminente de autoagressão, ideação suicida estruturada, abuso sexual ou dano grave a outros.
- Por que é proibido infantilizar o paciente idoso?
- Porque a infantilização fere sua dignidade, desrespeita sua autonomia e compromete a aliança terapêutica.
- Como contornar déficits sensoriais auditivos no idoso sem gritar?
- Falar de frente, articulando bem as palavras em tom mais grave, em ambiente iluminado e sem ruídos.
- Qual deve ser o ritmo da entrevista clínica com o idoso?
- Ritmo pausado, concedendo tempo suficiente para o processamento de respostas, sem apressar o relato.
- Como manejar o idoso que apresenta múltiplas queixas simultâneas?
- Identificar todos os pontos e priorizar em conjunto: perguntar qual sintoma mais incomoda no dia a dia.
- Qual o papel do cuidador ou acompanhante na consulta do idoso?
- Atuar como rede de apoio e suporte prático, sem falar pelo idoso nem tomar seu protagonismo.
- Por que a família é considerada unidade de cuidado na clínica?
- Porque o adoecimento individual impacta e é diretamente influenciado pela dinâmica de todo o grupo familiar.
- Quais papéis familiares o médico deve identificar na entrevista?
- Quem detém o poder de decisão, quem executa o cuidado prático e quem verbaliza as queixas.
- Qual a utilidade do genograma na abordagem familiar?
- Mapear graficamente a estrutura familiar, laços relacionais, padrões transgeracionais e histórico clínico.
- Como agir frente a conflitos familiares durante a consulta médica?
- Manter postura neutra e acolhedora, dar espaço de fala a todas as partes e evitar tomar partido.
- Quais são os quatro princípios comuns a todas as situações especiais?
- Escuta ativa e empatia, adaptação da linguagem, respeito à autonomia e inclusão da família sem anular o paciente.
- O que define uma entrevista clínica bem-sucedida?
- Ser um diálogo flexível e centrado no paciente, em vez de um roteiro rígido de perguntas mecânicas.
- Quais são os pilares do Método Clínico Centrado na Pessoa?
- Explorar a saúde e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo e definir metas comuns.
- Qual o significado da máxima de William Osler sobre a medicina centrada na pessoa?
- O bom médico compreende as enfermidades, mas o médico excelente compreende profundamente a pessoa que adoece.
- Como investigar o modelo explicativo da doença na criança?
- Perguntar o que ela acha que tem e como imagina que seu corpo funciona naquele momento.
- Qual é a conduta diante da recusa do adolescente em ter a família na sala?
- Respeitar o desejo, convidar os pais a aguardarem na recepção e acordar o momento de retorno para alinhamento.
- O que caracteriza a polifarmácia no idoso durante a entrevista?
- Uso de múltiplos medicamentos; exige conferência física das receitas e caixas trazidas para a consulta.
- Como evitar a colusão familiar em casos de diagnósticos graves?
- Explicar à família a importância da verdade consentida e avaliar o desejo real do paciente de ser informado.
- Qual técnica auxilia na comunicação com pacientes hipoacúsicos?
- Manter contato visual direto, checar o uso correto de próteses auditivas e escrever palavras-chave se preciso.
- Como lidar com a queixa trazida pelos pais não confirmada pela criança?
- Investigar a percepção de ambos com delicadeza para diferenciar angústia parental de sintoma real da criança.
- O que avaliar na rede de apoio do idoso que reside sozinho?
- Capacidade para atividades da vida diária, suporte de vizinhos ou parentes e risco de isolamento social.
- Como abrir espaço para temas sexuais com adolescentes sem constrangimento?
- Universalizar o assunto afirmando que essas dúvidas são comuns e perguntando de forma aberta e natural.
- Por que não se deve usar termos infantilizados como vovozinho com o idoso?
- Configura despersonalização e ageísmo, devendo o paciente sempre ser chamado pelo próprio nome.
- Como integrar a linguagem não verbal na consulta pediátrica?
- Observar expressões faciais, postura corporal, retrações e o modo como a criança brinca na sala.
- O que fazer quando o acompanhante responde todas as perguntas pelo paciente idoso?
- Agradecer a ajuda e pedir gentilmente permissão para ouvir primeiro a experiência contada pelo próprio paciente.
- Qual a melhor abordagem para reconciliar opiniões divergentes entre pais e adolescentes?
- Atuar como mediador, identificando pontos de convergência e mantendo o foco no bem-estar do jovem.
- Qual é o primeiro passo ao iniciar uma entrevista familiar?
- Apresentar-se a todos os presentes, esclarecer o objetivo do encontro e pactuar regras de respeito mútuo.
- Como formular perguntas para crianças pequenas sem induzir respostas?
- Usar perguntas abertas e simples, evitando alternativas binárias do tipo sim ou não sempre que possível.
- Qual o risco de ignorar a fase do ciclo vital na entrevista clínica?
- Falha na adesão ao tratamento, diagnósticos incorretos e ruptura da aliança terapêutica por incompreensão mútua.
- Como validar os sentimentos de um adolescente durante a consulta?
- Demonstrar que suas angústias e vivências são legítimas e levadas a sério pelo profissional de saúde.
- Qual cuidado ter com o ambiente físico ao entrevistar o idoso?
- Garantir boa iluminação, assento confortável com apoio de braços, piso seguro e mínimo de ruído externo.
- O que significa encontrar terreno comum na consulta centrada na pessoa?
- Definir em conjunto com o paciente as prioridades do plano de tratamento e as responsabilidades de cada um.
- Como agir se os pais solicitarem quebra de sigilo sobre a sexualidade do jovem?
- Recusar a quebra indevida, reforçar o pacto ético de confidencialidade e incentivar o jovem a dialogar com os pais.
- Por que a anamnese pediátrica deve incluir a rotina escolar?
- O desempenho e o convívio na escola refletem diretamente o desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
- Como abordar o medo do exame físico em uma criança assustada?
- Permitir que permaneça no colo do responsável e explicar antecipadamente cada toque de forma amigável.
- O que sinaliza a sobrecarga do cuidador familiar durante a entrevista?
- Relatos frequentes de estresse, queixas de exaustão física, insônia e sinais de irritabilidade com o doente.
- Qual a conduta ética primordial na entrevista clínica humanizada?
- Tratar o indivíduo com equidade, ouvindo sua história de vida e adaptando a técnica médica à sua realidade.