Enzimas na Bioquímica
Este conjunto cobre os conceitos fundamentais de enzimas na bioquímica, sendo ideal para estudantes universitários de biologia, medicina e áreas relacionadas.
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- Enzima
- Biocatalisador majoritariamente proteico que acelera reações químicas ao diminuir a energia de ativação, sem ser consumido no processo.
- Sítio ativo
- Região tridimensional específica da enzima onde o substrato se liga e a catálise química ocorre com alta precisão estereoquímica.
- Substrato
- Molécula sobre a qual a enzima atua, convertida em produto ao interagir quimicamente com os aminoácidos do sítio ativo.
- Energia de ativação
- Barreira energética necessária para atingir o estado de transição; enzimas a reduzem para aumentar significativamente a velocidade da reação.
- Estado de transição
- Configuração instável e de maior energia livre ao longo do caminho reacional, estabilizada prioritariamente pelo sítio ativo da enzima.
- Complexo enzima-substrato (ES)
- Intermediário transitório formado pela ligação não covalente entre enzima e substrato, essencial para orientar os grupos catalíticos.
- Modelo chave-fechadura
- Proposta de Emil Fischer em que o sítio ativo é estruturalmente complementar ao substrato antes mesmo de ocorrer a ligação.
- Modelo do ajuste induzido
- Proposta de Koshland em que a ligação do substrato induz mudança conformacional no sítio ativo para otimizar as interações catalíticas.
- Apoenzima
- Fração puramente proteica de uma enzima conjugada, cataliticamente inativa sem o seu cofator correspondente.
- Holoenzima
- Forma completa e cataliticamente ativa da enzima, constituída pela união da apoenzima com seus cofatores ou coenzimas.
- Cofator
- Componente químico não proteico, frequentemente íons metálicos (ex.: Mg²⁺, Zn²⁺), necessário para a atividade catalítica plena da enzima.
- Coenzima
- Molécula orgânica não proteica, muitas vezes derivada de vitaminas, que atua como transportadora transitória de grupos químicos específicos.
- Grupo prostético
- Cofator ou coenzima covalentemente ou fortemente ligado à apoenzima, permanecendo associado durante todo o ciclo catalítico (ex.: grupo heme).
- Ribozima
- Molécula de RNA dotada de atividade catalítica, essencial no processamento de RNA e na síntese proteica no ribossomo.
- Isoenzimas
- Formas moleculares distintas de uma mesma enzima que catalisam a mesma reação, variando em cinética, estrutura primária e distribuição tecidual.
- Cinética de Michaelis-Menten
- Modelo quantitativo que descreve a taxa de reações enzimáticas hiperbólicas em função da concentração de substrato.
- Constante de Michaelis (Km)
- Concentração de substrato necessária para atingir metade da velocidade máxima; reflete inversamente a afinidade da enzima pelo substrato.
- Velocidade máxima (Vmax)
- Taxa limite da reação em que todos os sítios ativos das enzimas disponíveis encontram-se saturados por substrato.
- Número de turnover (kcat)
- Número de moléculas de substrato convertidas em produto por sítio ativo por unidade de tempo sob condições de saturação.
- Eficiência catalítica (kcat/Km)
- Parâmetro que mede a preferência de uma enzima por determinado substrato e a velocidade de catálise sob baixas concentrações.
- Gráfico de Lineweaver-Burk
- Representação gráfica do duplo recíproco da cinética enzimática, utilizada para determinar linearmente Vmax e Km.
- Inibição competitiva
- O inibidor compete diretamente com o substrato pelo sítio ativo; aumenta o Km aparente sem alterar a Vmax.
- Inibição não competitiva
- O inibidor liga-se a um sítio alostérico tanto na enzima livre quanto no complexo ES; diminui a Vmax sem alterar o Km.
- Inibição incompetitiva
- O inibidor liga-se exclusivamente ao complexo enzima-substrato já formado; reduz proporcionalmente tanto a Vmax quanto o Km aparente.
- Inibição irreversível
- Inativação permanente da enzima por ligação covalente ou destruição de grupos catalíticos funcionais indispensáveis no sítio ativo.
- Alosterismo
- Regulação da atividade enzimática por ligação de efetor em sítio distinto do ativo, alterando a conformação e afinidade proteica.
- Cooperatividade
- Fenômeno em que a ligação de substrato a uma subunidade facilita ou dificulta a ligação de substratos subsequentes em outras subunidades.
- Modificação covalente reversível
- Mecanismo regulatório rápido que ativa ou inativa enzimas via adição ou remoção de grupos químicos (comumente fosfato).
- Zimogênio (ou pró-enzima)
- Precursor enzimático inativo ativado via clivagem proteolítica irreversível, prevenindo atividade prematura ou dano tecidual.
- Óxido-redutases
- Classe enzimática (EC 1) que catalisa reações de oxirredução via transferência de elétrons, hidretos ou átomos de hidrogênio.
- Transferases
- Classe enzimática (EC 2) que catalisa a transferência de grupos funcionais específicos de uma molécula doadora para uma receptora.
- Hidrolases
- Classe enzimática (EC 3) que catalisa a quebra de ligações químicas mediante a adição de uma molécula de água.
- Liases
- Classe enzimática (EC 4) que catalisa clivagens de ligações (ex.: C-C, C-O) sem hidrólise ou oxidação, gerando duplas ligações ou anéis.
- Isomerases
- Classe enzimática (EC 5) que catalisa rearranjos estruturais ou geométricos dentro de uma única molécula, gerando isômeros.
- Ligases
- Classe enzimática (EC 6) que catalisa a união de duas moléculas acoplada à hidrólise concomitante de ATP ou nucleotídeo equivalente.
- Translocases
- Classe enzimática (EC 7) que catalisa a movimentação de íons ou moléculas através de membranas biológicas acoplada a reações químicas.
- Hexoquinase
- Transferase que fosforila glicose em glicose-6-fosfato gastando ATP; retém a glicose no citosol para iniciar a glicólise.
- Glicoquinase
- Isoenzima hepática e pancreática da hexoquinase com alto Km, responsável pelo tamponamento de altas glicemias pós-prandiais.
- Fosfofrutoquinase-1 (PFK-1)
- Enzima alostérica que fosforila frutose-6-fosfato a frutose-1,6-bisfosfato; principal ponto de controle irreversível da glicólise.
- Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase
- Óxido-redutase que oxida e fosforila gliceraldeído-3-fosfato, gerando 1,3-bisfosfoglicerato e NADH na fase de rendimento glicolítico.
- Piruvato quinase
- Transfere fosfato do fosfoenolpiruvato para o ADP gerando piruvato e ATP; etapa final e regulada da via glicolítica.
- Piruvato desidrogenase
- Complexo multienzimático mitocondrial que descarboxila oxidativamente o piruvato a acetil-CoA, integrando glicólise e ciclo de Krebs.
- Citrato sintase
- Condensa acetil-CoA e oxaloacetato para formar citrato; primeira reação limitante de entrada no ciclo do ácido cítrico.
- Aconitase
- Isomerase que interconverte citrato em isocitrato via cis-aconitato, utilizando centro ferro-enxofre essencial na catálise.
- Isocitrato desidrogenase
- Descarboxila oxidativamente isocitrato a alfa-cetoglutarato, gerando a primeira molécula de NADH e CO2 no ciclo de Krebs.
- Alfa-cetoglutarato desidrogenase
- Complexo que converte alfa-cetoglutarato em succinil-CoA gerando NADH e CO2; regulador estrito do fluxo oxidativo mitocondrial.
- Succinil-CoA sintetase
- Catalisa a fosforilação ao nível de substrato formando succinato e GTP (ou ATP), conservando a energia da ligação tioéster.
- Succinato desidrogenase
- Óxido-redutase ligada à membrana mitocondrial interna que oxida succinato a fumarato; atua como Complexo II respiratório.
- Malato desidrogenase
- Oxida L-malato a oxaloacetato com redução de NAD+, regenerando o aceptor inicial do ciclo do ácido cítrico.
- NADH desidrogenase (Complexo I)
- Oxida NADH e transfere elétrons para a ubiquinona, bombeando quatro prótons para o espaço intermembrana mitocondrial.
- Citocromo c oxidase (Complexo IV)
- Transfere elétrons do citocromo c para o oxigênio molecular formando água, última etapa da cadeia transportadora de elétrons.
- ATP sintase
- Complexo rotatório que sintetiza ATP a partir de ADP e Pi impulsionado pelo retorno de prótons ao longo do gradiente quimiosmótico.
- Lactato desidrogenase
- Reduz reversivelmente piruvato a lactato oxidando NADH a NAD+, permitindo continuidade da glicólise anaeróbia.
- Glicose-6-fosfato desidrogenase
- Enzima limitante da via das pentoses fosfato; gera NADPH fundamental contra estresse oxidativo celular.
- Glicogênio sintase
- Catalisa a transferência de glicose da UDP-glicose para cadeias lineares de glicogênio via ligações alfa-1,4; chave na glicogênese.
- Glicogênio fosforilase
- Cliva ligações alfa-1,4 de glicogênio liberando glicose-1-fosfato por fosforólise; regula a glicogenólise hepática e muscular.
- Frutose-1,6-bisfosfatase
- Hidrolisa frutose-1,6-bisfosfato a frutose-6-fosfato, etapa regulatória primordial no controle da gliconeogênese.
- Glicose-6-fosfatase
- Enzima do retículo endoplasmático hepático que desfosforila glicose-6-fosfato, permitindo liberação de glicose livre na corrente sanguínea.
- Acetil-CoA carboxilase (ACC)
- Carboxila biotina-dependente de acetil-CoA para formar malonil-CoA; etapa limitante da síntese de novos ácidos graxos.
- Ácido graxo sintase
- Complexo enzimático multifuncional que catalisa ciclos sucessivos de condensação e redução para sintetizar palmitato.
- Carnitina palmitoiltransferase I
- Enzima da membrana mitocondrial que catalisa a formação de acilcarnitina, permitindo o influxo de ácidos graxos para beta-oxidação.
- Acil-CoA desidrogenase
- Oxida acil-CoA introduzindo trans-dupla ligação com redução de FAD, iniciando cada ciclo de beta-oxidação mitocondrial.
- Lipase sensível a hormônio
- Hidrolisa triglicerídeos no tecido adiposo liberando ácidos graxos na circulação durante estados de jejum ou estresse.
- HMG-CoA redutase
- Catalisa a conversão limitante de HMG-CoA em mevalonato na via do colesterol; alvo primário das estatinas farmacológicas.
- Aspartato transaminase (AST)
- Transaminase hepática que transfere amina entre aspartato e alfa-cetoglutarato; indicador clínico de dano hepatocelular ou cardíaco.
- Alanina transaminase (ALT)
- Enzima que catalisa a conversão de alanina e alfa-cetoglutarato em piruvato e glutamato; biomarcador específico de lesão no fígado.
- Carbamoil fosfato sintetase I
- Enzima mitocondrial que condensa amônia e bicarbonato formando carbamoil fosfato; etapa limitante do ciclo da ureia.
- Urease
- Hidrolisa ureia gerando amônia e dióxido de carbono; fator de virulência de Helicobacter pylori para sobrevivência gástrica ácida.
- Amilase salivar (Ptialina)
- Endoamilase que hidrolisa ligações glicosídicas alfa-1,4 de amido na boca, iniciando o processo digestivo de carboidratos.
- Pepsina
- Endopeptidase gástrica ácida ativada a partir de pepsinogênio que degrada proteínas dietéticas em fragmentos peptídicos.
- Tripsina
- Endopeptidase pancreática que cliva ligações após resíduos básicos (Lys, Arg); ativa em cascata vários outros zimogênios intestinais.
- Quimotripsina
- Protease digestiva pancreática que hidrolisa ligações adjacentes a aminoácidos aromáticos (Phe, Trp, Tyr) no lúmen duodenal.
- Enteropeptidase (Enteroquinase)
- Enzima da borda em escova duodenal que cliva o tripsinogênio em tripsina ativa, desencadeando a digestão proteica intestinal.
- Lipase pancreática
- Hidrolisa triglicerídeos emulsificados em monoglicerídeos e ácidos graxos livres no duodeno para posterior absorção.
- Lactase
- Glicosídeo-hidrolase apical intestinal que hidrolisa lactose em glicose e galactose; sua deficiência causa intolerância alimentar.
- DNA polimerase III
- Principal holoenzima replicativa bacteriana que sintetiza a fita líder e de retardo com alta fidelidade e processividade.
- DNA ligase
- Catalisa a formação de ligações fosfodiéster selando descontinuidades entre fragmentos de Okazaki ou em reparos no DNA.
- Helicase
- Enzima que quebra pontes de hidrogênio entre fitas complementares de DNA às custas de ATP para abrir a forquilha de replicação.
- DNA topoisomerase
- Alivia a tensão de superenovelamento torsional gerada pela abertura da fita dupla clivando e religando filamentos de DNA.
- Primase
- RNA polimerase especializada que sintetiza pequenos primers de RNA essenciais para o início da síntese da DNA polimerase.
- Telomerase
- Ribonucleoproteína com atividade de transcriptase reversa que alonga as extremidades teloméricas cromossômicas.
- RNA polimerase II
- Enzima eucariótica nuclear encarregada de transcrever genes codificadores de proteínas em RNA mensageiro heterogêneo precursor.
- Aminoacil-tRNA sintetase
- Liga covalentemente aminoácidos aos seus respectivos tRNAs corretos gastando ATP, garantindo a fidelidade do código genético.
- Peptidil transferase
- Atividade de ribozima na subunidade maior do ribossomo que forma a ligação peptídica na cadeia de polipeptídeos nascente.
- Transcriptase reversa
- DNA polimerase dependente de RNA retroviral que converte genomas virais de fita simples de RNA em fita dupla de DNA proviral.
- Enzima de restrição
- Endonuclease bacteriana que corta sequências palindrômicas específicas de DNA exógeno; ferramenta central da engenharia genética.
- Cas9
- Endonuclease direcionada por RNA guia que introduz quebras de fita dupla em sequências-alvo no genoma na tecnologia CRISPR.
- Anidrase carbônica
- Catalisa a hidratação reversível de CO2 em bicarbonato e próton; fundamental no transporte sanguíneo de gases e pH sistêmico.
- Catalase
- Heme-enzima peroxissomal que converte duas moléculas de peróxido de hidrogênio em água e oxigênio molecular, neutralizando ROS.
- Superóxido dismutase (SOD)
- Desmuta ânions superóxido tóxicos em peróxido de hidrogênio e oxigênio; principal linha de defesa enzimática antioxidante celular.
- Fosfolipase C
- Cliva fosfatidilinositol 4,5-bisfosfato em IP3 e diacilglicerol, transduzindo sinais hormonais e elevando cálcio intracelular.
- Adenilato ciclase
- Enzima transmembrana ativada por proteínas G que converte ATP em AMP cíclico (cAMP), importante segundo mensageiro.
- Fosfodiesterase (PDE)
- Degrada ligações fosfodiéster em nucleotídeos cíclicos (cAMP ou cGMP), encerrando os sinais de transdução intracelular.
- Proteína quinase A (PKA)
- Serina/treonina quinase ativada por cAMP que fosforila diversas enzimas metabólicas para coordenar respostas celulares.
- Fosfatase de proteínas
- Hidrolisa ésteres de fosfato de cadeias laterais de aminoácidos, revertendo os efeitos regulatórios das quinases.
- Xantina oxidase
- Oxida hipoxantina a xantina e esta a ácido úrico; sua superexpressão causa hiperuricemia e crises gotosas articulares.
- Ciclooxigenase (COX)
- Sintetiza prostaglandinas e tromboxanos a partir de ácido araquidônico; alvo farmacológico de anti-inflamatórios não esteroides.
- Acetilcolinesterase
- Hidrolisa rapidamente neurotransmissor acetilcolina na fenda sináptica neuromuscular, interrompendo a transmissão do estímulo.
- Enzima conversora de angiotensina (ECA)
- Cliva angiotensina I em angiotensina II vasoconstritora no endotélio vascular; crucial na regulação da pressão arterial.
- Trombina
- Serina protease da cascata de coagulação que cliva fibrinogênio solúvel em fibrina insolúvel, consolidando o tampão hemostático.