Epidemiologia
Conceitos fundamentais de epidemiologia, abrangendo indicadores de saúde e estudos populacionais para estudantes de medicina e saúde pública.
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- Epidemiologia
- Estudo da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas e sua aplicação no controle de problemas de saúde.
- Saúde pública
- Conjunto de medidas organizadas pela sociedade para promover, proteger e recuperar a saúde coletiva e prevenir agravos.
- Incidência
- Número de casos novos de uma doença que ocorrem em uma população sob risco durante um intervalo de tempo determinado.
- Prevalência
- Proporção de indivíduos de uma população que apresentam determinada doença ou condição em um ponto específico ou período do tempo.
- Taxa de ataque
- Tipo de taxa de incidência calculada para uma população restrita e exposta a um fator durante um curto período, comum em surtos.
- Morbidade
- Variável que descreve a frequência e a distribuição de doenças e agravos em uma população em dado período.
- Mortalidade geral
- Proporção de mortes por todas as causas ocorridas em uma população ao longo de um determinado período, geralmente anual.
- Mortalidade proporcional
- Fração de todos os óbitos de uma população atribuível a uma causa, faixa etária ou categoria específica.
- Letalidade
- Proporção de pessoas com determinada doença que morrem em decorrência direta dela, medindo a gravidade da afecção.
- Endemia
- Presença habitual e contínua de uma doença ou agente infeccioso em uma área geográfica ou população definida.
- Epidemia
- Ocorrência de casos de uma doença com frequência claramente superior à expectativa habitual em uma comunidade ou região.
- Surto
- Epidemia restrita a um espaço geográfico delimitado e pequeno, como uma escola, hospital ou bairro, com início súbito.
- Pandemia
- Epidemia de grandes proporções que se dissemina amplamente por vários continentes ou pelo mundo inteiro.
- Tríade epidemiológica
- Modelo clássico de causalidade de doenças infecciosas composto por agente etiológico, hospedeiro suscetível e meio ambiente.
- Agente etiológico
- Entidade biológica, química ou física cuja presença ou ausência é necessária para o desenvolvimento de uma doença.
- Hospedeiro
- Organismo simples ou complexo que oferece subsistência ou alojamento a um agente infeccioso sob condições naturais.
- Vetor
- Organismo intermediário, frequentemente um artrópode, que transporta o agente patogênico de um hospedeiro infectado para outro suscetível.
- Reservatório
- Qualquer ser humano, animal, artrópode, planta ou matéria inanimada onde um agente infeccioso vive, se multiplica e do qual depende para sobreviver.
- Portador são
- Indivíduo infectado que alberga o agente patogênico e pode transmiti-lo a terceiros, sem manifestar sinais clínicos da doença.
- Período de incubação
- Intervalo de tempo entre a exposição inicial ao agente infeccioso e o aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da doença.
- Período de latência
- Intervalo entre a infecção ou exposição inicial e o início do período de transmissibilidade do agente.
- Período de transmissibilidade
- Intervalo durante o qual um agente infeccioso pode ser transferido de uma pessoa infectada para outro indivíduo ou vetor.
- Número básico de reprodução (R0)
- Número médio de casos secundários causados por um indivíduo infectado em uma população totalmente suscetível.
- Número efetivo de reprodução (Rt)
- Número médio de transmissões secundárias provocadas por um infectado em um momento com indivíduos imunes e intervenções ativas.
- Imunidade de rebanho
- Proteção indireta contra uma doença infecciosa adquirida quando uma proporção suficiente da população desenvolve imunidade.
- Fator de risco
- Característica, condição ou hábito mensurável associado estatisticamente a uma maior probabilidade de desenvolvimento de um agravo.
- Fator de proteção
- Atributo ou exposição que reduz a probabilidade de ocorrência de uma determinada doença ou desfecho desfavorável.
- Vigilância epidemiológica
- Coleta, análise e interpretação contínua e sistemática de dados de saúde essenciais para o planejamento de intervenções.
- Notificação compulsória
- Comunicação obrigatória à autoridade sanitária sobre a suspeita ou confirmação de certas doenças, agravos ou eventos de saúde pública.
- História natural da doença
- Evolução temporal completa de um processo patológico desde a exposição aos fatores causais até a cura, cronicidade ou óbito, sem intervenção médica.
- Prevenção primária
- Ações direcionadas a indivíduos sadios para evitar a instalação da doença por meio da remoção de causas ou imunização.
- Prevenção secundária
- Detecção e tratamento precoces de afecções em indivíduos assintomáticos, visando deter ou retardar a evolução do agravo.
- Prevenção terciária
- Medidas de reabilitação e limitação de incapacidades em indivíduos com doenças clínicas crônicas estabelecidas.
- Prevenção quaternária
- Ações que visam identificar pessoas em risco de sobrediagnóstico e sobretratamento para protegê-las de intervenções médicas excessivas.
- Sensibilidade
- Capacidade de um teste diagnóstico identificar corretamente os indivíduos verdadeiramente portadores da condição pesquisada.
- Especificidade
- Capacidade de um teste diagnóstico identificar corretamente os indivíduos verdadeiramente sadios para a condição pesquisada.
- Valor preditivo positivo (VPP)
- Proporção de indivíduos com resultado positivo no teste diagnóstico que efetivamente possuem a doença investigada.
- Valor preditivo negativo (VPN)
- Proporção de indivíduos com resultado negativo no teste diagnóstico que efetivamente não possuem a doença investigada.
- Rastreamento (screening)
- Aplicação sistemática de testes ou exames em pessoas assintomáticas para identificar condições subclínicas em fase inicial.
- Estudo transversal
- Delineamento observacional que analisa a exposição e o desfecho simultaneamente em uma população em um ponto único do tempo.
- Estudo de coorte
- Estudo observacional longitudinal no qual grupos definidos por diferentes exposições são acompanhados no tempo para comparar a ocorrência do desfecho.
- Estudo de caso-controle
- Delineamento retrospectivo que compara indivíduos com a doença (casos) e sem a doença (controles) quanto à exposição passada a fatores suspeitos.
- Ensaio clínico randomizado
- Estudo experimental com alocação aleatória de participantes entre grupos de intervenção e controle para avaliar a eficácia terapêutica.
- Estudo ecológico
- Delineamento observacional cujas unidades de análise são grupos populacionais ou regiões agregadas, e não indivíduos isolados.
- Falácia ecológica
- Erro lógico que ocorre ao inferir relações causais no nível individual com base unicamente em associações observadas em nível agregado.
- Risco relativo (RR)
- Razão entre a incidência da doença no grupo exposto e a incidência no grupo não exposto, usada principalmente em estudos de coorte.
- Razão de chances (Odds Ratio - OR)
- Medida de associação que calcula a razão entre as chances de exposição nos casos e as chances de exposição nos controles.
- Risco atribuível
- Diferença entre o risco da doença nos expostos e nos não expostos, representando o excesso absoluto de risco devido ao fator.
- Viés de seleção
- Distorção sistemática nos resultados devida a procedimentos inadequados na inclusão ou retenção de participantes nos grupos de estudo.
- Viés de informação (aferição)
- Erro sistemático decorrente de diferenças ou imprecisões na mensuração da exposição ou dos desfechos entre os grupos comparados.
- Fator de confusão
- Variável externa associada tanto à exposição quanto ao desfecho, sem ser um elo na cadeia causal entre ambos, distorcendo o efeito real.
- Critérios de Bradford Hill
- Conjunto de nove princípios usados para avaliar se uma associação observada entre exposição e efeito tem plausibilidade de ser causal.
- Força de associação
- Critério de Hill que expressa a magnitude do risco medido; associações de grande magnitude são menos prováveis de decorrer apenas de vieses.
- Temporalidade
- Critério essencial de causalidade que exige que a exposição preceda obrigatoriamente no tempo a ocorrência do desfecho de saúde.
- Gradiente biológico (dose-resposta)
- Evidência causal caracterizada pela constatação de que o aumento progressivo na dose ou tempo de exposição eleva o risco da doença.