Evolução Histórica do SUS
Este conjunto de flashcards aborda a evolução histórica do Sistema Único de Saúde no Brasil, desde os modelos sanitários iniciais até a consolidação do SUS. Destina-se a estudantes da área da saúde e candidatos a concursos públicos.
Cartões · 50
- Modelo Sanitarista-Campanhista (Início do Século XX)
- Liderado por Oswaldo Cruz, focava em combater epidemias (febre amarela, varíola) no RJ de forma autoritária e vertical, visando viabilizar a exportação de café e a economia portuária.
- Revolta da Vacina (1904)
- Rebelião popular no Rio de Janeiro contra a vacinação obrigatória contra a varíola imposta por Oswaldo Cruz, evidenciando a falta de diálogo e a truculência do modelo campanhista.
- Lei Eloy Chaves (1923)
- Marco inicial da Previdência Social no Brasil, criando as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs) por empresas, financiadas por empregados e empregadores para assistência médica restrita.
- Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs)
- Fundadas pela Lei Eloy Chaves em empresas específicas (como ferroviários), cobriam apenas trabalhadores formais contribuintes, excluindo grande parte da população vulnerável.
- Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs - 1933)
- Criados na Era Vargas, unificaram as CAPs por categorias profissionais sob gestão estatal tripartite, consolidando a divisão entre previdenciários e excluídos do sistema de saúde.
- Criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (1930)
- Instituído no governo de Getúlio Vargas, marcou o início da centralização formal da saúde no âmbito ministerial pelo governo federal.
- Criação do Ministério da Saúde (1953)
- Desmembrado do Ministério da Educação, passou a cuidar da saúde pública preventiva e endemias rurais, mantendo a assistência médica curativa sob tutela da previdência.
- 3ª Conferência Nacional de Saúde (1963)
- Presidida por Ary Miranda, propôs pela primeira vez a municipalização e a universalização da saúde, servindo de semente para ideias que mais tarde originaram o SUS.
- Criação do INPS (1966)
- Fusão dos IAPs pelo regime militar que centralizou a previdência e expandiu a compra de serviços médicos privados com recursos públicos em modelo hospitalocêntrico.
- Modelo Médico-Assistencial Privatista (Ditadura Militar)
- Incentivo estatal massivo ao setor privado e hospitalar conveniado pelo INPS, que gerou altos custos, fraudes financeiras e negligenciou a atenção primária e a prevenção.
- Movimento da Reforma Sanitária Brasileira (MRSB - Década de 1970)
- Articulação de intelectuais, médicos, acadêmicos e movimentos sociais contra a ditadura militar, defendendo a saúde como direito universal de cidadania e dever do Estado.
- Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES - 1976)
- Entidade criada por sanitaristas e acadêmicos que lançou a revista 'Saúde em Debate' e formulou as bases teóricas e políticas da Reforma Sanitária.
- Criação do INAMPS (1977)
- Órgão do SINPAS responsável pela assistência médica curativa dos trabalhadores com carteira assinada, deixando aos desempregados apenas a caridade e a filantropia.
- Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco - 1979)
- Fundada para fortalecer o campo da Saúde Coletiva, reuniu pesquisadores fundamentais para a formulação técnica das diretrizes do SUS.
- Declaração de Alma-Ata (1978)
- Conferência internacional da OMS que consagrou os Cuidados Primários de Saúde e a meta 'Saúde para Todos no Ano 2000', inspirando os sanitaristas brasileiros.
- Criação das Ações Integradas de Saúde (AIS - 1983)
- Estratégia de articulação entre INAMPS, Ministério da Saúde e secretarias estaduais/municipais, iniciando o processo prático de descentralização e integração.
- 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986)
- Marco histórico com ampla participação popular presidido por Sergio Arouca; delineou os princípios fundamentais e a estrutura adotada para a criação do SUS.
- Sergio Arouca na 8ª CNS
- Sanitarista que presidiu a 8ª CNS e proferiu discurso célebre afirmando que 'a saúde não é um estado estático, é um direito social intrínseco à democracia'.
- Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS - 1987)
- Convênio pré-constitucional que transferiu a gestão de unidades federais e do INAMPS para os estados, servindo de ensaio prático direto para o SUS.
- Constituição Federal de 1988 (Artigos 196 a 200)
- Institucionalizou o SUS ao definir formalmente no Artigo 196 que 'a saúde é direito de todos e dever do Estado', universalizando o acesso sem exigência de contribuição.
- Conceito Ampliado de Saúde (CF/88)
- Entendimento de que a saúde resulta de determinantes socioeconômicos como alimentação, moradia, saneamento, renda, trabalho e meio ambiente, além da assistência médica.
- Princípio da Universalidade
- Princípio doutrinário do SUS que assegura o direito à saúde a todos os cidadãos em território brasileiro, rompendo com o modelo excludente previdenciário do INAMPS.
- Princípio da Integralidade
- Princípio doutrinário que prevê atenção global ao indivíduo, articulando ações preventivas, curativas e reabilitadoras em todos os níveis de complexidade.
- Princípio da Equidade
- Princípio doutrinário que orienta tratar desigualmente os desiguais, direcionando mais recursos e atenção a populações em maior vulnerabilidade social.
- Princípio da Descentralização
- Princípio organizativo que redistribuiu poder e responsabilidades da União para estados e principalmente municípios, com comando único em cada esfera.
- Princípio da Regionalização e Hierarquização
- Organização territorial dos serviços em redes de complexidade crescente articuladas em regiões de saúde contíguas para garantir acesso ordenado.
- Princípio da Participação Social (Controle Social)
- Garantia de atuação da comunidade na formulação e fiscalização de políticas públicas por meio de Conselhos e Conferências de Saúde paritários.
- Lei Orgânica da Saúde - Lei Federal nº 8.080/1990
- Regulamentou o SUS, fixou seus princípios, diretrizes, competências das três esferas de governo e a participação complementar da rede privada.
- Lei Federal nº 8.142/1990
- Complementou a Lei 8.080 após vetos presidenciais, normatizando a participação popular (Conselhos e Conferências) e as transferências intergovernamentais de recursos.
- Extinção definitiva do INAMPS (1993)
- Encerrou a separação entre segurados da previdência e desassistidos, unificando a rede sob a gestão tripartite do SUS e consolidando a universalidade.
- Norma Operacional Básica (NOB-SUS 01/91)
- Primeira norma operacional editada pelo Ministério da Saúde, iniciando tímidas transferências federais diretas para estados e municípios.
- Norma Operacional Básica (NOB-SUS 01/93)
- Criou instâncias fundamentais de negociação intergestores (CIB e CIT) e estabeleceu níveis de habilitação municipal para a gestão da saúde.
- Comissão Intergestores Tripartite (CIT)
- Espaço permanente de articulação e consenso político e operacional entre Ministério da Saúde, secretarias estaduais (CONASS) e municipais (CONASEMS).
- Comissão Intergestores Bipartite (CIB)
- Colegiado estadual de consenso entre o secretário de Estado da Saúde e as secretarias municipais de saúde (COSEMS) no território de cada unidade federativa.
- Norma Operacional Básica (NOB-SUS 01/96)
- Aprofundou radicalmente a descentralização ao instituir o Piso da Atenção Básica (PAB) e a Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde.
- Piso da Atenção Básica (PAB - 1996)
- Mecanismo que substituiu a remuneração por procedimentos burocráticos por repasses federais fixos regulares per capita direto fundo a fundo aos municípios.
- Programa Saúde da Família (PSF - 1994)
- Criado para reorganizar a atenção básica com foco comunitário e preventivo por meio de equipes multiprofissionais adscritas a territórios definidos.
- Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS-SUS 01/2001 e 01/2002)
- Focou na regionalização da saúde com a criação do Plano Diretor de Regionalização (PDR), visando organizar a média e alta complexidade assistencial.
- Emenda Constitucional nº 29 (EC 29/2000)
- Vinculou percentuais mínimos obrigatórios de receitas tributárias dos estados (12%) e municípios (15%) para aplicação contínua em ações e serviços de saúde.
- Pacto pela Saúde (2006)
- Portaria interministerial que reformulou a gestão do SUS através de três eixos: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS.
- Pacto pela Vida (2006)
- Componente do Pacto pela Saúde com metas prioritárias pactuadas, como saúde do idoso, redução do câncer de colo e mama, e redução da mortalidade materno-infantil.
- Pacto de Gestão (2006)
- Substituiu o complexo processo anterior de habilitações burocráticas pelo Termo de Compromisso de Gestão, fortalecendo a autonomia municipal.
- Criação dos NASF (2008)
- Núcleos de Apoio à Saúde da Família criados para dar retaguarda clínica e pedagógica às equipes de Saúde da Família com diversas especialidades.
- Decreto Federal nº 7.508/2011
- Regulamentou a Lei 8.080/90, definindo conceitos cruciais como Região de Saúde, Redes de Atenção à Saúde (RAS), Mapa da Saúde, RENAME e RENASES.
- Redes de Atenção à Saúde (RAS - 2010)
- Arranjos organizativos de ações e serviços de saúde coordenados pela atenção primária para oferecer cuidado contínuo e integral à população.
- Lei Complementar nº 141/2012
- Regulamentou a EC 29, definindo com clareza o que constitui e o que não constitui gasto em saúde para fins do cálculo obrigatório de investimentos.
- Programa Mais Médicos (2013)
- Iniciativa para suprir a escassez crônica de médicos na Atenção Básica em áreas remotas e periferias urbanas vulneráveis do país.
- Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 2017)
- Atualização das diretrizes da Atenção Básica que oficializou outras modalidades de equipes e flexibilizou padrões operacionais territoriais.
- Emenda Constitucional nº 95 (EC 95/2016)
- Instituiu o teto de gastos públicos federais por 20 anos, limitando despesas orçamentárias à inflação e intensificando o subfinanciamento do SUS.
- Programa Previne Brasil (2019)
- Reformulação do financiamento da atenção básica federal, passando a repassar recursos com base em captação ponderada e alcance de metas de desempenho.