Extravasamento de Vasopressores
Este conjunto aborda a prevenção, fisiopatologia e conduta imediata para o extravasamento de vasopressores. Destina-se a profissionais e estudantes de enfermagem e medicina.
Cartões · 51
- Definição de extravasamento de fármaco
- Escape inadvertido de uma solução vesicante ou irritante do leito vascular para os tecidos circunvizinhos.
- Classificação da noradrenalina quanto ao potencial tecidual
- Classificada como substância vesicante de alto risco, capaz de causar necrose tecidual isquêmica grave.
- Fisiopatologia do extravasamento de noradrenalina
- Estimulação intensa de receptores alfa-1 adrenérgicos locais, causando vasoconstrição arterial grave e isquemia tecidual.
- Principal via de administração recomendada para drogas vasoativas
- Acesso venoso central (CVC), devido ao maior calibre vascular, alto fluxo sanguíneo e menor risco de lesão tecidual.
- Indicação de uso de droga vasoativa em via periférica
- Apenas em emergências temporárias, em veias calibrosas, enquanto se aguarda o estabelecimento de um acesso venoso central.
- Tempo máximo seguro sugerido para noradrenalina em cateter periférico
- Geralmente limitado a no máximo 12 a 24 horas, sob monitorização rigorosa e plano ativo para obter CVC.
- Critérios de escolha de veia periférica para infusão transitória de DVA
- Veias calibrosas do antebraço ou fossa antecubital; evitar veias da mão, punho, membros inferiores e articulações.
- Calibre mínimo ideal de cateter periférico para DVA em emergência
- Cateteres curtos de calibre 18G ou 20G, minimizando risco de perfuração e facilitando a conferência do fluxo.
- Por que evitar infusão de DVA em veias dos membros inferiores?
- Apresentam fluxo sanguíneo mais lento, maior estase, maior propensão a tromboflebite e isquemia periférica severa.
- Frequência mínima de inspeção de acesso periférico com DVA
- Checagem a cada 1 hora ou até a cada 15 a 30 minutos em caso de titulação de dose elevada.
- Primeira conduta de enfermagem imediata ao suspeitar de extravasamento
- Interromper imediatamente a infusão da droga vasoativa sem retirar o cateter no primeiro momento.
- Por que manter o cateter venoso logo após constatar o extravasamento?
- Para aspirar o máximo de droga residual e permitir potencial administração de antídoto no mesmo trajeto.
- Ação sobre o membro acometido logo após a interrupção da infusão
- Elevar o membro afetado para favorecer o retorno venoso e diminuir o edema local.
- Antídoto específico de escolha para extravasamento de catecolaminas
- Fentolamina, um bloqueador alfa-adrenérgico que neutraliza a vasoconstrição local.
- Mecanismo de ação da fentolamina no extravasamento
- Bloqueia competitivamente os receptores alfa-1, revertendo o espasmo vascular e restaurando o fluxo tecidual.
- Janela temporal ideal para administração da fentolamina
- Deve ser administrada preferencialmente dentro de 12 horas após o evento para prevenir a necrose isquêmica.
- Técnica de aplicação da fentolamina subcutânea
- Infiltração múltipla em leque ao redor da área isquêmica usando agulha fina (25G a 27G), diluída em soro fisiológico.
- Alternativa tópica à fentolamina em serviços com desabastecimento
- Pomada de nitroglicerina a 2%, promovendo vasodilatação local por liberação de óxido nítrico.
- Aplicação de calor ou frio no extravasamento de noradrenalina?
- Compressas mornas secas; o frio é contraindicado por piorar a vasoconstrição e acelerar a isquemia.
- Risco do uso de compressas frias em extravasamento de vasopressores
- Agravação da vasoconstrição reflexa, piora da perfusão microvascular e aumento do risco de necrose.
- Sinais clínicos precoces de extravasamento periférico de noradrenalina
- Dor, queimação no sítio, palidez cutânea circunvizinha, pele fria, endurecimento e ausência de refluxo.
- Sinais tardios de extravasamento não tratado
- Bolhas, flictenas, cianose tecidual focal, perda de sensibilidade, ulceração e necrose úmida ou seca.
- Cuidados essenciais no preparo e diluição de DVA para via periférica
- Utilizar concentrações padrão ou mais diluídas quando periférica, minimizando osmolaridade e agressão tecidual.
- Fisiopatologia do extravasamento de dopamina em doses elevadas
- Estimulação alfa-adrenérgica intensa que mimetiza a ação da noradrenalina, gerando isquemia cutânea grave.
- Fisiopatologia do extravasamento de adrenalina
- Potente efeito alfa-1 agonista em tecido subcutâneo com colapso capilar local e hipóxia celular aguda.
- Importância da fixação e curativo do acesso periférico com DVA
- Uso de curativo estéril transparente para visualização contínua do trajeto venoso sem tração mecânica.
- Teste de permeabilidade do cateter venoso periférico antes de iniciar DVA
- Aspirar para confirmar retorno venoso livre e infundir solução salina sem dor, resistência ou abaulamento.
- Riscos de infusão de DVA por bomba de infusão em via periférica
- A bomba pode superar a resistência tecidual sem alarme imediato, infundindo grande volume no interstício.
- Ação em caso de suspeita de extravasamento em cateter central (CVC)
- Parar a infusão, avaliar edema cervical/torácico, dor, raio-X ou eco imediato para confirmar posição da ponta.
- Papel do registro em prontuário no extravasamento
- Descrever hora, droga, concentração, volume aproximado, medidas imediatas, aspecto da pele e conduta médica.
- Demarcação da área de extravasamento com caneta cirúrgica
- Permite monitorar a expansão da lesão, eficácia das intervenções tópicas ou absorção do edema.
- Uso de terbutalina como vasodilatador alternativo
- Pode ser infiltrada localmente em doses tituladas como agonista beta-2 para gerar vasodilatação de resgate.
- Quando solicitar avaliação da cirurgia plástica ou geral?
- Na presença de flictenas, sinais de síndrome compartimental, necrose dérmica ou falha do tratamento clínico.
- Fator de risco anatômico do punho para infusão venosa
- Movimento articular frequente que desloca o cateter e proximidade de artérias, tendões e nervos vitais.
- Efeito da idade avançada no risco de extravasamento
- Maior fragilidade vascular, perda de tecido subcutâneo de suporte e veias esclerosadas com menor elasticidade.
- Complicação neurológica associada ao extravasamento em fossa cubital
- Compressão nervosa pelo edema isquêmico ou síndrome compartimental local com dano ao nervo mediano.
- Manejo da dor após extravasamento de vasopressores
- Analgesia sistêmica prescrita pelo médico; evitar manipulação excessiva e pressão direta sobre o tecido.
- Monitorização hemodinâmica do paciente durante o extravasamento
- Monitorar PA e perfusão, pois a interrupção abrupta da droga pode gerar choque circulatório rebote.
- Onde reiniciar a DVA após parar a infusão por extravasamento?
- Em outro sítio venoso exclusivo, preferencialmente central ou em outro membro contralateral viável.
- Volume residual aspirado pelo cateter antes de sacá-lo
- Aspira-se de 3 a 5 mL de sangue/fluido com seringa para remover a maior quantidade de fármaco possível.
- Critérios de alta do protocolo de extravasamento
- Resolução do edema, recuperação da perfusão capilar periférica, ausência de dor e ausência de necrose.
- Orientações ao paciente lúcido em uso de DVA periférica
- Instruir a comunicar dor imediata, queimação, calor, dormência ou sensação de umidade no sítio venoso.
- Por que não aplicar massagem local após extravasamento de vasopressores?
- Aumenta o trauma mecânico tecidual e dispersa o agente vesicante sem reverter a vasoconstrição capilar.
- Cuidados com curativo compressivo em área de extravasamento
- Estritamente contraindicado; qualquer pressão externa piora a hipóxia e compromete a perfusão capilar.
- Uso de hialuronidase em extravasamento de DVA
- Uso controverso; embora degrade ácido hialurônico facilitando absorção, pode dispersar o agente vasoconstritor.
- Papel do ultrassom vascular à beira-leito na prevenção
- Garante punção periférica ecoguiada no centro do lúmen, certificando calibre e profundidade adequados.
- Como a hipotensão e a má perfusão periférica afetam o acesso?
- Colapsam vasos periféricos, aumentam a fragilidade da parede venosa e predispõem à perda do acesso.
- Fator de risco: múltiplas punções na mesma veia
- Cria orifícios parietais anteriores que extravasam o líquido quando infundido sob pressão contínua.
- Uso de via exclusiva para infusão de vasopressores
- Indispensável para evitar bolus acidentais e permitir rápida suspensão em caso de complicações venosas.
- Síndrome compartimental como complicação de extravasamento
- Aumento extremo da pressão tissular fascial que exige fasciotomia descompressiva de urgência cirúrgica.
- Treinamento da equipe de enfermagem como medida preventiva primária
- Capacitação sobre anatomia venosa, reconhecimento de irritantes/vesicantes e ação de resgate rápida.