Fisiologia Gastrointestinal

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Estudo de fisiologia gastrointestinal baseado em casos clínicos, explicando mecanismos fisiopatológicos de distúrbios digestivos para estudantes de medicina.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Fisiologia Publicado
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Acalásia: por que há disfagia e dilatação esofágica?
Falha no relaxamento do EEI e aperistaltismo. Degeneração dos neurônios do plexo mioentérico que secretam NO e VIP impede o relaxamento da musculatura lisa.
Refluxo gastroesofágico: qual a alteração mecânica básica?
Incompetência do esfíncter esofágico inferior (EEI). Relaxamentos transitórios anormais ou baixa pressão basal expõem o esôfago distal ao ácido gástrico.
Uso crônico de omeprazol: por que gera hipergastrinemia?
Bloqueio do feedback negativo ácido. A inibição da bomba H+/K+-ATPase eleva o pH gástrico, reduzindo a somatostatina e hiperestimulando células G a secretar gastrina.
Síndrome de Zollinger-Ellison: mecanismo da diarreia e úlcera?
Gastrinoma hipersecretor de gastrina. Causa hipercloridria maciça por estímulo das células parietais, inativando lipases e erodindo a mucosa duodenal.
Gastrite atrófica autoimune: por que causa anemia perniciosa?
Deficiência de fator intrínseco. A destruição autoimune das células parietais reduz a secreção ácida e de fator intrínseco, impedindo a absorção de B12 no íleo.
Vômitos incoercíveis prolongados: qual distúrbio acidobásico surge?
Alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. Há perda maciça de HCl; a geração de bicarbonato pelas células parietais na secreção gástrica não é neutralizada.
Cólica biliar pós-prandial gordurosa: qual hormônio a desencadeia?
Colecistocinina (CCK). Lipídios no duodeno estimulam células I a secretar CCK, que contrai a vesícula e relaxa o esfíncter de Oddi, impactando o cálculo.
Fibrose cística com esteatorreia: qual a falha fisiológica?
Obstrução dos ductos pancreáticos por muco espesso. Defeito no canal CFTR reduz secreção de bicarbonato e água, retendo enzimas e impedindo digestão lipídica.
Doença celíaca: por que há má-absorção generalizada?
Atrofia das vilosidades intestinais mediada por glúten. A resposta imune contra a transglutaminase tecidual destrói os enterócitos, reduzindo a área de absorção.
Ressecção do íleo terminal: por que causa esteatorreia e diarreia?
Perda da reabsorção de sais biliares. O esgotamento do pool biliar prejudica micelas lipídicas; sais biliares no cólon induzem secreção osmótica e aquosa.
Diarreia da cólera: como a toxina induz perda de líquido?
Ativação permanente da adenilato ciclase via proteína Gs. O aumento de AMPc luminal fosforila o CFTR, ejetando Cl- e água maciçamente no lúmen criptal.
Intolerância à lactose: fisiologia da distensão e fezes ácidas?
Deficiência da lactase na borda em escova. Lactose não digerida retém água por osmose e é fermentada pela flora cólica em ácidos graxos voláteis e H2.
Megacólon congênito (Hirschsprung): qual a falha de inervação?
Ausência congênita de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso. O segmento distal afetado permanece em contração tônica, gerando obstrução.
Icterícia obstrutiva com fezes acólicas: qual o mecanismo?
Bloqueio do fluxo de bile ao duodeno. A bilirrubina conjugada não atinge a microbiota intestinal, impedindo a conversão em estercobilina, que colore as fezes.
Úlcera gástrica por AINEs: por que diminui a defesa mucosa?
Inibição das enzimas COX-1 e síntese de prostaglandinas (PGE2 e PGI2). Reduz o muco protetor, a secreção de bicarbonato e o fluxo sanguíneo da mucosa.
Constipação por opioides: qual a ação entérica desses fármacos?
Ligação aos receptores mu no plexo mioentérico. Reduz a motilidade propulsiva, aumenta o tônus segmentar e diminui secreções glandulares, ressecando fezes.
Pancreatite aguda por álcool: qual a causa da autodigestão?
Ativação intracelular precoce do tripsinogênio em tripsina. A tripsina ativa outras pró-enzimas dentro do ácino pancreático, causando necrose enzimática.
Vagotomia troncular: qual impacto inicial no esvaziamento?
Retardo no esvaziamento de sólidos e perda do relaxamento receptivo. A ausência de estímulo colinérgico reduz a acomodação do fundo gástrico e a motilidade antral.
Supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO): diarreia?
Desconjugação precoce de sais biliares por bactérias intraluminais. Prejudica a formação de micelas de gordura e lesa a mucosa, gerando diarreia e esteatorreia.
Ressecção ileal extensa: por que pode gerar cálculos biliares?
Diminuição do pool de ácidos biliares pela circulação êntero-hepática prejudicada. A bile torna-se supersaturada de colesterol, precipitando em cálculos.
Diarreia osmótica vs secretora: como o jejum as diferencia?
A osmótica cessa em jejum; a secretora persiste. A osmótica depende de solutos intraluminais não absorvidos retendo água; a secretora bombeia íons ativamente.
Dumping pós-gastrectomia: por que causa hipotensão precoce?
Passagem rápida de quimo hiperosmolar para o jejuno. O gradiente puxa grande volume hídrico do plasma para o lúmen intestinal, gerando hipovolemia transitória.
Pilorospasmo infantil: por que causa alcalose hipoclorêmica?
Perda seletiva de H+ e Cl- em vômitos em jato sem bile. O rim tenta reter Na+ excretando K+ e H+, perpetuando a alcalose e acidúria paradoxal.
Doença inflamatória intestinal distal: por que causa tenesmo?
Inflamação da mucosa retal que ativa receptores de estiramento. Hipersensibilidade mecânica deflagra reflexo evacuatório contínuo sem fezes presentes.
Uso de loperamida: mecanismo antidiarreico em nível celular?
Agonista opioide periférico em receptores mioentéricos. Inibe liberação de acetilcolina, prolongando o trânsito intestinal e ampliando a reabsorção de água.
Hiperglicemia do diabetes: por que causa gastroparesia?
Neuropatia autonômica do nervo vago e perda de células de Cajal. Reduz a capacidade de despolarização ritmada e as contrações antrais propulsivas.
Cálculo no ducto colédoco: por que a fosfatase alcalina sobe?
Indução enzimática no epitélio biliar sob hipertensão. A colestase estimula a síntese e clivagem da FA da membrana apical dos colangiócitos para o sangue.
Infecção por H. pylori no antro: por que aumenta secreção ácida?
Destruição das células D produtoras de somatostatina. Sem o freio inibitório da somatostatina, células G produzem gastrina livremente, ativando parietais.
Secretina endógena: qual o gatilho fisiológico e seu efeito?
pH duodenal menor que 4,5 estimula células S. Ocorre secreção pancreática aquosa rica em HCO3- para neutralizar o ácido gástrico no duodeno.
Colite pseudomembranosa: mecanismo da toxina de C. difficile?
Glicosilação de proteínas Rho GTPases intracelulares dos enterócitos. Desmonta o citoesqueleto de actina, rompendo tight junctions com perda de barreira.
Ictero-hepatite com bilirrubina mista: por que a urina escurece?
Excreção renal de bilirrubina conjugada hidrossolúvel. A disfunção hepatobiliar impede sua drenagem biliar, extravasando para a circulação sistêmica e rins.
Fármacos anticolinérgicos (atropina): por que causam boca seca?
Bloqueio de receptores muscarínicos M3 nas glândulas salivares. Inibe o influxo de cálcio intracelular necessário para a exocitose salivar aquosa.
Fase cefálica da digestão: como o vago estimula células parietais?
Via reflexo vagal colinérgico direto (ACh em M3) e indireto. Estimula células ECL a liberar histamina e células G via peptídeo liberador de gastrina (GRP).
Diarreia por ácido biliar pós-colecistectomia: mecanismo?
Fluxo contínuo de bile ao duodeno sem reservatório. Excede a capacidade reabsortiva do íleo terminal, atingindo o cólon onde induz secreção de água e muco.
Absorção de glicose no enterócito: qual é o transportador apical?
SGLT-1 (cotransporte ativo secundário com sódio). O gradiente eletroquímico de Na+ mantido pela Na+/K+-ATPase basolateral puxa a glicose para o enterócito.
Absorção de frutose no enterócito: como difere da glicose?
Ocorre por difusão facilitada via GLUT-5 apical. Não depende de sódio nem gasta energia; basolateralmente sai via GLUT-2 para os capilares.
Isquemia mesentérica aguda: por que causa necrose intestinal rápida?
Vilosidades com arquitetura vascular em contracorrente e alta demanda. A anóxia colapsa a bomba Na+/K+, gerando edema celular, lise e perda de barreira.
Uso de octreotide em sangramento por varizes: qual o mecanismo?
Análogo da somatostatina com vasoconstrição esplâncnica seletiva. Reduz o fluxo arterial esplâncnico e diminui a pressão venosa no sistema porta.
Hiperplasia de células parietais em uso de antiácidos contínuos?
Hipergastrinemia reacional trófica sustentada. A gastrina exerce efeito trófico direto sobre a mucosa oxíntica gástrica, estimulando mitose celular.
Reflexo gastrocólico: o que deflagra evacuação pós-prandial?
Distensão gástrica ativa reflexos mioentéricos e liberação de CCK/gastrina. Promove movimentos de massa propulsivos no cólon distal para esvaziamento.
Deficiência de enteropeptidase congênita: repercussão?
Incapacidade de digerir proteínas. A ausência da enzima na borda duodenal impede ativação de tripsina, sem a qual nenhuma pró-enzima pancreática é clivada.
Insuficiência hepática grave: por que causa hipoalbuminemia?
Perda da capacidade de síntese proteica dos hepatócitos. Reduz a pressão coloidosmótica intravascular, favorecendo transudação de líquido e ascite.
Esôfago de Barrett: qual o processo histofisiológico adaptativo?
Metaplasia colunar intestinal glandular. Epitélio escamoso estratificado agredido pelo ácido é substituído por epitélio colunar com células caliciformes.
Por que o estresse fisiológico grave causa úlceras de Cushing?
Hiperestimulação vagal por aumento da PIC. Elevação parassimpática maciça libera ACh, hiperativando células parietais a secretar ácido clorídrico.
Absorção de ferro no duodeno: como a vitamina C ajuda?
Reduz Fe3+ férrico insolúvel para Fe2+ ferroso solúvel. Fe2+ é transportado pelo DMT-1 apical no enterócito com muito maior afinidade e eficiência.
Ileostomia de alto débito: qual complicação eletrolítica típica?
Acidose metabólica hipocalêmica e depleção volêmica. O efluente ileal perde água, Na+, K+ e grandes quantidades de bicarbonato não reabsorvidos.
Células parietais: qual transportador bombeia H+ para o lúmen?
H+/K+-ATPase (bomba de prótons). Ejeta prótons no canalículo em troca de K+, dependente de ATP, impulsionando a acidez máxima no suco gástrico.
Complexo motor migrante (CMM): qual hormônio induz sua fase III?
Motilina cíclica liberada no jejum por células M duodenais. Gera contrações peristálticas de varredura que limpam restos alimentares e bactérias.
Estenose hipertrófica de piloro: achado eletrolítico característico?
Hipocloremia, hipocalemia e alcalose metabólica com acidúria paradoxal. A perda de HCl pelos vômitos força troca renal de H+ por Na+ para poupar volume.
Absorção lipídica: o que acontece dentro do enterócito?
Ressíntese de triglicerídeos e montagem de quilomícrons. Os lipídios complexam-se com a apolipoproteína B-48 para serem exocitados nos vasos lácteos linfáticos.

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