Fisiologia para Fisioterapia
Conceitos fundamentais de fisiologia aplicados à prática da fisioterapia, incluindo mecanismos celulares, neuromusculares e sistêmicos.
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- Homeostase
- Manutenção da estabilidade do meio interno. Na fisioterapia, exercícios e terapias visam restabelecer o equilíbrio funcional após estresse tecidual ou patologias.
- Potencial de Ação
- Inversão rápida da polaridade da membrana por influxo de Na+ e efluxo de K+. Base para terapias de eletroestimulação como FES e TENS para ativação neuromuscular.
- Sinapse Neuromuscular
- Comunicação entre motoneurônio e fibra muscular mediada por acetilcolina. Disfunções como miastenia gravis causam fraqueza progressiva que demanda reabilitação adaptada.
- Teoria dos Filamentos Deslizantes
- Deslizamento da actina sobre a miosina dependente de cálcio e ATP. Fundamental no treino de fortalecimento e na recuperação de contraturas musculares.
- Fuso Muscular
- Mecanorreceptor sensível à variação de comprimento muscular; medeia o reflexo miotático. Essencial em técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP).
- Órgão Tendinoso de Golgi (OTG)
- Proprioceptor sensível à tensão muscular; ativa a inibição autógena. Utilizado no alongamento muscular terapêutico para relaxamento e ganho de amplitude de movimento.
- Fibras Musculares Tipo I
- Fibras de contração lenta, oxidativas e resistentes à fadiga. Alvo principal no treinamento de endurance postural e reabilitação cardiopulmonar.
- Fibras Musculares Tipo II
- Fibras de contração rápida e glicolíticas, sujeitas a fadiga rápida. Treinadas para explosão e potência, cruciais na prevenção de quedas em idosos.
- Recrutamento Motor (Princípio de Henneman)
- Unidades motoras menores são ativadas antes das maiores. Na eletroestimulação neuromuscular ocorre inversão do recrutamento, demandando cuidados com a fadiga.
- Tônus Muscular
- Estado de tensão basal contínua do músculo mantido reflexamente. Lesões neurológicas levam a hipotonia ou hipertonia (espasticidade/rigidez), guiando a conduta motora.
- Espasticidade
- Hipertonia elástica velocidade-dependente por perda da inibição corticoespinhal. Causa rigidez em padrão flexor ou extensor; tratada com cinesioterapia e posicionamento.
- Plasticidade Neural
- Capacidade do sistema nervoso de reorganizar conexões frente a estímulos e lesões. Base científica da neurorreabilitação em pacientes pós-AVE e traumatismos.
- Mecanismo da Dor Neuropática
- Disparo ectópico e sensibilização decorrentes de lesão direta a nervos. Apresenta queimação, alodinia e hiperalgesia; manejo requer dessensibilização e eletroterapia.
- Teoria das Comportas da Dor
- Estímulo tátil em fibras A-beta inibe a transmissão dolorosa das fibras C no corno dorsal. Mecanismo de alívio analgésico da aplicação do TENS convencional.
- Débito Cardíaco
- Volume de sangue ejetado pelo coração por minuto (FC x VS). Parâmetro chave monitorado no teste de esforço e na prescrição de reabilitação cardíaca.
- Lei de Frank-Starling
- A força de contração cardíaca é proporcional ao estiramento miocárdico prévio. Na fisioterapia, monitorar a volemia e o retorno venoso previne sobrecarga cardíaca.
- Retorno Venoso
- Fluxo de sangue que retorna ao átrio direito, facilitado pela bomba muscular da panturrilha. Exercícios ativos de tornozelo previnem trombose venosa profunda (TVP).
- Pressão Arterial Sistêmica
- Produto do débito cardíaco pela resistência vascular periférica. Resposta pressórica anômala ao esforço exige interrupção imediata da sessão de fisioterapia.
- Complacência Pulmonar
- Capacidade de expansão do pulmão frente à variação de pressão. Reduzida na fibrose pulmonar e aumentada no enfisema; orienta parâmetros de ventilação mecânica.
- Surfactante Pulmonar
- Substância fosfolipídica que reduz a tensão superficial alveolar e evita o colapso. Deficiência gera atelectasia e insuficiência respiratória em neonatos (SDRN).
- Relação Ventilação/Perfusão (V/Q)
- Equilíbrio entre ar alveolar e fluxo capilar pulmonar. O posicionamento terapêutico (como decúbito ventral) otimiza áreas com melhor troca gasosa.
- Espaço Morto Anatômico
- Volume das vias aéreas de condução onde não há troca gasosa. Aumentos induzidos por circuitos de ventilação mecânica demandam ajustes no volume corrente.
- Broncoespasmo
- Contração súbita da musculatura lisa brônquica que obstrui o fluxo aéreo. Provoca sibilância e dispneia; abordado com cinesioterapia respiratória e higiene brônquica.
- Atelectasia
- Colapso de alvéolos com redução da área de troca gasosa. Comum no pós-operatório; tratada com manobras de expansão pulmonar e pressão positiva (EPAP).
- Metabolismo Anaeróbio Láctico
- Produção rápida de ATP sem oxigênio com acúmulo de lactato e H+. Gera fadiga precoce e queimação muscular durante exercícios intensos na cinesioterapia.
- Consumo Máximo de Oxigênio (VO2 máx)
- Capacidade máxima de captar, transportar e utilizar oxigênio. Medida padrão-ouro de aptidão cardiorrespiratória para prescrição de exercícios aeróbicos.
- Limiar Anaeróbio
- Intensidade de exercício acima da qual o lactato sanguíneo se acumula exponencialmente. Utilizado para delimitar zonas de treino aeróbico seguro e eficaz.
- Contração Muscular Excêntrica
- Contração com afastamento dos pontos de inserção sob tensão. Essencial na reabilitação de tendinopatias crônicas, apesar de induzir maior microlesão tecidual.
- Dor Muscular de Início Tardio (DMIT)
- Dor decorrente de microrrupturas sarcolemais e inflamação pós-exercício excêntrico. Manejada com crioterapia, repouso ativo e controle de carga progressiva.
- Fase Inflamatória da Cicatrização
- Vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e migração leucocitária. Intervenções precoces devem controlar edema excessivo sem interromper o reparo.
- Fase Proliferativa da Cicatrização
- Neoangiogênese e deposição de colágeno tipo III por fibroblastos. Fisioterapeuta inicia mobilização passiva e ativa suave para orientar as fibras colágenas.
- Fase de Remodelação Tecidual
- Substituição de colágeno tipo III por colágeno tipo I mais resistente. Aplicação de estresse mecânico controlado via exercícios previne aderências e fibroses.
- Sensibilização Central
- Hiperexcitabilidade neuronal no SNC amplificando estímulos dolorosos. Característica da fibromialgia; requer terapia por exposição gradual e educação em dor.
- Reflexo Barorreceptor
- Mecanismo autônomo de resposta a mudanças na pressão arterial. Hipotensão postural surge pela falha desse reflexo ao verticalizar o paciente acamado.
- Sarcopenia
- Perda progressiva de massa, força e função do músculo esquelético no idoso. Principal indicação para treinamento de força resistida progressiva na geriatria.
- Edema
- Acúmulo excessivo de líquido no interstício por desequilíbrio das forças de Starling. Tratado com drenagem linfática manual, elevação e terapia compressiva.
- Artrocinemática
- Movimentos involuntários entre as superfícies articulares (rolamento, deslizamento). Mobilizações articulares de Maitland e Mulligan restauram esses movimentos.
- Osteoclastos e Osteoblastos
- Células de reabsorção e aposição óssea ativadas pela Lei de Wolff. Descarga de peso e impacto controlado estimulam a consolidação em fraturas e osteoporose.
- Líquido Sinovial
- Fluido viscoso rico em ácido hialurônico que nutre a cartilagem e reduz o atrito. A mobilização articular cíclica estimula sua produção e difusão no tecido.
- Fadiga Central
- Falha proximal na ativação dos motoneurônios corticais pelo SNC. Diferencia-se da fadiga periférica e demanda repouso adequado e modulação da intensidade.
- Hipertrofia Muscular
- Aumento transversal da fibra muscular por adição de sarcômeros em paralelo. Estimulada com tensão mecânica, estresse metabólico e sobrecarga progressiva.
- Hipóxia e Isquemia Muscular
- Suprimento insuficiente de O2 por oclusão ou demanda excessiva. Na claudicação intermitente, exercícios submáximos induzem angiogênese colateral.
- Atrofia por Desuso
- Degradação proteica acelerada pela imobilização ou falta de carga. Fisioterapia atua com cinesioterapia precoce para prevenir contraturas e fraqueza.
- Reflexo Vestíbulo-Ocular (RVO)
- Estabilização da imagem na retina durante movimentos cefálicos rápidos. Avaliado e treinado em vestibulopatias para corrigir vertigem, oscilopsia e ataxia.
- Propriocepção
- Sensopercepção da posição corporal e movimento articular no espaço. Exercícios proprioceptivos em bases instáveis reduzem recidivas de entorse de tornozelo.
- Equilíbrio Ácido-Base (Acidose Respiratória)
- Retenção de CO2 e queda do pH sanguíneo por hipoventilação alveolar. Requer otimização do volume minuto e desobstrução brônquica na fisioterapia intensiva.
- Miofibras Intrafusais vs. Extrafusais
- Intrafusais detectam comprimento (fusos); extrafusais produzem torque muscular. A coativação alfa-gama mantém o tônus e a sensibilidade proprioceptiva constantes.
- Curva de Dissociação da Hemoglobina
- Afinidade do oxigênio pela hemoglobina afetada por temperatura, pH e 2,3-DPG. Importante na monitorização de oximetria de pulso durante o exercício terapêutico.
- Isquemia Miocárdica
- Desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio nas artérias coronárias. Provoca angina e depressão de segmento ST; limita a intensidade no treino cardiorrespiratório.
- Fraqueza Adquirida na UTI (FAUTI)
- Polineuropatia e miopatia do doente crítico por imobilismo e inflamação sistêmica. A mobilização precoce no leito é a principal estratégia preventiva e curativa.