Fisioterapia Cardiorrespiratória e Vias Aéreas
Conceitos de fisioterapia cardiorrespiratória, gasometria arterial e oxigenoterapia para estudantes e profissionais da saúde.
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- pH arterial normal
- 7,35 a 7,45. Valores abaixo indicam acidemia e acima alcalemia.
- PaCO2 normal
- 35 a 45 mmHg. Representa o componente respiratório do equilíbrio acidobásico.
- HCO3 normal (bicarbonato sérico)
- 22 a 26 mEq/L. Representa o componente metabólico do equilíbrio acidobásico.
- PaO2 normal em ar ambiente
- 80 a 100 mmHg. Mede a pressão parcial de oxigênio dissolvido no sangue arterial.
- SaO2 normal
- 95% a 98% (ou superior a 92-93% na maioria dos pacientes críticos sem DPOC).
- Base Excess (BE) normal
- -2 a +2 mEq/L. Desvios negativos indicam déficit de bases; positivos indicam excesso.
- Acidose respiratória: achados gasométricos
- pH menor que 7,35 com PaCO2 elevada (maior que 45 mmHg), frequentemente causada por hipoventilação alveolar.
- Alcalose respiratória: achados gasométricos
- pH maior que 7,45 com PaCO2 diminuída (menor que 35 mmHg), frequentemente causada por hiperventilação.
- Acidose metabólica: achados gasométricos
- pH menor que 7,35 com HCO3 diminuído (menor que 22 mEq/L) e BE negativo.
- Alcalose metabólica: achados gasométricos
- pH maior que 7,45 com HCO3 aumentado (maior que 26 mEq/L) e BE positivo.
- Relação PaO2/FiO2 normal
- Maior que 400 mmHg. Avalia a gravidade do distúrbio de troca gasosa e oxigenação.
- Critério de Berlin para SDRA leve
- PaO2/FiO2 entre 201 e 300 mmHg com PEEP maior ou igual a 5 cmH2O.
- Critério de Berlin para SDRA moderada
- PaO2/FiO2 entre 101 e 200 mmHg com PEEP maior ou igual a 5 cmH2O.
- Critério de Berlin para SDRA grave
- PaO2/FiO2 menor ou igual a 100 mmHg com PEEP maior ou igual a 5 cmH2O.
- Hipoxemia: definição
- Queda da PaO2 abaixo de 80 mmHg em ar ambiente no nível do mar.
- Hipóxia: definição
- Oferta inadequada de oxigênio para os tecidos periféricos suprirem o metabolismo celular.
- FiO2 do ar ambiente
- Aproximadamente 21% (ou fração de 0,21).
- Cânula nasal de O2: fluxo e FiO2 estimada
- Fluxo de 1 a 6 L/min; fornece FiO2 aproximada de 24% a 44% (cerca de 4% a cada 1 L/min).
- Máscara de Venturi: mecanismo de ação
- Sistema de alto fluxo que fornece FiO2 fixa e precisa através do princípio de Bernoulli.
- Máscara não reinalante com reservatório
- Sistema de baixo fluxo com bolsa inflada que atinge fluxos de 10-15 L/min e FiO2 de até 80-95%.
- Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF): principais efeitos
- Fornece gás aquecido e umidificado, lava espaço morto nasofaríngeo e gera discreta PEEP.
- Objetivo de SpO2 na DPOC com risco de hipercapnia
- Geralmente de 88% a 92% para evitar inibição do estímulo respiratório hipóxico e hipercapnia induzida por oxigênio.
- Objetivo de SpO2 para a maioria dos pacientes críticos
- Entre 92% e 96%, evitando hiperóxia e toxicidade por radicais livres de oxigênio.
- Toxicidade por oxigênio (hiperóxia)
- Excesso de O2 que induz formação de espécies reativas, atelectasias de absorção e vasoconstrição coronária/cerebral.
- Pressão recomendada para o balonete (cuff) da traqueostomia
- Entre 20 e 30 cmH2O (ou 15 a 22 mmHg) para evitar lesão isquêmica da mucosa traqueal.
- Cuffômetro
- Manômetro específico utilizado para medir e calibrar a pressão interna do balonete (cuff).
- Complicações de hiperinsuflação do cuff
- Isquemia da mucosa traqueal, necrose, estenose traqueal pós-extubação e fístula traqueoesofágica.
- Complicações de hipoinsuflação do cuff
- Microaspiração de secreções para vias aéreas inferiores e escape de ar da ventilação mecânica.
- Aspiração traqueal: pressão de sucção no adulto
- Manter entre -80 e -120 mmHg (máximo -150 mmHg) para prevenir lesão da mucosa e hipoxemia.
- Tempo máximo de cada aspiração traqueal
- No máximo 10 a 15 segundos, com pré e pós-oxigenação quando indicado.
- Critérios para escolha do calibre da sonda de aspiração
- O diâmetro externo da sonda não deve ultrapassar 50% do diâmetro interno da cânula de traqueostomia.
- Válvula de fala e deglutição (Passy-Muir): pré-requisito indispensável
- O cuff deve estar totalmente desinsuflado antes de sua colocação para permitir a saída de ar pela laringe.
- Troca de curativo e fixação da traqueostomia: frequência
- Diariamente ou sempre que estiver úmido/sujo, inspecionando o estoma contra maceração e infecção.
- Vantagens da cânula com endo-cânula (cânula interna)
- Facilita a higiene frequente de secreções espessas e previne obstrução aguda da via aérea sem retirar a cânula externa.
- Espaço morto anatômico: redução com traqueostomia
- Reduz o espaço morto anatômico em aproximadamente 50%, diminuindo o trabalho respiratório.
- Técnica de higiene brônquica: ELTGOL
- Expiração Lenta Total com a Glote Aberta em decúbito infralateral, facilitando o descolamento de secreções periféricas.
- Técnica de drenagem autógena
- Respiração a diferentes volumes pulmonares para deslocar, coletar e evacuar muco das vias aéreas.
- Pressão Expiratória Positiva Oscilante (PEP Oscilante)
- Dispositivos como Flutter e Acapella que geram vibração intraluminal e pressão positiva para mobilizar secreções.
- Complacência pulmonar estática: fórmula e normalidade
- Volume corrente dividido por (Pressão de platô menos PEEP). Valor normal: 50 a 80 mL/cmH2O.
- Resistência de vias aéreas (Raw): cálculo clínico
- (Pressão de pico menos Pressão de platô) dividida pelo Fluxo inspiratório em L/s.
- Capacidade Vital Forçada (CVF)
- Volume máximo de ar exalado forçadamente a partir de uma inspiração máxima.
- Volume Expiratório Forçado no 1º segundo (VEF1)
- Volume de ar eliminado no primeiro segundo da manobra de CVF; índice crucial para diagnosticar obstrução.
- Índice de Tiffeneau normal
- Relação VEF1/CVF maior que 0,70 (ou acima do limite inferior da normalidade).
- Padrão ventilatório obstrutivo
- Caracterizado por redução do índice de Tiffeneau (VEF1/CVF menor que 0,70).
- Padrão ventilatório restritivo
- Caracterizado por redução da Capacidade Pulmonar Total (CPT) com relação VEF1/CVF normal ou aumentada.
- PImáx (Pressão Inspiratória Máxima)
- Avalia a força dos músculos inspiratórios (especialmente diafragma). Normal: mais negativa que -80 cmH2O.
- PEmáx (Pressão Expiratória Máxima)
- Avalia a força dos músculos abdominais e intercostais internos. Normal: superior a +80 a +100 cmH2O.
- Índice de Tobin (IRRS): cálculo e valor preditivo
- Frequência respiratória dividida pelo Volume corrente em litros. Valor menor que 105 indica sucesso no desmame.
- Manobra de recrutamento alveolar: principal contraindicação absoluta
- Pneumotórax não drenado e instabilidade hemodinâmica grave não compensada.
- Critérios para decanulação de traqueostomia
- Estabilidade clínica, nível de consciência adequado, tosse eficaz, ausência de estenose e deglutição funcional.
- Compensação renal na acidose respiratória crônica
- Retenção de bicarbonato e excreção de íons H+ pelos rins para elevar o pH em direção ao normal.
- Diferença alvéolo-arterial de oxigênio (P(A-a)O2)
- Mede a integridade da barreira alvéolo-capilar. Aumentada em shunts, defeitos de difusão e desequilíbrios V/Q.