Mecânica de Aeronaves: Entelagem

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Este conjunto cobre conceitos, materiais e normas técnicas da entelagem de aeronaves, sendo voltado para estudantes e profissionais de manutenção aeronáutica.

52 cartões Português Nível: Ensino superior Outras engenharias Publicado
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Entelagem aeronáutica
Processo de revestimento estrutural de fuselagens e asas com tecidos especiais, conferindo formato aerodinâmico e proteção mecânica.
Tecido de poliéster (Dacron)
Material sintético padrão moderno na entelagem, termoencolhível, resistente a fungos e com alta durabilidade mecânica.
Tecido de algodão Grau A
Tecido natural tradicional especificado pela TSO C15, amplamente utilizado em aeronaves clássicas e históricas.
Tecido de linho irlandês
Fibra natural histórica de alta resistência utilizada nos primórdios da aviação, substituída pelo algodão e sintéticos.
Dope de nitrato
Composto químico celulósico com excelente aderência direta ao tecido, porém altamente inflamável quando seco.
Dope de butirato
Verniz tensor celulósico menos inflamável que o nitrato, com plastificantes que mantêm a flexibilidade da tela por anos.
FAA AC 43.13-1B
Norma técnica da FAA que define métodos, técnicas e práticas aceitáveis para inspeção e reparo de entelagem.
TSO C15d
Ordem Técnica Padrão da FAA que estabelece os requisitos mínimos de desempenho para tecidos de entelagem de aeronaves.
Fita de reforço (Reinforcing tape)
Fita aplicada sobre o tecido ao longo das nervuras antes da amarração, evitando que o cordel rasgue a tela de cobertura.
Fita de acabamento (Surface/Finishing tape)
Fita colada sobre costuras, amarrações e bordos de ataque para garantir acabamento aerodinâmico e proteção contra intempéries.
Borda serrilhada (Pinked edge)
Corte em zigue-zague nas fitas de acabamento que melhora a adesão e reduz a tendência de descolamento pelo fluxo de ar.
Costura francesa dobrada (French fell seam)
Costura de união de painéis de tecido com dobras entrelaçadas e costura dupla, garantindo máxima resistência estrutural.
Costura plana (Plain overlap seam)
Sobreposição simples de tecidos com pontos de costura paralelos, permitida apenas em áreas de menor esforço mecânico.
Ponto de luva (Baseball stitch)
Costura manual entrelaçada utilizada para fechar rasgos ou unir bordas de tecido durante reparos localizados.
Cordel de costura de nervura (Rib lacing cord)
Fio de alta tenacidade encerado usado para amarrar o tecido diretamente à estrutura das nervuras das asas.
Nó modificado da FAA (Modified seine knot)
Nó de travamento padronizado usado na amarração de nervuras para evitar que o cordel se afrouxe se houver rompimento.
Grampos metálicos de fixação
Prendedores alternativos ao cordel, usados em algumas aeronaves para fixar a tela diretamente às nervuras metálicas.
Parafusos autobrocantes com arruela
Dispositivos mecânicos de fixação da tela em nervuras metálicas quando aprovados pelo fabricante da aeronave.
Termoencolhimento (Heat-tauting)
Processo de aplicação controlada de calor com ferro térmico para esticar uniformemente o tecido de poliéster.
Temperatura de calibração inicial (107 °C / 225 °F)
Primeiro estágio térmico para suavizar rugas superficiais do tecido sintético sem causar tensão excessiva.
Temperatura intermediária (121 °C / 250 °F)
Segundo estágio térmico de retração para firmar a tela sobre a estrutura da asa ou fuselagem.
Temperatura final de aperto (177 °C / 350 °F)
Estágio térmico máximo permitido para tensionamento final do tecido de poliéster sem degradar as fibras.
Primer de proteção anti-UV com pó de alumínio
Mistura de dope com pasta de alumínio que bloqueia a radiação ultravioleta, prevenindo a decomposição da tela.
Ilhó de drenagem (Drain grommet)
Pequeno anel plástico ou de latão colado na parte inferior do tecido para permitir o escoamento de água condensada.
Anel de inspeção (Inspection ring)
Guarnição plástica colada ao tecido que permite a abertura de janelas de acesso para inspeções estruturais internas.
Ensaio de tração Seyboth
Teste de campo pontual por penetração mecânica com mola calibrada para avaliar a resistência residual do tecido.
Ensaio de tração Maule
Aparelho de teste de perfuração que aplica uma força calibrada para verificar a integridade estrutural do tecido montado.
Limite de 70% de resistência residual
Critério regulatório mínimo da FAA: o tecido deve reter pelo menos 70% da resistência original para ser considerado aeronavegável.
Ensaio de tração em laboratório (Grab test)
Método definitivo de avaliação da resistência mecânica da tela por meio da ruptura de tiras de amostra em dinamômetro.
Plastificante (Plasticizer)
Aditivo químico adicionado ao dope para evitar que a película se torne quebradiça com o passar do tempo e o frio.
Diluente retardador (Retarder thinner)
Solvente de evaporação lenta usado para evitar o branqueamento do dope em dias com umidade relativa elevada.
Branqueamento do dope (Blushing)
Defeito visual esbranquiçado causado pela condensação de umidade na superfície do verniz durante a evaporação rápida.
Teor de umidade máxima recomendada
A aplicação de dopes celulósicos deve ocorrer preferencialmente em ambientes com umidade relativa abaixo de 65-70%.
Fio de urdume (Warp)
Fios longitudinais dispostos no sentido do comprimento da peça de tecido durante a sua tecelagem industrial.
Fio de trama (Weft ou Fill)
Fios transversais que se entrelaçam perpendicularmente com a urdidura em toda a largura do rolo de tecido.
Corte no viés (Bias)
Corte diagonal a 45 graus em relação ao fio da trama, conferindo flexibilidade para contornar curvas compostas.
Fita de isolamento anti-atrito (Anti-chafe tape)
Fita aplicada em cantos vivos, cabeças de rebites e bordos cortantes para proteger o tecido contra abrasão.
Camada de adesão (Adhesive coating)
Adesivo sintético formulado especificamente para colar a tela de poliéster diretamente à estrutura tubular ou nervuras.
Sistema Ceconite
Sistema comercial certificado baseado em tecido de poliéster tensionado a calor com acabamentos tradicionais de dope.
Sistema Poly-Fiber (Stits)
Sistema de entelagem totalmente sintético com vinil e poliuretano que dispensa dopes celulósicos inflamáveis.
Sistema Stewart Systems
Sistema de entelagem à base de água, não tóxico e não inflamável, ecologicamente correto para aplicação de tecido sintético.
Rejuvenescimento de dope (Rejuvenator)
Solvente formulado com plastificantes que amolece camadas antigas de dope celulósico, restaurando flexibilidade e fechando microfissuras.
Craquelamento (Crazing / Ringworm)
Trincas circulares ou radiais na película de acabamento do dope causadas pelo envelhecimento e perda de plastificantes.
Fita de barreira anti-dope (Dope-proof tape)
Fita aplicada sobre tubos da fuselagem para evitar que os solventes do dope ataquem a tinta de proteção estrutural.
Espaçamento de amarração de nervuras
Intervalo entre nós calculado de acordo com a velocidade máxima da aeronave (Vne) para suportar as cargas de sucção.
Remendo colado (Doped-on patch)
Reparo simples para furos pequenos onde uma peça de tecido com borda serrilhada é colada com sobreposição mínima.
Sobreposição mínima de remendo
Distância mínima padrão de 1,5 polegada (aprox. 38 mm) que o remendo colado deve cobrir além das bordas do rasgo.
Remendo costurado (Sewed repair)
Reparo estrutural para rasgos grandes que combina o ponto de luva nos tecidos com uma sobreposição selada por fita.
VNE e cargas de sucção na entelagem
A amarração deve ser mais densa nas áreas sujeitas ao turbilhão da hélice e na borda de ataque devido à alta pressão negativa.
Verniz fungicida (Fungicide wash)
Tratamento químico obrigatório na primeira demão sobre tecidos de algodão para impedir a proliferação de fungos e mofo.
Condutividade e aterramento durante aplicação
Prática de segurança obrigatória durante a pintura com dopes altamente voláteis para evitar descargas eletrostáticas e fogo.
Fita de amarração de borda de ataque
Reforço colado ao bordo de ataque para suportar os impactos de detritos e a maior pressão dinâmica durante o voo.

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