Metalurgia: Ferros Fundidos e Aços
Conceitos fundamentais de metalurgia cobrindo aços, ferros fundidos e suas fases microestruturais para estudantes de engenharia.
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- Aço (definição)
- Liga metálica ferro-carbono com teor de carbono entre 0,008% e 2,11% em peso, amplamente deformável plasticamente.
- Ferro fundido (definição)
- Liga ferro-carbono com teor de carbono tipicamente entre 2,11% e cerca de 4,5% a 6,67% em peso, caracterizada por alta fluidez e baixa ductilidade.
- Teor eutético Fe-C
- Concentração de 4,3% de carbono a 1148 °C, onde o líquido solidifica diretamente na mistura ledeburita (austenita + cementita).
- Teor eutetóide Fe-C
- Concentração de 0,77% (frequentemente aproximada para 0,8%) de carbono a 727 °C, na qual a austenita se decompõe em perlita.
- Ferrita (Fase Alfa)
- Solução sólida intersticial de carbono em ferro CCC. Solubilidade máxima de carbono de apenas 0,022% a 727 °C, sendo macia e magnética.
- Austenita (Fase Gama)
- Solução sólida intersticial de carbono em ferro CFC. Solubilidade máxima de carbono de 2,11% a 1148 °C, sendo não magnética e dúctil.
- Cementita (Fe3C)
- Composto intermetálico metaestável contendo 6,67% de carbono em peso. Extremamente dura, frágil e com estrutura cristalina ortorrômbica.
- Perlita
- Microconstituinte bifásico lamelar formado por 88% de ferrita alfa e 12% de cementita a partir da transformação eutetóide.
- Aço hipoeutetóide
- Aço com teor de carbono inferior a 0,77% C, cuja microestrutura à temperatura ambiente é composta por ferrita pró-eutetóide e perlita.
- Aço hipereutetóide
- Aço com carbono entre 0,77% e 2,11% C, cuja microestrutura é composta por perlita envolta por cementita pró-eutetóide nos contornos de grão.
- Ferro fundido cinzento
- Contém 2,5% a 4,0% C e 1,0% a 3,0% Si. O carbono precipita como veios ou lamelas de grafita livre, conferindo boa usinabilidade e amortecimento.
- Ferro fundido branco
- Contém 1,8% a 3,6% C e baixo silício (<1,0% Si). Todo o carbono precipita como cementita metaestável, resultando em altíssima dureza e resistência ao desgaste.
- Ferro fundido nodular (dúctil)
- Obtido pela adição de magnésio ou cério ao metal líquido, fazendo a grafita crescer em esferóides ou nódulos, garantindo alta ductilidade e tenacidade.
- Ferro fundido maleável
- Produzido por tratamento térmico de maleabilização do ferro fundido branco, transformando cementita em nódulos irregulares de grafita (grafita de recozimento).
- Elemento grafitizante
- Elemento de liga como o silício (Si), níquel (Ni) ou alumínio (Al) que desestabiliza a cementita e promove a precipitação de grafita pura.
- Elemento carbonitrificante/antigrafitizante
- Elemento como cromo (Cr), molibdênio (Mo) ou manganês (Mn) que estabiliza a cementita e retarda a formação de grafita livre.
- Super-resfriamento térmico
- Diferença entre a temperatura de equilíbrio de fusão e a temperatura real em que a nucleação da fase sólida ocorre no líquido.
- Nucleação homogênea
- Formação de núcleos sólidos no interior do líquido puro sem auxílio de superfícies externas, exigindo alto super-resfriamento.
- Nucleação heterogênea
- Formação de núcleos sólidos sobre impurezas, paredes de moldes ou inoculantes, exigindo menor energia de ativação e menor super-resfriamento.
- Raio crítico de nucleação (r*)
- Raio no qual a energia livre do embrião atinge o máximo; embriões maiores que r* crescem espontaneamente como núcleos estáveis.
- Crescimento dendrítico
- Mecanismo de solidificação em formato de árvore com ramificações primárias e secundárias, comum em ligas com super-resfriamento constitucional.
- Super-resfriamento constitucional
- Super-resfriamento decorrente do acúmulo de soluto rejeitado na frente de solidificação líquida, desestabilizando interfaces planas.
- Coeficiente de partição (k0)
- Razão entre a concentração de soluto no sólido (Cs) e a concentração de soluto no líquido (Cl) em equilíbrio durante a solidificação.
- Microssegregação (segregação dendrítica)
- Heterogeneidade na composição química que ocorre em escala microscópica entre os braços dendríticos devido à difusão lenta no sólido.
- Macrossegregação
- Variação na composição química em escala macroscópica ao longo de todo o lingote ou peça fundida, induzida por convecção e gravidade.
- Zona coquilhada (chill zone)
- Camada externa de grãos finos e equiaxiais formada pelo rápido resfriamento em contato direto com a parede fria do molde.
- Zona colunar
- Região intermediária de grãos alongados e paralelos que crescem na direção oposta ao fluxo térmico preferencial do molde.
- Zona equiaxial central
- Região no centro do lingote onde os grãos são relativamente grandes e isotrópicos devido à perda do gradiente direcional de calor.
- Rechupe
- Cavidade de contração volumétrica formada no topo de peças fundidas ou lingotes provocada pela contração líquida e de solidificação.
- Massalote (alimentador)
- Reservatório de metal fundido projetado para solidificar por último e fornecer líquido para compensar a contração volumétrica da peça.
- Regra de Chvorinov
- Relação que indica que o tempo total de solidificação é proporcional ao quadrado da razão entre o volume e a área superficial da peça fundida.
- Inoculação no ferro fundido
- Adição de ferrosilício antes do vazamento para introduzir núcleos heterogêneos finos que favorecem a formação de grafita e evitam coquilhamento.
- Ferrita Delta
- Fase sólida CCC de alta temperatura estável entre 1394 °C e 1538 °C no sistema Fe-C, com solubilidade máxima de carbono de 0,09%.
- Reação peritética Fe-C
- Reação isotérmica a 1495 °C onde líquido com 0,53% C reage com ferrita delta (0,09% C) para formar austenita (0,17% C).
- Ledeburita
- Mistura eutética formada a 1148 °C com 4,3% C, composta inicialmente por austenita saturada e cementita.
- Martensita
- Fase metaestável supersaturada com rede tetragonal de corpo centrado (TCC), obtida por transformação adifusional em resfriamento rápido.
- Bainita
- Microconstituinte formado em resfriamento moderado composto por placas finas de ferrita e partículas de cementita muito dispersas.
- Curvas TTT
- Diagramas de Tempo-Temperatura-Transformação que descrevem a cinética de decomposição isotérmica da austenita em fases estáveis e metaestáveis.
- Curvas CCT
- Diagramas de Transformação em Resfriamento Contínuo que determinam as fases formadas a taxas reais e constantes de resfriamento do aço.
- Temperabilidade
- Capacidade de um aço de formar martensita a determinada profundidade sob condições específicas de resfriamento brusco (têmpera).
- Ensaio Jominy
- Ensaio padronizado para avaliar a temperabilidade de um aço através do resfriamento com jato de água em uma das extremidades de uma barra cilíndrica.
- Aço de baixo carbono
- Aço estrutural contendo menos de 0,25% C em peso; possui alta ductilidade, excelente soldabilidade e baixa temperabilidade.
- Aço de médio carbono
- Aço contendo entre 0,25% e 0,60% C; apresenta equilíbrio entre resistência mecânica e ductilidade, sendo comumente beneficiado por têmpera e revenimento.
- Aço de alto carbono
- Aço contendo entre 0,60% e 2,11% C; possui altíssima dureza e resistência ao desgaste após têmpera, porém ductilidade e tenacidade muito reduzidas.
- Aço inoxidável austenítico
- Contém tipicamente 18% Cr e 8% Ni (série 300); apresenta estrutura CFC à temperatura ambiente, sendo não magnético e altamente resistente à corrosão.
- Aço inoxidável ferrítico
- Contém entre 11% e 27% Cr com teor quase nulo de Ni (série 400); possui estrutura CCC, comportamento ferromagnético e não aceita têmpera.
- Aço inoxidável martensítico
- Contém entre 11% e 17% Cr e maior teor de carbono (0,1% a 1,0%); temperável, magnético e utilizado em cutelaria e instrumentos cirúrgicos.
- Modificação com magnésio (Mg)
- Adição de 0,04% a 0,06% de magnésio residual ao banho líquido para promover a formação esferoidal da grafita em ferros nodulares.
- Ferro fundido vermicular (compactado)
- Apresenta grafita com morfologia vermicular intermediária entre a lamelar e a nodular, unindo condutividade térmica e boa resistência mecânica.
- Solidificação monotética
- Transformação em que uma fase líquida se decompõe durante o resfriamento em uma fase sólida e uma nova fase líquida de composição diferente.
- Tensão de contração térmica
- Tensões residuais internas geradas pela contração não homogênea do metal durante o resfriamento no estado sólido após a solidificação completa.
- Sensitização em aços inoxidáveis
- Precipitação de carbetos de cromo (Cr23C6) nos contornos de grão entre 450 °C e 850 °C, empobrecendo a matriz em cromo e causando corrosão intergranular.