Neuroanatomofisiologia: Potencial de Ação
Este conjunto explica os conceitos fundamentais do potencial de ação e neuroanatomofisiologia. É ideal para estudantes de medicina e biologia.
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- Potencial de repouso da membrana
- Voltagem basal celular negativa (cerca de -70 mV), mantida pela alta permeabilidade ao K+ e pela atividade da bomba Na+/K+ ATPase.
- Gradiente eletroquímico do Na+
- Força resultante química e elétrica que impulsiona o sódio a entrar rapidamente na célula quando os canais se abrem.
- Gradiente eletroquímico do K+
- Força resultante que impulsiona o potássio para fora da célula, contrabalançada pela atração elétrica do interior negativo.
- Bomba de Na+/K+ ATPase
- Transporte ativo primário que bombeia 3 Na+ para o meio extracelular e 2 K+ para o intracelular, consumindo ATP.
- Canais de vazamento de K+
- Canais iônicos passivos constitutivamente abertos que permitem a saída de K+, determinando fortemente o potencial de repouso.
- Potencial limiar de disparo
- Voltagem crítica (cerca de -55 mV) necessária para disparar a abertura em cascata dos canais de Na+ dependentes de voltagem.
- Lei do tudo-ou-nada
- Princípio que dita que, ao atingir o limiar, o potencial de ação ocorre com amplitude máxima constante; se não atinge, não ocorre.
- Despolarização inicial (potencial graduado)
- Pequena alteração no potencial de membrana causada por influxo local de cátions, aproximando a voltagem do limiar.
- Fase de despolarização rápida
- Abertura maciça dos canais de Na+ dependentes de voltagem gerando influxo de Na+ e elevando o potencial até cerca de +30 mV.
- Comportamento dos canais de Na+ na despolarização
- Os portões de ativação abrem rapidamente em resposta à voltagem limiar, permitindo o fluxo interno do íon.
- Pico do potencial de ação (overshoot)
- Ponto máximo de inversão da polaridade celular (cerca de +30 mV), onde o interior da célula se torna temporariamente positivo.
- Inativação dos canais de Na+
- Fechamento rápido do portão de inativação no pico do potencial, bloqueando a entrada adicional de Na+ e iniciando a repolarização.
- Fase de repolarização
- Queda da voltagem em direção ao repouso devido ao fechamento do Na+ e efluxo massivo de K+ por canais dependentes de voltagem.
- Comportamento dos canais de K+ na repolarização
- Abertura tardia de canais de K+ dependentes de voltagem em resposta à despolarização, permitindo a saída rápida de cargas positivas.
- Fase de hiperpolarização pós-potencial
- Queda transitória da voltagem abaixo do repouso (cerca de -80 a -90 mV) devido ao fechamento lento dos canais de K+ dependentes de voltagem.
- Restauração do potencial de repouso
- Fechamento completo dos canais de K+ voltagem-dependentes e ação contínua da Na+/K+ ATPase, estabilizando a membrana em -70 mV.
- Período refratário absoluto
- Intervalo no qual é impossível gerar novo potencial de ação, pois os canais de Na+ estão abertos ou inativados.
- Período refratário relativo
- Intervalo em que novo estímulo pode disparar potencial se for supralimiar, pois canais de Na+ reativaram mas K+ ainda sai.
- Zona de gatilho (cone de implantação axônica)
- Região inicial do axônio com alta densidade de canais de Na+ dependentes de voltagem onde se inicia o potencial de ação.
- Condução contínua
- Propagação lenta do potencial ponto a ponto ao longo de todo o axônio desmielinizado mediante circuitos locais de corrente.
- Bainha de mielina
- Camada isolante lipídica formada por oligodendrócitos ou células de Schwann que reduz a capacitância e aumenta a velocidade.
- Nódulos de Ranvier
- Interrupções na mielina ricas em canais de Na+ dependentes de voltagem onde ocorre a regeneração do potencial de ação.
- Condução saltatória
- Propagação rápida do potencial de ação que salta de um nódulo de Ranvier para outro ao longo do axônio mielinizado.
- Potencial de equilíbrio do Na+ (ENa)
- Voltagem teórica (cerca de +60 mV) calculada pela equação de Nernst na qual o fluxo líquido de Na+ através da membrana seria zero.
- Potencial de equilíbrio do K+ (EK)
- Voltagem teórica (cerca de -90 mV) calculada por Nernst na qual as forças química e elétrica sobre o K+ se anulam.
- Equação de Nernst
- Fórmula matemática usada para calcular o potencial de equilíbrio elétrico de um único íon permeável através da membrana.
- Equação de Goldman-Hodgkin-Katz
- Fórmula que calcula o potencial de membrana considerando as concentrações e as permeabilidades relativas de múltiplos íons.
- Potencial excitatório pós-sináptico (PEPS)
- Despolarização local transitória da membrana pós-sináptica induzida por abertura de canais iônicos por neurotransmissores excitatórios.
- Potencial inibitório pós-sináptico (PIPS)
- Hiperpolarização local transitória causada geralmente pelo influxo de Cl- ou efluxo de K+, afastando o neurônio do limiar.
- Sumarização temporal
- Integração de múltiplos potenciais pós-sinápticos gerados em rápida sucessão pela mesma sinapse na membrana celular.
- Sumarização espacial
- Soma de múltiplos potenciais pós-sinápticos que ocorrem simultaneamente em diferentes regiões anatômicas do neurônio.
- Portão de ativação do canal de Na+ (portão m)
- Comporta do canal de Na+ que se abre rapidamente mediante despolarização da membrana celular.
- Portão de inativação do canal de Na+ (portão h)
- Comporta citoplasmática em bola e corrente que bloqueia o poro aberto do canal de Na+ logo após a despolarização.
- Bloqueio por tetrodotoxina (TTX)
- Toxina que obstrui seletivamente o poro externo dos canais de Na+ voltagem-dependentes, impedindo a fase de despolarização.
- Bloqueio por tetraetilamônio (TEA)
- Composto farmacológico que bloqueia seletivamente os canais de K+ dependentes de voltagem, prolongando a repolarização.
- Ação de anestésicos locais (ex.: lidocaína)
- Bloqueiam reversivelmente os canais de Na+ dependentes de voltagem pelo lado intracelular, impedindo a geração do impulso nervoso.
- Efeito da hipocalcemia na excitabilidade
- A redução do Ca2+ extracelular desestabiliza os canais de Na+, baixando o limiar de disparo e causando hiperexcitabilidade.
- Efeito da hipercalemia aguda
- O excesso de K+ extracelular despolariza o repouso e pode inativar canais de Na+, bloqueando novos potenciais de ação.
- Capacitância da membrana neuronal
- Capacidade da bicamada lipídica de armazenar carga elétrica, influenciando o tempo necessário para despolarizar a célula.
- Constante de tempo (tau)
- Tempo necessário para a voltagem de membrana atingir 63% do valor final, dependente da resistência e capacitância da membrana.
- Constante de espaço (lambda)
- Distância ao longo do axônio na qual uma alteração de voltagem decai para 37% do seu valor original inicial.
- Propagação ortodrômica
- Condução fisiológica unidirecional normal do potencial de ação do soma em direção aos terminais axônicos.
- Propagação antidrômica
- Condução experimental retrógrada do impulso nervoso gerada no terminal axonal em direção ao corpo celular.
- Papel do influxo de Ca2+ no terminal axonal
- A chegada do potencial de ação despolariza o terminal, abrindo canais de Ca2+ que disparam a exocitose de neurotransmissores.
- Canais de Ca2+ dependentes de voltagem no axônio terminal
- Canais ativados na terminação pré-sináptica que convertem o sinal elétrico do potencial de ação em sinal químico.
- Diâmetro do axônio e velocidade de condução
- Axônios com maior calibre apresentam menor resistência interna axial ao fluxo de íons, propagando o impulso mais depressa.
- Fibras mielinizadas do tipo A-alfa
- Fibras de grande calibre e grossa mielinização com as maiores velocidades de propagação do potencial de ação (até 120 m/s).
- Fibras desmielinizadas do tipo C
- Fibras nervosas finas e sem mielina que conduzem potenciais de ação muito lentamente (0,5 a 2 m/s), comuns na dor crônica.
- Resistência longitudinal axoplasmática
- Oposição do citoplasma axônico ao fluxo de cargas positivas ao longo do comprimento interno do neurônio.
- Resistência de membrana
- Oposição à fuga de corrente através dos canais da bicamada; mantida alta pela mielina para garantir condução a longa distância.
- Efeito da esclerose múltipla na condução
- A destruição autoimune da mielina expõe canais inadequados e aumenta a dispersão de corrente, bloqueando o potencial de ação.
- Retroalimentação positiva de Hodgkin
- Ciclo autorregenerativo em que a despolarização abre canais de Na+, causando influxo que despolariza ainda mais a membrana.