Obesidade: Causas e Tratamentos

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Conceitos, fisiopatologia, diagnóstico e opções de tratamento para a obesidade. Desenvolvido para estudantes de medicina e saúde.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Patologia e doenças Publicado
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Definição de obesidade pela OMS
Doença crônica e recidivante caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que prejudica a saúde.
Critério diagnóstico por IMC (adultos)
Sobrepeso com IMC entre 25,0 e 29,9 kg/m²; obesidade a partir de IMC igual ou superior a 30,0 kg/m².
Classificação da obesidade por classes de IMC
Grau I: 30,0 a 34,9 kg/m²; Grau II: 35,0 a 39,9 kg/m²; Grau III: 40,0 kg/m² ou mais.
Circunferência da cintura e risco metabólico
Indica acúmulo de gordura visceral; risco aumentado em mulheres quando superior a 80 ou 88 cm, e em homens acima de 94 ou 102 cm.
Fisiopatologia: balanço energético positivo
Ocorre quando a ingestão calórica excede cronicamente o gasto energético, estocando o excesso na forma de triglicerídeos nos adipócitos.
Papel do hipotálamo no balanço energético
Centro regulador que integra sinais periféricos de fome e saciedade, coordenando a homeostase do peso corporal.
Função da leptina e resistência à leptina
Hormônio secretado pelo tecido adiposo que sinaliza saciedade; na obesidade, níveis elevados falham em inibir o apetite por resistência central.
Função da grelina no apetite
Hormônio orexígeno produzido no estômago que estimula a fome antes das refeições e diminui após a alimentação.
Neurônios POMC/CART versus NPY/AgRP
Neurônios POMC/CART promovem saciedade e gasto calórico; neurônios NPY/AgRP estimulam a fome e reduzem o metabolismo basal.
Papel do GLP-1 na saciedade
Incretina intestinal que retarda o esvaziamento gástrico e atua no hipotálamo induzindo saciedade após a ingestão de nutrientes.
Papel do peptídeo YY (PYY)
Secretado pelo íleo e cólon em resposta à alimentação, atua no sistema nervoso central inibindo o apetite.
Tecido adiposo branco versus marrom
O branco armazena energia e secreta adipocinas; o marrom dissipa energia na forma de calor via termogênese ativada por UCP-1.
Hipertrofia versus hiperplasia adipocitária
Hipertrofia é o aumento do tamanho das células, ligado a inflamação e hipóxia; hiperplasia é o aumento do número de adipócitos.
Inflamação crônica de baixo grau na obesidade
Infiltração de macrófagos M1 no tecido adiposo e secreção de citocinas pró-inflamatórias como TNF-alfa e IL-6.
Resistência à insulina mediada por lipotoxicidade
O acúmulo ectópico de lipídios no fígado e músculo gera metabólitos tóxicos que bloqueiam a via de sinalização da insulina.
Conceito de ponto de ajuste de peso (set-point)
Mecanismo neuroendócrino que defende o peso corporal mais elevado, ativando respostas biológicas para recuperar o peso perdido.
Adaptação termogênica pós-emagrecimento
Redução desproporcional do gasto energético basal após perda de peso, predispondo ao reganho ponderal.
Eixo intestino-cérebro na regulação do peso
Comunicação bidirecional via nervo vago e hormônios intestinais que transmitem a disponibilidade de nutrientes ao cérebro.
Microbiota intestinal e obesidade
Disbiose intestinal pode aumentar a extração de energia da dieta e promover inflamação sistêmica via translocação de endotoxinas.
Sistema dopaminérgico e fome hedônica
Consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar estimula o sistema de recompensa cerebral, superando os sinais de saciedade homeostáticos.
Efeito do estresse crônico e cortisol
Níveis cronicamente elevados de cortisol favorecem a redistribuição de gordura para o compartimento visceral e estimulam o apetite.
Privação de sono e controle de peso
Dormir pouco aumenta a grelina, reduz a leptina e eleva o desejo por alimentos hiperpalatáveis e calóricos.
Deficit calórico recomendado para emagrecimento
Prescrição típica de redução de 500 a 750 kcal por dia em relação ao gasto energético total para perda gradual e sustentável.
Meta inicial de perda de peso clínico
Redução de 5% a 10% do peso inicial em 3 a 6 meses melhora substancialmente parâmetros metabólicos e cardiovasculares.
Composição da dieta no manejo da obesidade
Mais importante que a proporção exata de macronutrientes é a adesão a longo prazo com padrão alimentar saudável e equilibrado.
Papel das fibras solúveis na perda de peso
Aumentam a viscosidade gástrica, prolongam a plenitude, retardam a absorção de glicose e estimulam hormônios da saciedade.
Importância do consumo adequado de proteínas
Auxilia na manutenção da massa magra durante o deficit calórico e possui alto poder de indução de saciedade.
Recomendações de exercício aeróbico pela OMS
Pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos vigorosa por semana para manutenção da saúde.
Papel do treinamento resistido (musculação)
Preserva ou aumenta a massa muscular, mantendo a taxa metabólica basal elevada durante o processo de emagrecimento.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
Auxilia na identificação de gatilhos alimentares, manejo do comer emocional e desenvolvimento de autocontrole sustentável.
Indicação formal de tratamento farmacológico
IMC a partir de 30 kg/m² ou a partir de 27 kg/m² associado a comorbidades relacionadas ao peso, quando a MEV isolada falha.
Mecanismo de ação do Orlistate
Inibidor de lípases gástricas e pancreáticas que reduz a absorção intestinal de gorduras da dieta em cerca de 30%.
Efeitos adversos comuns do Orlistate
Esteatorreia, flatulência com descarga oleosa, urgência fecal e potencial má absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K).
Mecanismo de ação da Liraglutida
Agonista do receptor de GLP-1 que retarda o esvaziamento gástrico e aumenta a saciedade hipotalâmica com uso diário injetável.
Mecanismo de ação da Semaglutida
Agonista do receptor de GLP-1 de ação semanal potente que reduz expressivamente a ingestão calórica e o apetite.
Mecanismo de ação da Tirzepatida
Agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1, proporcionando controle glicêmico superior e grande redução de peso.
Combinação Bupropiona com Naltrexona
Atua sinergicamente no hipotálamo e no circuito de recompensa dopaminérgico para inibir o apetite e diminuir compulsões.
Contraindicação de Bupropiona/Naltrexona
Histórico de convulsões, hipertensão arterial não controlada, anorexia/bulimia nervosa e uso concorrente de opioides.
Uso de Sibutramina na obesidade
Inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina que reduz apetite; contraindicado em portadores de cardiopatias.
Tempo recomendado de farmacoterapia
Por ser doença crônica, o tratamento com medicamentos costuma ser de longo prazo ou contínuo para evitar reganho ponderal.
Critérios clássicos para cirurgia bariátrica
IMC a partir de 40 kg/m² ou a partir de 35 kg/m² com comorbidades graves, após falha de tratamento clínico prévio.
Mecanismo do Bypass gástrico em Y de Roux
Combina restrição pela criação de pequena bolsa gástrica com disabsorção moderada e aumento expressivo de GLP-1 e PYY.
Mecanismo da Gastrectomia vertical (Sleeve)
Procedimento predominantemente restritivo que remove grande parte do estômago, incluindo o fundo gástrico produtor de grelina.
Síndrome de Dumping pós-bariátrica
Passagem rápida de carboidratos simples para o intestino, causando náuseas, taquicardia, sudorese e diarreia osmótica.
Suplementação nutricional pós-bariátrica
Indicação permanente de polivitamínicos, com monitoramento estrito de ferro, vitamina B12, cálcio, vitamina D e folato.
Abordagem multiprofissional na obesidade
Integração indispensável entre médico, nutricionista, educador físico e psicólogo para intervenção holística.
Conceito de obesidade metabolicamente saudável
Indivíduos com IMC elevado sem alterações cardiometabólicas imediatas, embora mantenham risco futuro aumentado.
Esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASLD)
Infiltração de gordura nos hepatócitos promovida por obesidade e resistência à insulina, podendo progredir para esteato-hepatite e cirrose.
Apneia obstrutiva do sono e obesidade
O colapso das vias aéreas superiores pelo acúmulo de gordura cervical gera hipóxia intermitente e estresse cardiovascular.
Evitar o estigma do peso na prática clínica
Reconhecer a obesidade como doença biológica multifatorial e utilizar comunicação empática centrada na pessoa.

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