Politraumatizado e Trauma Abdominal
Este conjunto aborda o atendimento inicial ao paciente politraumatizado e o manejo do trauma abdominal conforme os protocolos do ATLS, sendo ideal para estudantes de medicina e residentes.
Cartões · 50
- Objetivo da avaliação primária no ATLS
- Identificar e tratar imediatamente condições com risco iminente de morte.
- Mnemônico da avaliação primária do ATLS
- A (Vias aéreas e coluna cervical), B (Respiração), C (Circulação), D (Déficit neurológico), E (Exposição).
- Etapa A do ATLS
- Manutenção das vias aéreas pérvias com controle e restrição do movimento da coluna cervical.
- Primeira conduta na via aérea do paciente inconsciente
- Manobras manuais de chin-lift ou jaw-thrust associadas à aspiração e oxigenação.
- Indicações de via aérea definitiva no trauma
- Apneia, Glasgow ≤ 8, risco iminente de obstrução da via aérea e incapacidade de manter oxigenação.
- Via aérea cirúrgica de escolha na emergência em adultos
- Cricotireoidostomia cirúrgica.
- Contraindicação clássica de cricotireoidostomia cirúrgica
- Crianças menores de 8 a 12 anos (indica-se cricotireoidostomia por punção).
- Etapa B do ATLS
- Respiração e ventilação: avaliar expansibilidade, ausculta pulmonar, percussão e oximetria.
- Tríade clínica do pneumotórax hipertensivo
- Hipotensão, ausência unilateral de murmúrio vesicular e desvio traqueal contralateral.
- Conduta imediata no pneumotórax hipertensivo
- Toracocentese com agulha (descompressão imediata no 4º/5º EIC entre linhas axilar anterior e média).
- Tratamento definitivo do pneumotórax hipertensivo
- Drenagem torácica fechada em selo d'água no 5º espaço intercostal.
- Conduta inicial imediata no pneumotórax aberto
- Curativo de três pontas (válvula unidirecional) seguido por drenagem de tórax distante da lesão.
- Definição de hemotórax maciço
- Drenagem imediata ≥ 1.500 mL de sangue ou débito contínuo > 200 mL/h por 2 a 4 horas.
- Indicação cirúrgica imediata no hemotórax maciço
- Toracotomia de urgência.
- Tríade de Beck no tamponamento cardíaco
- Hipotensão arterial, hipofonese de bulhas cardíacas e estase jugular.
- Etapa C do ATLS
- Circulação com controle da hemorragia: avaliar perfusão, pulsos, pressão e estancar sangramentos.
- Primeira medida para controlar hemorragia externa ativa
- Compressão manual direta sobre o sítio de sangramento; torniquete se falhar em extremidades.
- Causa mais comum de choque no politraumatizado
- Choque hipovolêmico hemorrágico.
- Ressuscitação volêmica inicial no choque hemorrágico
- Administração de 1 litro de cristaloide aquecido (Ringer lactato) em adultos.
- Definição de hipotensão permissiva
- Manter níveis pressóricos moderados (PAS 80-90 mmHg) até o controle definitivo do sangramento cirúrgico.
- Uso do ácido tranexâmico no trauma
- Administrar 1 g IV na primeira hora (até 3 horas do trauma), seguido de 1 g em 8 horas.
- Protocolo de transfusão maciça (PTM)
- Administração balanceada de concentrado de hemácias, plasma fresco e plaquetas na proporção 1:1:1.
- Tríade letal do trauma
- Hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia.
- Etapa D do ATLS
- Avaliação do estado neurológico através da Escala de Coma de Glasgow e reatividade pupilar.
- Etapa E do ATLS
- Exposição completa do paciente com controle e prevenção rigorosa da hipotermia.
- Objetivo da avaliação secundária no ATLS
- Exame físico detalhado cérvico-podálico e história clínica completa após estabilização primária.
- Mnemônico SAMU/AMPLA na avaliação secundária
- Alergias, Medicamentos, Passado médico/gravidez, Líquidos/alimentos recentes e Ambiente/eventos.
- Órgão mais frequentemente lesionado no trauma abdominal fechado
- Baço, seguido de perto pelo fígado.
- Órgão mais acometido no trauma penetrante por arma branca
- Fígado.
- Órgão mais acometido no trauma penetrante por arma de fogo
- Intestino delgado.
- As 4 janelas acústicas do protocolo FAST padrão
- Saco pericárdico, espaço hepatorrenal (Morison), espaço esplenorrenal e região suprapúbica (pelve).
- Janelas adicionais do e-FAST
- Ápices e bases pleurais anteriores bilaterais para detectar pneumotórax e hemotórax.
- Indicação do FAST no trauma abdominal fechado
- Paciente hemodinamicamente instável para detectar líquido livre na cavidade peritoneal.
- Conduta: trauma abdominal fechado instável com FAST positivo
- Laparotomia exploradora imediata.
- Conduta: trauma abdominal fechado estável
- Tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste intravenoso.
- Exame padrão-ouro para estadiar lesão de órgãos sólidos no paciente estável
- Tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste.
- Indicação clássica de Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD)
- Avaliação de hemoperitônio no paciente instável quando FAST não está disponível.
- Critérios de positividade do LPD no trauma abdominal
- Aspirado inicial ≥ 10 mL de sangue, ≥ 100.000 hemácias/mm³, presença de bile, fibras ou bactérias.
- Indicação absoluta de laparotomia no trauma abdominal penetrante
- Instabilidade hemodinâmica, peritonite evidente ou evisceração.
- Conduta na evisceração abdominal
- Cobertura das vísceras com compressas estéreis e úmidas seguida de laparotomia de emergência.
- Abordagem no ferimento abdominal penetrante por arma de fogo anterior
- Laparotomia exploradora (na maioria dos centros, pela alta incidência de lesão visceral).
- Conduta no ferimento por arma branca em paciente estável e assintomático
- Exploração digital do ferimento sob anestesia local para avaliar violação aponeurótica.
- Critérios para tratamento não operatório (TNO) de trauma esplênico/hepático
- Estabilidade hemodinâmica, ausência de peritonite e suporte de UTI com monitorização contínua.
- Sinal do cinto de segurança no abdome
- Equimose transversa na parede abdominal, altamente associada a lesões de víscera oca e coluna (Chance).
- Manobra inicial para controle de hemorragia pélvica em fratura instável
- Fechamento e estabilização mecânica da pelve com lençol ou cinta pélvica sobre os trocanteres maiores.
- Conceito de cirurgia de controle de danos (Damage Control)
- Procedimento cirúrgico abreviado para controle de sangramento e contaminação em pacientes críticos.
- Etapas da cirurgia de controle de danos
- Parte 1: cirurgia rápida; Parte 2: estabilização na UTI (aquecimento, reversão de coagulopatia); Parte 3: reabordagem.
- Definição de hipertensão intra-abdominal (HIA)
- Pressão intra-abdominal sustentada ≥ 12 mmHg mensurada via cateter vesical.
- Definição de síndrome compartimental abdominal (SCA)
- Pressão intra-abdominal > 20 mmHg associada à disfunção orgânica de novo.
- Tratamento cirúrgico de escolha para síndrome compartimental abdominal
- Laparostomia descompressiva com fechamento temporário da parede abdominal.