Pressão Arterial Pediátrica
Este conjunto aborda os critérios, técnicas e diretrizes clínicas para a aferição correta da pressão arterial em pediatria. É destinado a estudantes de medicina e profissionais da saúde.
Cartões · 52
- Idade de início do rastreamento de PA de rotina
- Recomenda-se aferir a pressão arterial anualmente em todas as crianças a partir dos 3 anos de idade em consultas de rotina.
- Indicações de aferição de PA antes dos 3 anos
- Prematuridade (<32 semanas), baixo peso ao nascer, cardiopatia congênita, doença renal, uso de drogas que elevam a PA e internação em UTI neonatal.
- Posição recomendada da criança durante a aferição
- Sentada, com as costas apoiadas, pés apoiados no chão e sem cruzar as pernas.
- Tempo de repouso prévio à aferição
- A criança deve permanecer em repouso e em ambiente calmo por 3 a 5 minutos antes da medição.
- Posicionamento do braço durante a medição
- Braço direito apoiado sobre uma superfície plana, mantendo a fossa antecubital no nível do átrio direito (coração).
- Por que utilizar preferencialmente o braço direito?
- Para manter a consistência com as tabelas de referência normativas e evitar resultados falso-baixos em caso de coarctação da aorta.
- Largura ideal da bolsa de borracha (manguito)
- Deve corresponder a pelo menos 40% da circunferência do braço no ponto médio entre o acrômio e o olécrano.
- Comprimento ideal da bolsa de borracha (manguito)
- Deve cobrir de 80% a 100% da circunferência do braço.
- Consequência de usar manguito muito pequeno
- Superestimação dos valores da pressão arterial (falso-positivo para hipertensão).
- Consequência de usar manguito muito grande
- Subestimação dos valores da pressão arterial (falso-negativo para hipertensão).
- Método de referência para confirmação diagnóstica
- Método auscultatório com esfigmomanômetro aneroide calibrado.
- Uso de aparelhos oscilométricos na pediatria
- São úteis para triagem, mas qualquer valor elevado deve ser confirmado pelo método auscultatório.
- Som de Korotkoff que define a PAS
- Fase I de Korotkoff: o primeiro aparecimento de sons de batimentos claros e rítmicos.
- Som de Korotkoff que define a PAD em crianças
- Fase V de Korotkoff: o desaparecimento completo dos sons auscultatórios.
- Quando usar a Fase IV de Korotkoff (abafamento)?
- Apenas se os sons continuarem sendo ouvidos até o nível zero milímetros de mercúrio.
- Velocidade recomendada de desinsuflação do manguito
- Taxa constante de 2 a 3 milímetros de mercúrio por segundo.
- Definição de PA normal em < 13 anos
- PAS e PAD abaixo do percentil 90 para sexo, idade e percentil de altura.
- Definição de PA elevada em < 13 anos
- PAS ou PAD entre o percentil 90 e o percentil 95, ou entre 120/80 mmHg e o percentil 95 (o que for menor).
- Definição de Hipertensão Estágio 1 em < 13 anos
- PAS ou PAD entre o percentil 95 e percentil 95 mais 12 mmHg, ou 130/80 a 139/89 mmHg (o que for menor).
- Definição de Hipertensão Estágio 2 em < 13 anos
- PAS ou PAD maior ou igual ao percentil 95 mais 12 mmHg, ou maior ou igual a 140/90 mmHg (o que for menor).
- Definição de PA normal para adolescentes (>= 13 anos)
- Pressão arterial menor que 120/80 mmHg, idêntico aos critérios de adultos.
- Definição de PA elevada para adolescentes (>= 13 anos)
- PAS entre 120 e 129 mmHg com PAD menor que 80 mmHg.
- Definição de Hipertensão Estágio 1 (>= 13 anos)
- PAS entre 130 e 139 mmHg ou PAD entre 80 e 89 mmHg.
- Definição de Hipertensão Estágio 2 (>= 13 anos)
- PAS maior ou igual a 140 mmHg ou PAD maior ou igual a 90 mmHg.
- Conduta diante de PA inicial elevada no oscilométrico
- Realizar duas medições auscultatórias na mesma consulta e calcular a média dos valores.
- Critério diagnóstico temporal de hipertensão arterial
- Constatação de níveis pressóricos elevados em 3 ocasiões médicas distintas.
- Variáveis necessárias para interpretar a tabela de PA
- Sexo da criança, idade cronológica e percentil de estatura atual.
- Hipertensão do avental branco
- PA no consultório igual ou acima do percentil 95, porém com MAPA normal fora do ambiente clínico.
- Hipertensão mascarada
- PA normal no consultório, mas persistentemente elevada na MAPA ou MRPA durante as atividades diárias.
- Indicação da MAPA (Monitorização Ambulatorial de PA)
- Confirmação de hipertensão antes do tratamento, suspeita de avental branco ou hipertensão mascarada.
- Etiologia mais comum de HAS na infância pré-púbere
- Hipertensão secundária, destacando-se as causas renais (parenquimatosas ou renovasculares).
- Etiologia mais comum de HAS em adolescentes
- Hipertensão primária (essencial), frequentemente associada a obesidade e história familiar.
- Causa vascular clássica de HAS em membros superiores
- Coarctação da aorta, que cursa com pulsos femorais diminuídos ou ausentes e PA reduzida nas pernas.
- Aferição de PA nos membros inferiores: posição do manguito
- Manguito aplicado na metade da coxa com ausculta do som de Korotkoff na artéria poplítea (decúbito ventral).
- Relação normal da PA entre membros superiores e inferiores
- A PAS na coxa é habitualmente 10 a 20 mmHg maior do que no braço.
- Exames laboratoriais iniciais na suspeita de HAS secundária
- Ureia, creatinina, eletrólitos, sumário de urina (EAS), urocultura e ultrassonografia renal com Doppler.
- Rastreio de lesão de órgão-alvo cardíaco em pediatria
- Ecocardiograma transtorácico para avaliar a presença de hipertrofia ventricular esquerda (HVE).
- Rastreio de lesão de órgão-alvo oftalmológico
- Fundoscopia de olho para pesquisa de retinopatia hipertensiva em casos de hipertensão grave ou secundária.
- Conduta não medicamentosa inicial na PA elevada
- Modificações no estilo de vida: dieta com baixo teor de sódio, perda de peso e 60 minutos de atividade física diária.
- Tempo de intervenção no estilo de vida antes de medicar (HAS 1)
- Reavaliação periódica por 3 a 6 meses; se persistir descontrolada, inicia-se tratamento farmacológico.
- Quando iniciar fármacos imediatamente na hipertensão?
- Presença de sintomas, lesão de órgão-alvo, HAS estágio 2 sem fator reversível imediato ou HAS associada a DRC/DM.
- Classes medicamentosas de primeira linha para HAS pediátrica
- Inibidores da ECA (IECA), Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA), BCC e Diuréticos tiazídicos.
- Classe anti-hipertensiva de escolha em crianças com DRC
- IECA ou BRA, devido ao efeito nefroprotetor e à redução da proteinúria (monitorando creatinina e K+).
- Contraindicação formal de IECA e BRA
- Gravidez (risco teratogênico em adolescentes) e estenose bilateral de artéria renal.
- Meta terapêutica da PA em crianças com hipertensão
- Reduzir a PA para níveis abaixo do percentil 90 (ou <120/80 mmHg em adolescentes a partir de 13 anos).
- Definição de Urgência Hipertensiva na pediatria
- Elevação grave da PA (bem acima do P95+12 mmHg) sem evidência de dano agudo a órgãos-alvo.
- Definição de Emergência Hipertensiva na infância
- Elevação aguda e grave da PA acompanhada de disfunção progressiva de órgãos-alvo (encefalopatia, edema pulmonar).
- Velocidade de redução pressórica na emergência hipertensiva
- Redução máxima de 25% do valor planejado no primeiro terço de dia para prevenir isquemia cerebral ou coronariana.
- Medicação endovenosa frequente em emergências hipertensivas
- Nitroprussiato de sódio, labetalol, hidralazina ou nicardipino em infusão contínua em ambiente de UTI.
- Causa endócrina de hipertensão paroxística em crianças
- Feocromocitoma ou paraganglioma secretor de catecolaminas.
- Papel do consumo de sal segundo as diretrizes pediátricas
- Restrição de sódio para 1,5 a 2,3 g/dia conforme a faixa etária para auxiliar no controle da pressão arterial.
- Impacto da apneia obstrutiva do sono na PA infantil
- A hipoxemia intermitente e o estresse simpático provocam hipertensão noturna ou perda do descenso fisiológico.