Pressão Arterial Pediátrica

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Este conjunto aborda os critérios, técnicas e diretrizes clínicas para a aferição correta da pressão arterial em pediatria. É destinado a estudantes de medicina e profissionais da saúde.

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Idade de início do rastreamento de PA de rotina
Recomenda-se aferir a pressão arterial anualmente em todas as crianças a partir dos 3 anos de idade em consultas de rotina.
Indicações de aferição de PA antes dos 3 anos
Prematuridade (<32 semanas), baixo peso ao nascer, cardiopatia congênita, doença renal, uso de drogas que elevam a PA e internação em UTI neonatal.
Posição recomendada da criança durante a aferição
Sentada, com as costas apoiadas, pés apoiados no chão e sem cruzar as pernas.
Tempo de repouso prévio à aferição
A criança deve permanecer em repouso e em ambiente calmo por 3 a 5 minutos antes da medição.
Posicionamento do braço durante a medição
Braço direito apoiado sobre uma superfície plana, mantendo a fossa antecubital no nível do átrio direito (coração).
Por que utilizar preferencialmente o braço direito?
Para manter a consistência com as tabelas de referência normativas e evitar resultados falso-baixos em caso de coarctação da aorta.
Largura ideal da bolsa de borracha (manguito)
Deve corresponder a pelo menos 40% da circunferência do braço no ponto médio entre o acrômio e o olécrano.
Comprimento ideal da bolsa de borracha (manguito)
Deve cobrir de 80% a 100% da circunferência do braço.
Consequência de usar manguito muito pequeno
Superestimação dos valores da pressão arterial (falso-positivo para hipertensão).
Consequência de usar manguito muito grande
Subestimação dos valores da pressão arterial (falso-negativo para hipertensão).
Método de referência para confirmação diagnóstica
Método auscultatório com esfigmomanômetro aneroide calibrado.
Uso de aparelhos oscilométricos na pediatria
São úteis para triagem, mas qualquer valor elevado deve ser confirmado pelo método auscultatório.
Som de Korotkoff que define a PAS
Fase I de Korotkoff: o primeiro aparecimento de sons de batimentos claros e rítmicos.
Som de Korotkoff que define a PAD em crianças
Fase V de Korotkoff: o desaparecimento completo dos sons auscultatórios.
Quando usar a Fase IV de Korotkoff (abafamento)?
Apenas se os sons continuarem sendo ouvidos até o nível zero milímetros de mercúrio.
Velocidade recomendada de desinsuflação do manguito
Taxa constante de 2 a 3 milímetros de mercúrio por segundo.
Definição de PA normal em < 13 anos
PAS e PAD abaixo do percentil 90 para sexo, idade e percentil de altura.
Definição de PA elevada em < 13 anos
PAS ou PAD entre o percentil 90 e o percentil 95, ou entre 120/80 mmHg e o percentil 95 (o que for menor).
Definição de Hipertensão Estágio 1 em < 13 anos
PAS ou PAD entre o percentil 95 e percentil 95 mais 12 mmHg, ou 130/80 a 139/89 mmHg (o que for menor).
Definição de Hipertensão Estágio 2 em < 13 anos
PAS ou PAD maior ou igual ao percentil 95 mais 12 mmHg, ou maior ou igual a 140/90 mmHg (o que for menor).
Definição de PA normal para adolescentes (>= 13 anos)
Pressão arterial menor que 120/80 mmHg, idêntico aos critérios de adultos.
Definição de PA elevada para adolescentes (>= 13 anos)
PAS entre 120 e 129 mmHg com PAD menor que 80 mmHg.
Definição de Hipertensão Estágio 1 (>= 13 anos)
PAS entre 130 e 139 mmHg ou PAD entre 80 e 89 mmHg.
Definição de Hipertensão Estágio 2 (>= 13 anos)
PAS maior ou igual a 140 mmHg ou PAD maior ou igual a 90 mmHg.
Conduta diante de PA inicial elevada no oscilométrico
Realizar duas medições auscultatórias na mesma consulta e calcular a média dos valores.
Critério diagnóstico temporal de hipertensão arterial
Constatação de níveis pressóricos elevados em 3 ocasiões médicas distintas.
Variáveis necessárias para interpretar a tabela de PA
Sexo da criança, idade cronológica e percentil de estatura atual.
Hipertensão do avental branco
PA no consultório igual ou acima do percentil 95, porém com MAPA normal fora do ambiente clínico.
Hipertensão mascarada
PA normal no consultório, mas persistentemente elevada na MAPA ou MRPA durante as atividades diárias.
Indicação da MAPA (Monitorização Ambulatorial de PA)
Confirmação de hipertensão antes do tratamento, suspeita de avental branco ou hipertensão mascarada.
Etiologia mais comum de HAS na infância pré-púbere
Hipertensão secundária, destacando-se as causas renais (parenquimatosas ou renovasculares).
Etiologia mais comum de HAS em adolescentes
Hipertensão primária (essencial), frequentemente associada a obesidade e história familiar.
Causa vascular clássica de HAS em membros superiores
Coarctação da aorta, que cursa com pulsos femorais diminuídos ou ausentes e PA reduzida nas pernas.
Aferição de PA nos membros inferiores: posição do manguito
Manguito aplicado na metade da coxa com ausculta do som de Korotkoff na artéria poplítea (decúbito ventral).
Relação normal da PA entre membros superiores e inferiores
A PAS na coxa é habitualmente 10 a 20 mmHg maior do que no braço.
Exames laboratoriais iniciais na suspeita de HAS secundária
Ureia, creatinina, eletrólitos, sumário de urina (EAS), urocultura e ultrassonografia renal com Doppler.
Rastreio de lesão de órgão-alvo cardíaco em pediatria
Ecocardiograma transtorácico para avaliar a presença de hipertrofia ventricular esquerda (HVE).
Rastreio de lesão de órgão-alvo oftalmológico
Fundoscopia de olho para pesquisa de retinopatia hipertensiva em casos de hipertensão grave ou secundária.
Conduta não medicamentosa inicial na PA elevada
Modificações no estilo de vida: dieta com baixo teor de sódio, perda de peso e 60 minutos de atividade física diária.
Tempo de intervenção no estilo de vida antes de medicar (HAS 1)
Reavaliação periódica por 3 a 6 meses; se persistir descontrolada, inicia-se tratamento farmacológico.
Quando iniciar fármacos imediatamente na hipertensão?
Presença de sintomas, lesão de órgão-alvo, HAS estágio 2 sem fator reversível imediato ou HAS associada a DRC/DM.
Classes medicamentosas de primeira linha para HAS pediátrica
Inibidores da ECA (IECA), Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA), BCC e Diuréticos tiazídicos.
Classe anti-hipertensiva de escolha em crianças com DRC
IECA ou BRA, devido ao efeito nefroprotetor e à redução da proteinúria (monitorando creatinina e K+).
Contraindicação formal de IECA e BRA
Gravidez (risco teratogênico em adolescentes) e estenose bilateral de artéria renal.
Meta terapêutica da PA em crianças com hipertensão
Reduzir a PA para níveis abaixo do percentil 90 (ou <120/80 mmHg em adolescentes a partir de 13 anos).
Definição de Urgência Hipertensiva na pediatria
Elevação grave da PA (bem acima do P95+12 mmHg) sem evidência de dano agudo a órgãos-alvo.
Definição de Emergência Hipertensiva na infância
Elevação aguda e grave da PA acompanhada de disfunção progressiva de órgãos-alvo (encefalopatia, edema pulmonar).
Velocidade de redução pressórica na emergência hipertensiva
Redução máxima de 25% do valor planejado no primeiro terço de dia para prevenir isquemia cerebral ou coronariana.
Medicação endovenosa frequente em emergências hipertensivas
Nitroprussiato de sódio, labetalol, hidralazina ou nicardipino em infusão contínua em ambiente de UTI.
Causa endócrina de hipertensão paroxística em crianças
Feocromocitoma ou paraganglioma secretor de catecolaminas.
Papel do consumo de sal segundo as diretrizes pediátricas
Restrição de sódio para 1,5 a 2,3 g/dia conforme a faixa etária para auxiliar no controle da pressão arterial.
Impacto da apneia obstrutiva do sono na PA infantil
A hipoxemia intermitente e o estresse simpático provocam hipertensão noturna ou perda do descenso fisiológico.

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