Prosa da 2ª Fase do Modernismo
Estudo sobre os principais autores, obras e características da prosa regionalista da Segunda Fase do Modernismo brasileiro. Destinado a estudantes do ensino médio e candidatos a exames vestibulares.
Cartões · 51
- Marco inaugural da prosa de 30
- A publicação de A Bagaceira (1928), romance escrito por José Américo de Almeida que aborda o êxodo da seca.
- Contexto histórico da Geração de 30
- Crise de 1929, Revolução de 1930, ascensão da Era Vargas e conflitos ideológicos mundiais entre fascismo e socialismo.
- Tema central da prosa de 30
- Denúncia social, desigualdade de classes, coronelismo, seca no Nordeste e tensões políticas urbanas e rurais.
- Tipo de linguagem da Geração de 30
- Linguagem direta, coloquial e realista, abandonando excessos formais para expressar o falar regional autêntico.
- José Américo de Almeida: obra mais famosa
- A Bagaceira (1928), romance que inaugura a temática do ciclo da cana-de-açúcar e do sertanejo retirante.
- A Bagaceira: triângulo amoroso principal
- Envolve a retirante Soledade, o fazendeiro Dagoberto e seu filho Lúcio no engenho Marzagão.
- José Américo de Almeida: estilo literário
- Linguagem metafórica e descritiva, mesclando lirismo aforístico com elementos do realismo documental e sociológico.
- Rachel de Queiroz: obra de estreia
- O Quinze (1930), escrito quando ela tinha apenas vinte anos, retratando a devastadora seca de 1915 no Ceará.
- O Quinze: protagonista sertanejo
- Chico Bento, vaqueiro que perde o emprego com a seca e é forçado a migrar com a família para salvar-se da fome.
- O Quinze: contraponto intelectual
- A história de amor entre a professora Conceição, mulher independente e letrada, e o fazendeiro Vicente.
- Rachel de Queiroz: pioneirismo na ABL
- Foi a primeira mulher a ser eleita e a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977.
- Rachel de Queiroz: romance Memorial de Maria Moura
- Romance histórico que retrata o cangaço e a liderança feminina no sertão nordestino do século XIX.
- Rachel de Queiroz: foco temático recorrente
- A seca cearense, a resignação do sertanejo, o drama dos retirantes e o papel da mulher na sociedade patriarcal.
- José Lins do Rego: grande tema de sua obra
- O declínio dos engenhos de açúcar tradicionais e a ascensão modernizadora das usinas na Paraíba e em Pernambuco.
- José Lins do Rego: Ciclo da Cana-de-Açúcar
- Série de romances formada por Menino de Engenho, Doidinho, Bangüê, O Moleque Ricardo e Usina.
- Menino de Engenho: protagonista
- Carlos de Melo (Carlinhos), narrador-personagem que cresce sob a tutela do avô materno, o Coronel Zé Paulino.
- José Lins do Rego: romance Fogo Morto
- Considerada sua obra-prima (1943), retrata a decadência total do engenho Santa Fé em três perspectivas.
- Fogo Morto: personagens centrais
- Mestre José Amaro (o seleiro orgulhoso), Coronel Lula de Holanda (senhor decadente) e Capitão Vitorino Carneiro da Cunha.
- Fogo Morto: figura de Capitão Vitorino
- Figura quixotesca e destemida apelidada de Papa-Rabo, que desafia os poderosos locais e o cangaceiro Antônio Silvino.
- José Lins do Rego: romance Cangaceiros
- Continuação de Pedra Bonita, que aborda o misticismo fanático e a violência do cangaço no sertão paraibano.
- José Lins do Rego: estilo de escrita
- Narrativa memorialística, oralizada e fluida, reminiscente das histórias contadas ao redor do fogo de engenho.
- Graciliano Ramos: traço marcante de estilo
- Economia verbal extrema, concisão quase cirúrgica e rigor estético contra sentimentalismos e floreios retóricos.
- Graciliano Ramos: romance Vidas Secas
- Obra-prima de 1938 composta por 13 capítulos independentes e interligados sobre uma família de retirantes.
- Vidas Secas: núcleo familiar de personagens
- Fabiano, Sinhá Vitória, o Menino Mais Velho, o Menino Mais Novo e a cachorra Baleia.
- Vidas Secas: zoomorfização do humano
- Processo em que a miséria reduz Fabiano à animalidade sem fala, enquanto a cachorra Baleia adquire traços humanos.
- Vidas Secas: capítulo da morte de Baleia
- Momento lírico e trágico em que a cachorra agoniza com delírios de um mundo cheio de preás gordos.
- Graciliano Ramos: romance São Bernardo
- Romance narrado em primeira pessoa pelo fazendeiro Paulo Honório, homem brutalizado pela lógica da posse capitalista.
- São Bernardo: tragédia de Madalena
- Esposa de Paulo Honório, professora humanista que é levada ao suicídio pelo ciúme patológico e frieza do marido.
- Graciliano Ramos: romance Angústia
- Mergulho psicológico e asfixiante na mente de Luís da Silva, funcionário público falido que comete um assassinato.
- Graciliano Ramos: livro Memórias do Cárcere
- Relato póstumo sobre sua prisão arbitrária durante o Estado Novo de Getúlio Vargas sem acusação formal.
- Graciliano Ramos: profundidade psicológica
- Capacidade singular de articular o determinismo do meio social à sondagem dolorosa e densa da mente humana.
- Jorge Amado: Ciclo do Cacau
- Fase de romances ambientados no sul da Bahia retratando a disputa violenta de terras, como Cacau e Terras do Sem-Fim.
- Jorge Amado: romance Capitães da Areia
- Retrata o cotidiano, a marginalização e a irmandade de menores abandonados que vivem num trapiche em Salvador.
- Capitães da Areia: líderes do bando
- Pedro Bala (o líder destemido), Professor (o intelectual leitor), Sem-Pernas, Volta Seca e a jovem Dora.
- Terras do Sem-Fim: enredo central
- Guerra sangrenta entre os coronéis Horácio da Silveira e Sinhô Badaró pela posse das matas virgens do Sequeiro Grande.
- Jorge Amado: fase lírica e de crônicas de costumes
- Fase mais madura e humorística com heroínas sensuais, destacando-se Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e Seus Dois Maridos.
- Jorge Amado: romance Jubiabá
- História do negro Antônio Balduíno, destacando as lutas operárias, a capoeira e a religiosidade de matriz africana.
- Jorge Amado: exaltação da cultura baiana
- Incorporação frequente do candomblé, do sincretismo religioso, da culinária típica e da boemia de Salvador.
- Jorge Amado: engajamento político inicial
- Militância comunista explícita que moldou seus primeiros romances sociais e o levou ao exílio político.
- Erico Verissimo: representação regional
- Principal voz do modernismo sulista, focalizando a formação histórica, a política e a sociedade do Rio Grande do Sul.
- Erico Verissimo: trilogia O Tempo e o Vento
- Monumento literário dividido em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).
- O Tempo e o Vento: família central
- A saga bicentenária da família Terra-Cambará, iniciada pelo casal Ana Terra e Pedro Missioneiro.
- O Tempo e o Vento: figura de Ana Terra
- Matriarca que simboliza a coragem, a resiliência e a solidão feminina na colonização violenta do pampa gaúcho.
- O Tempo e o Vento: figura do Capitão Rodrigo
- Rodrigo Cambará, arquetípico gaúcho valente, beberrão, sedutor e anárquico que desposa Bibiana Terra.
- Erico Verissimo: romance Olhai os Lírios do Campo
- Grande sucesso urbano sobre o médico Eugênio, que troca ideais humanistas por ascensão financeira e status.
- Erico Verissimo: romance Incidente em Antares
- Sátira político-social fantástica onde cadáveres insepultos por greve denunciam as hipocrisias dos coronéis locais.
- Erico Verissimo: romance Clarissa
- Seu romance de estreia (1933), marcado pelo lirismo juvenil e pela observação do cotidiano numa pensão de Porto Alegre.
- Diferença: Graciliano Ramos vs. Jorge Amado
- Graciliano usa estilo enxuto, cético e contido; Amado emprega linguagem exuberante, poética e emotiva.
- Regionalismo de 30 vs. Regionalismo Romântico
- O Romantismo idealizava o homem rústico; a Geração de 30 denunciou a exploração e a miséria com crítica social.
- Cangaço na Prosa de 30
- Fenômeno tratado sem mitificação gratuita, revelado como fruto da miséria extrema e do poder oligárquico violento.
- Relevância da Prosa de 30 para a literatura
- Redefiniu a identidade nacional ao expor as feridas do Brasil profundo com alta sofisticação formal e narrativa.