Semiologia de Cabeça e Pescoço 2
Estudo das técnicas de exame físico, achados clínicos e sinais patológicos da cabeça e do pescoço, voltado para estudantes de medicina e residentes.
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- Inspeção estática do crânio
- Avalia forma, simetria, abaulamentos, retrações e implantação capilar.
- Macrocefalia e microcefalia
- Aumento ou redução patológica do perímetro cefálico em relação ao padrão para idade e sexo.
- Braquicefalia
- Fechamento prematuro da sutura coronal resultando em crânio encurtado anteroposteriormente e alargado lateralmente.
- Escafocefalia (ou dolicocefalia)
- Fusão prematura da sutura sagital, conferindo ao crânio aspecto longo e estreito em quilha de barco.
- Sinal de Macewen (som de panela rachada)
- Percussão craniana com som timpânico oco, sugestivo de hidrocefalia ou aumento da pressão intracraniana.
- Palpação da artéria temporal superficial
- Avalia pulsatilidade, espessamento ou dor local, fundamentais na suspeita de arterite de células gigantes.
- Fácies mixedematosa
- Rosto arredondado, pele pálida, seca e infiltrada, madarose e edema periorbital, típica de hipotireoidismo grave.
- Fácies cushingóide (ou de lua cheia)
- Rosto arredondado, rubor facial, pletora, acne e acúmulo de gordura supraclavicular e dorsal por hipercortisolismo.
- Fácies miastênica
- Ptose palpebral bilateral associada à fraqueza da musculatura facial e expressão de cansaço extremo.
- Ptose palpebral
- Queda da pálpebra superior decorrente de lesão do III nervo craniano, síndrome de Horner ou miastenia gravis.
- Ectrópio e Entrópio
- Eversão da margem palpebral para fora (ectrópio) ou inversão da margem para dentro com atrito dos cílios (entrópio).
- Hordéolo (terçol)
- Infecção bacteriana aguda dolorosa das glândulas sebáceas ciliares (de Zeis/Moll) ou de Meibômio.
- Calázio
- Granuloma inflamatório crônico não infeccioso e indolor da glândula de Meibômio.
- Sinal de Romaña
- Edema palpebral unilateral e bipalpebral elástico com linfadenopatia pré-auricular, patognomônico da Doença de Chagas aguda.
- Xantelasma
- Placas amareladas circunscritas na pele periorbitária associadas a depósito lipídico e dislipidemias.
- Madarose
- Perda dos pelos da cauda das sobrancelhas, comum em hipotireoidismo e hanseníase.
- Anisocoria
- Assimetria no diâmetro entre as duas pupilas.
- Reflexo fotomotor direto e consensual
- Constrição pupilar no olho iluminado (direto) e constrição simultânea no olho contralateral (consensual), testando nervos II e III.
- Pupila de Argyll Robertson
- Pupilas pequenas que reagem à acomodação e convergência, mas não reagem à luz, clássica da neurossífilis.
- Síndrome de Claude Bernard-Horner
- Tríade clínica de ptose leve, miose pupilar e anidrose facial unilateral por disfunção simpática cervical.
- Exoftalmia (proptose)
- Protrusão anormal do globo ocular para fora da órbita, frequentemente associada à Doença de Graves.
- Sinal de von Graefe
- Atraso no movimento da pálpebra superior ao acompanhar o olhar para baixo, expondo a esclera em tireotoxicoses.
- Arco senil (gerontóxon)
- Anel esbranquiçado ou acinzentado na periferia da córnea decorrente da deposição de lipídios, comum em idosos.
- Icterícia escleral
- Coloração amarelada das escleras detectável clinicamente quando a bilirrubina sérica supera 2 a 3 mg/dL.
- Palpação do seio maxilar e frontal
- Compressão digital das regiões malar e supraciliar para investigar dor sugestiva de sinusite aguda.
- Sinal de Battle
- Equimose sobre a região mastóidea atrás do pavilhão auricular, sugestiva de fratura de base de crânio.
- Olhos de guaxinim (equimose periorbital)
- Coloração purpúrica ao redor dos olhos sugestiva de fratura da fossa anterior da base do crânio.
- Otoscopia: achados normais da membrana timpânica
- Membrana perolada e translúcida, visualização do cabo do martelo e presença do triângulo luminoso de Politzer.
- Rinoscopia anterior
- Visualização da mucosa nasal, corneto inferior e médio, septo nasal e eventual presença de pólipos ou sangramento.
- Paralisia facial periférica (de Bell)
- Comprometimento de todo o hemicranio facial, incluindo o fechamento ocular imperfeito e ausência de rugas frontais ipsilaterais.
- Paralisia facial central
- Comprometimento restrito aos dois terços inferiores da face contralateral à lesão, poupando a fronte e o fechar ocular.
- Inspeção da língua: atrofia e desvio
- Avalia o XII par craniano (hipoglosso); desvio para o lado da lesão em paralisia periférica.
- Queilite angular
- Fissuras dolorosas nos ângulos da boca causadas por deficiência de ferro, vitaminas do complexo B ou infecção por cândida.
- Manchas de Koplik
- Pequenas manchas esbranquiçadas rodeadas por halo eritematoso na mucosa jugal, precursoras do sarampo.
- Leucoplasia oral
- Placa branca aderente à mucosa oral que não se desprende à raspagem, considerada lesão potencialmente maligna.
- Candidíase oral (monilíase)
- Placas esbranquiçadas cremosas na língua e mucosa oral facilmente destacáveis com espátula, deixando base eritematosa.
- Avaliação do véu palatino e úvula (nervos IX e X)
- Ao falar 'ah', a úvula se eleva centralmente; desvia para o lado contralateral saudável se houver paralisia de nervo vago.
- Aumento das glândulas parótidas
- Abaulamento no ângulo da mandíbula que eleva o lóbulo da orelha, típico de caxumba, etilismo ou tumores salivares.
- Técnica de palpação dos linfonodos cervicais
- Movimentos circulares suaves com as polpas digitais do 2º ao 4º dedos ao longo das cadeias ganglionares.
- Linfonodo de Virchow (Troisier)
- Linfonodomegalia supraclavicular esquerda associada a metástase de neoplasias malignas abdominais ou torácicas.
- Linfonodo de Delphian
- Linfonodo pré-laríngeo palpável acima do istmo tireoidiano, associado a câncer de laringe ou tireoide.
- Linfadenomegalia inflamatória vs. neoplásica
- Inflamatória: dolorosa, elástica, móvel e quente. Neoplásica: endurecida, indolor, pétrea e aderida a planos profundos.
- Cadeias ganglionares cervicais
- Occipital, pós-auricular, pré-auricular, submandibular, submentoniana, cervical anterior, cervical posterior e supraclavicular.
- Palpação da glândula tireoide: manobra de Quervain
- Examinador posicionado atrás do paciente, usando os polegares apoiados na nuca e os demais dedos palpando os lobos à frente.
- Manobra de Lahey para tireoide
- Examinador à frente do paciente desloca a traqueia com uma das mãos para projetar e palpar o lobo contralateral.
- Deglutição durante o exame da tireoide
- Solicita-se ao paciente engolir saliva ou água; a glândula tireoide deve se mover superiormente com a laringe.
- Ausculta da tireoide
- Realizada com o diafragma do estetoscópio sobre os lobos tireoidianos para detectar sopros em casos de hipertireoidismo grave.
- Sinal de Pemberton
- Rubor facial e ingurgitamento jugular ao elevar os braços acima da cabeça, indicando bócio mergulhante com compressão vascular.
- Desvio de traqueia
- Deslocamento lateral da linha média visível ou palpável, causado por pneumotórax hipertensivo, derrame pleural maciço ou grandes bócios.
- Turgência jugular patológica
- Ingurgitamento visível das veias jugulares com o paciente em decúbito a 45 graus, indicando aumento da pressão venosa central.
- Reflexo hepatojugular (ou abdominojugular)
- Aumento sustentado maior que 3 cm da turgência jugular durante compressão firme do hipocôndrio direito por 10 a 15 segundos.
- Ausculta das carótidas
- Pesquisa de sopros estenóticos no trajeto carotídeo utilizando preferencialmente a campânula com o paciente em apneia inspiratória.
- Rigidez de nuca
- Resistência espasmódica dolorosa à flexão passiva do pescoço em direção ao tórax, sinal clássico de irritação meníngea.
- Sinal de Brudzinski
- Flexão involuntária dos quadris e joelhos em resposta à flexão passiva anterior da cabeça sobre o tórax.
- Sinal de Kernig
- Dor e resistência ou flexão involuntária do joelho ao tentar estender a perna com a coxa fletida a 90 graus.
- Sinal de Musset
- Oscilação rítmica da cabeça sincrônica ao pulso arterial, indicativo de insuficiência aórtica grave.
- Cisto do ducto tireoglosso
- Nódulo cístico congênito indolor na linha média anterior do pescoço que se move tipicamente à protrusão da língua.
- Cisto de fenda branquial
- Massa cística congênita localizada na borda anterior do músculo esternocleidomastóideo, geralmente indolor.