Tecnologia de Não Tecidos
Estudo dos processos de fabricação, formação de véus e consolidação de materiais não tecidos, destinado a estudantes e profissionais da indústria têxtil.
Cartões · 50
- Não Tecido (Nonwoven)
- Estrutura plana, porosa e flexível formada por véus de fibras ou filamentos consolidados por processos mecânicos, térmicos ou químicos, sem tecelagem ou malharia.
- Formação por via seca: Cardagem (Drylaid)
- Fibras cortadas são desagregadas e alinhadas paralelamente por cilindros guarnecidos com pontas metálicas, formando um véu contínuo orientado na direção da máquina.
- Cruzador de véus (Cross-lapper)
- Mecanismo mecânico que sobrepõe camadas de véus cardados em ângulos alternados, conferindo anisotropia balanceada, espessura e maior gramatura à manta.
- Formação por fluxo de ar (Airlaid)
- Fibras curtas ou polpa de celulose são dispersas em uma corrente de ar e depositadas por sucção sobre uma tela formadora, gerando um véu com orientação isotrópica.
- Formação por via úmida (Wetlaid)
- Fibras curtas suspensas em água com baixa consistência são filtradas e depositadas uniformemente sobre uma esteira de drenagem a vácuo, similar ao papel.
- Spunlaid (Spunbond)
- Polímeros termoplásticos são extrudados em filamentos contínuos, estirados por jatos de ar em alta velocidade e distribuídos aleatoriamente sobre uma esteira coletora.
- Meltblown
- Polímero fundido de baixa viscosidade é extrudado através de microorifícios e atenuado por correntes de ar quente em alta velocidade, gerando microfibras submicrônicas.
- Flashspinning
- Polímero dissolvido sob alta pressão e temperatura é despressurizado bruscamente através de um orifício, vaporizando o solvente e formando uma teia fibrilada tridimensional.
- Eletrofiação (Electrospinning)
- Campo elétrico de alta voltagem atrai e alonga gotas de solução polimérica de uma agulha para um coletor aterrado, produzindo nanofibras ultrafinas.
- Agulhagem mecânica (Needlepunching)
- Agulhas farpadas penetram repetidamente o véu de fibras em movimento vertical, provocando o entrelaçamento e fricção tridimensional mecânica entre as fibras.
- Agulhagem por jatos d'água (Spunlace / Hydroentanglement)
- Jatos d'água a altíssima pressão colidem com o véu sobre uma tela perfurada, forçando o entrelaçamento mecânico íntimo das fibras sem danificá-las.
- Costura-ligação (Stitch-bonding)
- Mecanismo têxtil de malharia por urdidura que insere laçadas de fios ou fibras da própria manta para coser e consolidar estruturalmente o véu.
- Calandragem térmica lisa
- Consolidação térmica contínua onde o véu com fibras termoplásticas passa sob pressão entre cilindros metálicos aquecidos e lisos, fundindo toda a superfície.
- Calandragem térmica gravada (Point Bonding)
- Cilindro com padrões em relevo aplica calor e pressão em pontos discretos, preservando a flexibilidade e o toque macio das áreas não soldadas.
- Fusão por ar quente (Through-air bonding)
- Fluxo controlado de ar quente atravessa a espessura da manta em um tambor perfurado, fundindo a bainha de fibras bicomponentes com alta preservação de volume (loft).
- Radiação infravermelha (IR bonding)
- Ondas eletromagnéticas na faixa do infravermelho aquecem diretamente fibras termoplásticas receptivas sem contato físico mecânico, iniciando a coalescência.
- Soldagem ultrassônica (Ultrasonic bonding)
- Vibrações mecânicas de alta frequência geradas por um sonotrodo induzem atrito molecular localizado no material termoplástico, fundindo-o sobre uma bigorna padrão.
- Ligação química por saturação (Saturation bonding)
- Imersão total do véu fibroso em um banho de resina polimérica líquida (látex), seguida de espremedura em cilindros e secagem térmica em estufa.
- Ligação química por pulverização (Spray bonding)
- Bicos atomizadores dispersam gotículas de adesivo líquido sobre uma ou ambas as faces do véu aberto, preservando alta resiliência e espessura após a secagem.
- Ligação química por impressão (Print bonding)
- Cilindros de rotogravura aplicam ligante polimérico apenas em desenhos geométricos específicos do véu, conferindo resistência mecânica e zonas flexíveis.
- Ligação por espuma (Foam bonding)
- Emulsão polimérica mecanicamente aerada é aplicada ao véu, reduzindo a penetração excessiva de água e acelerando o processo subsequente de evaporação e cura.
- Fibras bicomponentes: Bainha-Núcleo (Sheath-Core)
- Fibra com polímero externo de ponto de fusão mais baixo (bainha) que derrete na consolidação térmica, enquanto o núcleo interno suporta a integridade estrutural.
- Fibras bicomponentes: Lado a Lado (Side-by-Side)
- Dois polímeros com diferentes coeficientes de retração térmica dispostos paralelamente que, ao serem aquecidos, desenvolvem encrespamento helicoidal tridimensional.
- Fibras bicomponentes: Ilhas no Mar (Islands-in-the-Sea)
- Microfilamentos contínuos imersos em matriz solúvel que, após dissolução química do polímero externo, liberam feixes de micro e nanofibras ultrafinas.
- Fibras segmentadas (Segmented Pie)
- Filamentos com cunhas alternadas de polímeros incompatíveis que se clivam mecanicamente sob jatos de alta pressão em processos de spunlace.
- Compósito Spunbond-Meltblown-Spunbond (SMS)
- Laminado multicamada consolidado termicamente onde camadas externas de spunbond dão resistência mecânica e a camada central de meltblown confere barreira bacteriana.
- Compósito Spunbond-Meltblown-Meltblown-Spunbond (SMMS)
- Estrutura de quatro camadas que utiliza duas camadas centrais de meltblown para aumentar a eficiência de filtração e reduzir o risco de microfuros (pinholes).
- Consolidação por resinas termofixas
- Aplicação de pré-polímeros reativos que sofrem reticulação química permanente e irreversível sob ação de calor catalisado ou cura química.
- Acabamento hidrofílico em não tecidos
- Aplicação superficial de tensoativos via beijo de rolo ou spray para reduzir o ângulo de contato da água em mantas de polipropileno hidrofóbico.
- Acabamento antiestático
- Adição de compostos condutivos ou higroscópicos que dissipam cargas elétricas superficiais geradas por atrito mecânico em linhas de produção ou uso final.
- Tratamento Corona
- Descarga elétrica de alta frequência ioniza o ar atmosférico, criando radicais livres e grupos polares oxigenados na superfície polimérica para melhorar a adesão.
- Tratamento por Plasma atmosférico
- Gás ionizado em temperatura ambiente altera a nanoestrutura química superficial da fibra, conferindo propriedades repelentes ou hidrofílicas sem banhos líquidos.
- Calandragem fria
- Passagem da manta por cilindros metálicos sob altíssima pressão sem aquecimento térmico, empregada para calibrar a espessura e compactar o material.
- Termofixação em rama (Stenter setting)
- A manta presa lateralmente por pinças ou agulhas é aquecida em estufa para aliviar tensões internas das fibras e estabilizar dimensões geométricas.
- Estiramento mecânico incremental (Ring rolling)
- Manta passa entre rolos com ranhuras interpenetrantes que estiram seletivamente certas regiões, ativando propriedades elásticas em filmes laminados.
- Carregamento eletrostático (Eletreto)
- Aplicação de campo elétrico ou corona sobre microfibras de meltblown para criar dipolos elétricos estáveis que capturam partículas submicrônicas por atração.
- Laminação por adesivo hot-melt
- Polímero termoplástico 100% sólido é fundido e aplicado por ranhura ou spray entre véus antes da prensagem imediata por rolos pressores resfriados.
- Laminação por chama (Flame lamination)
- Chama de gás incide brevemente sobre espuma de poliuretano, fundindo uma película superficial que atua imediatamente como adesivo para acoplar o véu têxtil.
- Ligação térmica por pó (Powder bonding)
- Partículas finas de polímeros termoplásticos são espalhadas sobre o véu fibroso e fundidas em forno de radiação infravermelha ou convecção.
- Processo Coform
- Injeção de polpa de celulose ou fibras absorventes diretamente na corrente de filamentos fundidos de meltblown antes da deposição na esteira.
- Cardagem com pente oscilante (Doffer comb)
- Lâmina serrilhada móvel que remove mecanicamente o véu fibroso homogeneizado da superfície do cilindro descarregador da carda.
- Descarregador de condensação (Condenser rolls)
- Par de rolos perfurados com sucção interna que desacelera e desorienta as fibras após a cardagem para produzir um véu volumoso e isotrópico.
- Agulhagem estruturada (Velour / Dilour)
- Agulhas com ponta em formato de coroa empurram tufos de fibras para dentro das aberturas de uma escova contínua, formando uma superfície felpuda aveludada.
- Agulhagem dupla face (Double-sided punching)
- Placas de agulhas superior e inferior atuam simultaneamente ou em estágios sequenciais penetrando ambas as faces da manta para equilibrar a densidade.
- Hidroentrelaçamento com tambor microperfurado
- Cilindro rotativo com padrões em relevo ou furos que atua como suporte de drenagem, transferindo marcas geométricas ou perfurações à manta de spunlace.
- Fita de estiramento a vácuo (Forming wire)
- Esteira permeável contínua combinada com caixas de vácuo inferiores que fixa os filamentos extrudados e remove grandes volumes de ar de processo.
- Bocal de Meltblown (Exxon coat-hanger die)
- Matriz com canal interno em forma de cabide que distribui uniformemente o polímero fundido ao longo de centenas de orifícios ladeados por lâminas de ar quente.
- Revestimento por beijo de rolo (Kiss roll coating)
- Cilindro parcialmente submerso em emulsão química gira transferindo uma fina camada líquida controlada apenas para a superfície tangente do não tecido.
- Cura química térmica (Curing)
- Exposição do véu impregnado com resinas a temperaturas elevadas para evaporar o veículo aquoso e induzir a formação de pontes cruzadas moleculares.
- Lixamento mecânico (Sueding / Emerizing)
- Passagem do não tecido sobre cilindros revestidos de lixa abrasiva para desgastar e desfibrilar microfibras da superfície, conferindo toque aveludado.