Tipos e Tratamento de Feridas
Estudo sobre os tipos de feridas, classificações e tratamentos clínicos para profissionais e estudantes de enfermagem e saúde.
Cartões · 52
- Ferida aguda
- Lesão com perda de integridade tecidual recente, que segue processo cicatricial ordenado e dentro do tempo esperado, geralmente causada por trauma cirúrgico ou acidental.
- Ferida crônica
- Lesão que não cicatriza no tempo esperado (geralmente acima de 4 a 12 semanas), estagnada na fase inflamatória devido a fatores locais, sistêmicos ou infecção.
- Ferida limpa
- Lesão cirúrgica asséptica, sem invasão dos tratos respiratório, alimentar, genital ou urinário, com risco mínimo de infecção local.
- Ferida limpa-contaminada
- Lesão cirúrgica em que os tratos respiratório, alimentar ou urinário são abertos sob condições controladas, sem contaminação significativa incomum.
- Ferida contaminada
- Ferida aberta acidental recente ou cirúrgica com grande quebra de técnica asséptica ou extravasamento grosseiro do trato gastrointestinal, com inflamação aguda.
- Ferida infectada
- Lesão com presença de microrganismos invasivos ativos, apresentando sinais flogísticos (dor, calor, rubor, edema), exsudato purulento e retardo cicatricial.
- Cicatrização por primeira intenção
- Aproximação primária das bordas com suturas, fitas ou grampos; há mínima perda tecidual, baixa taxa de infecção e formação rápida de cicatriz estética.
- Cicatrização por segunda intenção
- Bordas afastadas sem aproximação mecânica; fecha por granulação, contração e epitelização, comum em feridas abertas, cavitárias ou infectadas.
- Cicatrização por terceira intenção
- Fechamento primário retardado; a ferida permanece aberta temporariamente para controle do exsudato ou infecção e é suturada cirurgicamente mais tarde.
- Escoriação (Abrasão)
- Lesão superficial causada por atrito contra superfície áspera, com perda da epiderme e exposição da derme papilar, sem perda tecidual profunda.
- Ferida incisa
- Causada por instrumento cortante de lâmina afiada; apresenta bordas nítidas, regulares, comprimento maior que a profundidade e mínima destruição celular.
- Ferida punctória (Pérfuro-cortante)
- Produzida por objeto fino e pontiagudo; tem orifício de entrada pequeno, porém profundidade que pode atingir vasos profundos e risco de anaeróbios como tétano.
- Ferida lacerada
- Resulta de mecanismo de tração ou arrancamento mecânico; bordas são irregulares, desiguais e frequentemente com pontes de tecido intactas no fundo.
- Lesão por Pressão (LPP) - Estágio 1
- Pele intacta com área localizada de eritema que não embranquece após alívio da pressão, indicando alteração inicial de perfusão tecidual.
- Lesão por Pressão (LPP) - Estágio 2
- Perda da pele em sua espessura parcial, com exposição da derme. Apresenta-se como úlcera rasa com leito vermelho-rosado ou bolha intacta com líquido seroso.
- Lesão por Pressão (LPP) - Estágio 3
- Perda total da espessura da pele com exposição do tecido adiposo; fáscia, músculo, tendão ou osso não estão expostos; esfacelo pode estar presente.
- Lesão por Pressão (LPP) - Estágio 4
- Perda total da espessura da pele e perda tissular com exposição direta de ossos, músculos ou tendões; frequência alta de descolamento e fístulas.
- Lesão por Pressão Não Classificável
- Perda total da espessura tecidual na qual a base da úlcera está totalmente coberta por esfacelo ou necrose preta (escara), impedindo a mensuração da profundidade.
- Lesão por Pressão Tissular Profunda
- Área localizada de pele intacta ou rompida com coloração púrpura escura ou marrom, ou flictena com sangue decorrente de dano em tecidos moles profundos.
- Úlcera venosa
- Lesão de estase no terço distal medial da perna; caracterizada por bordas irregulares, leito com exsudato abundante, halo hiperpigmentado (dermatite ocre) e pulsos presentes.
- Úlcera arterial
- Lesão isquêmica em extremidades e dedos dos pés; bordas delimitadas ('em saca-bocado'), leito pálido e necrótico, dor intensa agravada por elevação do membro e pulsos diminuídos.
- Úlcera neuropática (Pé diabético)
- Úlcera plantar sobre pontos de pressão associada a hiperqueratose ao redor, ausência de dor local e sensibilidade protetora diminuída.
- Úlcera mista
- Ferida crônica em membros inferiores que associa hipertensão venosa crônica e doença arterial obstrutiva periférica, requerendo cautela na compressão elástica.
- Queimadura de 1º grau
- Atinge apenas a epiderme; manifesta-se com eritema, calor local, dor moderada a intensa e descamação espontânea em poucos dias sem formar cicatriz.
- Queimadura de 2º grau superficial
- Compete epiderme e derme papilar; cursa com flictenas (bolhas), leito rosado brilhante e exsudativo, alta sensibilidade dolorosa e regeneração em 7-14 dias.
- Queimadura de 2º grau profunda
- Atinge a derme reticular; aspecto esbranquiçado ou mosqueado, leito com pouca umidade, redução da sensibilidade local e cicatrização prolongada com risco de retração.
- Queimadura de 3º grau
- Destruição total da espessura da pele e anexos; aspecto coreáceo, acastanhado ou esbranquiçado, anestesiada ao toque devido à lesão das terminações nervosas.
- Lesão por Fricção (Skin Tear) - Tipo 1
- Rasgo de pele sem perda de substância tecidual, onde o retalho pode ser totalmente reposicionado para cobrir o leito da ferida.
- Lesão por Fricção (Skin Tear) - Tipo 2
- Rasgo de pele com perda parcial do retalho dérmico; o retalho restante não consegue cobrir completamente todo o leito da lesão.
- Lesão por Fricção (Skin Tear) - Tipo 3
- Rasgo de pele com perda total do retalho epidérmico/dérmico, deixando o leito da ferida inteiramente exposto.
- Deiscência cirúrgica
- Separação espontânea total ou parcial das bordas de uma incisão cirúrgica antes fechada, causada por isquemia, infecção ou tensão mecânica.
- Evisceração
- Complicação grave de deiscência cirúrgica abdominal, com protrusão e exposição visível das vísceras abdominais através da ferida cirúrgica rompida.
- Tecido de granulação
- Tecido vascularizado, brilhante e avermelhado formado por novos capilares e fibroblastos; sinal clássico de cicatrização ativa e saudável.
- Esfacelo (Slough)
- Massa amarelada, esbranquiçada ou acinzentada aderida ao leito, composta por fibrina, restos celulares e bactérias; requer desbridamento.
- Escara necrótica
- Placa de tecido morto ressecado, negro ou marrom-escuro, endurecida e coriácea, que bloqueia o processo proliferativo e deve ser removida se houver exsudato.
- Epitelização
- Fase final da cicatrização caracterizada por migração de queratinócitos a partir das bordas da lesão ou anexos cutâneos, recobrindo o leito granulado.
- Biofilme
- Comunidade microbiana envolta em matriz protetora extracelular fixada ao leito da ferida; confere alta resistência a antissépticos e antibióticos sistêmicos.
- Desbridamento mecânico
- Remoção física de tecidos desvitalizados por meio de força mecânica, como lavagem sob pressão, fricção suave ou técnica de gaze úmida a seca.
- Desbridamento instrumental cortante
- Remoção rápida de tecido necrótico acima da zona viável com uso de bisturi, pinça ou tesoura; realizado por profissional treinado e autorizado.
- Desbridamento autolítico
- Uso de curativos que retêm a umidade natural (como hidrogel), permitindo que enzimas endógenas corporais liquefaçam o tecido desvitalizado.
- Desbridamento enzimático
- Aplicação tópica de enzimas proteolíticas exógenas (como colagenase ou papaína) para degradar as fibras que ancoram o tecido necrótico ao leito.
- Hidrogel
- Cobertura primária à base de água e polímeros, indicada para hidratar leitos secos, amolecer esfacelo/necrose e favorecer desbridamento autolítico.
- Alginato de cálcio
- Cobertura derivada de algas marrons com alta capacidade de absorção e hemostasia leve; ao reagir com exsudato transforma-se em gel viscoso.
- Hidrocolóide
- Curativo autoadesivo impermeável a líquidos e bactérias, indicado para feridas com exsudato leve a moderado; promove ambiente úmido protetor.
- Espuma de poliuretano (Foam)
- Cobertura absorvente indicada para feridas exsudativas moderadas a abundantes; acolchoa a área e previne maceração das bordas.
- Prata nanocristalina / iônica
- Agente antimicrobiano de amplo espectro em curativos tópicos, indicado no manejo de feridas criticamente colonizadas ou clinicamente infectadas.
- Sulfadiazina de prata 1%
- Creme antibacteriano de amplo espectro largamente empregado no manejo de queimaduras de 2º e 3º grau para controle e prevenção de infecção.
- Terapia por Pressão Negativa (V.A.C.)
- Aplicação controlada de vácuo subatmosférico na lesão; reduz edema, drena exsudato excessivo, aproxima bordas e estimula mitose celular.
- Hipergranulação
- Proliferação excessiva de tecido de granulação além da linha da pele; impede o avanço da borda epitelial e pode exigir nitrato de prata tópico.
- Mapeamento TIME
- Framework clínico sistemático: T (tecido inviável), I (inflamação/infecção), M (manuseio da umidade) e E (avanço das bordas epiteliais).
- Dermatite Associada à Incontinência (DAI)
- Lesão superficial causada pelo contato repetido da pele com fezes e urina, manifestando-se por eritema brilhante difuso em áreas perianais e glúteas.
- Terapia de compressão inelástica (Bota de Unna)
- Bandagem impregnada com óxido de zinco usada para úlceras venosas ativas sem componente arterial obstrutivo; melhora o retorno venoso muscular.