Enfermagem em Reabilitação (Rede Sarah)
Conceitos e procedimentos de enfermagem em reabilitação motora e neurológica, destinados a técnicos da área.
Cartões · 52
- Mudança de decúbito
- Alternância periódica de posição a cada 2 horas para redistribuir a pressão cutânea e evitar lesões por pressão em pacientes acamados.
- Posicionamento funcional no leito
- Alinhamento das articulações em posições neutras com auxílio de coxins e travesseiros para prevenir contraturas e deformidades.
- Uso de coxim sob calcâneos
- Elevação dos pés com coxim sob as panturrilhas para deixar os calcanhares totalmente livres de pressão sobre o colchão.
- Prevenção do pé equino
- Uso de suporte plantar, órteses tornozelo-pé ou almofadas a 90 graus para evitar a flexão plantar fixa em pacientes acamados.
- Escala de Braden
- Avaliação do risco de lesão por pressão; o técnico atenta-se a escores baixos e reforça medidas de hidratação e alívio de pressão.
- Mobilização passiva no leito
- Movimentação articular realizada pela equipe em membros paralisados para manter amplitude articular e estimular a circulação.
- Mobilização ativa assistida
- Estímulo para que o próprio paciente inicie o movimento com suporte do profissional apenas para completar a amplitude.
- Hipotensão ortostática
- Queda súbita da pressão arterial ao verticalizar; o técnico deve elevar a cabeceira aos poucos e aferir sinais vitais antes de levantar.
- Treino de sedestação à beira-leito
- Colocar o paciente sentado apoiando os pés no chão ou banqueta; observar tônus postural, tontura e palidez antes da deambulação.
- Transferência do leito para a cadeira
- Travar rodas da cadeira, posicioná-la no lado são do paciente, apoiar pelve e orientar impulsão com segurança para evitar quedas.
- Cinto de transferência
- Dispositivo colocado na cintura do paciente para oferecer apoio firme e seguro ao profissional durante transferências.
- Disreflexia autonômica
- Emergência em lesão medular acima de T6 marcada por hipertensão severa e cefaleia; o técnico deve sentar o paciente e checar bexiga.
- Esvaziamento vesical no lesado medular
- Manutenção da sonda vesical pérvia e desobstruída para prevenir distensão vesical, principal gatilho de disreflexia autonômica.
- Cateterismo intermitente limpo (CIL)
- Procedimento para drenar urina em intervalos regulares; o técnico orienta higiene perineal estrita e monitora sinais de infecção urinária.
- Bexiga neurogênica
- Disfunção do controle vesical de origem neurológica; requer rigoroso balanço hídrico e controle dos horários de micção ou cateterismo.
- Intestino neurogênico
- Alteração no reflexo de evacuação; demanda estímulo reflexo programado, oferta hídrica adequada e massagem abdominal no sentido horário.
- Disfagia pós-AVE
- Dificuldade de deglutição; o técnico posiciona em Fowler a 90 graus, supervisiona refeições com consistência orientada e evita distrações.
- Sinais de broncoaspiração
- Tosse, engasgo, lacrimejamento e voz molhada durante a dieta; suspender a alimentação imediatamente e comunicar a enfermagem.
- Higiene oral no paciente disfágico
- Limpeza da cavidade bucal com gaze e aspiração antes e após as refeições para evitar proliferação bacteriana e aspiração pulmonar.
- Hemiparesia
- Fraqueza em um lado do corpo; o técnico deve vestir primeiro o membro afetado e despir primeiro o lado preservado.
- Heminegligência
- Incapacidade de perceber o lado paralisado; o técnico deve incentivar o paciente a olhar para o lado afetado e organizar o ambiente.
- Prevenção da subluxação do ombro
- Nunca puxar o paciente pelo braço paralisado durante transferências; manter o membro superior sempre apoiado em tipoia ou almofada.
- Espasticidade
- Aumento involuntário do tônus muscular; movimentos bruscos devem ser evitados; aplicar calor local morno quando prescrito para relaxar.
- Flacidez muscular
- Perda total de tônus muscular inicial; requer suporte postural cuidadoso nas articulações para não gerar estiramento ligamentar.
- Uso de órteses tipo tala
- Dispositivos para manter membros alinhados; o técnico deve inspecionar a pele sob a órtese diariamente em busca de hiperemia.
- Escala de Glasgow
- Avaliação do nível de consciência; o técnico avalia abertura ocular, resposta verbal e resposta motora para monitorar evolução neurológica.
- Afasia de Broca (motora)
- Dificuldade na articulação da fala com compreensão preservada; usar frases curtas, dar tempo de resposta e usar pranchas de comunicação.
- Afasia de Wernicke (sensorial)
- Dificuldade de compreensão verbal; comunicar-se com gestos claros, tom calmo e instruções visuais simples sem elevar o tom de voz.
- Manejo da apraxia
- Incapacidade de executar gestos motores aprendidos; guiar a mão do paciente em tarefas diárias simples de forma fragmentada.
- Prevenção de trombose venosa profunda (TVP)
- Colocação de meias de compressão elástica graduada, compressão pneumática intermitente e incentivo à hidratação conforme prescrição.
- Identificação de sinais de TVP
- Edema unilateral, calor, empastamento da panturrilha e dor à dorsiflexão do pé; comunicar a equipe imediatamente sem massagear o membro.
- Manejo de crise convulsiva
- Proteger a cabeça, lateralizar o corpo para evitar aspiração, afrouxar roupas apertadas e nunca introduzir objetos na boca do paciente.
- Pós-ictocítico
- Período de sonolência e confusão após convulsão; manter paciente em decúbito lateral de segurança, ofertar oxigênio se prescrito e monitorar.
- Uso de andador ortopédico
- Orientar avanço inicial do andador, seguido pelo membro acometido e depois o preservado; técnico permanece no lado enfraquecido.
- Uso de bengala canadense
- Posicionada no lado sadio para descarregar o peso do membro afetado; manter altura da empunhadura no nível do trocanter maior.
- Estimulação tátil e sensorial
- Aplicação de diferentes texturas e estímulos na pele desnervada durante o banho para promover neuroplasticidade e percepção corporal.
- Manutenção do coxim escapular
- Pequeno coxim colocado sob a escápula do lado parético para evitar a retração do ombro quando em decúbito dorsal.
- Uso de colchão pneumático
- Dispositivo de alívio de pressão dinâmico; o técnico deve verificar o funcionamento constante do compressor sem suspender as mudanças posturais.
- Treino de Atividades de Vida Diária (AVD)
- Incentivar autocuidado como pentear cabelo, escovar dentes e vestir-se, respeitando a autonomia e o tempo de resposta do paciente.
- Cuidado com o coto de amputação
- Enfaixamento compressivo em oito para moldagem, inspeção diária de integridade cutânea e estímulo ao posicionamento sem flexão fixa.
- Dor do membro fantasma
- Sensação de dor na parte amputada; validar o relato do paciente, administrar analgésicos prescritos e orientar massagem suave no coto.
- Adaptação de talheres
- Engrossamento de cabos de colheres e garfos para permitir a preensão por pacientes com perda de força e destreza manual.
- Prevenção de quedas no leito
- Manter grades laterais elevadas, cama em posição baixa com freios acionados e campainha ao alcance fácil do paciente.
- Cuidado na ataxia motora
- Falta de coordenação motora voluntária; apoiar o tronco durante a marcha, retirar tapetes e manter o trajeto livre de obstáculos.
- Marcha festinante no Parkinson
- Passos curtos e rápidos com tronco inclinado; orientar o paciente a dar passos largos, levantar os pés e focar em marcações visuais.
- Congelamento da marcha (Freezing)
- Bloqueio súbito do movimento ao caminhar; orientar o paciente a parar, respirar fundo e imaginar dar um passo por cima de um obstáculo.
- Tremor de repouso
- Tremor involuntário comum no Parkinson; oferecer suporte calmo nas atividades manuais e evitar apressar o paciente nas suas tarefas.
- Hidratação da pele em acamados
- Aplicação de loções com AGE na pele intacta para fortalecer a barreira cutânea, sem massagear proeminências ósseas hiperemiadas.
- Incontinência fecal associada
- Realizar higiene íntima imediata com sabão neutro e aplicação de creme barreira com óxido de zinco para prevenir dermatite.
- Orientação de segurança no banho
- Uso de cadeira de banho com travas, barras de apoio antiderrapantes e conferência da temperatura da água para evitar queimaduras sensoriais.
- Alinhamento cefálico em AVE
- Manter a cabeça alinhada com o tronco através de travesseiros finos para assegurar a ventilação e prevenir contratura cervical lateral.
- Registro de enfermagem na reabilitação
- Anotar detalhadamente no prontuário o grau de colaboração, tolerância à mobilização, episódios de dor, sinais vitais e evolução motora.