Realismo e Naturalismo Literário

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Estudo das características, principais autores e obras dos movimentos literários Realismo e Naturalismo. Destinado a estudantes do ensino médio e vestibulandos.

51 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Movimentos literários Publicado
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Cartões · 51

Contexto histórico do Realismo
Segunda metade do século XIX, marcado pela Revolução Industrial, cientificismo, positivismo e ascensão da burguesia.
Objetividade realista
Postura narrativa impessoal e analítica, em oposição ao sentimentalismo e idealismo românticos.
Crítica à burguesia
Desmistificação dos valores burgueses, denunciando a hipocrisia social, o casamento por interesse e a corrupção moral.
Determinismo no Naturalismo
Concepção de que o comportamento humano é determinado inexoravelmente pela hereditariedade genérica e pelo meio social.
Zoomorfização
Recurso naturalista que descreve seres humanos com instintos, reações e comportamentos animalescos.
Romance de tese
Narrativa concebida para comprovar empiricamente uma hipótese científica ou sociológica pré-estabelecida pelo autor.
Madame Bovary (1857)
Obra de Gustave Flaubert que inaugurou o Realismo na França, retratando o adultério e as ilusões pequeno-burguesas.
Gustave Flaubert
Escritor francês precursor do Realismo, famoso pelo rigor estético, pela busca da palavra exata e pela imparcialidade.
Émile Zola
Pai do Naturalismo francês, autor de Germinal e formulador do conceito de romance experimental.
Germinal (1885)
Obra-prima de Émile Zola sobre a greve de mineradores de carvão franceses e a luta de classes.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Romance de Machado de Assis que inaugurou o Realismo no Brasil através de um narrador defunto e irônico.
O Mulato (1881)
Romance de Aluísio Azevedo que marca o início do Naturalismo no Brasil, abordando preconceito racial e clericalismo.
Machado de Assis
Maior nome do Realismo brasileiro, célebre pela análise psicológica profunda, pessimismo sutil e ironia metalinguística.
Aluísio Azevedo
Principal expoente do Naturalismo brasileiro, autor focado em determinismo, patologias sociais e dinamismo coletivo.
O Cortiço (1890)
Romance naturalista de Aluísio Azevedo cujo protagonista coletivo é a própria habitação popular em transformação.
João Romão
Personagem de O Cortiço que personifica a ambição desmedida, o capitalismo predatório e a avareza mercantil.
Rita Baiana
Personagem de O Cortiço que encarna a sensualidade tropical e seduz Jerônimo, provocando sua degradação cultural.
Jerônimo
Trabalhador português de O Cortiço que se abrasileira e se degrada moralmente sob a influência do clima e da cachaça.
Pombinha
Personagem de O Cortiço cuja pureza inicial é corrompida pelo meio degradante, tornando-se prostituta de luxo.
Diferença: foco analítico
O Realismo foca na sondagem psicológica e moral do indivíduo; o Naturalismo foca na biologia, instintos e grupos humanos.
Positivismo e literatura
Influência de Auguste Comte que valorizava o método científico, os fatos concretos e a observação empírica da realidade.
Evolucionismo darwinista
Teoria da seleção natural absorvida pelo Naturalismo para justificar o triunfo do mais forte na disputa social.
Dom Casmurro (1899)
Romance machadiano centrado no ciúme obsessivo de Bentinho e na dúvida perpétua sobre a traição de Capitu.
Capitu
Protagonista feminina de Dom Casmurro, célebre pelos olhos de cigana oblíqua e dissimulada.
Bentinho / Dom Casmurro
Narrador em primeira pessoa não confiável, cuja visão paranoica molda toda a reconstrução dos fatos do livro.
Ezequiel
Filho de Capitu cuja semelhança física com Escobar desencadeia a ruptura definitiva com Bentinho.
Quincas Borba (1891)
Romance de Machado de Assis que satiriza o cientificismo através da filosofia do Humanitismo formulada por um louco.
Humanitismo
Filosofia fictícia em Quincas Borba que prega a lei da sobrevivência com o lema: Ao vencedor, as batatas!.
Rubião
Protagonista ingênuo de Quincas Borba que herda fortuna, muda-se para a corte e é explorado até a loucura.
Narrador machadiano
Intrusivo, digressivo, conversa abertamente com o leitor e rompe a linearidade narrativa clássica.
O Primo Basílio (1878)
Romance de Eça de Queirós que faz uma crítica impiedosa à hipocrisia da pequena burguesia lisboeta e ao adultério.
Eça de Queirós
Principal autor do Realismo-Naturalismo português, autor de sátiras sociais demolidoras e prosas estilizadas.
Os Maias (1888)
Obra-prima de Eça de Queirós que denuncia a decadência social portuguesa por meio de uma trágica história de incesto.
Luísa
Protagonista frívola de O Primo Basílio, moldada por leituras românticas que a conduzem à ruína moral.
Juliana
Empregada amarga de O Primo Basílio que chantageia a patroa Luísa após interceptar cartas de amor adúlteras.
O Crime do Padre Amaro (1875)
Romance inicial de Eça de Queirós que critica severamente a corrupção moral do clero católico no interior português.
Raul Pompeia
Autor brasileiro de O Ateneu, obra híbrida entre Realismo, Naturalismo e Impressionismo estilístico.
O Ateneu (1888)
Romance memorialista que critica o internato aristocrático como microcosmo hipócrita e corrompido da sociedade.
Sérgio
Narrador-protagonista de O Ateneu que relembra a perda de sua inocência infantil na dura rotina do colégio interno.
Aristarco Argolo de Ramos
Diretor vaidoso, opulento e moralista de O Ateneu, símbolo da hipocrisia e do marketing pessoal vazio.
Adolfo Caminha
Escritor naturalista cearense, pioneiro ao retratar homossexualidade e tensões urbanas cruas no Brasil.
Bom-Crioulo (1895)
Romance pioneiro de Adolfo Caminha que retrata abertamente a relação homoafetiva entre os marinheiros Amaro e Aleixo.
A Normalista (1893)
Obra de Adolfo Caminha que expõe a corrupção de costumes provincianos e o assédio sexual em Fortaleza.
Inglês de Sousa
Autor paraense que introduziu o Naturalismo no cenário amazônico, destacando-se pela obra O Missionário.
O Missionário (1891)
Romance de Inglês de Sousa sobre um padre idealista que sucumbe aos instintos carnais no ambiente isolado do Pará.
Linguagem realista
Clara, direta, culta, elegante e orientada pela contenção estilística e precisão vocabular.
Linguagem naturalista
Científica, sensorial, detalhista até o grotesco, com uso frequente de termos médicos e biológicos.
Patologias sociais
Foco temático do Naturalismo: alcoolismo, violência, histeria, promiscuidade e miséria urbana extrema.
Esquema da tríade determinista de Taine
Teoria formulada por Hippolyte Taine segundo a qual o homem resulta do meio, do momento histórico e da raça.
Personagem coletivo
Agrupamento de indivíduos que age e reage como um organismo único, característica central do Naturalismo.
Fim do ciclo do Realismo no Brasil
O movimento arrefece no início do século XX com a emergência do Pré-Modernismo e a Semana de Arte Moderna de 1922.

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