Realismo e Naturalismo para Provas
Conceitos, obras e características do Realismo e do Naturalismo para vestibulares e provas. O conjunto aborda autores como Machado de Assis e Aluísio Azevedo.
Cartões · 50
- Marco inicial do Realismo no Brasil (1881)
- Publicação de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', de Machado de Assis, rompendo com o sentimentalismo romântico através da ironia.
- Marco inicial do Naturalismo no Brasil (1881)
- Publicação de 'O Mulato', de Aluísio Azevedo, inaugurando o romance de tese com forte denúncia do preconceito racial no Maranhão.
- Diferença central: Realismo vs. Naturalismo
- O Realismo foca na análise psicológica e moral da burguesia; o Naturalismo prioriza o determinismo biológico e o instinto humano.
- Determinismo no Naturalismo
- Concepção filosófica de Hipólito Taine: o comportamento do ser humano é determinado pelo meio social, pela raça e pelo momento histórico.
- Zoomorfismo (Animalização)
- Recurso naturalista que descreve seres humanos com comportamentos, instintos carnais e reações típicas de animais irracionais.
- Romance de Tese
- Narrativa naturalista estruturada como experimento científico para comprovar uma teoria sociológica ou biológica pré-definida.
- Cientificismo do século XIX
- Influência direta do positivismo de Comte, do evolucionismo darwinista e das teorias médicas no método descritivo dos autores.
- Machado de Assis: Defunto autor
- Em 'Memórias Póstumas', Brás Cubas escreve após a morte, conquistando total liberdade para expor hipocrisias sem temer julgamentos.
- Teoria do Humanitismo (Quincas Borba)
- Sátira machadiana ao darwinismo social: resume-se em 'ao vencedor, as batatas', justificando a eliminação cruel do mais fraco.
- Foco narrativo em 'Dom Casmurro'
- Primeira pessoa não confiável. Bento Santiago, idoso e ciumento, molda o relato para convencer o leitor da traição de Capitu.
- Capitu e os 'olhos de ressaca'
- Metáfora de José Dias para o olhar oblíquo e dissimulado de Capitu, refletindo a ambiguidade feminina que atormenta Bentinho.
- Crítica à burguesia em Machado de Assis
- Desmascara o egoísmo, o casamento por conveniência, a vaidade fútil e a desumanização das relações sociais cariocas.
- O Cortiço: O verdadeiro protagonista
- A própria habitação coletiva funciona como organismo vivo, dinâmico e degradante que molda e corrompe as personagens.
- Metamorfose de Jerônimo em 'O Cortiço'
- O português trabalhador abandona família e moral ao ser seduzido pelo samba, pela cachaça e pela sensualidade de Rita Baiana.
- João Romão em 'O Cortiço'
- Personificação do capitalismo predatório e acumulação usurária, explorando a escrava Bertoleza para enriquecer.
- Bertoleza em 'O Cortiço'
- Símbolo da brutal exploração da mulher negra e escravizada; suicida-se ao descobrir que sua alforria era uma fraude.
- Pombinha em 'O Cortiço'
- Jovem pura e letrada do cortiço que, despertada sexualmente por Léonie, se transforma na mais refinada cortesã da cidade.
- 'O Ateneu', de Raul Pompeia
- Romance memorialista e impressionista que retrata o internato como microcosmo corruptor e autoritário da sociedade brasileira.
- Diretor Aristarco em 'O Ateneu'
- Símbolo da falsa moralidade pedagógica, do narcisismo burguês e da hipocrisia institucional da elite imperial.
- 'O Mulato' e a crítica social
- Aluísio Azevedo ataca o racismo enraizado na burguesia e a corrupção do clero provincial de São Luís do Maranhão.
- Raimundo em 'O Mulato'
- Homem educado na Europa, belo e ético, mas fatalmente rejeitado e assassinado devido ao estigma de sua ascendência negra.
- Objetivismo e distanciamento narrativo
- Postura realista de narrar fatos sem sentimentalismos, usando observação quase pericial dos vícios da sociedade.
- Crítica ao casamento burguês no Realismo
- A instituição é vista como mero contrato mercantil e fachada social mantida por aparências, adultérios velados e interesse.
- Linguagem no Naturalismo
- Uso de termos médicos, vocabulário cru, descrições fisiológicas explícitas e foco em odores, suor e excreções corporais.
- 'Casa de Pensão', de Aluísio Azevedo
- Inspirado no rumoroso 'Crime da Rua da Quitanda', mostra como a provinciana pensão do Rio engole o jovem Amâncio.
- Amâncio em 'Casa de Pensão'
- Estudante fraco e influenciável que sucumbe à exploração financeira e à chantagem de Madame Brizard e sua filha Amélia.
- Ironia fina de Machado de Assis
- Recurso retórico sutil que elogia para ridicularizar, convidando o leitor cúmplice a decifrar as entrelinhas ácidas.
- Digressão machadiana
- Interrupção frequente da narrativa pelo narrador para filosofar, dialogar com o leitor ou refletir sobre o ato de escrever.
- Ezequiel em 'Dom Casmurro'
- Filho de Capitu e Bentinho cuja semelhança física com Escobar alimenta a paranoia obsessiva e irreversível do pai.
- O adultério em 'O Primo Basílio' (Eça de Queirós)
- Luísa trai Jorge por puro tédio provinciano e ilusão folhetinesca, sendo depois chantageada pela criada Juliana.
- Juliana em 'O Primo Basílio'
- Empregada amargurada que canaliza seu ódio de classe torturando psicologicamente a patroa adúltera Luísa.
- Crítica à educação romântica em 'O Primo Basílio'
- Eça de Queirós condena a formação fútil das mulheres portuguesas, alienadas por leituras românticas açucaradas.
- 'O Crime do Padre Amaro' (Eça de Queirós)
- Romance de denúncia da corrupção moral, hipocrisia e fragilidade do celibato clerical católico em Leiria.
- Amélia em 'O Crime do Padre Amaro'
- Jovem beata e ingênua seduzida pelo padre Amaro, representando a vulnerabilidade do povo diante do poder clerical.
- 'Os Maias', de Eça de Queirós
- Afresco panorâmico da decadência da alta burguesia lisboeta por meio da tragédia do incesto entre Carlos e Maria Eduarda.
- Episódio dos 'Espelhos' em Machado de Assis
- No conto 'O Espelho', Jacobina define as duas almas humanas: uma interior e outra exterior, ditada pelo olhar dos outros.
- Conto 'A Cartomante' (Machado de Assis)
- Demonstração da fragilidade humana frente ao destino e à ilusão: Camilo confia na adivinha e acaba executado pelo marido traído.
- Conto 'Missa do Galo' (Machado de Assis)
- Obra-prima da sutileza psicológica que explora a tensão sensual velada entre Dona Conceição e o jovem Nogueira.
- Conto 'Pai contra Mãe' (Machado de Assis)
- Retrato cru da escravidão: Cândido Neves caça a escrava fugida Arminda para conseguir sustentar seu próprio filho recém-nascido.
- Patologia social no Naturalismo
- A sociedade é retratada como corpo doente repleto de histeria, ninfomania, alcoolismo, sífilis e taras hereditárias.
- Falta de livre-arbítrio no Naturalismo
- As personagens são marionetes governadas por hormônios, necessidades biológicas urgentes e coerção social.
- Tratamento do tempo no Realismo
- Abandona a linearidade estrita para adotar ritmo psicológico, reflexivo e associativo nas lembranças dos narradores.
- 'O Coruja', de Aluísio Azevedo
- Crítica impiedosa à hipocrisia social e à ambição sem escrúpulos na carreira política durante o Segundo Reinado.
- Espaço como agente transformador
- No Naturalismo, o ambiente degradado fisicamente degrada também os padrões morais e éticos de quem nele habita.
- Machado de Assis: Romantismo vs. Realismo
- Fase romântica (ex: 'Helena', 'Iaiá Garcia') tem linearidade e conciliação; fase realista traz ceticismo e pessimismo absoluto.
- Crítica ao Positivismo por Machado de Assis
- Machado ironiza a pretensão científica de decifrar plenamente a complexa e contraditória alma humana.
- Pessimismo machadiano
- Visão desenganada da existência: ausência de filhos para não transmitir a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
- A massa e a coletividade no Naturalismo
- A multidão é retratada em turbilhões instintivos e motins, agindo como um rebanho enfurecido sem razão individual.
- Fisiognomia e frenologia nas obras
- Descrição de traços anatômicos faciais ou cranianos como reflexos diretos do caráter criminoso ou depravado do indivíduo.
- Função da literatura para os realistas
- Desvelar a verdade oculta sob as aparências sociais sem a ingenuidade moralista da arte romântica tradicional.