Atos Administrativos - Cebraspe Policial
Estudo sobre atos administrativos voltado para concursos policiais da banca Cebraspe, contendo questões de certo ou errado com justificativas legais.
Cartões · 50
- A presunção de legitimidade dos atos administrativos é absoluta (juris et de jure).
- Errado. Trata-se de presunção relativa (juris tantum), cabendo prova em contrário por parte do administrado, com inversão do ônus da prova.
- A autoexecutoriedade está presente em absolutamente todos os atos administrativos.
- Errado. Nem todo ato goza de autoexecutoriedade; ela depende de expressa previsão em lei ou de situação de urgência, inexistindo na cobrança de multas.
- A imperatividade impõe obrigações a terceiros independentemente de sua concordância.
- Certo. Trata-se de atributo pelo qual o ato se impõe a terceiros de forma coercitiva, derivando diretamente do poder extroverso do Estado.
- A tipicidade impede a prática de atos totalmente inominados pela administração pública.
- Certo. A tipicidade impõe que o ato administrativo corresponda a figuras previamente definidas em lei para produzir os efeitos desejados.
- A competência, a finalidade e a forma são sempre elementos vinculados do ato administrativo.
- Certo. Segundo a doutrina majoritária, competência, finalidade e forma são sempre vinculados; motivo e objeto podem ser discricionários.
- O motivo do ato administrativo confunde-se com a motivação exteriorizada pela autoridade.
- Errado. Motivo é a situação fática e jurídica que autoriza o ato; motivação é a declaração escrita desses motivos pelo agente.
- Pela teoria dos motivos determinantes, a validade do ato vincula-se aos motivos invocados.
- Certo. Uma vez declarados os motivos pela autoridade, a validade do ato fica vinculada à existência e veracidade desses fundamentos.
- A competência administrativa pode ser objeto de renúncia voluntária pelo titular.
- Errado. A competência administrativa é irrenunciável, intransferível e indelegável em sua totalidade, admitindo apenas delegação e avocação parciais.
- É permitida a delegação de competência para a edição de atos de caráter normativo.
- Errado. Conforme o art. 13 da Lei 9.784/1999, não podem ser delegados atos normativos, decisão de recursos e matérias de competência exclusiva.
- A avocação de competência administrativa prescinde de justificativa e de caráter temporário.
- Errado. A avocação é medida excepcional, temporária, restrita a órgãos subordinados e deve ser respaldada por motivos relevantes e devidamente justificados.
- O vício de forma é insanável, gerando obrigatoriamente a anulação do ato administrativo.
- Errado. O vício de forma admite convalidação, desde que a forma desrespeitada não seja elemento essencial à validade do ato legal.
- A revogação de um ato administrativo incide sobre atos válidos por conveniência e oportunidade.
- Certo. A revogação baseia-se no mérito administrativo, incidindo sobre atos perfeitamente válidos e eficazes, operando efeitos ex nunc.
- A anulação de ato administrativo com vício de ilegalidade produz efeitos retroativos (ex tunc).
- Certo. Declarada a ilegalidade do ato, a anulação retroage à sua origem, ressalvados direitos adquiridos de terceiros de boa-fé.
- O Poder Judiciário pode revogar atos do Poder Executivo caso entenda que são inoportunos.
- Errado. O Judiciário não aprecia o mérito administrativo de outros poderes; ele apenas anula atos ilegais ou revoga seus próprios atos internos.
- Atos consumados ou que geraram direito adquirido não são passíveis de revogação.
- Certo. A doutrina e a jurisprudência vedam a revogação de atos consumados, exauridos, vinculados ou que tenham gerado direito adquirido.
- A convalidação do ato com defeito sanável possui efeitos meramente prospectivos (ex nunc).
- Errado. A convalidação opera com efeitos retroativos (ex tunc), validando o ato defeituoso desde o momento de sua edição original.
- Vícios no motivo e na finalidade do ato administrativo admitem convalidação.
- Errado. Vícios de finalidade (desvio de poder) e de motivo são sempre insanáveis, gerando nulidade e inadmitindo convalidação.
- A caducidade ocorre quando sobrevém norma jurídica que torna inválido o ato antes perfeito.
- Certo. A caducidade (ou derrogação) resulta da perda de validade do ato em razão de legislação superveniente incompatível com a situação.
- A cassação extingue o ato em razão do descumprimento de condições impostas pelo particular.
- Certo. Trata-se de extinção aplicada como sanção administrativa quando o beneficiário descumpre condições legalmente fixadas para a manutenção do ato.
- A contraposição extingue ato anterior por emissão de novo ato de efeitos antagônicos.
- Certo. Também chamada de derrubada, a contraposição ocorre quando um ato novo e oposto extingue o anterior, como a exoneração extingue a nomeação.
- A autorização é ato unilateral, discricionário e precário que atende ao interesse do particular.
- Certo. Por ser discricionária e precária, a autorização pode ser revogada pela administração pública a qualquer momento sem indenização.
- A licença é ato administrativo discricionário concedido conforme juízo de oportunidade.
- Errado. A licença é ato unilateral e estritamente vinculado; se o particular preencher todos os requisitos legais, tem direito subjetivo à sua obtenção.
- A permissão de serviço público é ato administrativo unilateral e de caráter discricionário.
- Errado. Conforme a CF/88 e a Lei 8.987/1995, a permissão de serviço público é contrato administrativo celebrado por meio de licitação.
- Portarias, circulares e instruções normativas são classificados como atos ordinatórios.
- Errado. Instruções normativas são atos normativos; portarias e circulares enquadram-se predominantemente como atos ordinatórios.
- Pareceres e certidões classificam-se tecnicamente como atos administrativos enunciativos.
- Certo. Atos enunciativos são aqueles em que a administração atesta, certifica ou emite juízo de valor técnico sem criar direitos novos diretamente.
- O parecer jurídico vincula integralmente a decisão da autoridade caso possua caráter facultativo.
- Errado. O parecer facultativo não obriga a autoridade administrativa a seguir sua conclusão, servindo apenas como auxílio técnico à decisão.
- A decadência do direito da administração anular atos favoráveis prescreve em 5 anos, salva má-fé.
- Certo. Conforme o art. 54 da Lei 9.784/1999, o prazo de decadência é de 5 anos para atos com efeitos favoráveis ao destinatário de boa-fé.
- O silêncio administrativo é, por regra geral, considerado como ato administrativo tácito de deferimento.
- Errado. O silêncio da administração é fato administrativo. Somente produz efeitos jurídicos materiais de deferimento se houver expressa lei nesse sentido.
- A exoneração de servidor efetivo possui natureza punitiva decorrente de processo disciplinar.
- Errado. A exoneração não tem caráter punitivo; a penalidade disciplinar extintiva do cargo é a demissão.
- A homologação é ato administrativo discricionário de controle a priori de atos pretéritos.
- Errado. A homologação é ato vinculado e de controle a posteriori, verificando a regularidade e conformidade legal de ato já praticado.
- No desvio de poder ou de finalidade, o agente atua fora dos limites de sua competência legal.
- Errado. No desvio de finalidade, o agente atua dentro de sua competência material, mas busca objetivo alheio ao interesse público ou à lei.
- O excesso de poder configura vício atinente ao elemento competência do ato administrativo.
- Certo. O excesso de poder ocorre quando a autoridade ultrapassa as atribuições legais a ela delimitadas pelo ordenamento jurídico.
- Ato inexistente é aquele que reúne aparência formal de validade mas possui defeito remediável.
- Errado. O ato inexistente contém vício tão aberrante (ex.: usurpador de função) que é juridicamente natimorto, incapaz de produzir efeitos ou convalidar.
- A revogação de ato administrativo pode ter eficácia retroativa por decisão fundamentada.
- Errado. A revogação produz unicamente efeitos prospectivos (ex nunc), preservando todos os efeitos pretéritos gerados durante sua vigência regular.
- Os atos de gestão caracterizam-se pelo uso de prerrogativas estatais e autoridade soberana.
- Errado. Atos de império utilizam a supremacia estatal; atos de gestão são praticados sem supremacia, em patamar de igualdade com o particular.
- Ato administrativo simples é aquele emitido pela vontade autônoma de um único órgão estatal.
- Certo. O ato simples decorre da manifestação de um único órgão, unipessoal ou colegiado, independentemente do número de agentes que o componham.
- O ato composto resulta da conjugação da manifestação de dois órgãos autônomos para sua perfeição.
- Errado. No ato composto há um ato principal emitido por um órgão e um ato acessório instrumental que o aprova; dois órgãos em pé de igualdade formam ato complexo.
- A nomeação de ministro do STF constitui exemplo clássico de ato administrativo complexo.
- Certo. Exige a indicação pelo Presidente da República somada à aprovação pelo Senado Federal para formar um ato único e integrado.
- O mérito administrativo abrange o exame da conveniência e da oportunidade pelo administrador.
- Certo. O mérito é a margem de liberdade conferida pela lei à autoridade pública dentro dos limites da razoabilidade e proporcionalidade.
- O controle judicial do ato discricionário veda a análise da proporcionalidade da medida aplicada.
- Errado. O Judiciário pode aferir a razoabilidade e a proporcionalidade sob a ótica da legalidade em sentido amplo, vedado adentrar o mérito estrito.
- A conversão de atos nulos aproveita elementos materiais para a formação de um novo ato válido.
- Certo. A conversão é espécie de superação de nulidade em que a administração transmuda um ato originariamente inválido em outro de categoria diversa.
- O desfazimento de ato administrativo ilegal após 10 anos independe de contraditório prévio.
- Errado. A invalidação que repercuta na esfera de direitos de terceiros exige prévia instauração de processo administrativo com contraditório e ampla defesa.
- O alvará é a forma externa pela qual se instrumentalizam licenças e autorizações administrativas.
- Certo. O alvará é o instrumento ou veículo formal materializador pelo qual a autoridade manifesta a concessão de licença ou autorização.
- A eficácia é a idoneidade formal que torna o ato imediatamente apto a produzir seus efeitos jurídicos.
- Certo. Eficácia diz respeito à aptidão fática e jurídica imediata do ato para produzir efeitos sem a pendência de condição ou termo suspensivo.
- O ato pendente é aquele que esgotou todos os trâmites mas aguarda evento futuro e incerto.
- Certo. O ato pendente encontra-se sujeito à ocorrência de condição suspensiva (evento futuro e incerto) ou termo para que produza eficácia.
- Ato nulo gera direito adquirido caso o destinatário desconhecesse o vício de ilegalidade.
- Errado. Atos ilegais não criam direito adquirido; a boa-fé do particular serve para proteger indenizações e proteger efeitos fáticos consumados perante terceiros.
- A multa de trânsito goza de autoexecutoriedade imediata com expropriação forçada de bens.
- Errado. A multa administrativa ostenta imperatividade e exigibilidade, mas não autoexecutoriedade, exigindo execução fiscal judicial para cobrança forçada.
- O ato praticado com usurpação de função pública é reputado como ato anulável sanável.
- Errado. Trata-se de crime e vício gravíssimo que torna o ato juridicamente inexistente, impossibilitando qualquer espécie de saneamento.
- A renúncia extingue o ato administrativo quando o próprio beneficiário abre mão de sua prerrogativa.
- Certo. A renúncia é hipótese extintiva voluntária formalizada pelo próprio particular titular do direito ou situação jurídica atribuída pelo ato.
- Atos administrativos praticados por concessionárias de serviços públicos possuem presunção de veracidade.
- Certo. Ao exercerem função delegada pelo Estado no regime público, os atos das delegatárias gozam de prerrogativas estatais compatíveis, inclusive a presunção.