Liberdade Provisória no Direito Processual Penal
Estudo sobre liberdade provisória no direito processual penal, cobrindo requisitos, hipóteses legais e exemplos práticos para estudantes e concurseiros.
Cartões · 100
- O que é liberdade provisória?
- É um instituto processual penal que permite ao acusado aguardar o processo em liberdade, com ou sem condições.
- Qual é a natureza jurídica da liberdade provisória?
- É um direito subjetivo do acusado, vinculado ao princípio da presunção de inocência.
- Qual princípio constitucional fundamenta a liberdade provisória?
- O princípio da presunção de não culpabilidade ou presunção de inocência (artigo 5º, LVII, CF).
- A liberdade provisória pode ser concedida com ou sem fiança?
- Sim, a legislação prevê modalidades com fiança e sem fiança.
- Qual a diferença entre liberdade provisória e relaxamento de prisão?
- O relaxamento ocorre quando a prisão é ilegal; a liberdade provisória aplica-se à prisão legal.
- Qual a diferença entre liberdade provisória e revogação da prisão preventiva?
- Revoga-se a preventiva quando somem seus requisitos; a liberdade provisória evita que a prisão em flagrante se converta em preventiva.
- Quem pode conceder liberdade provisória com fiança na fase policial?
- O delegado de polícia, nos crimes cuja pena máxima privativa de liberdade não seja superior a 4 anos.
- Em quais casos o delegado não pode arbitrar fiança?
- Quando a pena máxima do crime for superior a 4 anos ou em infrações inafiançáveis.
- Quem decide sobre a liberdade provisória se a pena máxima for superior a 4 anos?
- O juiz competente.
- O que é a liberdade provisória obrigatória?
- Ocorre nas hipóteses em que o réu responde em liberdade por lei, como nas infrações com pena de multa isolada.
- O que é liberdade provisória permitida?
- É a regra geral aplicável quando ausentes os requisitos da prisão preventiva.
- O que é liberdade provisória vedada?
- É a proibição legal de concessão do benefício, embora a jurisprudência atual considere quase todas essas vedações inconstitucionais.
- Quais são os crimes inafiançáveis previstos na Constituição Federal?
- Racismo, tortura, tráfico, terrorismo, hediondos e ação de grupos armados contra a ordem constitucional.
- A inafiançabilidade de um crime impede a concessão de liberdade provisória sem fiança?
- Não. O STF entende que crime inafiançável pode receber liberdade provisória sem fiança, se ausentes requisitos da preventiva.
- Qual o papel das medidas cautelares diversas da prisão?
- Substituir a prisão preventiva, garantindo a aplicação da lei penal e instrução sem privar totalmente a liberdade.
- Cite um exemplo de medida cautelar diversa da prisão.
- Monitoramento eletrônico (tornozeleira eletrônica) ou recolhimento domiciliar noturno.
- O que ocorre se o beneficiário descumprir as obrigações da liberdade provisória?
- Pode ter a medida revogada e a prisão preventiva decretada.
- O que é fiança criminal?
- É uma caução em dinheiro, pedras preciosas ou títulos para garantir o cumprimento das obrigações processuais.
- Qual é a finalidade do valor pago a título de fiança?
- Pagar custas, indenização do dano, multa e prestação pecuniária em caso de condenação.
- O que acontece com o valor da fiança se o réu for absolvido?
- O valor é restituído atualizado ao réu, deduzidas eventuais custas.
- O que configura o quebramento da fiança?
- Mudar de residência sem permissão, descumprir medida cautelar ou praticar nova infração penal dolosa.
- Quais as consequências do quebramento injustificado da fiança?
- Perda de metade do valor arbitrado e possibilidade de decretação da prisão preventiva.
- O que é a perda total da fiança?
- Ocorre quando o condenado não se apresenta para o início do cumprimento da pena definitiva.
- O acusado miserável pode obter liberdade provisória sem pagar fiança?
- Sim. O juiz pode isentar o réu do pagamento da fiança se comprovada sua hipossuficiência financeira.
- Qual o prazo para realização da audiência de custódia após a prisão?
- Até 24 horas após a realização da prisão em flagrante.
- O que o juiz analisa na audiência de custódia?
- A legalidade da prisão, eventual ocorrência de maus-tratos e a necessidade de manutenção da prisão ou concessão de liberdade.
- Quais opções o juiz tem na audiência de custódia?
- Relaxar a prisão ilegal, converter em preventiva, conceder liberdade provisória ou aplicar medidas cautelares.
- Quais são os requisitos fundamentais para a decretação da prisão preventiva?
- Garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.
- Se não houver requisitos para a prisão preventiva, o que o juiz deve fazer?
- Conceder a liberdade provisória ao acusado.
- A gravidade abstrata do crime justifica o indeferimento da liberdade provisória?
- Não. É exigida fundamentação concreta baseada nos elementos dos autos.
- O que significa presunção de inocência no contexto cautelar?
- Significa que a prisão antes do trânsito em julgado é exceção e exige motivação idônea.
- A primariedade e os bons antecedentes garantem liberdade provisória automática?
- Não garantem de forma absoluta, mas são fatores favoráveis importantes na avaliação do juiz.
- O que é liberdade provisória vinculada?
- É aquela sujeita ao cumprimento de certas obrigações impostas pelo juiz ou pela lei.
- O que é liberdade provisória plena (ou sem vinculação)?
- É aquela concedida sem a imposição de condições adicionais além dos atos do processo.
- A excludente de ilicitude autoriza a concessão de liberdade provisória?
- Sim. Se o juiz constatar que o réu agiu em legítima defesa ou estado de necessidade, deve conceder a liberdade.
- Qual artigo do Código de Processo Penal trata da excludente de ilicitude na liberdade provisória?
- Artigo 310, inciso I, do Código de Processo Penal.
- O réu reincidente pode obter liberdade provisória?
- Sim, desde que não estejam presentes os requisitos autorizadores da prisão preventiva.
- A proibição de ausentar-se da comarca é uma medida cautelar alternativa?
- Sim, prevista no artigo 319, inciso IV, do CPP.
- O recolhimento domiciliar no período noturno exige qual condição?
- Que o acusado tenha residência e trabalho fixos.
- A suspensão do exercício de função pública pode ser aplicada junto com a liberdade provisória?
- Sim, como medida cautelar alternativa quando houver justo receio de sua utilização para práticas ilícitas.
- O que é o 'fumus comissi delicti'?
- É a comprovação da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
- O que é o 'periculum libertatis'?
- É o perigo concreto que a permanência do acusado em liberdade representa para o processo ou para a sociedade.
- Sem a presença concomitante de fumus comissi delicti e periculum libertatis, o que ocorre?
- Deve ser concedida a liberdade provisória.
- Como é fixado o valor da fiança pelo juiz ou delegado?
- Com base na gravidade da infração, vida egressa, vida financeira e estrutura econômica do réu.
- O valor da fiança pode ser reduzido pelo juiz?
- Sim, em até dois terços, dependendo da situação econômica do preso.
- O valor da fiança pode ser aumentado pelo juiz?
- Sim, pode ser aumentado em até 1.000 vezes se a situação econômica do réu assim exigir.
- Quais bens podem ser prestados como fiança?
- Moeda corrente, pedras, objetos ou metais preciosos, e títulos da dívida pública.
- O que significa ser fiador de si mesmo?
- É uma expressão para o próprio acusado que presta a fiança em seu benefício.
- Quem pode prestar fiança em favor do réu?
- O próprio réu ou qualquer outra pessoa em seu nome.
- Cabe recurso contra a decisão que nega a liberdade provisória?
- Sim, cabe Habeas Corpus ou Recurso em Sentido Estrito (RESE) dependendo do caso.
- O Ministério Público pode recorrer da decisão que concede liberdade provisória?
- Sim, por meio de Recurso em Sentido Estrito (RESE).
- O recurso do Ministério Público contra a liberdade provisória tem efeito suspensivo?
- Em regra não, o réu aguarda o julgamento do recurso em liberdade.
- A prisão em flagrante mantida sem análise de preventiva converte-se em quê?
- Prisão ilegal, devendo ser relaxada.
- A simples falta de endereço fixo justifica a negação da liberdade provisória?
- Não, isoladamente não é fundamento suficiente para manter a prisão.
- A prisão temporária pode ser convertida em liberdade provisória?
- Na verdade, ao fim do prazo da temporária, o investigado é posto em liberdade se não decretada a preventiva.
- O réu que cumpre liberdade provisória pode viajar para o exterior?
- Apenas se autorizado pelo juiz, podendo haver retenção do passaporte como medida cautelar.
- Qual a relação entre liberdade provisória e a Lei Maria da Penha?
- Pode ser concedida, mas geralmente acompanhada de medidas protetivas de urgência, como o afastamento do lar.
- O descumprimento de medida protetiva de urgência permite a decretação de preventiva?
- Sim, expressamente autorizado pelo CPP e pela Lei Maria da Penha.
- É cabível liberdade provisória nos crimes hediondos?
- Sim, o STF declarou inconstitucional a proibição genérica de liberdade provisória nesses crimes.
- O que é a fiança cassada?
- É a fiança tornada sem efeito por ter sido concedida em infração inafiançável ou por erro na classificação do crime.
- O que acontece quando a fiança é declarada sem efeito?
- O valor é devolvido e analisa-se a necessidade de preventiva ou novas cautelares.
- O que é a fiança julgada perdida?
- É a perda integral do valor em razão de o condenado não se apresentar para cumprir a pena.
- Qual o efeito da absolvição quanto à fiança?
- A fiança é totalmente restituída ao réu, deduzidos os encargos legais.
- Qual o efeito do arquivamento do inquérito quanto à fiança?
- O valor pago a título de fiança é devolvido integralmente ao depositante.
- A liberdade provisória extingue a punibilidade?
- Não, apenas permite que o réu responda ao processo em liberdade.
- O juiz pode impor liberdade provisória de ofício na fase de inquérito?
- A legislação atual proíbe decretação de medidas cautelares de ofício pelo juiz, exigindo provocação.
- O Ministério Público pode opinar sobre a liberdade provisória na audiência de custódia?
- Sim, manifesta-se antes da decisão do juiz.
- A defesa técnica por advogado é obrigatória na audiência de custódia?
- Sim, a presença de advogado constituído ou Defensor Público é indispensável.
- O que ocorre se não houver defensor na audiência de custódia?
- A audiência e os atos decorrentes podem ser anulados.
- Medida cautelar de comparecimento periódico em juízo serve para quê?
- Para informar e justificar as atividades do acusado perante o juiz.
- Qual a duração máxima de uma medida cautelar alternativa?
- Não há prazo fixo na lei, devendo durar o tempo necessário enquanto persistir a necessidade.
- A imposição de tornozeleira eletrônica viola a dignidade humana?
- Não, a jurisprudência entende ser uma alternativa razoável e menos gravosa que a prisão.
- O que é o princípio da proporcionalidade na liberdade provisória?
- A medida cautelar deve ser adequada e proporcional à gravidade do crime e à pena provável.
- Se a pena provável for de regime aberto, pode-se manter o réu preso cautelarmente?
- Não, pela proibição de manter prisão cautelar mais severa que a sanção final provável (homogeneidade).
- O que é o princípio da homogeneidade das medidas cautelares?
- A medida cautelar não pode ser mais gravosa do que a própria pena a ser aplicada no final do processo.
- A liberdade provisória pode ser cassada se surgirem novos fatos?
- Sim, se surgirem motivos que justifiquem a prisão preventiva.
- Como fica a fiança se o réu for condenado mas a pena for convertida em restritiva de direitos?
- O valor serve para pagar a prestação pecuniária e custas, devolvendo-se o restante.
- Qual a competência para julgar pedido de liberdade provisória durante a instrução?
- Do juiz do processo competente para a causa.
- A falta de laudo pericial definitivo impede a concessão de liberdade provisória no tráfico?
- Não, a análise fundamenta-se nos requisitos cautelares do artigo 312 do CPP.
- O uso de entorpecente para consumo próprio autoriza fiança pelo delegado?
- Sim, é infração de menor potencial ofensivo, e sequer cabe prisão em flagrante se assumir compromisso.
- A menoridade relativa do réu influencia no pedido de liberdade provisória?
- Pode ser considerada na avaliação do perfil e das garantias de aplicação da lei penal.
- A existência de ocupação lícita favorece o pedido de liberdade provisória?
- Sim, demonstra vínculo formal e reduz o risco de reiteração criminosa ou fuga.
- Exemplo prático: Motorista embriagado que causa acidente sem vítima tem fiança arbitrada por quem?
- Pelo delegado de polícia, caso a pena máxima do crime não ultrapasse 4 anos.
- Exemplo prático: Réu primário preso furcando um celular sem violência deve receber qual medida?
- Concessão de liberdade provisória com ou sem medidas cautelares, por ausência de perigo concreto.
- Exemplo prático: Suspeito preso por furto qualificado pagou fiança de 2 salários mínimos. Quem arbitrou?
- O delegado ou o juiz, dependendo da soma das penas e circunstâncias do caso.
- Exemplo prático: Suspeito de roubo a mão armada tem direito automático a liberdade provisória?
- Não automático; exige-se análise da gravidade concreta e riscos à ordem pública.
- Exemplo prático: Réu solto sob fiança muda de endereço sem avisar o juiz. Qual a consequência?
- Quebramento da fiança, perda de 50% do valor e possível decretação de prisão.
- Exemplo prático: Réu liberado com monitoramento eletrônico retira o equipamento por conta própria. O que ocorre?
- Revogação da liberdade provisória e decretação da prisão preventiva por descumprimento de medida.
- Exemplo prático: Pessoa presa por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido pode ter fiança arbitrada?
- Sim, pelo delegado de polícia, pois a pena máxima é de 4 anos.
- Exemplo prático: Acusado preso por estelionato prova ser arrimo de família e sem antecedentes. Resultado provável?
- Concessão de liberdade provisória, por ausência de requisitos para preventiva.
- Exemplo prático: Réu sob liberdade provisória é flagrado cometendo novo crime doloso. O que acontece com a fiança?
- Considera-se quebrada a fiança e decreta-se a preventiva.
- Exemplo prático: Vítima de violência doméstica obtém medida protetiva; agressor é solto com qual condição?
- Proibição de aproximação e contato com a vítima, sob pena de prisão preventiva imediata.
- Exemplo prático: Réu pobre é preso por receptação. Não tem dinheiro para a fiança. O que o juiz faz?
- Isenta o pagamento da fiança e concede a liberdade provisória nos termos do art. 350 do CPP.
- Exemplo prático: Preso em flagrante aguarda 48 horas sem audiência de custódia sem justificativa. Consequência?
- A prisão torna-se ilegal por excesso de prazo na apresentação, ensejando relaxamento.
- Exemplo prático: Réu absolvido no tribunal do júri após ficar solto mediante fiança. O que ocorre com o dinheiro?
- O valor atualizado é devolvido integralmente a quem prestou a fiança.
- Exemplo prático: Empresário preso por crime tributário tem fiança fixada em valor elevado. Qual o critério?
- A sua capacidade financeira e a elevada extensão do dano econômico causado.
- Exemplo prático: Réu em liberdade provisória precisa viajar a trabalho por 20 dias. O que deve fazer?
- Peticionar ao juiz solicitando autorização prévia para se ausentar da comarca.
- Exemplo prático: Motorista que mata culposamente no trânsito e presta socorro pode ser preso em flagrante?
- Não se imporá prisão em flagrante nem se exigirá fiança se prestar pronto socorro à vítima.
- Onde está prevista a vedação de prisão em flagrante do motorista que presta socorro?
- No artigo 301 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
- A concessão de liberdade provisória exige trânsito em julgado?
- Não, ela ocorre justamente durante a fase investigativa ou no decorrer da ação penal.