Organização Criminosa para Concursos
Este conjunto aborda os conceitos-chave, critérios legais e pegadinhas da Lei 12.850/13 sobre organização criminosa. É destinado a candidatos que estudam para concursos públicos no Brasil.
Cartões · 100
- Qual é o número mínimo de pessoas para configurar Organização Criminosa (Lei 12.850/13)?
- Associação de 4 (quatro) ou mais pessoas.
- Qual é o requisito quanto à estrutura para configurar organização criminosa?
- Estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente.
- Qual é o critério de pena máxima dos crimes visados pela organização criminosa?
- Penas máximas superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.
- Qual é a finalidade específica exigida no conceito de organização criminosa?
- Objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza.
- A vantagem visada pela organização criminosa precisa ser estritamente patrimonial?
- Não, a lei expressamente prevê vantagem de qualquer natureza (política, moral, etc.).
- Qual é a pena cominada para o crime de promover, constituir ou integrar organização criminosa?
- Reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas dos crimes praticados.
- A Lei 12.850/13 se aplica a infrações conexas previstas em tratados internacionais?
- Sim, quando iniciadas no país e com resultado no exterior, ou reciprocamente.
- A Lei 12.850/13 se aplica às organizações terroristas?
- Sim, aplica-se a organizações terroristas reconhecidas pelo direito internacional ou pela ONU.
- Quem impede ou embaraça investigação de infração que envolva organização criminosa comete crime?
- Sim, responde nas mesmas penas (reclusão de 3 a 8 anos e multa) do art. 2º, caput.
- Qual é a majorante pelo emprego de arma de fogo na organização criminosa?
- Aumenta-se a pena até a metade.
- Qual é o aumento de pena se houver participação de criança ou adolescente?
- Aumenta-se a pena de 1/6 a 2/3.
- Qual é o aumento de pena se houver concurso de funcionário público mantido pela organização?
- Aumenta-se a pena de 1/6 a 2/3.
- Qual é o aumento se a organização destinar produtos ou proveitos ao exterior?
- Aumenta-se a pena de 1/6 a 2/3.
- Qual é o aumento se houver conexão da organização com outras organizações criminosas independentes?
- Aumenta-se a pena de 1/6 a 2/3.
- Qual é o aumento se as circunstâncias revelarem transnacionalidade da organização?
- Aumenta-se a pena de 1/6 a 2/3.
- O que ocorre com a pena de quem exerce o comando individual ou coletivo da organização?
- A pena é agravada para quem exerce o comando, ainda que não pratique atos de execução.
- A condenação transitada em julgado acarreta perda do cargo público para funcionário?
- Sim, acarreta a perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo de forma automática.
- Qual é o prazo de interdição para exercício de função pública após condenação transitada?
- Interdição pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.
- Quando o juiz pode decretar o afastamento cautelar de funcionário público indiciado?
- Havendo indícios suficientes, quando a medida for necessária à investigação ou instrução.
- O afastamento cautelar de funcionário público investigado gera prejuízo de sua remuneração?
- Não, o afastamento se dá sem prejuízo da remuneração.
- Lideranças de organizações criminosas armadas iniciam cumprimento de pena em qual regime?
- Iniciam em estabelecimentos penais de segurança máxima.
- Condenado expressamente em sentença por integrar organização criminosa armada tem direito à progressão?
- Não terá progressão de regime nem livramento se mantidos vínculos associativos comprovados.
- A colaboração premiada é meio de prova ou meio de obtenção de prova?
- É negócio jurídico processual e meio de obtenção de prova.
- A colaboração premiada exige renúncia ao direito ao silêncio?
- Sim, o colaborador renuncia ao silêncio quanto aos fatos objeto da colaboração.
- O colaborador deve prestar compromisso de dizer a verdade?
- Sim, perante a autoridade judicial ele é obrigado a dizer a verdade.
- Quais benefícios podem ser concedidos na colaboração premiada eficaz?
- Perdão judicial, redução da pena em até 2/3 ou substituição por restritiva de direitos.
- O MP pode deixar de propor a ação penal se o colaborador não for o líder e for o primeiro a delatar?
- Sim, desde que não seja o líder e seja o primeiro a prestar efetiva colaboração.
- Qual é o prazo para o MP oferecer denúncia se não houver acordo de não oferecimento?
- O MP pode propor ação penal imediatamente caso não haja acordo de não denúncia.
- O delegado de polícia pode celebrar termo de colaboração premiada na fase de inquérito?
- Sim, com manifestação (não vinculante) do Ministério Público.
- O juiz pode participar das negociações do acordo de colaboração premiada?
- Não, é vedada expressamente a participação do magistrado nas negociações.
- Qual é o papel do juiz ao analisar o termo de colaboração premiada?
- Limita-se a homologar, verificando regularidade, legalidade e voluntariedade.
- O juiz pode recusar a homologação da colaboração premiada?
- Sim, se a proposta não atender aos requisitos legais, devolvendo às partes para adequação.
- A sentença condenatória pode ser fundamentada exclusivamente nas declarações do colaborador?
- Não, nenhuma sentença condenatória será proferida apenas com base nas declarações.
- Medidas cautelares ou recebimento de denúncia podem basear-se apenas no depoimento do colaborador?
- Não, a Lei 12.850 veda cautelares, denúncia ou sentença fundadas apenas nessas declarações.
- Até que momento o colaborador e a acusação podem retratar-se da proposta de colaboração?
- Podem retratar-se antes da homologação judicial do acordo.
- Em caso de retratação do acordo, as provas autoincriminatórias podem ser usadas contra o colaborador?
- Não, nenhuma das provas produzidas pelo colaborador poderá ser usada exclusivamente contra ele.
- O termo de colaboração premiada fica em sigilo até quando?
- Em regra, até o recebimento da denúncia.
- O delatado tem direito de se manifestar após o colaborador nas alegações finais?
- Sim, conforme entendimento pacificado pelo STF para garantir ampla defesa e contraditório.
- O que é ação controlada na Lei 12.850/13?
- Retardar a intervenção policial ou administrativa para concretizá-la no momento mais eficaz.
- A ação controlada na Lei 12.850/13 exige prévia autorização judicial?
- Não exige autorização, mas exige comunicação prévia ao juiz competente.
- A ação controlada na Lei de Drogas (11.343/06) exige autorização judicial?
- Sim, diferentemente da Lei 12.850/13, na Lei de Drogas exige-se prévia autorização judicial.
- O juiz pode fixar limites e condições à ação controlada comunicada?
- Sim, o juiz competente fixará os limites da ação e comunicará ao MP.
- A ação controlada que envolva transposição de fronteiras depende de quê?
- Depende de cooperação jurídica internacional e prévia autorização judicial nacional.
- A infiltração de agentes de polícia depende de prévia autorização judicial?
- Sim, depende de representação do delegado ou requerimento do MP e autorização judicial.
- Qual é o prazo máximo inicial da infiltração presencial de agentes de polícia?
- Prazo de até 6 (seis) meses, prorrogável por períodos sucessivos se comprovada a necessidade.
- A infiltração é cabível se a prova puder ser obtida por outros meios disponíveis?
- Não, é subsidiária e só cabe se não houver outros meios de prova disponíveis.
- O agente infiltrado responde pelos crimes praticados durante a operação?
- Não é punível se guardar proporcionalidade com os fins e inexigibilidade de conduta diversa.
- Se o agente infiltrado cometer excesso doloso com desproporcionalidade, o que ocorre?
- Responderá pelo excesso praticado.
- A infiltração virtual (pela internet) foi inserida no pacote anticrime na Lei 12.850?
- Sim, inserida expressamente pelo Pacote Anticrime (art. 10-A a 10-D).
- Qual é o prazo máximo da infiltração de agentes virtuais (na internet)?
- Até 6 meses, podendo ser renovada sucessivamente até o limite de 720 dias.
- O agente policial pode recusar-se a participar de operação de infiltração?
- Sim, a aceitação da atuação infiltrada é sempre voluntária.
- Acesso a dados cadastrais de investigados depende de prévia ordem judicial?
- Não, delegado e MP têm acesso direto a dados cadastrais da vítima e suspeitos.
- Quais dados cadastrais podem ser acessados diretamente sem ordem judicial?
- Qualificação pessoal, filiação e endereço em bancos de dados públicos ou privados.
- O acesso a registros telefônicos de ligações (histórico) depende de autorização judicial?
- Sim, dados de chamadas telefônicas dependem de reserva de jurisdição (ordem judicial).
- Qual é o prazo para operadoras atenderem requisições judiciais de interceptação/dados?
- No prazo de 24 (vinte e quatro) horas, ressalvado prazo específico fundamentado.
- Qual é o crime previsto no art. 19 da Lei 12.850/13?
- Imputar falsamente a prática de infração a membro de organização em colaboração.
- Qual é o crime previsto no art. 20 da Lei 12.850/13?
- Descumprir determinação de sigilo em investigação ou instrução criminal referente à lei.
- Qual é o crime previsto no art. 21 da Lei 12.850/13?
- Recusar ou retardar dado técnico indispensável requisitado por juiz, MP ou delegado.
- A colaboração premiada homologada em juízo pode ser impugnada por terceiros delatados?
- Em regra não, terceiros não têm legitimidade para impugnar o acordo alheio.
- Diferença: Associação Criminosa (art. 288 CP) vs Organização Criminosa (Lei 12.850)?
- Associação exige 3 pessoas e qualquer crime; Organização exige 4, estrutura e pena > 4 anos.
- Diferença: Associação para o Tráfico (art. 35 Lei Drogas) vs Organização Criminosa?
- Associação para Tráfico exige 2 ou mais pessoas com dolo específico de traficar drogas.
- Diferença: Constituição de Milícia Privada (art. 288-A CP) vs Organização Criminosa?
- Milícia pune grupo para praticar crimes do CP; Organização exige divisão ordenada de tarefas.
- A tipificação de organização criminosa admite tentativa?
- Sendo crime formal de perigo abstrato, a doutrina majoritária considera incabível.
- O crime de integrar organização criminosa é instantâneo ou permanente?
- É crime permanente, cuja consumação se protrai no tempo enquanto durar a associação.
- Incide a Súmula 711 do STF sobre o crime permanente de organização criminosa?
- Sim, aplica-se a lei penal mais grave se a vigência for anterior à cessação da permanência.
- A captação ambiental sem conhecimento de um dos interlocutores é permitida pela lei?
- Sim, quando autorizada judicialmente nos casos em que a prova não puder ser feita por outro meio.
- Qual é a pena do crime de promover/integrar organização criminosa qualificada por arma?
- Reclusão de 3 a 8 anos mais a fração de aumento de até metade.
- A infiltração policial pode se dar em organizações não estruturadas?
- Não, só é cabível nos estritos limites da investigação de organizações criminosas.
- Quem tem legitimidade para requerer ação controlada?
- A autoridade policial ou o Ministério Público (este via representação ou parecer).
- A colaboração premiada pode ser celebrada durante a fase de execução penal?
- Sim, é permitida após a sentença e durante a execução, gerando redução de até metade.
- Quais são os resultados necessários para concessão dos benefícios da colaboração?
- Identificação de coautores, estrutura da organização, prevenção de crimes ou recuperação de bens.
- A concessão do perdão judicial na colaboração premiada extingue a punibilidade?
- Sim, o perdão judicial acarreta a extinção da punibilidade do colaborador.
- O termo de acordo de colaboração premiada deve ser assinado pelo advogado/defensor?
- Sim, é obrigatória a presença e assinatura do defensor sob pena de nulidade.
- O delatado tem direito de obter certidão do acordo em sigilo antes do recebimento da denúncia?
- Não, o sigilo permanece até o recebimento da denúncia para garantir a eficácia investigativa.
- Se o colaborador prestar informações falsas dolosamente, o que acontece?
- Responde pelo crime do art. 19 da Lei 12.850 e o acordo poderá ser rescindido.
- A rescisão do acordo de colaboração por culpa do agente anula as provas por ele entregues?
- Não, as provas já produzidas continuam válidas no processo contra terceiros e ele.
- Como se dá a contagem de prazo para o inquérito policial de réu preso por Orcrim?
- Seguem-se os prazos do CPP ou leis especiais, inexistindo prazo autônomo genérico na Lei 12.850.
- A captação ambiental autorizada judicialmente pode ser realizada em período noturno?
- Sim, mediante autorização judicial fundamentada para instalação clandestina.
- Qual autoridade homologa acordo firmado com pessoa com prerrogativa de foro?
- O respectivo tribunal competente para julgar a autoridade com foro por prerrogativa.
- É possível acordo de não persecução penal (ANPP) para membro de organização criminosa?
- Não, o CPP veda ANPP para crimes praticados no âmbito de organização criminosa habitual.
- O crime de organização criminosa admite fiança pela autoridade policial?
- Não, a pena máxima supera 4 anos (reclusão de 3 a 8 anos), sendo privativa do juiz.
- É obrigatória a gravação em áudio e vídeo dos depoimentos da colaboração premiada?
- Sim, sempre que possível, sob pena de irregularidade insanável do ato.
- O que é flagrante prorrogado/diferido?
- Sinônimo doutrinário para a técnica investigativa de Ação Controlada.
- É possível infiltração de agentes de inteligência não policiais?
- Não, a infiltração da Lei 12.850/13 é restrita a agentes de polícia.
- Quais concessionárias são obrigadas a fornecer dados cadastrais sem autorização judicial?
- Empresas de telefonia, transporte, instituições financeiras (só cadastrais) e cartões.
- O MP pode ter acesso direto aos extratos bancários com base na Lei 12.850/13?
- Não, extratos bancários dependem de quebra de sigilo autorizada judicialmente.
- A colaboração premiada pode ser firmada com quem já foi condenado em 2ª instância?
- Sim, pode ocorrer em qualquer fase processual ou mesmo na execução da pena.
- Qual é a natureza jurídica do termo de declarações do colaborador premiado?
- Meio de obtenção de prova com valor probatório relativo sujeito a confirmação.
- Se o magistrado entender desproporcional o acordo de colaboração, ele pode reduzi-lo de ofício?
- Não, cabe ao juiz recusar a homologação e devolver os autos para renegociação.
- O advogado do colaborador pode defender concomitantemente o delatado no mesmo processo?
- Não, há colidência evidente de defesas e nulidade insanável.
- O crime de integrar organização criminosa absorve os crimes específicos cometidos pelo grupo?
- Não, há concurso material de crimes com as infrações efetivamente perpetradas.
- A agravante por exercer comando se aplica a membros intermediários?
- Não, aplica-se apenas a quem exerce a liderança ou o comando individual/coletivo.
- Pode haver organização criminosa voltada exclusivamente para a prática de contravenções?
- Não, o tipo exige finalidade voltada à prática de infrações penais com pena máxima > 4 anos.
- A existência de crianças no bando sem armas configura a majorante do art. 2º, § 4º, I?
- Sim, a participação de criança ou adolescente é causa de aumento autônoma da de armas.
- A perda do cargo público por integrar Orcrim atinge mandatos eletivos?
- Sim, atinge cargo, emprego, função pública e mandato eletivo.
- Em qual situação o colaborador perde os benefícios negociados no acordo?
- Em caso de omissão dolosa relevante ou quebra dos deveres e condições assumidos no termo.
- O perdão judicial pode ser concedido se o colaborador não apontar a localização da vítima?
- O juiz avaliará a relevância da colaboração, mas a recuperação com vida é critério expressivo.
- A infiltração policial virtual pode envolver o uso de perfil falso nas redes?
- Sim, a criação de identidade fictícia na internet é expressamente autorizada por decisão.
- A revelação da identidade do colaborador premiado constitui infração penal?
- Sim, configura crime de violação de sigilo profissional ou quebra de segredo de justiça.
- A Lei 12.850/13 revogou tacitamente a Lei 9.034/95?
- Sim, o art. 26 da Lei 12.850/13 revogou expressamente a antiga Lei 9.034/95.