Perito Polícia Civil: Criminalística e Medicina Legal

Compartilhado por um usuário do Flashcards.gg · gerado com IA · Denunciar este conjunto

Conceitos fundamentais de criminalística e medicina legal para candidatos a concursos de perito da polícia civil.

106 cartões Português Nível: Ensino superior Direito penal Publicado
Toque no cartão para virar

Cartões · 106

Princípio da Troca de Locard
Todo contato deixa uma marca; postula que o autor de um crime leva vestígios do local e deixa algo de si na cena.
Cadeia de Custódia
Conjunto de procedimentos para registrar e rastrear a cronologia e a posse de um vestígio criminal desde a coleta até o descarte.
Vestígio em Criminalística
Qualquer marca, fato ou elemento material bruto encontrado no local do crime cuja relação com o delito deve ser investigada.
Evidência pericial
Vestígio que, após análise técnico-científica dos peritos, revela relação comprovada e direta com o evento investigado.
Indício (conceito jurídico)
Circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, autoriza por indução concluir-se a existência de outra circunstância.
Local idôneo versus Local inidôneo
O local idôneo está preservado e inalterado desde os fatos; o local inidôneo sofreu modificações antes do exame pericial.
Livor mortis (mancha de hipóstase)
Manchas decorrentes da sedimentação do sangue pela gravidade nas partes declives do corpo após a parada da circulação.
Rigor mortis (rigidez cadavérica)
Endurecimento muscular pós-morte resultante da depleção de ATP, impedindo a dissociação das pontes de actina e miosina.
Algor mortis (resfriamento cadavérico)
Equilíbrio térmico progressivo entre o corpo do cadáver e a temperatura ambiente após a cessação do metabolismo basal.
Mancha verde abdominal
Primeiro sinal macroscópico da fase cromática da putrefação, usualmente surgindo na fossa ilíaca direita por ação bacteriana.
Circulação póstuma de Brouardel
Desenho vascular subcutâneo escuro originado pela sulfemoglobina empurrada pelos gases da putrefação venosa.
Saponificação (Adipocera)
Processo transformativo conservador em que a gordura corporal se transforma em substância cerosa e untuosa em meio úmido e quente.
Corificação
Processo conservador em que o corpo adquire aspecto de couro curtido, comum em cadáveres mantidos em urnas metálicas seladas.
Mumificação
Processo conservador natural ou artificial propiciado por ambientes secos, quentes e ventilados, desidratando rapidamente o corpo.
Equimose
Infiltração de sangue vivo nas malhas dos tecidos subcutâneos decorrente da ruptura traumática de vasos capilares.
Espectro equimótico de Legrand du Saulle
Sequência cronológica de cores da equimose (vermelho, violáceo, azul, esverdeado, amarelado) pela degradação da hemoglobina.
Bossa sanguínea
Coleção hemática traumática subcutânea que faz relevo acentuado e nítido sobre uma superfície óssea subjacente.
Hematoma
Acúmulo localizado de sangue em cavidade neoformada devido à ruptura de vasos calibrosos sem apoio ósseo direto imediato.
Lesão contusa
Ferimento produzido por instrumento sem gume ou ponta que atua por pressão, choque, atrito ou tração mecânica.
Ferida incisa
Lesão aberta produzida por instrumento cortante, com comprimento maior que a profundidade e bordas regulares sem pontes de tecido.
Ferida perfurocontusa
Típica lesão de projétil de arma de fogo, causada pela penetração violenta de um elemento que fura e contunde os tecidos.
Orla de escoriação
Arredondamento epidérmico abrasivo ao redor do orifício de entrada de PAF decorrente do atrito rotacional do projétil.
Orla de enxugo
Anel escuro de sujidades e resíduos do cano e projétil depositados na pele ao redor da perfuração de entrada.
Zona de tatuagem
Incrustação intradérmica indelével de grânulos de pólvora incombusta ou parcialmente queimada em tiros a curta distância.
Zona de esfumaçamento
Depósito superficial e lavável de fuligem preta em torno da entrada do projétil em tiros desferidos a curta distância.
Sinal de Benassi
Impregnação de fuligem na lâmina óssea externa do crânio resultante de tiro encostado na cabeça.
Sinal de Werkgaertner
Desenho da boca ou massa de mira da arma impresso na pele devido a disparo com o cano firmemente encostado.
Câmara de mina de Hofmann
Descolamento de tecidos moles subcutâneos sobre o osso por reflexão e expansão de gases em tiro encostado na calota craniana.
Enforcamento
Asfixia mecânica por constrição do pescoço por laço tracionado pelo próprio peso da vítima, ativo ou passivo.
Estrangulamento
Asfixia mecânica violenta por compressão do pescoço por laço acionado por força externa alheia ao peso do corpo.
Esganadura
Asfixia puramente homicida resultante da constrição violenta do pescoço pelas mãos do agressor.
Sulco de enforcamento (características)
Sulco oblíquo, descontínuo (interrompido no nó), ascendente e com profundidade desigual ao longo do pescoço.
Sulco de estrangulamento (características)
Sulco horizontal, contínuo, uniforme em profundidade e geralmente situado abaixo da cartilagem tireóidea.
Manchas de Tardieu
Petéquias hemorrágicas subpleurais e subpericárdicas características do aumento agudo da pressão intravascular nas asfixias.
Manchas de Paltauf
Equimoses vicariantes subpleurais decorrentes do rompimento de septos alveolares distendidos no afogamento típico.
Cogumelo de espuma
Bolo espumoso branco ou róseo emergente das vias aéreas decorrente da mistura de água, ar, muco e surfactante no afogamento.
Sinal de Ponsold
Equimose do músculo esterno-cleido-mastoide e fáscias vizinhas decorrente de traumatismos na constrição cervical.
Queimadura de terceiro grau
Lesão térmica que atinge todas as camadas da pele até o plano celular subcutâneo, gerando escaras rígidas e indolores.
Marca elétrica de Jellinek
Lesão cutânea circular esbranquiçada e endurecida com bordas elevadas no ponto de entrada de corrente industrial (eletroplessão).
Fulguração
Morte ou lesões graves causadas no corpo humano pela ação direta da descarga elétrica natural da atmosfera (raio).
Sinal de Lichtenberg
Figuras dérmicas avermelhadas arborescentes ou ramificadas passageiras provocadas pela ação de raios atmosféricos.
Dactiloscópica Papilar (Deltas)
Ponto de confluência trirradiado usado na classificação dactiloscópica de Vucetich para identificar arco, presilha ou verticilo.
Arco (sistema de Vucetich)
Padrão de linhas dactilares desprovido de deltas (representado pela letra A no polegar ou pelo número 1 nos demais dedos).
Presilha interna e externa
Presilha interna tem delta à direita e linhas fluem à esquerda; presilha externa tem delta à esquerda e linhas fluem à direita.
Verticilo
Desenho papilar que apresenta obrigatoriamente dois deltas (um à esquerda e um à direita) e núcleo em espiral ou círculos.
Balística terminal ou de efeito
Ramo que estuda os fenômenos, dinâmica e danos produzidos pelo projétil a partir do impacto no alvo atingido.
Balística interna
Estuda os fenômenos que acontecem no interior do cano da arma desde o acionamento do gatilho até o projétil sair da boca.
Raiamento de cano
Sulcos helicoidais no cano destinados a imprimir rotação giroscópica ao projétil, conferindo estabilidade balística na trajetória.
Reação de Kastle-Meyer
Teste preliminar com fenolftaleína para presunção de sangue que produz cor rosa na presença de atividade peroxidásica.
Reagente Luminol
Composto quimioluminescente que produz luz azulada ao oxidar em contato com o ferro da hemoglobina em locais periciados.
Docimásia hidrostática de Galeno
Técnica pericial necroscópica em 4 fases para determinar se um recém-nascido respirou verificando a flutuação do pulmão.
Auto de corpo de delito
Instrumento formal descritivo elaborado pelo perito que materializa os vestígios diretos ou indiretos deixados pela infração penal.
Espectrometria de Massas (MS)
Técnica analítica que ioniza moléculas e separa os íons formados com base na razão massa/carga (m/z) para identificação inequívoca.
Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (GC-MS)
Técnica analítica confirmatória que combina separação cromatográfica de voláteis com identificação espectrométrica estrutural de alta especificidade.
Cromatografia Líquida acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS)
Método confirmatório padrão-ouro para análise de analitos não voláteis, termolábeis e polares em matrizes biológicas forenses.
Ionização por Impacto de Elétrons (EI)
Método de ionização dura que utiliza feixe de elétrons de alta energia (tipicamente 70 eV), gerando fragmentação molecular reprodutível para busca em bibliotecas.
Ionização Química (CI)
Método de ionização branda mediado por gás reagente que preserva o íon molecular ou forma adutos protonados com menor grau de fragmentação.
Ionização por Eletrospray (ESI)
Técnica de ionização branda à pressão atmosférica que converte analitos dissolvidos em fase líquida em íons em fase gasosa via nebulização e dessolvatação.
Ionização Química à Pressão Atmosférica (APCI)
Método de ionização à pressão atmosférica que utiliza descarga corona para ionizar o solvente e transferir carga a compostos de média polaridade.
Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES)
Técnica analítica de determinação elementar multielementar quantitativa baseada na radiação eletromagnética emitida por átomos excitados em plasma de argônio.
Espectrometria de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-MS)
Técnica instrumental ultrassensível para determinação de elementos inorgânicos e isótopos, largamente utilizada na análise de resíduos de tiro e venenos metálicos.
Espectrofotometria no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR)
Método analítico confirmatório que mede a absorção de luz infravermelha pelas vibrações moleculares, gerando um espectro tipo impressão digital de substâncias puras.
Espectroscopia de Refletância Total Atenuada (ATR-FTIR)
Variação do FTIR que dispensa o preparo tradicional de pastilhas de KBr, permitindo análise direta e não destrutiva de pós, tintas e fibras.
Espectroscopia Raman Forense
Técnica vibracional complementar ao infravermelho fundamentada no espalhamento inelástico de fótons, muito útil para análise de drogas dentro de embalagens translúcidas.
Espectrofotometria UV-Vis
Método de triagem colorimétrica ou espectral que analisa transições eletrônicas em cromóforos moleculares pela absorção de radiação ultravioleta e visível.
Espectrometria de Absorção Atômica com Chama (FAAS)
Técnica de dosagem quantitativa de metais pesados baseada na absorção de comprimentos de onda específicos por átomos em estado fundamental vaporizados por chama.
Espectrometria de Absorção Atômica em Forno de Grafite (GFAAS)
Variante de alta sensibilidade da absorção atômica para baixíssimas concentrações de metais em matrizes biológicas usando atomização eletrotérmica.
Analisador Quadrupolo
Dispositivo composto por quatro barras metálicas paralelas que filtra íons seletivamente através da aplicação combinada de potenciais contínuo (DC) e de radiofrequência (RF).
Analisador de Tempo de Voo (TOF)
Filtro de espectrometria de massas de alta resolução que separa íons acelerados em um tubo de derivação com base na velocidade dependente de sua razão m/z.
Analisador de Massa Orbitrap
Analisador eletrostático de ultra-alta resolução e acurácia de massa que aprisiona íons em órbitas elípticas ao redor de um eletrodo central em forma de fuso.
Espectrometria de Massas em Tandem (MS/MS)
Configuração analítica que realiza múltiplos estágios sequenciais de seleção de massa, fragmentação e análise iônica, conferindo extrema seletividade.
Íon precursor (íon-mãe)
Espécie iônica intacta selecionada no primeiro analisador de massa destinada à fragmentação controlada por colisão em experimentos tandem.
Íon produto (íon-filho)
Fragmento iônico gerado pela dissociação induzida por colisão a partir de um íon precursor selecionado.
Monitoramento de Reação Selecionada (SRM)
Modo de análise MS/MS no qual um íon precursor específico e um fragmento exclusivo são monitorados para detecção ultrassensível de um analito alvo.
Monitoramento de Íon Selecionado (SIM)
Modo de aquisição em espectrometria de massas focado no monitoramento de valores restritos de m/z, maximizando a sensibilidade e relação sinal/ruído.
Varredura Total de Íons (Full Scan)
Modo de operação em espectrometria de massas que adquire o espectro completo em uma ampla faixa de m/z, permitindo a elucidação e identificação por biblioteca.
Efeito de Matriz em LC-MS
Alteração indesejada da eficiência de ionização do analito causada por compostos coeluintes não detectados presentes na amostra biológica.
Ionização e Dessorção a Laser Assistida por Matriz (MALDI-TOF)
Técnica de ionização suave via laser ultravioleta para moléculas de alta massa molecular, útil no imageamento de digitais latentes e análise de proteínas.
Dessorção por Ionização por Eletrospray (DESI)
Técnica de ionização direta e ambiental que utiliza um spray carregado para dessorver e ionizar analitos diretamente de superfícies sem pré-tratamento.
Análise Direta em Tempo Real (DART-MS)
Fonte de ionização ambiente à base de plasma de gás hélio ou nitrogênio aquecido capaz de volatilizar e ionizar vestígios diretamente do suporte amostral.
Razão de Fragmentos Isotópicos em Forense
Uso da abundância relativa de isótopos estáveis (como 13C, 15N e 2H) para determinar origem geográfica de drogas ilícitas e explosivos.
Microscopia Eletrônica de Varredura acoplada a EDS (MEV-EDS)
Técnica instrumental primária para análise morfológica e espectrometria de raios-X por dispersão de energia de partículas características de resíduos de disparo de arma de fogo (GSR).
Resíduo de Disparo de Arma de Fogo (GSR característico)
Partícula esferoidal condensada contendo a liga elementar ternária e simultânea de Chumbo (Pb), Bário (Ba) e Antimônio (Sb).
Espectrometria de Fluorescência de Raios X (XRF)
Método analítico espectrométrico não destrutivo para determinação elementar qualitativa e semiquantitativa de tintas automotivas, vidros e joias suspeitas.
Espectrofotometria de Absorção no Visível para Carboxiemoglobina
Determinação espectral quantitativa da saturação de monóxido de carbono no sangue de vítimas de asfixia por fumaça em incêndios.
Espectrometria de Mobilidade Iônica (IMS)
Dispositivo portátil de detecção rápida que separa íons à pressão atmosférica pela sua velocidade de deriva através de um gás tampão sob campo elétrico.
Cromatografia em Camada Delgada (CCD / TLC)
Método cromatográfico planar amplamente empregado na triagem toxicológica rápida preliminar para separação de alcaloides e canabinoides.
Dissociação Induzida por Colisão (CID)
Mecanismo em espectrometria de massas tandem no qual íons são fragmentados por choques com átomos neutros de gás inerte (argônio ou nitrogênio).
Íon Molecular
Espécie resultante da perda ou ganho de um elétron por uma molécula sem que haja clivagem de ligações químicas, representando a massa molecular do composto.
Íon Base (Pico Base)
O pico mais intenso em um espectro de massas, ao qual se atribui arbitrariamente a abundância relativa de 100%.
Derivatização Química em Toxicologia Forense
Reação química (como sililação ou acetilação) aplicada à amostra para reduzir a polaridade e aumentar a volatilidade e estabilidade térmica dos analitos antes do GC-MS.
Padrão Interno Deuterado
Análogo isotópico estável do fármaco de interesse adicionado à amostra para compensar perdas de extração e variações na ionização por espectrometria de massas.
Limite de Detecção (LOD)
Menor concentração ou massa de um analito em uma amostra que pode ser detectada com confiabilidade estatística, tipicamente três vezes o ruído de fundo.
Limite de Quantificação (LOQ)
Menor teor do analito passível de quantificação em matriz biológica com exatidão e precisão aceitáveis pelos protocolos de validação forense.
Cromatograma de Íons Totais (TIC)
Representação gráfica do sinal analítico total em função do tempo de retenção cromatográfica, somando a abundância de todos os íons detectados.
Cromatograma de Íons Extraídos (EIC / XIC)
Perfil cromatográfico construído pelo monitoramento exclusivo de um valor selecionado de m/z a partir de uma corrida completa de varredura.
Resolução de Massa (m/Δm)
Capacidade instrumental de um espectrômetro de massas de distinguir dois picos adjacentes com razões massa/carga ligeiramente diferentes.
Acurácia de Massa
Desvio relativo entre a massa calculada teoricamente e a massa experimentalmente medida por espectrometria de massas de alta resolução, expresso em ppm.
Espectrometria de Quebra Induzida por Laser (LIBS)
Técnica de emissão óptica que usa pulsos de laser de alta energia para criar microplasmas na superfície de vestígios e analisar sua composição elementar.
Substâncias Psicoativas Emergentes (NPS)
Novas drogas sintéticas (como catinonas e canabinoides sintéticos) desenhadas para burlar a legislação e cuja confirmação estrutural depende criticamente do GC-MS ou HRMS.
Janela de Detecção Toxicológica
Período útil após a exposição a uma droga ou veneno em que a substância ou seus metabólitos permanecem identificáveis por métodos analíticos na matriz.
Redistribuição Post Mortem
Alteração artificial nas concentrações de drogas em amostras de sangue no cadáver decorrente da difusão passiva pós-morte a partir de órgãos reservatórios.
Humor Vítreo como Matriz Toxicológica
Fluido ocular estéril, protegido e com baixa interferência bacteriana, preferido na toxicologia forense para quantificação de etanol, glicose e fármacos.
Queratina Capilar na Toxicologia Forense
Matriz biológica de eleição para rastreamento de uso retrospectivo crônico e histórico temporal de exposição a drogas de abuso e venenos metálicos.
Imunoensaio Toxicológico de Triagem
Método imunoquímico preliminar (como ELISA ou FPIA) rápido e sensível, mas não confirmatório devido a riscos inerentes de reação cruzada com outras moléculas.
Extração em Fase Sólida (SPE)
Procedimento de preparo e purificação de amostras forenses no qual analitos retidos em cartuchos de adsorventes específicos são fracionados e concentrados para análise instrumental.

Conjuntos relacionados

Mais em Direito penal →