Provas no Processo Penal
Este conjunto aborda as regras e os conceitos fundamentais sobre provas no processo penal brasileiro. Destina-se a estudantes de direito e candidatos a concursos públicos.
Cartões · 70
- O que é prova no processo penal?
- É todo elemento ou instrumento idôneo utilizado para formar o convencimento do juiz sobre os fatos alegados.
- O que é o objeto da prova?
- São os fatos controvertidos, pertinentes e relevantes que precisam ser demonstrados no processo.
- Quais fatos independem de prova no processo penal?
- Fatos notórios, presunções legais absolutas, fatos axiomáticos ou evidentes e fatos inúteis.
- O direito precisa ser provado no processo penal?
- Em regra não (jura novit curia), exceto direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário.
- O que é o princípio do livre convencimento motivado?
- O juiz é livre para apreciar as provas, desde que fundamente expressamente as razões de sua decisão.
- Qual é a vedação prevista no art. 155 do CPP para a condenação?
- O juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação.
- Quais provas colhidas na fase inquisitorial podem fundamentar condenação isoladamente?
- Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
- O que são provas cautelares?
- Provas cuja produção existe risco de perecimento pelo decurso do tempo, exigindo autorização prévia.
- O que são provas não repetíveis?
- Aquelas que, uma vez produzidas, não podem ser refeitas em momento posterior, como exame de corpo de delito.
- O que são provas antecipadas?
- Aquelas produzidas antes do momento processual oportuno, perante autoridade judicial e sob contraditório.
- Qual é a regra geral do ônus da prova segundo o art. 156 do CPP?
- A prova da alegação incumbirá a quem a fizer.
- De quem é o ônus da prova da acusação?
- Da acusação, quanto à materialidade, autoria, tipicidade e circunstâncias agravantes.
- De quem é o ônus da prova de excludentes de ilicitude ou culpabilidade?
- Do réu/defesa, embora a dúvida razoável deva militar em favor do acusado (in dubio pro reo).
- O juiz pode determinar provas de ofício antes de iniciada a ação penal?
- Sim, apenas para produção antecipada de provas urgentes e relevantes, com necessidade comprovada.
- O juiz pode determinar provas de ofício no curso da ação penal?
- Sim, para dirimir dúvida sobre ponto relevante, de forma supletiva e subsidiária.
- O que é o princípio da verdade real?
- Busca pela reconstrução mais fiel possível dos fatos históricos, mitigada pelos direitos fundamentais.
- O que é o princípio do contraditório na prova?
- Direito das partes de participar da produção probatória, contraditar elementos e manifestar-se sobre eles.
- O que são provas ilícitas em sentido estrito?
- Provas obtidas com violação a normas de direito material, especialmente direitos e garantias constitucionais.
- O que são provas ilegítimas?
- Provas obtidas ou introduzidas no processo com violação a normas de direito processual.
- Qual é a consequência da prova ilícita segundo a Constituição e o CPP?
- São inadmissíveis e devem ser desentranhadas e destruídas do processo.
- O que é a teoria dos frutos da árvore envenenada?
- Inadmissibilidade das provas derivadas de uma prova ilícita originária (ilicitudes por derivação).
- Quais são as exceções à teoria da ilicitude por derivação previstas no CPP?
- Fonte independente e descoberta inevitável (art. 157, §§ 1º e 2º do CPP).
- O que é a exceção da fonte independente?
- Quando a prova derivada puder ser obtida por via autônoma, sem nexo causal com a prova ilícita originária.
- O que é a teoria da descoberta inevitável?
- Quando a prova seria inevitavelmente produzida pelos atos normais de investigação já em andamento.
- A prova ilícita pode ser utilizada em favor do réu (pro reo)?
- Sim, a doutrina e jurisprudência admitem com base no princípio da ampla defesa e estado de necessidade.
- O que deve ser feito com o juiz que conhece do conteúdo de prova declarada ilícita?
- O juiz que conhecer do conteúdo da prova ilícita não poderá proferir a sentença (art. 157, § 5º do CPP).
- O que é a cadeia de custódia da prova (art. 158-A do CPP)?
- Conjunto de procedimentos para registrar e rastrear o caminho do vestígio desde o início até o descarte.
- O que é considerado vestígio para fins de cadeia de custódia?
- Todo elemento bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que tenha relação com a infração penal.
- Quais são as 10 etapas da cadeia de custódia?
- Reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte.
- O que é a etapa de reconhecimento na cadeia de custódia?
- Ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial.
- O que é a etapa de isolamento na cadeia de custódia?
- Ato de evitar a alteração do estado das coisas, garantindo a preservação do local do crime ou vestígio.
- O que é a etapa de fixação na cadeia de custódia?
- Descrição detalhada do vestígio como se encontra no local ou no corpo de delito, por foto ou texto.
- O que é a etapa de coleta na cadeia de custódia?
- Ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando normas técnicas.
- O que é a etapa de acondicionamento na cadeia de custódia?
- Procedimento por meio do qual cada vestígio é embalado de forma individualizada e lacrado.
- Quando o exame de corpo de delito é indispensável (art. 158 do CPP)?
- Quando a infração deixar vestígios, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
- O que é corpo de delito?
- Conjunto de vestígios materiais deixados pela prática da conduta criminosa.
- O que é exame de corpo de delito direto?
- Aquele realizado diretamente pelos peritos sobre os vestígios materiais deixados pelo crime.
- O que é exame de corpo de delito indireto?
- Aquele realizado por outros meios probatórios, como testemunhas ou prontuários, quando o vestígio sumiu.
- Quem realiza o exame de corpo de delito e perícias em geral?
- Realizado por 1 perito oficial ou, na falta deste, por 2 pessoas idôneas com diploma de curso superior.
- Os assistentes técnicos podem atuar na perícia criminal?
- Sim, após a conclusão do laudo pericial oficial e mediante admissão pelo juiz.
- O juiz está adstrito ao laudo pericial (art. 182 do CPP)?
- Não, o juiz pode aceitar ou rejeitar o laudo, no todo ou em parte (sistema liberatório).
- O que é o interrogatório do réu?
- Ato processual personalíssimo que constitui meio de defesa (autodefesa) e subsidiariamente meio de prova.
- Em que momento deve ser realizado o interrogatório do réu?
- Ao final da instrução criminal, como último ato antes das alegações finais.
- O réu tem direito ao silêncio durante o interrogatório?
- Sim, previsto constitucionalmente (nemo tenetur se detegere), sem que o silêncio gere presunção de culpa.
- Quais são as duas partes do interrogatório do acusado?
- Interrogatório sobre a pessoa do acusado e interrogatório sobre o fato imputado.
- O que é a confissão no processo penal?
- Declaração voluntária do réu pela qual admite a veracidade de fato criminoso contra si imputado.
- A confissão tem valor absoluto (rainha das provas)?
- Não, possui valor relativo, devendo ser confrontada com as demais provas dos autos para ter validade.
- A confissão é divisível e retratável?
- Sim, o acusado pode retratar-se dela a qualquer momento e o juiz pode aceitá-la em parte (art. 200 do CPP).
- O ofendido/vítima presta compromisso de dizer a verdade?
- Não, o ofendido não presta compromisso de dizer a verdade e não comete crime de falso testemunho.
- Toda pessoa pode ser testemunha no processo penal (art. 202 do CPP)?
- Sim, qualquer pessoa pode ser testemunha, salvo as exceções legais expressas.
- Quem está proibido de depor por motivo de função ou profissão?
- Pessoas que devam guardar sigilo profissional, a não ser que, desobrigadas pela parte, queiram depor.
- Quem pode se recusar a depor contra o acusado?
- Cônjuge, ascendente, descendente, irmão e afins em linha reta, salvo se não for possível obter a prova.
- A testemunha tem obrigação de prestar compromisso de dizer a verdade?
- Sim, sob pena de incorrer no crime de falso testemunho (art. 342 do CP), ressalvados os informantes.
- Quem não presta compromisso de testemunha (informantes)?
- Menores de 14 anos, doentes mentais e os parentes do réu autorizados a recusar o depoimento.
- Como é realizada a inquirição de testemunhas (sistema cross-examination)?
- As perguntas são feitas diretamente pelas partes (acusação e defesa), cabendo ao juiz complementar.
- O que é a prova documental no processo penal?
- Quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares, aptos a demonstrar um fato.
- Em que fase processual podem ser apresentados documentos?
- Em qualquer fase do processo, salvo prazos específicos e no rito do Júri com antecedência mínima de 3 dias.
- O que é o reconhecimento de pessoas e coisas (art. 226 do CPP)?
- Procedimento formal para identificar pessoa ou objeto relacionado à prática da infração penal.
- Qual é a consequência de não observar as formalidades do art. 226 do CPP?
- Segundo o STJ e STF, o reconhecimento é nulo e não serve isoladamente para justificar a condenação.
- O que é a acareação no processo penal?
- Ato de confrontar duas ou mais pessoas cujas declarações divergirem sobre fatos ou circunstâncias relevantes.
- O que são indícios segundo o art. 239 do CPP?
- Circunstâncias conhecidas e provadas que, por indução lógica, permitem concluir a existência de outro fato.
- É permitida condenação penal baseada exclusivamente em indícios?
- Sim, desde que sejam graves, precisos, concordantes e submetidos ao contraditório.
- O que é busca e apreensão domiciliar?
- Medida cautelar probatória e restritiva de direitos para encontrar pessoas ou objetos no interior de domicílio.
- Qual é o horário para cumprimento de mandado de busca domiciliar?
- Apenas durante o dia, salvo consentimento do morador ou situação de flagrante delito/desastre.
- O que é interceptação telefônica segundo a Lei nº 9.296/96?
- Captação da conversa telefônica por terceiro sem o conhecimento de nenhum dos interlocutores, com ordem judicial.
- Quais os requisitos para decretação de interceptação telefônica?
- Indícios razoáveis de autoria, crime punido com reclusão e impossibilidade de obtenção da prova por outro meio.
- Qual é o prazo máximo da interceptação telefônica?
- Prazo de até 15 dias, prorrogável por iguais períodos mediante decisão fundamentada demonstrando a necessidade.
- O que é gravação clandestina?
- Gravação de conversa realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro, em regra lícita para defesa.
- O que é escuta telefônica?
- Captação de conversa realizada por terceiro com a autorização e conhecimento de apenas um dos interlocutores.
- O que é o sistema tarifado de provas (ou da certeza legal)?
- Sistema no qual a lei predetermina o valor e a hierarquia de cada prova produzida no processo.